Racismo no Mormonismo

“De pequenino é que se torce o pepino”, já dizia o ditado popular.

Racismo, como toda forma de preconceito, é um dos grandes males da humanidade. Ele pode ter suas raízes em simples ignorância e medo, ou pode crescer de pura maldade e imoralidade. Ele pode ser ensinado e passado de pessoa a pessoa, de geração em geração, ou pode ser instintivo e patológico. Porém, independentemente de onde o racismo nasce, ele é facilmente assimilado por crianças apenas começando a formar suas visões do mundo adulto ao seu redor. Crianças têm, por motivos óbvios, dificuldades para enxergar nuances, preferindo estabelecer padrões claros e sem ambiguidades de certo e errado, de bem e mal, e preto e branco. Quando os adultos em suas vidas ainda arrastam as mesmas dificuldades, esta inabilidade rapidamente favorece a formação de preconceitos.

inveja santa

Toda forma de preconceito é danosa e perigosa. Nenhuma forma, contudo, é mais danosa que aquela dirigida a si mesmo.

Eu não sei como eu nunca havia assistido este vídeo antes, mas ele simplesmente partiu o meu coração. A agência mexicana de “publicidade social” 11.11 Cambio Social filmou uma representação de estudos científicos realizados pelo casal Clark (Mamie e Kenneth) da década de 1940. Os Clarks usavam bonecos de cores diferentes, representando raças e etnias distintas, e observavam as interações de crianças com esses bonecos distintos para estudar a importância de representações raciais e étnicas para elas. Os estudos são clássicos na literatura científica e, mais importantemente, ainda influenciaram históricas decisões judiciais nos EUA durante os anos do movimento de direitos civis e impactaram profundamente as relações raciais, tanto nos EUA, como no mundo — inclusive no mundo mórmon.

Não obstante, nenhuma leitura científica consegue impactar tanto como uma imagem, ou um vídeo. E este é simplesmente inesquecível. Assita:

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Revista da Igreja Reescreve História

Texto Original por Kristy Money

Em 6 de Março de 2014, o jornal The New York Times publicou um artigo na sequência de sua matéria de primeira capa sobre missionárias SUD intitulada “Das Mulheres Mórmons, Uma Enxurrada De Respostas E Perguntas Sobre Seus Papéis”. Neste artigo, além de citar a Kate Kelly falando sobre o movimento Ordene As Mulheres e recitar a minha experiência ao ser negada a oportunidade de segurar minha bebê enquanto ela seria abençoada, os autores chamaram a atenção ao então quadro de Autoridades Gerais da Igreja, com uma foto ilustrando que “sacerdotes e autoridades governantes formam uma galeria exclusivamente masculina de líderes.” Diferentemente da matéria principal de capa do The New York Times que focava nas “sisteres” missionárias, que foi publicamente exposta e comentada pelo site de notícias oficial da Igreja SUD em sua Continuar lendo

Desafio: Dois Templos Mórmons

Templos Mórmons, hoje em dia, são mais uniformes que individualizados, mais padronizados do que estilizados.

Para alguns isto parece oferecer uma identidade coletiva maior, facilitando uma identificação subconsciente fácil e inequívoca destes prédios com o Mormonismo. Para outro isto parece reduzir a personalidade e as idiosincrasias das comunidades e regionalismos representandos por cada templo, pasteurizando e homogeinizando a experiência religiosa.

Templo de Ogden, em sua encarnação original

Templo de Ogden, em sua encarnação original

Recentemente, o Templo de Ogden em Utah foi submetido à uma renovação que, muito além de atualiza-lo para padrões estruturais de engenharia, reformulou-o por completo para enquadrar-se dentro do novo paradigma arquitetônico Mórmon moderno. O que era um templo singular (na verdade, ele fazia par com seu gêmeo idêntico, o Templo de Provo), com características

Templo de Ogden, em sua encarnação moderna

Templo de Ogden, em sua encarnação moderna

idiosincráticas a seu tempo e sua localidade, agora é mais um templo Mórmon tão similar a qualquer outro.

Há dois templos Mórmons que permanecem, por questões históricas, distintos em sua arquitetura singular e única. O desafio de hoje é nomear quais templos são estes e quais os contextos históricos que justificam suas fachadas tão distintas e diferentes da tendência pasteurizada atual. Bonus para quem notar qual alteração moderna introduziu-se para forçar um sentido de comunalidade e continuidade. Continuar lendo

Revistas da Igreja Cedem Às Mulheres

As revistas oficiais da Igreja SUD A Liahona e Ensign se entregam ao movimento Ordene As Mulheres e publicam quadros das Autoridades Gerais da Igreja incluindo as mulheres que presidem as organizações auxiliares, pela primeira vez na história.

Para quem ainda não sabe, o movimento Ordene As Mulheres se organizou Continuar lendo

Movimento Mórmon Ordene As Mulheres Lança Campanha

Comemore o aniversário de 185 anos da Restauração do Sacerdócio com o ‘Ordene as Mulheres’!

O movimento ‘Ordain Women’ (‘Ordene as Mulheres’) anuncia o lançamento de 6 Palestras sobre a questão de ordenação de mulheres ao Sacerdócio. A primeira palestra será lançada no dia 15 de maio, Continuar lendo

Líderes Mórmons Preocupados Com Deserção De Jovens

Líderes Mórmons e Adventistas planejam campanha publicitária

Líderes Mórmons e Adventistas planejam campanha publicitária em colaboração inter-religiosa.

Na semana passada o Apóstolo Tom Perry e o Presidente dos Setenta Ronald Rasband se reuniram com líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia para discutir uma campanha publicitária conjunta.

Detalhes da campanha não foram discutidas publicamente, mas pelos comentários feitos pela liderança Mórmon, dois focos principais ficaram evidentes.

A reunião ocorreu na sede Adventista em Maryland e incluiu a presença doVice-Presidente da Igreja Adventista Lowell Cooper. A julgar pelos comentários à mídia, os dois pontos principais da campanha serão:

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Palestras Sobre A Fé

LoFEntre 1834 e 1835, Joseph Smith apresentou uma série de palestras sobre o tema da Fé em Kirtland, Ohio. Em colaboração com seu Primeiro Conselheiro Sidney Rigdon, Smith preparou as palestras para publicação e elas foram apresentadas pela Primeira Presidência e incluídas na edição de 1835 de Doutrina e Convênios. Em assembleia geral, a Primeira Presidência apresentou esta edição da D&C (incluindo as palestras intituladas ‘Sobre A Fé’) para a Igreja, que votou unanimamente para aceitá-la como escritura sagrada e obra padrão da Igreja.

No prefácio da edição de 1835 da Doutrina e Convênios, a Primeira Presidência da Igreja deixa claro o grau de importância que estas palestras deveriam ocupar no cânone e na teologia Mórmon: Continuar lendo

Brigham Young: Honestidade

Citação de Brigham Young sobre honestidade.

BY Mitt Romney

“Há homens nesta comunidade que, pela força da educação que receberam de seus pais e amigos, enganariam uma pobre viúva até lhe tirar sua última vaca apenas para ajoelharem-se para dar graças a Deus pela benção e divina providência que Ele lhes deu para obter uma vaca sem se expor à nenhuma lei dos homens, embora a pobre viúva tenha sido ludibriada.

Vemos este aspecto de caráter na humanidade. São tais pessoas capazes de discernirem entre verdade e erro? Não. Mas eles, através de suas tradições, julgam todas as pessoas exceto elas mesmos: pesam cada pessoa na balança da justiça, mas nunca imaginam usa-la em si mesmos. Isto vem da força da educação e falsa tradição em suas mentes, e muitos ainda permanecem ignorantes dos muitos verdadeiros princípios do que é certo e errado, mesmo havendo abraçado o Evangelho. Continuar lendo

Usando As Escrituras

Como você lê as escrituras diz muito mais sobre quem você é do que sobre as escrituras.

“A Bíblia: Apenas Mais Um Tijolo Na Parede” pelo pastor David Hayward

“A Bíblia: Apenas Mais Um Tijolo Na Parede” pelo pastor David Hayward

O pastor David Hayward se inspira nas letras da canção de Pink Floyd Continuar lendo

A Encantadora de Baleias

encantadora1No filme A Encantadora de Baleias, o velho líder de uma tribo maori busca desesperadamente seu sucessor. Sua neta Paikea quer aprender as tradições reservadas aos homens e é duramente rejeitada pelo avô. Mas a pureza e teimosia da menina se provam mais fortes do que a ortodoxia do chefe. É Paikea quem no final faz com que as antigas tradições tenham sentido, tornando real aquilo que era transmitido como mito. Ela recebe uma revelação. O avô, sem outra alternativa,  arrepende-se e reconhece a sua neta como a tão aguardada sucessora. A verdade triunfa. A ignorância é abandonada.

O filme me parece ser uma parábola sobre o sacerdócio. Permitam-me divagar. Continuar lendo

Livro de Mórmon Votado No. 1

Cena do Livro de Mórmon, por Arnold Freiberg (2 000 guerreiros adolescentes Ameríndios)

Cena do Livro de Mórmon, por Arnold Freiberg (2 000 guerreiros adolescentes Ameríndios)

Há dois dias atrás, o jornal da Igreja SUD ‘Deseret News’ publicou um artigo regozijando-se que O Livro de Mórmon estava sendo votado como No. 1 numa lista de “livros que mudaram vidas”.

O fundador e CEO do site Mindvalley postou um vídeo solicitando sugestões para livros “que mudaram as vidas” de seus leitores e seguidores para compilar uma lista bibliográfica de auto-ajuda.

No dia 11 de abril, o site Mórmon ‘LDS Media Talk’ publicou um artigo solicitando que membros da Igreja fossem até a página do Mindvalley onde estava ocorrendo a votação online e votassem pelo Livro de Mórmon. A resposta foi intensa, e já no dia 16 de abril o Livro de Mórmon já estava no topo da lista, enquanto tanto o site ‘LDS Media Talk’, como o jornal da Igreja, comemoravam o feito como um exemplo “do que os Santos dos Últimos Dias podem fazer quando defendem o que crêem e compartilham com os outros”.

Mas nem todos enxergaram esta “ação social” como uma coisa positiva. Continuar lendo

Professor da BYU Criticado por Livro Sobre Mulheres

lost+teachingsO Professor da BYU Alonzo L. Gaskill está sendo severamente criticado por seus pares acadêmicos, por acadêmicos Mórmons e pelo público Mórmon leigo, por grosseira incompetência intelectual.

Em seu livro recém-publicado ‘O Ensinamentos Perdidos de Jesus Sobre o Papel Sagrado da Mulher’, o professor de História da Igreja e Doutrina se propõe a estabelecer uma reconstrução acadêmica dos ensinamentos de Jesus de Nazaré sobre o papel apropriado de mulheres na sociedade Cristã. Uma das fontes principais, na qual Gaskill ancora seu livro  e seus argumentos nos manuscritos de Pali, que descrevem a vida e os ensinamentos de Jesus durante Sua adolescência no sub-continente Indiano, e descobertos num monastério Indiano no final do século XIX pelo jornalista e explorador russo Nicholas Notovich. Compilados e traduzidos para Francês (e, rapidamente, para vários outros idiomas) por Notovich nos anos 1890 sob o título ‘A Vida Desconhecida de Jesus’. O grande problema, contudo, é que o livro não só foi demonstrado por acadêmicos como um falsificação clara, como o próprio Notovich confessou o embuste.

Mas este nem é o maior problema do livro do historiador da BYU. Continuar lendo

Pessach — A Páscoa Judaica

Hoje comemora-se o Pessach ou, como é popularmente conhecido, a Páscoa Judaica.

Tocando um shofar, feito de chifre de carneiro, anuncia-se o sacrifício de pessach

Tocando um shofar, feito de chifre de carneiro, anuncia-se o sacrifício de Pessach

O Pessach (do hebraico פֶּסַח significando “passagem”; das raízes de passar através ou passar por sobre”) é um feriado religioso judaico que comemora o conto do Exodo Israelita presentemente narrado na Bíblia Hebraica (ou, como é conhecido entre Cristãos, o Velho Testamento), especialmente no Livro de Exodo. Comemorado no décimo-quinto dia do mês de Nisan (que neste ano de 2014 é hoje), este festival milenar celebra a estória do profeta Moisés libertando o povo Hebreu de sua escravidão no Egito e une milhares de judeus religiosa e culturalmente até hoje. Ademais, o impacto religioso e cultural desta festa pode ser sentido, profundamente, tanto no Cristianismo como no Mormonismo moderno.

Portanto, mesmo que não celebremos hoje o Pessach com uma ceia especial (chamada de Seder) ou os 7 dias de festividades (conhecidos como as festas de pães ázimos ou Chag Matzot), devemos revisitar suas origens, seus significados, e celebrar seus impactos residuais em nossas próprias religiões e culturas.

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Por Que As Mulheres Não Foram Incluídas?

Texto por Lori Burkman

Chieko Okazaki, Primeira Conselheira na Presidência Geral da Sociedade de Socorro (1990-1997)

Chieko Okazaki, Primeira Conselheira na Presidência Geral da Sociedade de Socorro (1990-1997)

Em 2005, a outrora Primeira Conselheira da Presidência Geral da Sociedade de Socorro Chieko N. Okazaki deu uma incrível entrevista a Gregory Prince para a revista Dialogue: a Journal of Mormon Thought.1  De todas as vezes em que ouvi uma mulher representante da Igreja falar em público, eu jamais me havia impressionado tão profundamente ou aprendido tanto como com este entrevista. A irmã Okazaki falava de maneira surpreendetemente aberta e franca sobre como mulheres são ignoradas na Igreja, não consultadas sobre assuntos importantes, ou carecem de um sentimento geral de auto-importância.

A entrevista começa da seguinte maneira:
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As Diferentes Vozes Nas Escrituras (Parte II)

Conforme comentamos na primeira parte da série, ao incorporar o mundo feminino e priorizar seu ministério nos excluídos, Jesus resgatava sentimentos e práticas que existiam no judaísmo, mas que ainda sim causavam escândalo para muitos: “(…) chegaram seus discípulos e admiravam-se que falasse com uma mulher”[1], no contexto do diálogo com a samaritana; “por que come vosso mestre com publicanos e pecadores?”[2], perguntou um grupo de fariseus, em um tom crítico à baixa reputação dos que compartilhavam a mesa com o Salvador.

Jesus Healing BeggerAs palavras do Homem de Nazaré davam esperança e direção às pessoas, em especial, das camadas mais humildes. Quando compreendemos que foram os famintos, simples e doentes a maior parte dos pioneiros do movimento que se tornaria o cristianismo, fica mais fácil entendermos a aspereza com que a voz de Jesus se direcionava aos ricos e poderosos.
Aos que tinham bens, Jesus mandava que repartisse. Se é dos pobres o Reino de Deus [3]; para os ricos o acesso a ele é tão difícil quanto um camelo entrar no buraco de uma agulha [4]. Os lírios do campo eram mais interessantes que Salomão e sua riqueza [5].

Em uma sociedade que interpretava doenças muitas vezes como impureza, fruto do pecado ou ação de demônios, Jesus oferecia cura. Como profeta, curandeiro e exorcista, ele ganhava visibilidade. Seu projeto do Reino de Deus consistia em uma inversão de papéis, na qual os rejeitados de sua época se elevariam em detrimento dos ricos e poderosos, que teriam grandes dificuldades de pertencer a esse grupo. Todo esse radicalismo o colocou em rota de colisão com o Império, levando-o à crucificação. Continuar lendo