Crescimento da Igreja Mórmon?

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é uma das igrejas (ou religiões) que mais cresce no mundo.

Quem nunca ouviu essa declaração?

Será que ela é verdadeira?

A origem dessa declaração vem de projeções estatísticas de 1984 pelo sociólogo Rodney Stark, que na época previa um crescimento Mórmon para níves entre 64 e 268 milhões de membros para o ano de 2080. O crescimento da Igreja naquela época era, certamente, prodigioso.

Vários jornais e revistas já publicaram artigos mencionando a Igreja como a de crescimento mais rápido, além do acadêmicos como Richard Bushman: [1][2][3][4]

“Mormonismo, uma das religiões Cristãs que mais rápido cresce no mundo, duplica de membros a cada 15 anos.”

Entre publicações recentes nos jornais oficiais da Igreja há muitos artigos que reforçam essa percepção, além do próprio escritório de relações públicas da Igreja.

Mesmo em discursos de Autoridades Gerais da Igreja, em Conferências Gerais, o otimismo com o crescimento tem sido comum. Por exemplo, o Apóstolo Russell Ballard disse em Outubro de 2007:

“Como uma das fés Cristãs que cresce mais rápido no mundo, construímos uma capela nova todo dia de trabalho.”

Ou quando o então Conselheiro da Primeira Presidência Gordon Hinckley escreveu em Outubro de 1993:

“As estatísticas do crescimento da Igreja são impressionantes e gratificantes. Elas me fazem lembrar de uma entrevista alguns atrás com o chefe do Conselho Nacional de Igrejas… que disse: “A igreja com mais de um milhão de membros que cresce mais rápido nesse país é a Igreja Mórmon, os Santos dos Últimos Dias…”

O entusiasmo com o qual membros da Igreja, e seus líderes, recebem tais notícias de crescimento é enorme — e bastante evidente em discussões abertas ou fechadas, e em comentários feitos todos os anos em Conferências Gerais.

Certamente, a Igreja esta crescendo. Isso é inegável. Quando eu era criança, haviam apenas 16 templos no mundo, e nenhum na America Latina inteira, enquanto hoje há 166 espalhados pelo mundo, com 7 apenas no Brasil!

Mas não parece que há dados para tanto entusiasmo ou alarde.

Se computarmos os dados oficiais da Igreja de total de membros por ano, podemos rastrear as taxas de crescimento anual da Igreja. Vemos então que, nos últimos 30 anos a taxa média de crescimento caiu de 5-6% ao ano nos anos 80, para 3-4% nos anos 90, e 2-3% na última década. (Tabela completa aqui)

Mas, nós sabemos por estudos populacionais independentes que a taxa real de membros (atividade ou auto-identificação) é bem menor que as taxas oficiais computadas pela Igreja — que costuma contar como membros todas pessoas batizadas ou abençoadas quando crianças, até 120 anos de idade ou falecimento confirmado. O que torna o número total de membros uma ferramenta para rastreamento de crescimento menos confiável.

Não obstante, podemos rastrear a taxa de crescimento de novas unidades (alas e ramos), pois em média estas necessitam de números de participantes ativos médios razoávelmente estáveis e comparáveis. Quanto usamos os dados oficiais para rastrear o crescimento da Igreja pela taxa de crescimento anual de unidades, vemos que a Igreja crescia entre 2,5% e 5% ao ano nos anos 80, entre 2,5% e 6% ao ano nos anos 90, e entre 0,5% e 1,5% ao ano na última década.

Quando ploteamos esses dados num gráfico, uma tendência para redução de crescimento torna-se bastante aparente!

Crescimento da Igreja SUD, baseado em estatísticas oficiais de membros (taxa calculada anual de crescimento de número total de membros) AZUL, e de unidades (taxa calculada anual de crescimento de número total de alas e ramos) VERMELHO; comparação com taxa de crescimento populacional do mundo (Banco Mundial) VERDE.

Se olharmos com um pouco mais de atenção para os últimos 15 anos, esta tendência torna-se ainda mais óbvia.

Crescimento da Igreja SUD, baseado em estatísticas oficiais de membros (taxa calculada anual de crescimento de número total de membros) AZUL, e de unidades (taxa calculada anual de crescimento de número total de alas e ramos) VERMELHO; comparação com taxa de crescimento populacional do mundo (Banco Mundial) VERDE.

O leitor haverá notado que eu inseri nos gráficos acima uma comparação com a taxa de crescimento populacional do mundo, para que se possa contextualizar a comparação do crescimento Mórmon junto ao crescimento populacional do resto do mundo.

Taxa de crescimento populacional do mundo (Banco Mundial).

Ver-se-á, portanto, que a Igreja crescia bastante até 1998, com crescimento de membros bem acima do crescimento populacional, mas que esse ritmo cai batante e progressivamente de 1999 para cá. Além disso, nota-se que o crescimento, como medido em unidades ou congregações, esta *abaixo* do crescimento populacional de 1999 para cá, dando a entender que a Igreja cresce apenas em têrmos de taxas de reposição, ou até negativamente.

Que fique claro que os dados não dizem que a Igreja esta reduzindo de tamanho total! Há sem dúvidas mais Mórmons hoje que há 2 anos atrás, ou 5 anos ou 10, ou 20. Mas, os dados sugerem que a Igreja esta reduzindo de tamanho em proporção com o mundo ao seu redor.

Mas como se encontra ela em seu país natal dos Estados Unidos?

Os Estados Unidos vem mantendo uma taxa de crescimento populacional razoavelmente estável entre 0,85 e 0,95% ao ano.

Taxa de crescimento populacional dos EUA (USCB).

A Igreja nos Estados Unidos crescia, em média, entre 1 e 4% ao ano nos anos 70, 1 e 4% ao ano nos anos 80 (com dois picos anômalos), 2 e 3% nos anos 90, e 2% na última década.

Então a Igreja cresce acima do crescimento populacional nos EUA!

Não tanto assim. Essas taxas acima são dos números oficias de membros, que estudos independentes colocam entre 40 e 70% da real taxa demográfica de Mórmons. Por exemplo, o estudo independente ARIS demonstra que a população SUD nos Estados Unidos mantém-se estável (crescimento zero) em proporção à população Americana desde 1990 (1,4%).

Sendo assim, há dados que sugerem um crescimento pequeno, e há dados que sugerem um crescimento nulo nos últimos 20 anos nos EUA.

Mas não é negativo!

Mesmo não sendo negativo, há que se constar que a tendência histórica não é para melhoras, mas sim para pioras.

No gráfico abaixo eu ploteei o crescimento de unidades contra a taxa de resignação formal: calculando-se os números totais de membros de cada ano, menos os números de novos conversos e crianças nascidas, tem-se o número oficial de pessoas que deixaram de ser membros, seja por morte, seja por abandono oficial (enviando-se a carta formal de resignação).

Crescimento da Igreja SUD, baseado em estatísticas oficiais de unidades (taxa calculada anual de crescimento de número total de alas e ramos) VERMELHO; comparação com taxa de resignação (calculada dos números oficiais de membros) AZUL.

A correlação não é perfeita em todos os anos, mas a tendência é evidente: quanto maior o número de resignações em dado ano, menor o número de congregações no ano seguinte. E a tendência na última década vem sido um aumento, pequeno mas incremental, nos casos de resignação.

Mas como anda a obra missionária? Qual o impacto dela nisso tudo?

Taxa anual de batismos conversos AZUL comparado com a taxa anual de missionários no campo VERMELHO (números oficiais).

O gráfico é um pouco difícil de visualizar, mas mostra claramente que a taxa de conversos por missionários esta razoavelmente estável nos últimos 30 anos, entre 4 e 6 por ano por missionário. Quando se aumento o número de missionários, aumenta-se o número de batismos proporcionalmente, e ambas taxas vem se mantido moderadamente estáveis, com a média anual de missionários na casa dos 50 000 e conversos na casa dos 280 000.

As notícias, ao meu ver, não são catastróficas. Mas não são boas.

Por isso, imagino, que houve uma mudança nas últimas Conferências Gerais com menor foco em obra missionária, e maior foco em retenção e reativação de membros.

O que vocês acham? A Igreja terá crescimento negativo? Os líderes estão se portando como se tivessem consciência desses problemas, e estão buscando soluções? E acham que não há problemas e a Igreja cresce como nunca? Ou se há problemas de crescimento, há soluções possíveis? Estará a Igreja investindo tempo e dinheiro de forma contra-producente?

[1] Lobdell, William. New Mormon Aim: Reach Out to Blacks. Los Angeles Times. 21 SET 2003.
[2] Smith, Christopher. Saints in Las Vegas: LDS Church Thriving in the Glow of Sin City. Salt Lake Tribune. 6 ABR 2002.
[3] Utah’s Wheel Greasing History. Guardian. 25 JAN 1999.
[4] Bushman, Claudia Lauper e Richard Lyman Bushman. Mormons in America: Religion in American Life series. Oxford University Press, 1999, p. 11.

47 comentários sobre “Crescimento da Igreja Mórmon?

  1. Marcello,

    Em minha experiência como missionário de tempo integral no início dos anos 2000, e atualmente como líder da missão da ala, venho percebendo justamente o que você aponta. Tenho percebido em minha ala e estaca, que os batismos não tem ocorrido em grandes proporções. E a retenção também tem sido extremamente fraca. Realmente a ênfase da Primeira Presidência e demais Autoridades Gerais tem sido a retenção e a reativação (resgate).

    Não acredito que essa ênfase no que diz respeito à reativação seja algo simplesmente que tenha relação apenas com os problemas enfrentados pela Igreja com o batismo de conversos, mas sim que seja uma “forma de trabalhar” do presidente Thomas S. Monson. Quem conhece e lê os seus discursos e ensinamentos, percebe que é peculiar dele na maioria da vezes ensinar e exortar ao trabalho do “resgate”, e não é de agora, desde quando foi bispo até chegar a ser um apóstolo, o mesmo sempre contou experiências pessoais e de outras pessoas em que o tema comum, na maioria da vezes acabava por ensinar ou mesmo dar um “lembrete” da reativação e sua importância para o crescimento e fortalecimento da Igreja.

    Vejo que este é um problema real nos últimos 10 a 15 anos na Igreja. Não realizei nenhuma pesquisa, mas como já disse, pelo menos em minha experiência como missionário de tempo integral e como líder na Igreja tenho percebido isso. O que fazer pra sair desta situação? Acredito que o compromisso dos membros da Igreja não deve ser apenas “exterior”, mas fundamentalmente “interior”. Como as próprias autoridades gerais nos ensinam constantemente, muitas vezes damos muita atenção aos detalhes e programas da Igreja em si, e nos esquecemos do mais importante, do primoridal, ou seja, do “cuidar” não apenas dos outros, mas também de si mesmo. Não se esquecer nunca de nosso compromisso “interior” com Deus.

    Isto é o que penso, e sei que é uma reposta em termos espirituais, de fé, não de números, relatórios, estatísticas ou de metas. Sei que não é um problema de simples resolução. Acredito que o primeiro passo é assumir estes problemas de crescimento e se trabalhar conforme as especificidades culturais de cada região do mundo onde a Igreja está estabelecida.

    • Jamil,

      Muito boa a sua colocação sobre o Monson. Eu realmente não havia me dado conta que há muito ele usa o tema de resgate em seus discursos.

      Não obstante, eu acho difícil imaginar que não há preocupações entre os 15 com as estatísticas dos últimos 10-15 anos.

      • Sim, Marcello,

        concordo que certamente existe uma preocupação por parte da Primeira Presidência e Quórum dos Doze Apóstolos com o baixo crescimento da Igreja nos últimos 15 anos. Porém, nem eles, nem nós os membros da Igreja chegamos a uma maneira ou à maneiras de reverter este quadro.

        Será que a liderança local aqui no Brasil, tanto a Presidência de Área, quanto todas as presidências de estaca e bispados ainda pensam que a Igreja cresce como crescia nas décadas de 70 e 80?

      • Eu acho que a liderança local talvez veja a situação desta maneira, mas eu acho difícil que as Autoridades Gerais não compreendam os desafios demográficos.

        Humildemente, eu acho que nós colocamos algumas ideais muito boas no debate aqui de como reverter o quadro. 😉

      • Sim, Marcello, acredito que foram dadas muitas excelentes ideias sobre como reveter o quadro. Mas quando elas chegaram até a sede da Igrejka e serão efetivamente (ao menos ouvidas e) colocadas em prática por Salt Lake? Utopia?

  2. Então para se deixar de ser computado como um Mórmon tem-se de ‘escrever uma carta de resignação‘? Disso eu nunca soube. Os Elders Jarves e o Butler me negaram essa informação importante.

    Wandrey

  3. sim, a tal carta existe! Mas vale lembrar que ao fazer isso você está não somente retirando o nome da igreja, mas também está se retirando dos registros do reino de Deus. Ou seja, se você não crê tudo bem, mas sem tem dúvidas melhor não fazer.

  4. Quando a igreja fala em crescimento, tem que pensar em que tipo de crescimento ela está falando. Este reino não foi feito para arrastar multidões de alienados. Ele foi restabelecido para receber e preparar os eleitos do Senhor, lembrando que os seus eleitos ouvem sua voz, sendo assim, importa é a qualidade e não a quantidade 🙂

    • Mas isso não correlaciona bem com pronunciamentos repetidos de vários dos Apóstolos e Profetas que se deleitavam na crença que a Igreja é a (ou uma das) igreja (s) que mais cresce no mundo (ou nos EUA).

      A impressão que eu tenho, completamente anedotal, é que quando há uma explosão de crescimento, regozija-se porque “Deus esta ceifando o campo branco” e a “pedra cortada sem mãos encherá a Terra,” mas quando não há um crescimento importante, regozija-se porque “muitos são chamados, poucos são escolhidos.”

      Cara eu ganho, coroa você perde.

      • Marcello,

        Concordo contigo neste aspecto. Quando a Igreja cresce se diz que é o cumprimento da profecia do livro de Daniel, no Velho Testamento. Quando não cresce é porque “poucos são os escolhidos”.

        Por outro lado, em minha maneira de ver, através da ótica da doutrina exposta no Livro de Mórmon, acredito que estamos vivendo a época em que o número de membros da Igreja de Cristo não seria proporcionalmente grande.

      • Certamente dizer que a Igreja não teria um número proporcionalmente grande de membros em nossa época, através da leitura do Livro de Mórmon, não significa dizer que a Igreja não deva ou não possa aumentar o número de membros através da pregação do evangelho.

        Acredito que facilmente podemos nos alegrar ou nos justificar, dependendo do crescimento ou não crescimento da Igreja, como você bem colocou Marcello. O discurso pode ser modificado facilmente se apoiando na literatura escriturística. 🙂

  5. Fiquei ponderando no rico debate, me veio a mente uma escritura que penso eu, traz harmonia as escrituras que a pouco aparentemente foi sugerido que se contradizem, a respeito da “pedra cortada enchendo toda a terra” e de que “muitos são chamados e poucos os escolhidos”; a escritura de minha reflexão dita que “a igreja do Cordeiro de Deus e seu número era pequeno, por causa das iniqüidades e abominações da prostituta que se assentava sobre muitas águas; não obstante, vi que a igreja do Cordeiro, que eram os santos de Deus, estava também sobre btoda a face da Terra; e seu domínio sobre a face da Terra era pequeno, devido à iniqüidade da grande prostituta que eu vi.” ( 1 Néfi 14:12) O estudo deste versículo sugere embasamento interessante nos verbetes: http://www.lds.org/scriptures/bofm/1-ne/14.12?lang=por#11

    Portanto, a meu ver, tendo em mente a escritura supracitada, podemos considerar tanto o crescimento da Igreja em números de conversos (independente da proporção da taxa populacional ou estatística histórica), e o crescente alcance geográfico, quanto também ver o índice de inatividade/retenção bem como a distinção entre os que vivem o evangelho diariamente dos SUDs (“sentados” dos últimos dias) uma clara manifestação de que são poucos os que realmente são santos (título e coração), embora a oportunidade de santificar-se seja dada a cada um, caso esteja disposto a pagar o preço!

    • elderdavidmarques,

      minha intenção ao expor minha opinião não foi de querer mostrar ou dizer que exista contradições entre a escritura no livro de Daniel (Velho Testamento) e a escritura em D&C, sobre o crescimento da Igreja em nossa época.

      A parte do Livro de Mórmon a qual eu me referi acima, é justamente a que você citou, 1 Néfi 14:12, onde Néfi tem uma visão sobre o domínio da Igreja de Jesus Cristo em nossa época. Néfi viu e aprendeu que apesar de a Igreja de Jesus Cristo estar presente em toda a face da Terra, no entanto o seu domínio seria “pequeno” sobre a face da Terra. Mas com certeza isto não é nenhum aval para que não façamos o trabalho missionário. O mandamento dado por Jesus Cristo após sua ressureição e reiterado na restauração do evangelho é que devemos sim pregar o evangelho a toda criatura. A escritura acima não deve ser utilizada para não realizarmos a obra missionária, pois dizer que o domínio da Igreja de Jesus Cristo seria pequeno em nossa época, não deve ser interpretado que não haveria ou não poderia haver crescimento da Igreja. O evangelho continua sendo pregado, mas a Igreja já não cresce (em número de batismos de conversos e a retenção dos mesmos) como ocorria nas décadas de 70, 80 e início dos 90.

      O que eu chamei atenção em meu comentário anterior também, é que facilmente podemos utilizar as ecrituras para “justificar” o nosso “sucesso” ou nosso “fracasso” em trazer almas à Cristo por meio da pregação do evangelho.

    • David, o único problema que eu vejo nesse tipo de abordagem é que ele leva, inevitavelmente, a um estado de complacência do padrão “tudo vai bem em Sião.”

      Há problemas sócio-culturais na Igreja, e isso é inegável. Uma sociedade que rotineiramente perde 60-80% de seus membros e precisa manter um esforço recrutante enorme e custoso apenas para evitar crescimento negativo não pode simplesmente por a culpa nos que optam por sair porque não “vivem o evangelho” ou “poucos os que realmente são santos” ou porque não estão “dispostos a pagar o preço”.

      Quantos desses que saem estão “dispostos a pagar o preço” ou “são santos” ou “vivem o evangelho”, mas simplesmente não estão dispostos a aceitar os problemas dentro do mundo SUD e procuram o mesmo em outro lugar?

      Quando decide-se imputar a culpa nos que saem, não perde-se uma oportunidade preciosa de reavaliar os problemas e conserta-los? Não é isso que os 15 fazem quando eles mudam estratégias com o intuito de reduzir a taxa de inatividade ou melhorar a taxa de retenção?

      • Se a igreja estivesse tao preocupada assim com a taxa de inatividade/retencao e batismos, acima das preocupacoes que se tem com cada individuo, ela nao teria levantado a barra para os jovens que enviam os papeis para servir uma missao. Hoje em dia, um jovem que deseja ser um missionario tem que estar com um nivel de espiritualidade e conformidade com os padroes da igreja muito maiores do que ha alguns anos atras. Se fosse puramente interesse em numeros e valores, este fator nao deveria ser menos rigido ao inves de eliminatorio? Afinal de contas, trata-se de voluntarios. Talvez isto nao tenha tambem interferido no numero de novos conversos? Acho que se tem tido um foco maior em qualidade e preocupacao com o individuo ao inves de quantidade.

      • Tatiana, você levanta pontos muito interessantes e que merecem uma ponderação muito maior do que poderíamos extrair desses números elementares.

        Não obstante, seguem as minhas impressões preliminares:

        1) Eu acho os números são preocupantes, e duvido que homens tão inteligentes e capazes como os 15 deixariam de enxergar o quão são preocupantes.

        A taxa de evasão vem crescendo anualmente nos últimos 5 a 6 anos, enquanto a taxa de retenção vem caindo anualmente há 15 anos, e a taxa de crescimento vem caindo na última década, em média.

        Essas tendências nos dão alguns recados claros: há algo na Igreja que atraía novos conversos, mas que não atrai mais; e pior, há algo na Igreja que esta afugentando membros com mais e mais frequência.

        2) Eu sei que muito se falava em “elevar o padrão” dos missionários, mas a minha impressão pessoal do corpo missionário não me convenceu de que houve qualquer melhora significativa.

        Mas isso é irrelevante. O que os números nos dizem?

        O corpo missionário total retraiu, no auge das novas políticas missionárias, para um máximo de 17% a menos de seu pico histórico sob as políticas velhas, e retornou eventualmente para apenas 10% a menos. Alterações de 10-17% me parecem muito pequenas para quaisquer mudanças significativas na composição da força missionária.

        Mas, se não houve mudanças quantitativas significativas, houve mudanças qualitativas?

        Bom, nos 10 anos desde as alterações nas políticas missionárias, o total de batismos conversos caiu, a taxa de conversos por missionários por ano caiu, a taxa de retenção caiu, a taxa de crescimento de unidades caiu, a taxa de crescimento efetivo (comparado com crescimento populacional autóctone) caiu, e a Igreja experimentou crescimento real negativo pela primeira década em sua história.

        Eu não sei se dá pra definir isso como “aumento em qualidade”, já que não houve melhoras em nenhum parâmetro estatístico.

        3) As alterações nas novas políticas missionárias foram, pra mim, um claro sinal que os 15 estão preocupados.

        É literalmente impossível criar mais missionários de um pool total de jovens limitado e que já estava explorado a quase 100%, mas é possível tentar mudar a motivação e o preparo e o investimento nos que ali estão.

        Empresas fazem isso com frequência, demitindo uma porcentagem da força de trabalho (curiosamente, entre 5-30%, com média entre 10-15%), para concentrar investimento em capital humano mais intensamente de modo a maximizar produtividade. Muitas vezes, com a perspectiva de aumentar a força de produção novamente num terceiro momento, com um novo padrão de produção e nova filosofia de trabalho implantada.

        Ao meu ver, foi exatamente isso que eles fizeram. Mas não me parece estar surtindo o efeito que eles esperavam, e a minha impressão pessoal é que não surtirá, pois os problemas são outros.

        4) Lógico que esse debate seria muito mais fácil, e conclusivo, se a Igreja não fosse tão secretiva com seus dados estatísticos e publicassem todos os seus números. Então poderíamos analisar melhor todas essas questões.

    • O problema em suas afirmações é que seu profeta disse que essa igreja encheria a terra. Então aparece esse número mixuruca de 12 milhões que nem é muito verdadeiro.

  6. Pingback: Estatísticas 2011 (Tabela Completa) | Vozes Mórmons

  7. Irmãos, por que estou com uma impressão de que o que Nefi cita são palavras bíblicas? Já é a segunda vez que vejo citações dele e nestas duas vezes vejo que ele citou categoricamente o que já se encontra escrito nas Escrituras bíblicas.

    Sei lá! Vai que ele andou lendo a Tradução de João Ferreira de Almeida”

    Wandrey
    ARSBI

  8. A Igreja SUD continuará crescendo cada vez menos. Aqui no estado onde moro os missionários dizem: “Não temos mais onde ir. Todos já ouviram ou não querem ouvir.” Isso para mim não é um problema, mas um sinal. Milhões de almas que ainda se encontram na “pré mortalidade” nascerão aqui no Milênio. Ai, ai, ai daqueles que ainda contestam e rejeitam essas coisas …

  9. Pingback: Quantos Mórmons no Brasil – 2 | Vozes Mórmons

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