O Profeta Joseph Fielding Smith expressou sua crença de que Deus, o Pai Celestial, é polígamo e que Maria, conhecida como a Virgem Mãe de Jesus, era uma de suas esposas.

Joseph Fielding Smith foi o 10° Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (1970-1972). Filho do 6° Presidente, Joseph F Smith (1901-1918), ele também serviu como Apóstolo (1910-1970).
Muitos profetas e apóstolos mórmons expressaram a mesma crença, particularmente que Jesus teria sido o fruto de uma relação sexual entre o imortal Deus Pai Celestial e a mortal Maria, como por exemplo Brigham Young, Heber C Kimball, Orson Pratt, Joseph F Smith, James Talmage, Anton H Lund, Charles W Penrose, Melvin J Ballard, e Bruce R McConkie, Harold B Lee, Eldred G Smith, Ezra Taft Benson, e os próprios manuais da Igreja SUD.
No dia 1 de novembro de 1961, o membro da Igreja Lester H. Wall de Banning, Califórnia, escreveu uma carta para o então Presidente do Quórum dos Doze Apóstolos Joseph Fielding Smith com várias perguntas sobre “casamento Patriarcal (plural)”. A carta foi recentemente encontrada por um de seus descentendes em Jacksonville, Oregon:
[Carimbo: RECEBIDO 3 Nov 1961 Joseph Fielding Smith]
[Remetente:]
Rua East Barbour,116
Banning, Califórnia
1 de novembro de 1961[Destinatário:]
Presidente Joseph Fielding Smith
Presidente do Quórum dos Doze
Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Salt Lake City, UtahCaro Presidente Smith:
Parece haver muita discordância quanto à importância do casamento Patriarcal (plural); livros diferentes e pessoas diferentes dizem coisas diferentes. Para que possamos entender claramente a posição da Igreja sobre esse assunto, apreciaríamos profundamente uma explicação completa.
Algumas das principais questões são: é uma lei celestial? Deus vive essa lei? Todos os que recebem esta lei devem viver isso? Quantos receberam esta lei? É ou não é um dos principais princípios do Evangelho? Qual é a sua importância para o presente, para o futuro, e para a eternidade?
Estou anexando um envelope auto-endereçado e selado para sua resposta.
Atenciosamente,
[Assinado] Lester Wall
[Escrito à mão] “Vire ->”

O Presidente Smith respondeu a carta em seu verso, de próprio punho:
O casamento para a eternidade é uma doutrina fundamental da Igreja. É um casamento entre um homem e uma mulher[,] ver os versículos 15-19 na seção 132 de Doutrina e Convênios. É essencial para a Exaltação.
Não me sinto em liberdade para discutir o casamento além deste ponto. No que diz respeito ao nosso Pai Eterno[,] não estou preparado para discutir seu estado civil. Eu sei que nós somos Seus descendentes (veja Atos 17.)[.] Eu sei ainda que Ele tomou Maria como uma esposa, senão Cristo Seu Filho Unigênito no mundo mortal seria ilegítimo!
[Assinado] Joseph Fielding Smith

Smith, por motivos desconhecidos, optou por abster-se de diretamente responder as perguntas sobre poligamia que o correligionário lhe havia posto por escrito. Não obstante, ao indicar absoluta certeza de que, com relação a Deus Pai, todos “nós somos Seus descendentes” e “que Ele tomou Maria como uma esposa”, Smith tácita e indiretamente lhe confirmou que Deus Pai é polígamo. De acordo com a teologia de Smith, Deus Pai teria uma esposa celestial através da qual todos “nós somos Seus descendentes”, e além dela, Ele teria “tom[ado] Maria como uma esposa” e, portanto, teria se tornado ao menos bígamo.
Ademais, Smith tática e indiretamente confirma a teologia dos outros profetas e apóstolos mórmons citados acima de que o nascimento de Jesus Cristo na Terra teria sido através de reprodução sexual biologicamente determinável. Do contrário, o casamento de Deus Pai e a Virgem Maria não seria necessário para evitar que Jesus fosse um filho bastardo (“ilegítimo”) de Deus.
A questão mais interessante que resta após a leitura dessa correspondência é por que Smith teria se acanhado tanto de elaborar sobre essas questões concernente poligamia? Afinal, vários profetas mórmons do passado haviam pregado que poligamia é um princípio eterno, necessário para exaltação (entre eles, seu próprio pai), e inclusive presente na teologia mórmon até hoje com um profeta polígamo.
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James E. Talmage foi um dos maiores teólogos. Ele disse em The Story and Philosophy of ‘Mormonism’ (A História e Filosofia do ‘mormonismo’), página 88, que “Os santos dos últimos dias foram por muito tempo considerados como um povo polígamo. Que o casamento plural foi praticado por uma proporção limitada de pessoas, sob a sanção das ordenanças da Igreja, nunca foi negado, desde a introdução do sistema. Mas que o casamento plural é um princípio vital da Igreja não é verdade. O que os Santos dos Últimos Dias chamam de casamento celestial é uma característica da Igreja, e é na prática muito geral; mas do casamento celestial, pluralidade de esposas foi um incidente, mas nunca essencial. No entanto, os dois têm muitas vezes sido confundidos na mente popular”.
O mais interessante aqui é como esse “um dos maiores teólogos” diretamente contradiz profetas e apóstolos como Joseph Smith, Brigham Young, John Taylor, Heber C Kimball, Orson Pratt, George Q Cannon, Joseph F Smith, Bruce R McConkie, e até o atual manual oficial da Igreja SUD em 2019! As citações são muitas, então vamos deixá-las aqui para clicar e ler.
Valéria, igualmente interessante é notar que Talmage publicou esse livro meros 3 anos após o Presidente da Igreja Joseph F Smith ter sido publicamente humilhado em pleno Congresso Nacional ao ser obrigado a admitir que ele, e a Igreja, estava mentindo sobre haver abandonado poligamia em 1890. Tamanha foi a dor dessa humilhação que Smith publicou, em 1904, um “segundo manifesto” desta vez proibindo a prática de poligamia de fato, e não apenas no papel.
Vocês tem razão referente a sua posição!
Mas usei essa declaração apenas para informar uma posição de um líder sobre a necessidade de poligamia para exaltação. Ele declara que não é essencial.
Achei interessante expor as diferenças de opiniões que existiam entre eles!