Há pouco mais de um ano nós havíamos postado uma pergunta muito simples, porém ao mesmo tempo surpreendentemente complexa: Quantos mórmons há no Brasil?
Em parte, o problema para respondê-la reside na falta de estatísticas disponíveis sobre as centenas de igrejas e grupos mórmons menores e menos conhecidos. Contudo, sem dúvidas a maior dificuldade está na completa falta de transparência por parte da Igreja Mórmon mais famosa e mais popular no Brasil (e no mundo).
Agora temos dados estatísticos recentes e confiáveis para considerar essa questão.
O resultado do Censo de 2010 sobre religiões finalmente foi publicado essa semana pelo IBGE (órgão federal vinculado ao Ministério da Economia e responsável pelo censo demográfico do governo federal), e temos um número estatístico de quantas pessoas se auto-denominam membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias:
Esse número só é notável e surpreendente face à previamente citada falta de transparência. O site oficial da Igreja SUD lista 1 060 556 membros no Brasil para o começo do ano de 2009, embora recente artigo no jornal oficial da Igreja SUD mencione uma aproximação de 1,1 milhões de membros.
Ao que tudo indica, o número real de membros é apenas 22% do número oficial publicado e alardeado pela Igreja SUD.
O que, para nossos leitores, não deve ser tão surpreendente. Afinal, no artigo de um ano atrás, nós havíamos apontado à uma discrepância similar, quando a Igreja afirmava para o ano de 2000 um total de 775 822 membros, enquanto o Censo de 2000 do IBGE contava apenas 199 645 pessoas se auto-denominando como membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (apenas 25% das estatísticas oficiais publidadas pela Igreja).
Ignorando a completa falta de surpresa que os números oficias estejam absurdamente inflados e inchados, o que realmente chama atenção é o desempenho pífio no crescimento demográfico.
Entre 2000 e 2010, a Igreja SUD cresceu, em têrmos reais, de 199 645 membros a 226 509, ou seja, apenas 13,46%, enquanto a população brasileira total cresceu 12,29%. Consequentemente, a proporção da população SUD para a população brasileira global manteve-se estável em 0,12% (e não os 0,58% da contagem oficial), com crescimento insignificante. Já a proporção entre membros reais e membros fictícios (registrados oficialmente, porém que já não mais se consideram SUD eles mesmos) caiu de 25% para 22%, o que sugere mais pessoas saíram da Igreja que entraram, durante a primeira década do século 21.
Essa tendência de crescimento insignificante no Brasil parece ser parte de um problema que assola a Igreja SUD globalmente.
Esse fato é ainda mais interessante quando se analiza o clima religioso no Brasil durante esse período. Evangélicos cresceram de 15,4% a 22,2% de população total, espíritas cresceram de 1,3% a 2,0%, e os “Sem Religião” (ateus, agnósticos, etc.) cresceram de 7,3% a 8,0%, enquanto católicos caíram de 73,6% a 64,6%. Esses dados sugerem que houve grandes mudanças entre brasileiros em suas preferências religiosas, e que o ambiente no país é de exploração e experimentação neste aspecto da vida pessoal. Em outras palavras, o brasileiro está aberto e disposto a testar e experimentar com religiões novas, mas isso não se traduziu em crescimento concreto para a Igreja SUD.
Apenas a título de comparação, igrejas novas como a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada apenas em 1977 no Rio de Janeiro, já conta com 1 873 243 membros auto-denominados no Censo de 2010. Ou seja, 8,3 vezes ou 830% a mais do que a Igreja SUD, que foi inaugurada no Brasil oficialmente 47 anos antes, em 1930.
As Testemunhas de Jeová, religião que compartilha com mórmons as mesmas origens restauracionistas do nordeste norteamericano do século 19, o mesmo zelo missionário, e a mesma introdução ao mercado religioso brasileiro nas primeiras décadas do século 20, gozam hoje de 1 393 208 membros auto-denominados no Censo de 2010. Ou seja, 6,2 vezes ou 620% a mais do que a Igreja SUD.
Alguns fatores tornam o problema ainda mais contundente no Brasil. A cobrança de dízimo parece não ser o culpado por essa evasão de mórmons, considerando que o foco em doações e pagamentos de dízimo é igual, se não for maior, entre evangélicos do que entre mórmons. Proselitismo tampouco parece ser o problema, visto que a Igreja SUD investe muito dinheiro e mão-de-obra em esforços missionários, provavelmente mais que evangélicos, e certamente mais que os espíritas e ateus.
Como havíamos discutido em outra ocasião, inclusive publicando todos os dados estatísticos das últimas 3 décadas, este problema de crescimento populacional progressivamente parco parece ser um fenômeno global para a Igreja Mórmon.
Não haveria chegado a hora de parar de fingir que a Igreja cresce consistentemente, parar de publicar dados estatísticos “falsos”, e começar a debater, com maturidade e sobriedade, quais os problemas que impedem o crescimento da Igreja?

Não penso que esteja correto afirmar que o Censo é o melhor método de afirmação de nosso número de membros, como não o é a estatística oficial da Igreja SUD. Os questionários do Censo são por amostragem, e mesmo o número de mórmons entra na categoria “outros”, não houve um questionamento específico de santos dos últimos dias.
Na minha opinião, os dados do Censo estão tão furados quanto os dados oficiais.
Se cavalos tivessem um chifre pontiagudo na testa, não seriam cavalos, mas sim unicórnios.
Faz sentido? Não. Nenhum. O seu argumento tampouco.
O Censo do IBGE involve coleta e análise por amostragem, sem dúvida. Mas isso significa *maior* acurácia que uma contagem simples, e não menor. Ferramentas matemáticas e científicas já bem desenvolvidas demonstraram isso milhares de vezes em estudos científicos nos últimos 50 anos. Estatística básica, ensinada em qualquer curso universitário, e em alguns colegiais.
Não acredite em mim! Pergunte a um profissional: Geógrafo ou Sociólogo, preferencialmente especializado em demografia. Ou a um Estatístico. Ou a um Matemático.
Sim, amostragens involvem margens de erro, que nesse caso giram em torno de 0,1-0,2%, e não os 200% ou 300% que você parece estar fantasiando.
Além disso, o seu argumento de que não havia “questionamento específico” para SUD e que Mórmons entrariam “na categoria outros” é simplesmente fantástico, visto que o questionário incluiu uma questão aberta (“Questão 6.12: Qual a sua religião ou culto?”), onde o respondente preencheria livremente, sem múltiplas escolhas.
Unicórnios não existem.
Marcello, absolutamente não sei porquê você ficou tão bravo assim comigo! Raios, é a minha argumentação que a amostragem não é um método fidedigno pelo simples fato de ter margem de erro! Qualquer pesquisa por amostragem não é completamente fidedigna e ponto, oras! Um método completamente fidedigno é a contagem global e uma análise gerencial dos dados coletados, com uma coleta de dados préviamente estabelecida.
Exemplo: O respondente respondeu “Mórmon” ao agente censitário. Ao inserir o dado “Mórmon”, novo questionamento é feito: De qual facção: “A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Comunidade de Cristo, outras”, por exemplo. Daí sim, se essa fosse uma pergunta fechada nestes termos e não fosse por amostragem, mas fosse feita a todos os respondentes, usando tecnologias de informação adequadas, aí sim acho que haveria fidedignidade de dados.
Mas, é claro, o governo não vê interesse nesse tipo de questionamento, que a ele não tem valor algum. Se interessassse, faríamos como na Suécia: Cada cidadão é automáticamente membro da Igreja Nacional, e para desfiliar-se, deve ir a um cartório e declarar sua nova fé ou declarar-se “sem religião”. Os pais dos recém nascidos podem, no entanto, informar a religião que professam como sendo também a de seus filhos, apenas se explicitarem esse desejo. Aí sim, há um claro interesse governamental em saber as crenças de seus cidadãos, o que não ocorre no Brasil. Além disso, o próprio fato de haver uma pergunta secundária quando o respondente afirmasse ser mórmon (o que aconteceria com quem afirmasse ser judeu, católico, evangelico e assim por diante, visando conhecer a igreja e não somente a corrente filosófico-teológica professada) já demandaria ao IBGE a necessidade de conhecimentos profundos e pesquisas sobre as religiões do país, com a possibilidade de cadastramento de dados pelos próprios recenseadores “in loco”, caso a resposta ainda não fizesse parte do banco de dados.
Posso ainda ser muito burro, mas não entendi o que você quis dizer com essa sua analogia de cavalos e unicórnios.
Eu vou ainda um pouco mais além ao refletir contra questionários por amostragem: o governo gasta muito e demanda muitos servidores para o censo, a cada dez anos. Os dados demoram para ser analisados (estamos em 2012 e nem todos os dados do Censo 2010 ainda foram publicados). Com a implantação do novo número RIC, o que deve ocorrer em até dez anos (e que eu duvido que de fato aconteça) deveríamos ter a resposta ao Censo de forma completa, sem amostragens. Cada respondente receberia em sua casa uma carta, tendo o número RIC (novo RG) como login e uma senha pessoal e intransferível, com instruções para responder ao Censo por site ou indicações de onde pode respondê-lo presencialmente, tipo nos Poupatempos da vida…Todas as questões do formulário completo seriam requeridas de todos e, além disso, subquestões (a serem respondidas apenas por quem respondeu determinado dado em determinada pergunta) poderiam ser requeridas dependendo dos dados da pergunta respondida. Esse, ao meu ver, seria o melhor método de respostas censitárias.
Antes de invalidar meus argumentos e chamar-me de lunático que acredita em unicórnios (foi a única afirmação que consegui chegar sobre isso até agora), penso que você deveria refletir que amostragens não são nunca a prova de falhas e que, numa democracia, é injusto questionar a alguns uma coisa e a outros outra, fazendo acepção de pessoas. Se meus argumentos não servem para você, Marcello, me desculpe, mas esta é a minha opinião como estudioso e pesquisador de ciências humanas. Se, contudo, um debate aberto e franco não é o foco do site, e da associação, talvez valha a pena eu me afastar. Fiquei profundamente constrangido com a forma de você colocar seus argumentos. E sinto muito se meu ponto de vista “atrapalha” o que você quis afirmar categóricamente. Me desculpe.
Só pra encerrar. Em minha colocação inicial eu deixei claro que não considero as contagens SUD como fidedignas ou corretas também. Trabalhando como secretário na Igreja SUD a quase quinze anos, eu sei bem o que estou falando (mas fiquei completamente sem graça de comentar sobre isso agora, após seus comentários). Além disso, você viu em que momentos o IBGE divulgou dados específicos de mórmons, ou de quem responde ser mórmon no censo? Eu não. Acho que aparecemos no grupo de evangélicos, isso sim. Nem há um grupo específico de protestantes. Aparecem lá católicos, evangélicos, entre outros, mas nenhuma denominação específica aparece, exceto a Igreja Católica Apostólica Romana. Mais uma coisa pra corroborar meus argumentos de que o censo é falho nessa área.
Pois é… eu estava errado… Acabo de ver no arquivo disponível em [link editado] que eles levaram em consideração a denominação “Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, talvez englobando mórmons nessa nomenclatura, o que mostra que o IBGE fez a lição de casa.
Desculpa aê, Sr. Esquentadinho, Marcello Jun. Falha nossa. (o que não invalida a minha teoria de que amostragem é a maior furada!)
Seguindo resposta ao quarto comentário (12h10):
Hahahahahaha!!!
Você finalmente leu uma (das muitas) fontes que eu postei, e viu que estava completamente errado, e ainda assim teima em insistir que a sua opinião, completamente baseada em ignorância dos fatos e das técnicas, é válida.
Unicórnios.
Não. Não é esse erro seu que invalida a sua percepção que amostragem é menos eficaz. Estatística Básica é o que invalida essa percepção fantasiosa.
(PS: “esquentadinho” é um adjetivo pessoal e pejorativo. Assim como presumir que eu estivesse bravo com você. Leia de novo os meus comentários e verá que em nenhum momento me dirigi à sua pessoa, mas aos seus argumentos. Por favor, tente manter os seus comentários em linha com nossa política de comentários. Acima de tudo, os debates aqui devem ser civilizados e respeitosos. Obrigado.)
Seguindo resposta ao quarto comentário (5h26m):
Eu vi! E você também teria visto se tivesse lido os links que eu forneci no post original e na minha primeira resposta pra você.
Você esta percebendo aqui como você formou sua opinião baseado em completa ignorância dos fatos (e de técnicas básicas de pesquisa científica)? E inventa argumentos da própria cabeça, recusando-se a ir investigar os fatos, assim reforçando sua opinião baseada em ignorância dos fatos? Círculo vicioso. Unicórnios.
Por isso, o meu convite original: familiarize-se com os fatos! Leia os links do IBGE. Leia os artigos que eu lhe enviei. Leia um livro sobre estatística básica. Converse com um estatístico. Aprenda um pouco sobre o assunto. Eu posso até estar errado em minha análise, mas certamente não pelos argumentos fantasiosos que você vem apresentando.
Seguindo resposta ao terceiro comentário (5h22m):
1) Novamente: amostragem é melhor; livro introdutório de estatística. Faça-se um favor, e aprenda um pouco sobre o assunto.
2) Os dados que são numéricos e de digitação rápida saíram há mais de um ano, no começo de 2011, o que é um excelente trabalho por se tratar de uma agência governamental. Dados que incluem interpretações de manuscritos livres demoram mais, por motivos óbvios.
3) Não, amostragem nunca é a prova de falhas! Se você tivesse lido minha resposta pra você com cuidado, teria lido que eu citei a margem de erro da amostragem aqui discutida (0,1-0,2%). 0,2% de margem de erro significa que é maior que 0%, e portanto sujeito a falhas. A margem de erro de uma contagem direta é maior, entre 5-10% (em algumas estimativas, ainda maiores), o que significa praticamente duas ordens de magnitude. Se você tivesse lido os artigos que citei na minha resposta pra você, já saberia disso.
4) Não é que a sua opinião não seja boa o suficiente pra mim. Ela não é boa o suficiente pra ninguém que saiba o básico do básico de estatística e análises populacionais. Eu já ofereci a minha sugestão a você: não acredite mim, pergunte a profissionais. Certamente, na sua faculdade há estatísticos responsáveis pela análise matemática de estudos populacionais. Todo faculdade que publica pesquisa tem os seus. Converse com eles, tire as suas dúvidas com eles.
Diego, obrigado pela sua participação e pelos seus comentários. De forma alguma eu fiquei “bravo” com você, e espero que eu possa dissuadi-lo dessa impressão!
1) O meu comentário acima é simplesmente factual: você esta completamente errado em todos os quesitos da sua argumentação, pois ela é dependente em nada menos que completa ignorância de princípios básicos de estatística e sociologia, além de sequer ter se dado o trabalho de ler o post e as fontes do post cuidadosamente.
2) Se você se der o trabalho de ler qualquer livro introdutório de estatística voltada para sociologia (ou geografia, ou medicina, ou qualquer outro tipo de estudo populacional), verá que “contagem global” nunca é um “método completamente fidedigno”, por uma dúzia de fatores diferentes. Qualquer livro. Introdutório.
3) Se você se der o trabalho de ler o meu comentário, ao invés de inventar besteiras do tipo “você ficou bravo”, verá que eu especifiquei claramente que o IBGE deixou o campo de resposta em aberto, e inclusive eu postei o link para o formulário oficial do IBGE.
4) Se você se der o trabalho de ler as fontes que eu citei, verá que o IBGE (o “governo”) têm interesse em conhecer bem a estratificação sócio-cultural dos brasileiros, e que os dados de religião são considerados importantes, e analisados com competência.
5) A analogia entre cavalos e unicórnios traduz-se assim: eu estou falando de cavalos, animais reais, que podem ser estudados com ferramentas racionais, e você esta discutindo unicórnios, que só podem ser estudados na fantasia de um mundo inexistente. Em outras palavras, todos os seus argumentos aqui dependem de um raciocínio fantasioso, desconectado com a realidade.
Não há nenhuma emoção nos meus comentários, e tentarei ser o mais objetivo e factual possível.
Obrigado.
Quando eu fui missionário, servi em uma missão das que melhor batizavam no mundo! Batismo lá era algo normal e ocorria com muita frequência. Então os dados de crescimento eram exageradamente altos. Um dia, um líder (não vou dizer qual) postou, um slide, onde ele comparou os dados de batismos com os de retenção, era uma diferença animalesca. Imagine barras de 70% 90% 100% umas aos lados das outros em linha reta da esquerda para a direita. Porém, abaixo dessas barras, ele colocou a retenção, 10%, 4%,15% 30% 5% em fim… ele falou os números enganam. Claro que nosso objetivo era batizar, apenas, então para nós era um sucesso já para o trabalho missionário da ala, estaca etc… era um fracasso. Mas vale lembrar, que a retenção não é responsabilidade do missionário. Por isso, eu gostei da afirmação lá em cima que alguém falou. -“O evangelho seria levado a todas as partes mas não converteria todas as partes..” Em fim, como diz o ditado , muitos são chamados mas poucos escolhidos. Esta igreja não é uma igreja de inércia, onde você entra, senta no banco chora, grita, canta , ora e vai embora, e somente meia duzia trabalham, esta igreja é uma igreja onde todos trabalham, e quando a pessoa trabalha de graça. e ainda paga pra trabalhar, dependendo a fé ela não fica… meu irmão por exemplo, batizou, e nunca firmou porque tinha que pagar o dizimo. Mas, agora ele foi para outra igreja, lá ele paga o dizimo felizmente, só que não precisa trabalhar na igreja.. A igreja sud é uma igreja de ação… acho que por isso as pessoas não ficam.
Concordo com você.Nossa igreja é uma igreja de serviço.
É muito mais fácil ser de alguma outra igreja,que não exige nada de você.
Não concordo com a ideia de que as pessoas não ficam na igreja por causa do serviço. Antes de me batizar na Igreja SUD fui membro de uma igreja evangélica que adotava um modelo de evangelismo chamado “igrejas em células”. As igrejas em células tem o seguinte postulado: “Cada membro um ministro, cada casa uma igreja.” Depois de um intenso processo de preparação (que inclui uma “escola de líderes” de quase um ano de duração), os membros são incentivados a criarem “células de evangelismo” que se reúnem semanalmente, com metas de conversão e consolidação. Os líderes das células trabalham intensamente para fazer novos convertidos: promovem reuniões em casas, levam pesquisadores aos cultos, participam de eventos de treinamento, etc (sem ganhar um centavo por isso). Nestas igrejas a retenção girava em torno de 80%, e crescem assombrosamente (e o hiper-ativismo é visto como uma forma de provar sua espiritualidade). Dizer que essas pessoas tem apenas que sentar é ridículo.
Acho que você não prestou atenção na parte que eu disse que meia duzia trabalham. Não disse que todos apenas sentam, mas para fins de exclarecimento, eu venho de uma familia protestante muito antiga, cresci dentro das igrejas protestantes. sei perfeitamente como era…
Heber e Mariane,
Eu concordo com o Leonel. Há outras igrejas onde as exigências e as demandas de serviço voluntário são maiores que na Igreja SUD. Um bom exemplo são as Testemunhas de Jeová, de quem se espera compromisso mensurável, i.e., horas por semana! E as taxas de conversão e retenção deles são maiores que dos SUD!
Além disso, volte-se para as suas experiências pessoais: quantas pessoas vocês conhecem, pessoalmente, intimamente, que se afastaram ou saíram da Igreja por que ela demandava tempo e dedicação demais? Eu não conheço nenhuma, e eu conheço centenas e centenas de membros afastados e ex-membros, em quatro continentes diferentes!
Não me referi, ao pessoal que trabalha, e sim aos que batizaram , perceberam que tinha que trabalhar extra .. entende? o que eu disse, foi generalizado. Quanto quem trabalhar não afastar, grande equivoco, conheci muitas pessoas afastadas, presidentes de estaca, bispos, quorum, missionários. até apostolos tem na historia da igreja afastados… THINK OUT BOX!
Heber,
1) Você quis dizer aos que batizaram os recém conversos? Ou você quis dizer aos que “se batizaram” como recém conversos?
2) Você mencionou pessoas que se afastaram, mas mencionou pessoas que se afastaram por que não queriam trabalhar na Igreja e por nenhum outro motivo. Você conhece algum Apóstolo, Presidente de Estaca, Bispo, etc., que se afastou única e exclusivamente por que achava que a Igreja exigia tempo e dedicação demais?
3) THINK OUT BOX? O que é isso? Eu não conheço essa expressão. Você quis dizer “think outside the box”? Eu acho que não foi isso que você quis dizer, por que essa expressão é um chamado para pensar além do paradigma comum, que é justamente o contrário do que você esta fazendo! Então não deve ser isso. Explique, então, a sua expressão idiomática e o que você esta querendo dizer com ela, por favor.
Você está fazendo um generalização do que eu disse, resumindo em SIM/Não. Quando o que eu falei foi uma forma de percepção que tive em relação ao assunto baseados nas experiências que tive antes, durante e depois da missão. Acho que o temo do tópico deve ser mudado para “Quais motivos as pessoas se afastam da igreja? Descreva TODOS, PERFEITAMENTE E SEM ERRAR! Não erre no português e nem no inglês e seja ESPECIFICO!” (Pois isto não é um debate é um holofote sobre sua opinião) Quando eu me referi em “Think outside box” realmente errei no inglês. Mas mencionei isto de forma metafórica por que percebo que as pessoas tem tendências de procurar enxergar nos temas apenas uma visão uma ideia e quando saímos desta ideia para direita ou esquerda, parece que existe um necessidade de apontar o dedo para as falhas mínimas e maximiza-las para desagregar o valor do que é dito.
Quando mencionei apóstolos afastados, não defini o motivo, mas eles serviram e trabalharam muito para a igreja, e existe sim na história da igreja apóstolos que afastaram, não por dificuldade de servir, mas fica subentendido lá acima alguém mencionou que uma pessoa que server muito nunca se afasta. Então mais , uma vez o que eu disse, foi retirado do contexto e generalizado.
Heber, eu não estou fazendo nenhuma generalização; você é quem fez a generalização, e ainda disse que fez!
Você escreveu:
“…agora ele foi para outra igreja, lá ele paga o dizimo felizmente, só que não precisa trabalhar na igreja.. A igreja sud é uma igreja de ação… acho que por isso as pessoas não ficam.”
E aí quando eu me opus, dizendo que é uma percepção absurda (e francamente, um pouco ignorante e preconceituosa), você respondeu:
“Não me referi, ao pessoal que trabalha, e sim aos que batizaram , perceberam que tinha que trabalhar extra .. entende? o que eu disse, foi generalizado.”
E, como você não tem lido as coisas com cuidado, eu vou deixar a minha crítica mais óbvia: o que você escreveu significa que você acha que as pessoas se afastam por que são preguiçosas! Isso é generalizado e preconceituoso!
As pessoas se afastam por motivos diferentes, específicos, e diversos. Chama-las de preguiçosas é apenas um reflexo de defesa na sua parte por não querer/gostar de encarar a realidade — e os problemas — dos outros com maturidade e respeito!
E, eu duvido que você tenha conhecido alguém que tenha saído da Igreja por que não queria “trabalhar na igreja” e nenhum outro motivo mais. Isso é uma ideia fantasiosa de sua percepção preconceituosa!
Mas… Eu estou perfeitamente aberto a ser provado errado! Me ponha em contato com uma pessoa assim, que gostasse e acreditasse em tudo na Igreja, mas simplesmente não quizesse mais “trabalhar” nela.
Eu conheço várias…
Com certeza,há igrejas em que os membros trabalham muito.Tenho vários amigos evangélicos e sei disso.Alguns deles participam de vários projetos sociais,o que é uma maravilha.Ponderei sobre isso ontem e percebi que os membros da igreja sud,me incluo nessa crítica,as vezes fazem as coisas por obrigação,e isso transparece.Como por exemplo visitas de professoras visitantes e visitas de mestre familiar,é um belo trabalho cuidar do seu irmão,para ajudá-los nas necessidades,mas os membros tratam desse programa como se fosse um fardo.As vezes as pessoas da igreja,são frias.Eu acho também que vários membros entram na igreja com algumas expectativas e depois que entram veem muitas coisas desagradáveis,Se a pessoa não tiver um testemunho ela não fica,simples assim.
Muitas vezes as pessoas ficam ofendidas com os erros e falhas das pessoas da igreja.
Gosto muito desse discurso do Elder Bednar.E para Eles Não Há Tropeço
http://www.lds.org/conference/talk/display/0,5232,23-2-647-32,00.html.
eu detesto quando me convidam pra fazer visita no ultimo dia do mês. e detesto mais ainda, quando tneho que fazer a visita de outro que nao foi… pq, no primeiro caso, tudo na vida das duas pessoas foi mais importeante que as visitas e so querem cumprir a tarefa para si mesmos. no segundo alguém foi preguiçoso. e o pior…. ai sem vem um imbecil e fala assim, as bençãos tu recebe igual , da vontade de dar um soco na cara! isso mesmo… porque nunca na minha vida eu tive intenção de fazer algo pra deus e cobrar de pois NUNCA! so eterno devedor… não fiz mais que minha obrigação…
Não me alongarei, mas discordo ligeiramente de que não é responsabilidade dos missionários a retenção!!!
Quando os missionários não ficam ridiculamente sedentos por batismos (como os de uma criança que nasceu em MAIO mas foi colocado na ficha que ela nasceu em MARÇO para ser batizada em ABRIL, depois de 7 meses sem batismo numa Ala – no caso a minha e quando fui LMA descobri isso – e esse é o exemplo menos pior dos quais poderia relatar aqui) e fazem o trabalho de maneira ordeira, sentindo a vontade do Senhor e não ‘forçam a barra’ tornando-se invasores dos lares alheios, não haverá problemas com retenção… Quer exemplo claro: as missões (quase todas) onde os batismos são baixos, a retenção é alta. Logo, me vem a mente o novo ponto de pauta da Presidencia de Area: Crescimento Real, o que é?
O Presidente Monson focará (ao menos tem focado) seu trabalho em RESGATAR – talvez esse ainda seja seu legado!
Um missionário não tem tempo de ficar na ala do membro e acompanha-lo durante sua vida. Uma amigo na igreja é muito importante para retenção. Não confunda resgate com retenção.
(Quando se trata do missionário)
Concordo plenamente, a igreja SUD não é baseada em emoção, mas sim ação!
Acredito que a resposta seja simples. A maioria dos mórmons inativos nao se consideram mórmons e nem se identificam como tal, já os católicos inativos se identificam como católicos e por isso que a quantidade de membros deles sempre permanece grande.Já os evangelicos só se assumem como tais quando são praticantes,porém de inúmeras denominações diferentes.. Praticamente não existe algo como evangélico não praticante.
Acho que seu comentário levanta excelentes questões, José Carlos, referentes à diferente percepção de filiação religiosa entre suds e outras denominações. Acho que muito do processo de exclusão de membros na Igreja sud se dá em parte por isso, uma espécie de abordagem ou tudo ou nada e uma ênfase exagerada na frequência às reuniões como se fosse a essência de ser sud.
Por outro lado, já conheci, por ex., pessoas que se tornaram espíritas pela leitura de livros espíritas, sem nenhum vínculo com um centro espírita. É também muito comum um tipo de de identificação familiar entre católicos, ainda que haja nesse caso algum vínculo cerimonial passado (batismo, primeira eucaristia, casamento). Não tenho muito convívio com evangélicos, portanto não saberia dizer como se dá essa dinâmica crença e igreja/instituição.
Com certeza para os mórmons, esse vínculo é muito forte e é enfatizado pela própria igreja, para seu próprio prejuízo: é preciso frequentar as reuniões semanalmente para ser um bom santo dos últimos dias. Mas não tenho certeza se esta afirmação é correta em todos os casos ou uma expressão resultante dessa mesmo vínculo criado e promovido na igreja: “A maioria dos mórmons inativos não se consideram mórmons e nem se identificam como tal”.
Obviamente nos faltam dados concretos sobre isso – nem sequer sabemos qual o percentual de atividade na igreja nacionalmente – , mas pela minha experiência tenho dúvidas se é mesmo assim, visto que conheço muitos membros inativos que continuam se identificando com o mormonismo. Ou eles seriam a exceção?