Imposição de mãos (femininas)

Imagem: ordainwoen.org

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Mulheres sud não são mais vistas administrando bênçãos de conforto e saúde por imposição de mãos.  A prática incentivada por Joseph Smith e levada para as Montanhas Rochosas pelas mulheres mórmons, foi defendida e  promovida pela Sociedade de Socorro no final do século XIX, sobrevivendo com respaldo oficial a primeira metade do século XX.

Para Joseph Smith, mulheres poderiam impor as mãos sobre qualquer doente, homem ou mulher. Para aqueles que criticaram a prática, afirmou que havia tanto pecado na imposição de mãos por mulheres quanto em umedecer o rosto de um doente. Presidida por Emma Smith, a Sociedade de Socorro estabelecida em 1842, em Nauvoo, abraçou com devoção a prática. Continuar lendo

Monson plagia Monson

Na Conferência Geral de outubro de 2014, o presidente Thomas S. Monson reciclou discursos de anos anteriores.

tsm cabeçaAs conferências gerais de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são eventos considerados sagrados na cultura mórmon. Os discursos do presidente da Igreja, especialmente, são tidos por muitos não apenas uma fonte de inspiração mas um oráculo que pode revelar a vontade divina para a Igreja e a humanidade.

Na década de 1950, introduziu-se a referência ao presidente da Igreja como “o profeta”, expressão até então usada para referir a Joseph Smith. Uma publicação oficial usada nas aulas dominicais de visitantes e novos membros diz que seus discursos teriam, a princípio, a mesma importância das escrituras canônicas:

Devemos estudar suas palavras e ouvir seus discursos nas conferências.

Além desses quatro livros de escrituras, as palavras inspiradas dos profetas vivos tornam-se escritura para nós. (p. 42, 49)

Outra afirmação do mesmo livro, porém, sugere que as palavras do presidente da Igreja seriam ainda mais importantes do que as obras-padrão:

Muitas pessoas acham fácil acreditar nos profetas do passado. Entretanto, acreditar no profeta vivo é algo muito mais importante. (p. 42)

Diferentemente dos primórdios do mormonismo — e contrário aos princípios escriturísticos de ensinar o que o Espírito Santo venha a inspirar no momento (Mat. 10:19-20; Luc. 12:11-12; Mor. 06:09; D&C 68:03; 84:85; 100:05-06) —, os discursos nas Conferências há várias décadas são escritos de antemão. Eu nunca havia percebido, porém, a prática do autoplágio na Conferência. Continuar lendo

Continuidade doutrinária

josephSmith-and-indiansTalvez a principal barreira para entender o desenvolvimento da teologia mórmon é uma suposição subjacente da maioria dos membros da Igreja que há uma unidade cumulativa de doutrina. Mórmons parecem acreditar que determinadas doutrinas se desenvolvem de forma consistente, que as ideias se constroem umas sobre as outras de forma hierárquica. Como resultado, as revelações mais antigas são interpretadas como referindo a posições doutrinárias atuais. Assim, a maioria dos membros supõem que uma escritura ou declaração, em qualquer ponto no tempo resultou de tal mudança ordenada. Embora esse tipo de exegese ou interpretação possa produzir teologia sistemática e embora possa satisfazer aqueles que procuram compreender e internalizar a doutrina atual, é má história, uma vez que deixa uma impressão injustificável de continuidade e consistência.

– Thomas G. Alexander. The Reconstruction of Mormon Doctrine: From Joseph Smith to Progressive Theology. Sunstone, July-August 1980.

Wilford Woodruff: Revelação de 1880

woodruffTrechos da revelação recebida por Wilford Woodruff, em 26 de janeiro de 1880, perto das Montanhas Sunset, no Arizona, conforme registrada em seu diário.

Wooduff era à época membro do Quórum do Doze. Sete anos mais tarde, com a morte de John Taylor, ele viria a assumir a liderança da hierarquia mórmon, sendo escolhido como Presidente da Igreja em 1889. Continuar lendo

Autonomia da Sociedade de Socorro – parte 2

eliza2Investidura e Imposição de Mãos

Toda mulher que houvesse recebido sua investidura no templo estaria qualificada para dar bênçãos por imposição de mãos a uma pessoa enferma. Essa foi a afirmação de Eliza R. Snow, quando presidente da Sociedade de Socorro. O trecho abaixo é de uma seção de perguntas e respostas no jornal The Woman’s Exponent (O Expoente da Mulher), de 15 de setembro de 1884 (página 61).

“É necessário as irmãs serem designadas para oficiar nas sagradas ordenanças de lavar, ungir e impor as mãos ao administrar aos doentes?”

Certamente não. Toda e qualquer irmã que honra sua santa investidura não apenas tem o direito, mas deveria sentir como um dever, sempre que chamada para administrar a nossas irmãs nessas ordenanças que Deus graciosamente confiou às Suas filhas, assim como aos Seus filhos; e testificamos que quando administradas e recebidas em fé e humildade são acompanhadas de grande poder.

Na medida em que Deus, nosso Pai, essas sagradas ordenanças e as confiou aos Seus Santos, não é apenas nosso privilégio mas nosso dever imperioso aplicá-las para o alívio do sofrimento humano. Achamos que podemos seguramente dizer que milhares podem testificar que Deus sancionou a administração dessas ordenanças por nossas irmãs com a manifestação de Sua presença curadora.

A prática de mulheres mórmons imporem as mãos sobre enfermos surgiu com a própria formação da Sociedade de Socorro, antes do desenvolvimento da investidura, e foi defendida publicamente por Joseph Smith.

Leia a primeira parte desta série: Juízas em Israel.

Arcanjos

William_W._PhelpsAprenderemos aos poucos que estávamos com Deus em outro mundo, antes da fundação do mundo, e tínhamos nosso arbítrio; que viemos ao mundo e temos nosso arbítrio, para que nos preparemos para um reino de glória; tornemo-nos arcanjos, mesmo filhos de Deus, onde o homem não é sem a mulher nem a mulher sem o homem, no Senhor. Uma consumação de glória e felicidade e perfeição para ser tão desejada que eu não perderia por dez mundos.

– William W. Phelps. Messenger and advocate 1:30, 09

John Taylor: expandir nossa educação

jt3Deveríamos expandir nossa educação e conhecimento em todas as áreas; cultivar o gosto literário; quem tem talento para literatura e ciência deveria desenvolvê-lo e todos deveriam desenvolver os dons que Deus lhes deu. (…) Se houver qualquer coisa boa e louvável na religião, moral, ciência ou qualquer coisa arquitetada para elevar e enobrecer o homem, nós a procuraremos. Queremos empenhar-nos ao máximo em obter conhecimento; o conhecimento que emana de Deus.

– John Taylor. The Gospel Kingdom, G. Homer Durham (org.), 1943, p. 277

B. H. Roberts sobre a verdade

 

B. H. Roberts com disfarce (1884)

B. H. Roberts com disfarce (1884)

Enquanto a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está estabelecida para a instrução dos homens e é uma das instrumentalidades de Deus para fazer conhecida a verdade, ele não está limitado a essa instituição para tais propósitos, nem em tempo ou lugar. Deus levanta homens sábios e profetas lá e aqui entre todos os filhos dos homens, da sua própria língua e nacionalidade, falando a eles através de meios que possam compreender; nem sempre dando uma plenitude do evangelho de Jesus Cristo, mas sempre dando aquela medida de verdade que as pessoas estão preparadas para receber.

 

Brigham H. Roberts, Defense of the Faith and the Saints. Deseret News Press, 1907, 1:512-13.

Mulheres no pedestal

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Editora, jornalista, poetisa e ativista pelos direitos da mulher, Emmeline B. Wells (1828–1921) foi a quinta presidente da Sociedade de Socorro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, entre 1910 e 1921.

Ordenanças do Templo – parte 1

O Templo Antes dos Templos e os Precedentes para os Círculos de Oração 

Unções e abluções, investiduras, selamentos e segundas unções constituem as mais sagradas cerimônias do mormonismo. Elas são geralmente chamadas pelos santos dos últimos dias de “ordenanças do templo”, uma vez que, para a imensa maioria dos mórmons que as praticam, são realizadas unicamente em templos, longe da esfera pública, onde a admissão não é livre sequer para qualquer membro. É importante lembrar, no entanto, que a prática de tais cerimônias “do templo” antecedeu a construção de qualquer templo mórmon, sendo realizadas ao ar livre ou em casas e outros prédios sem um uso exclusivamente religioso.

js_portraitFalando sobre a investidura, em 1 de maio de 1842, Joseph Smith fez questão de lembrar que as cerimônias do templo poderiam ser obtidas fora de prédios especiais:

Há certos sinais e palavras pelos quais falsos espíritos e personagens podem ser detectados dos verdadeiros, que não podem ser revelados aos élderes até que o templo esteja completo. O rico pode obtê-los apenas no templo. O pobre pode obtê-los no topo da montanha como fez Moisés. Há sinais no céu, terra e inferno e os élderes devem conhecer todos para ser investidos de poder, para terminar seu trabalho e evitar falsificação. O demônio conhece muitos sinais mas não conhece o sinal do Filho do Homem, ou Jesus. Ninguém pode dizer que conhece Deus até que tenha tocado algo, e isso só pode ser feito no Santo dos Santos. [1] Continuar lendo

Céu aqui

98f/29/hgmp/12607/mp246“O único céu para vocês é o que vocês próprios fazem. Meu céu está aqui [colocando as mãos sobre o coração]. Eu o carrego comigo. Quando eu o espero em sua perfeição? Quando eu surgir na ressurreição; então o terei, e não antes. Mas agora temos que lutar a boa luta da fé, espada em mão, tanto quanto os homens que vão à batalha; é uma guerra contínua, da manhã à noite, com a espada na mão. Este é meu dever; esta é minha vida.” (Brigham Young, 21/09/1856, Journal of Discourses 4:55) Continuar lendo

Joseph Smith: Liberdade de Errar

O que ensinou Joseph Smith sobre como devemos tratar as pessoas que erram, ou pensam diferente, ou mesmo tem opiniões divergentes de nós?

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Eu nunca pensei que fosse correto intimar um homem e julgá-lo porque ele errou em doutrina, isso parece muito com o Metodismo e não com santismo dos últimos dias. Metodistas têm credos que um homem deve acreditar ou ser expulso de sua igreja. Eu quero a liberdade de acreditar como eu quiser, é bom não ser amarrado. Não se prova que um homem não é um bom homem porque ele erra em doutrina. (The Words of Joseph Smith, pp. 183-184)

 

Brigham Young: Por Que Adão?

Brigham YoungBrigham Young, em discurso no famoso Tabernáculo Mórmon em 08 de junho de 1873, explica porque Adão se chamava Adão:

“O mistério é assim, como com os milagres, ou qualquer outra coisa, apenas um mistério para aqueles que são ignorantes. O Pai Adão veio até aqui, e então lhe trouxeram sua esposa. ‘Bom’, dirá alguém, ‘por que Adão foi chamado de Adão’? Ele foi o primeiro homem na Terra, e seu arquiteto e seu criador. Ele, com a ajuda de seus irmãos, a trouxe à existência.

Então Ele disse: “Eu quero que meus filhos, que estão no mundo espiritual, venham e habitem aqui. Certa vez Eu habitei uma Terra parecida com esta, num estado mortal, Eu fui fiel, Eu recebi minha coroa e minha exaltação. Eu tenho o privilégio de extender minha obra, e ao seu acréscimo não haverá fim. Eu quero que meus filhos, que me foram nascidos no mundo espiritual, venham até aqui e assumam tabernáculos de carne, para que seus espíritos possam tem um lar, um tabernáculo ou um habitáculo como o meu tem, e onde está o mistério?”

O discurso inteiro de Brigham Young merece atenção cuidadosa (publicado originalmente no Deseret News, pp.4-5, vol. 22:308, 18 Junho 1873). Seguem alguns trechos interessantes deste mesmo discurso: Continuar lendo

Brigham Young: A Doutrina De Expiação Por Sangue & Poligamia

O Presidente Brigham Young fez os seguintes comentários sobre assassinar pecadores para a remissão de seus pecados e como isso deve ser considerado uma forma de eutanásia espiritual, e sobre a importância do casamento plural para exaltação, no Bowery, na cidade de Grande Lago Salgado, 21 de setembro de 1856 (ênfases nossas):

Brigham Young

“É verdade que o sangue do Filho de Deus foi derramado pelos pecados através da queda e aqueles cometidos por homens, porém os homens podem cometer pecados pelos quais ele nunca pode expiar…” — Brigham Young

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Progresso Entre Reinos – parte II

byO progresso espiritual é eterno? Ou encontra um ponto final? Como discutimos na primeira parte desta série, várias afirmações feitas por autoridades gerais no séc. XIX apontam para a possibilidade de progresso do ser humano por toda a eternidade, sem um ponto final.

No ano de 1855, Wilford Woodruff ouviu Brigham Young falar a respeito do tema, após terem realizado um círculo de oração: Continuar lendo