Enigma Mórmon: Emma Hale Smith

Em setembro de 1984, duas intrépidas membros da Igreja SUD e historiadoras publicaram a primeira e, até hoje mais importante, biografia de Emma Hale Smith, esposa do Profeta Joseph Smith.

Retrato de Emma Smith (Cortesia dos Arquivos SUD)

Retrato de Emma Smith (Cortesia dos Arquivos SUD)

Intitulado originalmente Mormon Enigma: Emma Hale Smith, Prophet’s Wife, “Elect Lady”, Polygamy’s Foe (“Enigma Mórmon: Emma Hale Smith, Esposa do Profeta, ‘Mulher Eleita’, Inimiga de Poligamia”), Valeen Tippetts Avery e Linda King Newell produziram, além de uma excelente biografia acadêmica sobre a primeira esposa de Smith, uma reconstrução historiográfica que oferece uma visão ímpar do Profeta através dos olhos de sua mulher.

Recebendo o prêmio de Melhor Livro do Ano da Associação de História Mórmon, e laudado efusivamente pela comunidade acadêmica de estudos mórmons na época (ver aqui, aqui, e aqui) “Enigma Mórmon”, que completou 32 anos essa semana, é um dos grandes marcos na historiografia mórmon.

Quase 3 décadas após sua publicação, a única sobrevivente da dupla de historiadoras escreveu uma breve nota no site de vendas Amazon.com para responder a alguns dos comentários publicados por leitores. A nota oferece algumas explicações básicas a equívocos comuns a respeito da obra, e mais importantemente, uma pequena janela íntima no pensamento de uma das historiadoras mais influentes do mormonismo:

“Passaram-se 25 anos desde que Valeen Tippets Avery e eu completamos o manuscrito de Mormon Enigma: Emma Hale Smith, publicado pela Doubleday, Inc. em 1984. A editora da Universidade de Illinois lançou uma segunda edição revisada em 1994, o que nos permitiu fazer várias correções, principalmente associadas aos documentos que foram forjados por Mark Hoffman. Desde sua primeira edição, Mormon Enigma tem visto vendas constantes – cerca de 1000 cópias por ano. Espero que continuará a ser um esteio na história mórmon no futuro próximo.

Então, depois de todos esses anos, eu decidi ler, pela primeira vez, as resenhas do livro publicadas na Amazon.Com – vinte e três até hoje. A maioria delas foram gentis; algumas continham informações erradas que eu gostaria de corrigir aqui.

Uma resenha de “O Cliente” intitulado “Pesquisa esclarecedora,” 16 de junho de 2001, disse que uma dos autoras é SUD e a outro RSUD (agora Igreja Comunidade de Cristo). Eu sou SUD e a Val também era (ela morreu repentinamente em 7 de abril de 2006).

Angele Dawn Bissonette, em sua resenha de 21 de agosto de 2006, declarou que uma das autoras foi excomungada. Nenhuma de nós foi excomungada. Os líderes da igreja SUD, no entanto, não estavam satisfeitos com o livro, dizendo que “é uma visão não-tradicional de Joseph Smith.” Para desencorajar a venda do livro, eles nos proibiram de falar em público em quaisquer reuniões da Igreja SUD ou mesmo em quaisquer edifícios da Igreja sobre qualquer assunto a ver com a história da Igreja SUD. Quando a imprensa descobriu essa história, as vendas do livro triplicaram. A proibição durou cerca de um ano – de maio de 1985 a maio de 1986. Naquela época, recebi a notícia de que já não haviam mais quaisquer restrições.

O equívoco mais surpreendente intitulado “amazon.com errou feio”, 06 de abril de 1999, veio de outra pessoa identificada como “um cliente.” A resenha afirmou que antes que o manuscrito fora terminado “Linda King Newell encontrou-se com problemas pessoais e foi incapaz de continuar a trabalhar no livro. Valeen Avery terminou o livro e completou todas as revisões para apaziguar o editor.” Isto simplesmente não é verdade. Eu fui a principal pesquisadora do livro e a escrita foi dividida igualmente. Nós trabalhamos juntas para reescrever as narrativas da outra até a prosa emergir como um todo sem costura. Cada uma de nós teve momentos difíceis diferentes por vezes. Eu me submeti a uma grande cirurgia e Val quebrou seu braço direito (o de escrever) e algumas costelas em um acidente de carro. Nenhuma de nós deixou de trabalhar no livro durante nossas recuperações. Quando o nosso editor da Doubleday nos disse que teríamos que cortar o manuscrito de 1000 páginas em um terço, nós duas passamos por todo o manuscrito para conseguir isso, negociando seções para frente e para trás. No final, um arremesso de moeda determinou qual nome apareceria primeiro.

Agradeço todas as amáveis palavras com as quais tantos leitores contribuíram nestes comentários. Obrigada a todos.”

Junto ao túmulo de John Whitmer, uma das testemunhas do Livro de Mórmon, um grupo de historiadores e acadêmicos à época do congresso anual da Associação de Historiadores John Whitmer

Junto ao túmulo de John Whitmer, uma das testemunhas do Livro de Mórmon, um grupo de historiadores e acadêmicos à época do congresso anual da Associação de Historiadores John Whitmer de 2010. A historiadora Linda King Newell encontra-se na primeira fila, à direita, apoiando-se em Marcello Jun.

Atualmente, há 56 comentários sobre o livro, 71% deles atribuindo-lhe 5 estrelas e 20% 4 estrelas, para um total de 91% de resenhas muito positivas. A obra, especialmente a segunda edição de 1994 corrigida e expandida, é ímpar na historiografia mórmon e deve ser leitura obrigatória para qualquer aluno de história mórmon, contendo informações e insights indisponíveis em outras publicações.

2 comentários sobre “Enigma Mórmon: Emma Hale Smith

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