Em seu próprio idioma

Em termos de linguagem, a Igreja está progredindo. O Livro de Mórmon está hoje disponível em 79 línguas, e as seleções do Livro de Mórmon estão disponíveis em mais 23. O site da Igreja na Internet inclui 105 idiomas, cobrindo mais de 99% dos membros da Igreja SUD. Parece bom progresso.

Mas, há uma meta maior. D & C 90:11 diz: “… todo homem ouvirá a plenitude do evangelho em sua própria língua e em seu próprio idioma, …”

Existem várias maneiras de encarar essa escritura, vários níveis em que a linguagem é um fator significativo na maneira como a Igreja funciona, ou na experiência de membros da Igreja SUD. Primeiro, a língua é um factor crucial para a obra missionária, na maneira que chegamos aos outros. Em segundo lugar, a linguagem é uma parte importante de como a Igreja funciona no dia a dia. E terceiro, a linguagem é uma parte importante da cultura dos Mórmons.

Em cada um desses três casos, a quantidade de recursos e o progresso do mormonismo em atender às necessidades do mundo e dos seus membros é muito diferente. De acordo com o Ethnologue, há 6.909 línguas faladas hoje no mundo, e apenas 2.600 dessas línguas existem em forma escrita. Mas, mais importante ainda, eles variam muito em número de falantes. Apenas dez línguas são faladas por mais de 100 milhões de falantes nativos, e pelo menos 267 (por Wikipedia) e possivelmente até 389 línguas (por Ethnologue) têm pelo menos um milhão de falantes nativos. Na outra extremidade da escala, mais de 500 línguas têm menos de 10 falantes e cerca de 2.000 são faladas por menos de 1.000 pessoas. Estas últimas línguas, naturalmente, vão exigir mais recursos.

Mas, se formos ensinar a cada homem a plenitude do evangelho “em sua própria língua e em seu próprio idioma”, então de alguma forma nós temos que descobrir como chegar até aqueles que falam línguas ainda pequenas. A menos que eu estou lendo as escrituras errado, não se diz “em uma língua que a pessoa pode falar.”

Para os membros da Igreja, uma vez que eles ouviram o evangelho e uniram-se à Igreja, a necessidade de materiais em sua língua só aumenta. No modelo atual, na qual praticamente tudo, seja qual for a língua, é traduzido do Inglês, os recursos de tradução necessários para fornecer matéria da Igreja aos membros é considerável. Traduzindo as escrituras e os materiais missionários para uma língua é mais ou menos um processo que se faz uma única vez, enquanto a Conferência Geral e a Liahona exigem um esforço contínuo. Temos sorte de que somente 75 idiomas (aqueles que têm Livro de Mórmon completo traduzido) são necessários para as ter o Livro de Mórmon nas línguas faladas por 99% da população da Igreja. Mesmo assim, o sítio lds.org tem pdfs da Liahona em apenas 12 línguas, e a maioria dos 75 idiomas com Livros de Mórmon disponíveis tem apenas a Conferência Geral disponível (não tem a Liahona, não tem manuais, não tem a proclamação sobre a família, etc). Eu não sei quantos tradutores e intérpretes são necessárias para traduzir tudo o que a Igreja oferece em Inglês (ou mesmo o que está fornecido em espanhol), mas eu acho que requer vários tradutores e intérpretes por idioma. Pense dos requisitos exigidos para as 3.000 línguas com mais de 10 mil falantes!

Além dos materiais, a distribuição do uso da língua entre os membros da Igreja assume uma importância considerável. Aqui nos EUA, nós temos mais de 700 unidades que funcionam em espanhol, muitas vezes em estacas de fala Inglês, e muitas congregações têm uma parte considerável dos seus membros que fala outras línguas. Mas isso não existe apenas nos EUA—muitos outros paises também têm esses problemas de língua, e muitas áreas do mundo (especialmente em partes da África) vão enfrentar esses problemas, quando a Igreja cresce em seus arredores. Em todos estes casos, as unidades locais têm de gastar os recursos necessários para traduzir o material e interpretar o que é dito nas reuniões para aqueles que falam línguas minoritárias.

Além da própria Igreja, a cultura dos membros da Igreja também pode exigir alguns recursos adicionais devido a vários idiomas. A cultura é construída sobre interesses comuns e a tradução permite que línguas diferentes tenham os mesmos itens em comum. Mas ao contrário do que a Igreja oferece, não há uma fonte clara para a finança da tradução desses outros itens. Felizmente, em um mundo ideal, cada língua vai desenvolver a sua própria cultura no ambiente da igreja, e somente os itens mais úteis serão traduzidos de uma língua para outra. Infelizmente, como podemos ver no caso do Português e do Brasil, leva décadas para criar uma cultura local que fornece seus próprios bens culturais.

Eu não sei aonde isso nos leva. Como se pode ver, parece que a situação requeira muito trabalho. E as demandas por recursos para traduzir e criar matérias só vão aumentar com o crescimento no número de línguas, provavelmente com audiências cada vez menores, que beneficiam desses recursos. Infelizmente, o uso das línguas no mundo segue um modelo de distribuição “cauda longa”, no qual as maiores línguas contam a maior parte da população e as menores contando uma porcentagem baixíssima. É relativamente fácil servir as maiores línguas, e leva um tempo desconcertante para servir o menor. Eu me pergunto se algum modelo analógico ao da “cauda longa” de que escreveu Chris Anderson será necessário para realmente servir às línguas menores.

Será interessante ver o que acontece ao longo das próximas décadas, enquanto trabalhamos para que todo filho de Deus possa ouvir “a plenitude do evangelho em sua própria língua, e em seu próprio idioma.”

Um comentário sobre “Em seu próprio idioma

  1. Kent,

    seu post traz informações e reflexões importantíssimas.

    Eu seria sempre cético em relação ao número de línguas contabilizadas, uma vez que se trata de uma definição pouco precisa cientificamente e que tem muito a ver com questões políticas também. Alguém já disse que a diferença entre uma língua e um dialeto é que a língua tem exército, marinha e aeronáutica, enquanto o dialeto não tem. O universo da linguagem é provavelmente muito maior do que pode ser contabilizado.

    Eu me sinto tocado pela afirmação em D&C 90:11, tendo as escrituras traduzidas para o meu idioma e tendo servido como missionário em um país qu efala outro idioma. Mas não acredito que a Igreja sud tenha a intenção de cumpri-la literalmente. Talvez haja para os líderes da Igreja critérios de “ocidentalização” mínima a serem constatados antes que pudessem ser enviados missionários, digamos, para uma tribo de 150 pessas no Alto Xingú.

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