Quantos Mórmons São Ativos?

Os Apóstolos d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias receberam dados estatísticos levantados pelo professor da BYU Alan Wilkins em reunião privada em novembro de 2008.

Jovens SUD

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Os dados secretos sagrados demonstrados aos Apóstolos vazaram, junto com a apresentação inteira, em formato de vídeo recentemente. Apesar da Igreja não publicar informações demográficas negativas e insistir na fantasia de que há mais de 15 milhões de membros “fortes” (de acordo com Thomas Monson em Conferência Geral), essa informação oficial de 2008 agora pode ser confirmada e é de domínio público.

De acordo com o levantamento que Wilkins apresentou aos Apóstolos:

  • Taxas de participação (i.e., “atividade”) caem entre 15 e 20 anos de idade, e caem vertiginosamente entre 20 e 25 anos de idade;
  • 72% de todos os jovens ficam inativos antes dos 20 anos de idade;
  • Apenas 30% dos jovens adultos são ativos na Igreja nos EUA;
  • Apenas 20% dos jovens adultos são ativos na Igreja fora dos EUA;
  • Apenas 6% dos jovens fora dos EUA se casam no templo até os 30 anos de idade;
  • Taxas de casamentos no templo vêm caindo nas últimas décadas, especialmente entre jovens fora dos EUA;
  • A maioria dos membros inativos são desconhecidos de seus respectivos bispos;
  • A idade média para primeiro casamento fora do templo é 27 anos para homens e 25 anos para mulheres; para casamentos no templo a idade é menor, 24 para homens e 23 para mulheres;
  • A idade média para primeiro casamento entre membros da Igreja vem subindo paulatinamente, causando preocupações entre os líderes;
  • Jovens casados apresentam uma taxa de atividade 2 vezes maior que jovens solteiros;
  • Jovens solteiros sentem-se ignorados e descartados pela Igreja;
  • Internacionalmente, há 7 homens ativos na Igreja para cada 10 mulheres;
  • O nível educacional médio é maior entre as mulheres que entre homens;
  • 85% dos jovens adultos solteiros são “invisíveis aos seus líderes”.

Esses dados estatísticos negativos certamente não surpreenderão nossos leitores assíduos [veja artigos nossos sobre isso aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui], porém é interessante notar que dados internos da Igreja confirmam nossas análises prévias.

Assista a apresentação aqui:

Amanhã discutiremos o debate de mais de meia-hora entre os Apóstolos em resposta à apresentação de Wilkins. Aos que decidirem assistir essa segunda parte do vídeo acima, deixe-nos suas impressões de como eles reagem a essas informações e suas opiniões sobre suas ideias e sugestões nos comentários abaixo.

22 comentários sobre “Quantos Mórmons São Ativos?

  1. É fato incontroverso que a frequência nos ramos e alas vem caindo drasticamente. A realidade é bastante diferente daquela anunciada a cada ano nas Conferências Gerais. Minha ala mal chega a ter frequência semanal de 100/120 membros, no entanto a relação de membros supera 600 pessoas. Em outras alas que participei em mais de 30 anos não era diferente… O que se percebe é um esforço hercúleo de pretender demonstrar que os números só crescem ano após ano. Talvez na tentativa de fazer parecer que a “igreja verdadeira” só cresce e Sião próspera. Mas esse não é o caso, pois nos últimos anos está ocorrendo uma grande evasão de membros, especialmente os jovens que sao mais curiosos em conhecer a verdadeira história do mormonismo, se deparando com antagonismos e contradições… A igreja não deve ter um terço do número de membros que anúncia.

  2. Baseado na minha experiência como membro e como missionário de tempo integral, percebi alguns pontos que parecem ser comuns em várias unidades da igreja, e me entristece ver a instituição que formou muito do que sou, consumindo a si mesma com erros tão… tão… na falta de um melhor termo, infantis:
    Primeiro: Falta de autocrítica. Não sei se o princípio de inspiração divina afeta as pessoas dessa forma, mas há sempre um rosário de desculpas pra negar o fato de que as pessoas ou a instituição erraram, e quando um erro é finalmente analisado, miram no que não viram, e atacam ainda outra coisa, menos a causa real.
    Segundo: Relativismo moral. Certas atitudes embora não desejáveis, não são o fim do mundo, mas ganham destaque na hierarquia dos pecados, como falar palavrões por exemplo, que se torna algo abominável, mas racismo, machismo e afins são tidos como somente opiniões. Fatores sociais são sumariamente ignorados em favor de uma falsa meritocracia.
    Terceiro: Foco em resultados, não em pessoas. Parece não haver interesse em aprofundar o entendimento dos membros novos sobre o evangelho, se são dizimistas integrais e vão ao templo, tá de boas; não é checado o conhecimento deles, e em consequência disso, há espaço para distorções doutrinárias práticas.
    Quarto: Culto à personalidade. Esse me irrita particularmente, pois se elder ou presidente fulano falou, é verdade, mesmo que contrarie à doutrina oficial, mesmo que vá contra o que está nos manuais.
    Quinto: Mesmo depois de Presidente Hinckley ter dito em conferência geral que não há aristocracia na igreja, essas palavras parecem não ter conseguido atravessar o crânio espesso de muita gente, que cria os filhos como num kennel club, buscando manter o pedigree a todo custo.
    Bem, estou com muito sono agora, mas depois posto outros pontos.

    • Desconfio que, no fundo, todos sabem disso (excetuando, claro, aqueles mais parvos), mas negam-se a admitir os problemas pois ao fazê-lo estariam admitindo que todo o folclore mórmon (a suposta constante direção divina, o profeta que falaria com deus “cara a cara”, todas as suas decisões seriam tomadas por revelação, etc) não passa de bobagens.

      Percebo que há vontade de sair dessa situação (criada pela própria liderança, registre-se), mas que essa saída esta sendo construída com muita cautela para não chocar os mais ingênuos.

      Uma boa tática é realizar mudanças sem dar explicações, atribuindo isso ao “padrão do Senhor” (na verdade, qualquer explicação só pioraria as coisas).

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