“Dentro do império mórmon”

Esta é a América capitalista, não?
Sheri Dew, CEO da Deseret Book
As finanças da Igreja sud mais uma vez têm sido objeto de discussão na mídia, especialmente desde a candidatura de Mitt Romney e a construção de um super shopping em Salt Lake. Na semana passada, a revista Bloomberg Businessweek, especializada em economia e negócios, publicou uma reportagem de capa sobre o assunto. A revista destaca principalmente a alta lucratividade de algumas empresas mantidas pela Igreja e a falta de transparência de suas finanças. Assinada por Caroline Winter, “Dentro do império mórmon” não é sensacionalista, apresentando opiniões diversas e dados concretos (ver lista abaixo). Ou seja, bom jornalismo.

Não julgue uma revista pela capa A capa da versão impressa, infelizmente, fugiu dos padrões de qualidade expressos na reportagem. Numa paródia do trabalho de C.C.A. Christensen, João Batista (que provavelmente vai ser identificado como Jesus Cristo pelos leitores não familiarizados com a história mórmon) aparece impondo as mãos sobre Joseph Smith e Oliver Cowdery, dizendo “…E construirás um shopping, terás ações do Burguer King e abrirás um parque temático polinésio no Havaí que será grandemente isento das frustrações de impostos…”. A isso, Joseph Smith responde: “Aleluia”.

Tratar de crenças sagradas de uma religião com senso de humor requer muita intimidade com ela e alguns freios. Os criadores do South Park parecem ter feito isso com muito bom gosto. A capa da Businessweek, porém, não teve nenhum desses elementos ao parodiar um evento fundador da religião dos santos dos últimos dias em termos totalmente alheios, imputando a Joseph Smith as atuais políticas financeiras da Igreja. De fato, nesse ponto específico, a reportagem poderia ter sido mais clara sobre as diferentes visões econômicas ao longo da história mórmon.

Tendo entrevistado D. Michael Quinn e Leonard Arrington sobre o assunto, só posso imaginar que a revista quis economizar espaço sobre tal questão. Não há, por ex., a menção da Ordem Unida, tema essencial para entender a visão mórmon sobre a relação entre economia e espiritualidade e que marcaria um claro contraste entre o comunalismo ou coletivismo pioneiro mórmon e o capitalismo atual. Apesar de qualquer limitação ou problema, a reportagem traz muitas informações interessantes. Destaco abaixo alguns pontos.

Mundo dos negócios

* De acordo com os estudos de D. Michael Quinn, as finanças da Igreja são tão compartimentadas que provavelmente não há uma única pessoa, nem mesmo o presidente da Igreja, que saiba tudo a respeito do dinheiro possuído e movimentado pela instituição.

* Como outras organizações religiosas nos EUA, a Igreja sud tem isenções de impostos em relação ao seu patrimônio imobiliário, assim como doações. Isso também inclui títulos financeiros doados. Mitt Romney e outros associados na sua empresa Bain Capital doaram milhões de dólares em ações, entre 1997 e 2009, incluindo US$ 1 milhão da Domino’s Pizza e US$ 2 milhões do Burger King.

* Organizações sem fins lucrativos mantidas pela Igreja às vezes parecem ser lucrativas, afirma a revista. O Centro Cultural Polinésio, no Havaí, por ex., recolheu em 2010 US$ 23 milhões em vendas de ingresso e US$ 36 milhões em doações livres de impostos. As isenções do complexo cultural são federais, uma vez que localmente tribunais do Havaí consideram-no uma empresa comercial.

* O Havaí também é sede da Hawaii Reserves, empresa com fins lucrativos, que possui terras, edifícios comerciais e residenciais e dois cemitérios.

* A maior empresa comercial de propriedade da Igreja é a Deseret Management Corp. (DMC), que possui diversas subsidiárias. A DMC tem entre 2 a 3 mil funcionários e patrimônio anual estimado em US$ 1.2 bilhões. Apesar dos fins lucrativos, ela também conta com cerca de 1.400 voluntários, em grande parte aposentados.

* A DMC é presidida por Keith McMullin, 70 anos, que até a última Conferência Geral era o segundo conselheiro no Bispado Presidente. Ao ser desobrigado, McMullin foi convidado pelo presidente Monson a trabalhar na DMC.

* Ao todo, há 10 diretores na DMC: os três membros da Primeira Presidência, os três do Bispado Presidente, outros três apóstolos seniores e  McMullin.

* Empresas comerciais pagam 10% dos seus rendimentos à Igreja, como dízimo. Mas, de acordo com McMullin, ocorrem situações em que o caminho contrário é necessário. “De tempos a tempos, se há uma necessidade particular, haveria alguns fundos disponíveis, mas felizmente ao longo dos anos, não foi o caso com muita frequência,” diz McMullin. “Se você tem um imprevisto em particular em uma empresa, precisa ter algum fluxo de caixa adicional até sair de um momento difícil. Vou te dar um exemplo: estamos passando por um agora mesmo; chama-se recessão “.

* Sobre o City Creek Center, um super shopping que custou mais de US$ 1,5 bilhão, o presidente da DMC diz que a Igreja não tem o propósito de obter lucro: “Haverá um retorno? (…) Sim, mas tão modesto que nunca se teria feito tal investimento – o verdadeiro retorno vem das pessoas voltando ao centro [de Salt Lake] e da revitalização das empresas.” Pausando brevemente, acrescenta com ênfase, “é para promover o objetivo da igreja para fazer (…)  os homens maus bons, e os homens bons melhores. ”

* A Igreja também possui um fundo de investimento chamado Ensign Peak Advisors, “que emprega gerentes especializados em ações internacionais, gestão de tesouraria, renda fixa, investimento quantitativo e  mercados emergentes”. Essa parece ser a empresa mais lucrativa e menos pública de todas. De acordo com um de seus vice-presidentes, “bilhões de dólares mudam de mãos todos os dias”.

* Empresas voltadas ao agronegócio incluem a Sooner Cattle Co., sediada em Oklahoma e com vendas anuais estimadas em US$ 760 mil; Agrinorthwest, com 161 subsidiárias e vendas estimadas em US$ 68 milhões anuais, sediada no estado de Washington; Deseret Land and Livestock, que atua em Utah e Wyoming, possuindo cerca de 8500 cabeças de gado; AgReserves, com fazendas no Canadá, Austrália, Grã-Bretanha e América Latina.

* No ramo de seguros, a Igreja possui a Beneficial Life Insurance Company, que obteve a renda líquida de US$ 17 milhões em 2010 e ativos avaliados em US$ 3.3 bilhões.

Reações

Como é comum no meio sud, a reportagem da Bloomberg Businessweek gerou algumas reações militantes de membros da Igreja denunciando supostas distorções da reportagem ou mesmo perseguição à Igreja, como pode ser lido em alguns comentários no site da revista. A Igreja também publicou um comunicado sobre sua independência financeira.

Por outro lado, membros da Igreja a favor de maior transparência financeira aproveitaram também o momento para iniciar uma petição online para que a Igreja sud retome a prática existente até 1959 de relatórios financeiros anuais com divulgação de números concretos. A petição foi iniciada por Ron Madson, um advogado de 57 anos de Alpine, Utah, citado pela reportagem: “O dinheiro pode estar sendo administrado perfeitamente, pelo que sabemos. Mas nós não sabemos”.

Hoje, 24 de julho, marca a entrada de Brigham Young e o primeiro grupo de pioneiros no que hoje é o estado de Utah. Fugindo dos EUA e avessos ao mercado, eles acreditavam na construção de Sião. Fora da Babilônia, não dentro dela. O que será que eles diriam do ímpeto comercial da moderna Igreja sud? E você, o que pensa disso tudo? Será possível uma maior transparência nas finanças da Igreja e mesmo o retorno de relatórios financeiros concretos, divulgados na Conferência Geral?

 

104 comentários sobre ““Dentro do império mórmon”

  1. Eu muito me preocupei em colocar meu nome aqui e tornar pública minha posição sobre tais assuntos, mas depois de tantas bobagens, preciso me manifestar.

    Antes de mais nada, quero dizer que sou um membro comum que frequenta a Igreja e paga seus dízimos. Tenho um cargo de liderança no sacerdócio na minha estaca, e serei desobrigado em algum momento.

    A Igreja é uma corporação gigante, que gera receitas bilionárias e que possui reservas e empresas acessórias. Apesar de sua pujança, vista na imagem de templos e capelas, a receita global da Igreja é muito pequena se comparada a outras (batistas, católicos, por exemplo).

    Outro fato relevante, é que a Igreja é submetida regularmente a processos de auditoria externos, feitos por empresas idôneas, algo que eu desconheço em qualquer outra organização religiosa.

    E com tudo isso, não há sinais de riqueza visível nos seus líderes, em especial os que se dedicam de tempo integral, o que difere radicalmente de outras organizações.
    Existem membros e líderes (como Mitt Romney) que possuem muita riqueza, mas cuja origem é claramente obtida de fora da Igreja. A Igreja nunca teve um escândalo financeiro desde sua fundação (a revista Time declarou isso).

    Vincular ajudas de custo a remuneração é absurdo. Um líder que se dedica em tempo integral precisa se locomover, comer, seus filhos precisam estudar. Apesar do fato de viverem de forma confortável, não é uma vida de luxo. Longe disso.

    Com certeza, muitos irmãos pobres gostariam de receber esse tipo de ajuda de custo, mas o fato é que a maior parte desses homens viveria melhor de suas próprias rendas. E também o fato de que muitos vivem sem custar nada para a Igreja, mesmo com dedicação integral.

    Se alguém quiser saber onde a pujança financeira da Igreja é realmente gasta, para onde vai o dinheiro, tenho algumas dicas: Capelas bem construídas, muitas em locais pobres, onde a população não teria condições, Templos magníficos abertos a todos os membros para fazerem suas ordenanças sagradas, bilhões gastos anualmente em ajuda humanitária em todo o mundo, seja pela ajuda direta do bispo ou globalmente doando cadeiras de roda, medicamentos, roupas, construindo casas. Também se gasta muito em materiais didáticos e revistas de qualidade, distribuídos em grande parte gratuitamente, ou de forma subsidiada ou a preço de custo. A Igreja também incentiva e gerencia fundos como Fundo Perpétuo de Educação, que já pagou bolsas de estudo para milhares de pessoas no mundo todo (na nossa estaca, já aprovamos mais de 120 bolsas de estudo).

    Em contrapartida, os Apóstolos moram em suas casas. As mesmas que já tinham antes de serem chamados. O profeta não mora numa mansão, mas num apartamento pequeno. Eu me lembro do Elder Boyd K. Packer no Brasil, há muitos anos, dormindo nos alojamentos espartanos do antigo CTM e usando o mesmo paletó todos os dias. Vi autoridades dormindo no alojamento do templo recém construído em Manaus, na dedicação, ao invés dos luxuosos hotéis disponíveis. Voltamos no mesmo avisão da Presidência de Área, eles e nós na classe econômica.

    Os Setenta viajam em classe econômica, comem na casa dos irmãos, e trabalham pagando seus dízimos normalmente.

    Não quero acusar outras igrejas, pois existem muitas pessoas boas em todo lugar. Ainda assim, a regra entre pastores donos de igrejas é viver uma vida de altíssimo luxo. Mansões, jatos particulares, festas espetaculares divulgadas nas revistas de celebridades, casas de campo e praia com milhares de metros quadrados, fazendas gigantescas em seus nomes. Tudo comprado com dinheiro ganho diretamente dos dízimos, ou através da venda de bíblias, patrocinando artistas, vendendo cartões de crédito, pacotes de tv a cabo.

    Assim, se alguém ainda acha que o dinheiro da Igreja não é bem usado, talvez precise de um médico. Posso recomendar um.

    • Mauro, eu acho que você anda frequentando uma Igreja SUD que só existe na sua fantasia.

      1) “A Igreja é uma corporação gigante, que gera receitas bilionárias e que possui reservas e empresas acessórias. Apesar de sua pujança, vista na imagem de templos e capelas, a receita global da Igreja é muito pequena se comparada a outras (batistas, católicos, por exemplo).”

      Se comparada com a Igreja Católica, a Igreja SUD é realmente pequena. Mas ela é vastamente mais rica que qualquer igreja Batista (você sabe que não existe *uma* igreja Batista, né?!), muito mais rica que a IURD, e possívelmente a igreja mais rica do mundo depois da Romana.

      2) “Outro fato relevante, é que a Igreja é submetida regularmente a processos de auditoria externos, feitos por empresas idôneas, algo que eu desconheço em qualquer outra organização religiosa.”

      A maioria das outras igrejas Cristãs não apenas são auditadas como publicam todas as suas finanças abertamente. A maioria delas é obrigada a publicar suas finanças pelas regras de incorporação legal. A Igreja SUD é incorporada legalmente como uma Corporação, e portanto isenta disso. E a Igreja SUD esconde não publica seus relatórios financeiros e as auditorias externas são secretas sagradas, então não estão disponíveis para escrutínio e checagem. Se essas auditorias são “idôneas” ou não, é impossível dizer.

      3) “E com tudo isso, não há sinais de riqueza visível nos seus líderes, em especial os que se dedicam de tempo integral, o que difere radicalmente de outras organizações.”

      Sim, os gastos da liderança é realmente secreta sagrada, mas do pouco que se descobre, nota-se que não são pequenos. Veja, por exemplo, a Igreja repassando um apartamento de USD 600.000 para a esposa do Apóstolo Russell Ballard, que rapidamente foi hipotecado e dividido entre seus filhos.

      4) “Existem membros e líderes (como Mitt Romney) que possuem muita riqueza, mas cuja origem é claramente obtida de fora da Igreja. A Igreja nunca teve um escândalo financeiro desde sua fundação (a revista Time declarou isso).”

      Sim, claro. Exceto o banco ilegal que Joseph Smith fundou em Kirtland, exceto as notas fraudolentas que Smith e Rigdon emitiram, exceto a especulação imobiliária predatória de Joseph Smith e John Bennet em Illinois, exceto a impressão ilegal de dinheiro de Brigham Young em Deseret, exceto os monopólios ilegais e tentativas de suborno de oficiais federais e o desvio de fundos públicos (destinados a “FUNAI” Americana, para o qual Young trabalhava) que Brigham Young orquestrou em Utah, etc.

      Mas você tem razão. No geral, os últimos 100 anos não viram escândalos financeiras na Igreja. Exceto o Shopping de luxo que custou 10 vezes ou mais que o projeto anunciado (e aprovado por lei) e os rumores (não provados) de “influência” política ilegal para aprovação das repetidas mudanças de zoneamento.

      E você também tem razão que a riqueza de Mitt Romney é inteiramente legal. Exceto que ele usou a Igreja para evitar impostos e se aproveitou de trading na mudança de leis que permitiam esse escudo fiscal.

      5) “Vincular ajudas de custo a remuneração é absurdo. Um líder que se dedica em tempo integral precisa se locomover, comer, seus filhos precisam estudar. Apesar do fato de viverem de forma confortável, não é uma vida de luxo. Longe disso.”

      Eu acho que você não leu quanto é essa “ajuda” de custo. Luxo é um conceito relativo, certamente. Bill Gates não acharia um apartamento de USD 600.000 um luxo, mas eu imagino que 99,99% de todos os membros SUD no mundo achariam…

      6) “Com certeza, muitos irmãos pobres gostariam de receber esse tipo de ajuda de custo, mas o fato é que a maior parte desses homens viveria melhor de suas próprias rendas. E também o fato de que muitos vivem sem custar nada para a Igreja, mesmo com dedicação integral.”

      A segunda frase simplesmente não é verdade. A Igreja *nunca* disse isso — e nem diria, porque seria uma mentira facilmente demonstrável.

      A primeira frase é apenas tola. Thomas Monson trabalhou a vida inteira pra Igreja. Idem Boyd Packer. Idem Jeffrey Holland. Russell Ballard era vendedor de carros. Richard Scott era engenheiro (sem experiência administrativa ou gerencial). Tom Perry era gerente de pequenas empresas. David Bednar era professor de administração em faculdades de terceira categoria. Henry Eyring era professor universitário também (embora de escolas de primeiro escalão). Dieter Uchtdorf era piloto de avião para a Lufthansa, chegando ao cargo de Piloto Chefe (responsável por escalas e treinamentos). Nenhum desses 9 (dos 15) seria considerado rico (no Primeiro Mundo). Certamente não o suficiente para manterem o padrão de vida que mantém hoje caso tivessem se aposentado sem suas carreiras do setor privado.

      7) “Se alguém quiser saber onde a pujança financeira da Igreja é realmente gasta, para onde vai o dinheiro, tenho algumas dicas: Capelas bem construídas, muitas em locais pobres, onde a população não teria condições”

      Sem dúvida. E, além disso, as centenas de milhares de dólares investidas em empresas de fins lucrativos.

      8) “Templos magníficos abertos a todos os membros para fazerem suas ordenanças sagradas”

      Apenas se estes membros pagarem os seus dízimos, contribuindo para os estimados USD 7 bilhões anuais de receitas dizimais. Caso contrário, esses membros não podem fazer suas ordenanças sagradas.

      9) “bilhões gastos anualmente em ajuda humanitária em todo o mundo”

      De acordo com os números publicados pela Igreja, a média anual é de USD 46 milhões. Beeeeeem abaixo que “bilhões”, não?! Especialmente considerando a receita de USD 7 bilhões em dízimos, fora as ofertas de jejum, e fora os lucros das centenas de empresas de fins lucrativos.

      10) “Em contrapartida, os Apóstolos moram em suas casas. As mesmas que já tinham antes de serem chamados. O profeta não mora numa mansão, mas num apartamento pequeno.”

      Eu não sei de onde sai essa fantasia, mas ela é comum entre muitos membros. Não, isso não é verdade, como você pode ler nos links direcionados acima.

      11) “Os Setenta viajam em classe econômica, comem na casa dos irmãos, e trabalham pagando seus dízimos normalmente.”

      Sim, e os membros precisam fazer faxinas de graça nas capelas. É assim que funciona qualquer corporação: quando mais abaixo na pirâmide, menos benefícios.

      12) “Não quero acusar outras igrejas, pois existem muitas pessoas boas em todo lugar. Ainda assim, a regra entre pastores donos de igrejas é viver uma vida de altíssimo luxo. Mansões, jatos particulares, festas espetaculares divulgadas nas revistas de celebridades, casas de campo e praia com milhares de metros quadrados, fazendas gigantescas em seus nomes. Tudo comprado com dinheiro ganho diretamente dos dízimos, ou através da venda de bíblias, patrocinando artistas, vendendo cartões de crédito, pacotes de tv a cabo.”

      Outra fantasia incompreensível. Certamente há abusos, especialmente nas igrejas com foco no “Evangelho de Prosperidade”. Mas você já foi à uma igreja Batista? Metodista? Adventista? Presbiteriana? Salão de Testemunhas de Jeová? Templo Budista? Mesquita Muçulmana? Centro Espírita? Se for um dia, não verá absolutamente nada disso. Aliás, vá. Provavelmente você verá menos “opulência” institucional do que você vem em capelas (que dirá templos) SUD.

      13) “Assim, se alguém ainda acha que o dinheiro da Igreja não é bem usado, talvez precise de um médico. Posso recomendar um.”

      Eu realmente não conheço ninguém que ache que “o dinheiro da Igreja [seja mal] usado”. Eu conheço muitas pessoas, muitos membros, e inclusive algumas Autoridades Gerais, que acham que o dinheiro da Igreja poderia ser usado mais para caridade, educação, e “fazer o bem” do que para negócios e lucros.

      • Estar na realidade é encarar fatos e não suposições, é escrutinar a história como ela realmente aconteceu, buscando em fontes idôneas. Viver na fantasia não é parte do meu mundo, mas avento as seguintes possibilidades:

        1) A Igreja é uma grande farsa e eu sou um otário. É logicamente possível, claro, ser um otário não é uma coisa rara no mundo. Nesse sentido, o Livro de Mórmon seria igualmente falso e tudo o que eu acreditei no momento em que me batizei é uma grande mentira. Não tenho como negar essa possibilidade com argumentos lógicos, pois meu testemunho está ancorado em Cristo e em revelação pessoal, algo que não tenho como passar, cada um precisa buscar individualmente.

        2) A Igreja é verdadeira, e vocês estão errados.

        Poderia refutar seus argumentos um a um, mas não chegaria a lugar algum, porque é o que vocês no fundo querem, e não vou entrar nesse jogo. Se alguém é capaz de acreditar que a IURD gasta percentualmente mais com caridade do que a Igreja, é difícil de saber quem vive na fantasia.

        Mas há pessoas sinceras que não sabem disso, não desconfiam que “Vozes Mórmons” seja mais apropriado ser chamado de “Vozes Anti-Mórmons”. Se for isso, é só deixar claro, as pessoas não se confundem.

        Mitt Romney foi acusado na campanha de se aproveitar, e foi acusado de muitas outras coisas, que no final se mostraram falsas. Não se fala mais nisso, era pura campanha eleitoral. Suas declarações de renda e seus impostos estavam 100% dentro da legalidade.

        Russel M. Ballard era vendedor de carros? Sim, era dono de uma concessionária Ford. Thomas S. Monson era dono de gráfica, e sim, Boyd K. Packer era professor. E daí? Isso os desqualifica para serem apóstolos? Ou o fato de Pedro ser pescador era menos relevante para seu chamado apostólico?

        Os irmãos ajudam a limpar as capelas, e daí? Isso não tem a ver com o grau da pirâmide, a esposa de um setenta que conheço ajuda a limpar a capela enquanto ele viaja em suas designações, e nos Estados Unidos é comum todos ajudarem. Isso ajuda a reduzir os custos, mesmo assim a limpeza profunda é feita regularmente por empresa terceirizada.

        O valor de ajuda humanitária da Igreja é bilionário. Só em nossa estaca, temos mais de 100 estudantes usando o Fundo Perpétuo de Educação, gastamos milhares de reais em ajuda de alimentos, medicamentos, aluguel. Veja.

        Eu poderia dizer que sou letrado, tenho tal e tal diploma, falo tantas línguas, mas isso não faz diferença. Só posso assegurar que não faria parte de uma Igreja cheia de falcatruas e escândalos, como realmente não faço.

        Talvez eu esteja mesmo vivendo uma fantasia. Essa fantasia chama-se um testemunho de Cristo, e do Evangelho Restaurado

      • Mauro, você segue insistindo em falhas de raciocínio lógico e completo divórcio intelectual com a realidade.

        1) Você aceita que “[E]star na realidade é encarar fatos e não suposições, é escrutinar a história como ela realmente aconteceu, buscando em fontes idôneas”, mas nos três comentários você fez o exato oposto.

        2) Você estabelece a questão com uma falácia lógica não-estrutural chamada de “falso dilema”. Pra você ou “A Igreja é uma grande farsa e eu sou um otário” ou “A Igreja é verdadeira, e vocês estão errados”. Você ignora as múltiplas possibilidades de variação: a Igreja pode ser verdadeira e você ainda assim ser otário, a Igreja pode ser uma farsa e eu ainda assim estar errado, a Igreja pode ser meio-verdadeira e meio-farsa, a Igreja pode ser verdadeira e eu ainda assim estar certo, etc.

        Além de ilógica, é uma abordagem infantilizado de ver o mundo. O mundo real não é preto-e-branco, e quase nada no mundo real é preto-e-branco. Apenas em fantasias existem questões, personagens, estórias assim tão facilmente dicotomizadas. Como já disse o sábio: “O mundo é muito simples pra quem acha que há *apenas* duas respostas para qualquer pergunta”.

        3) Você diz que “[p]oderia refutar seus argumentos um a um”, mas eu e você sabemos que não pode, e por isso nem vai tentar. Se você tivesse qualquer fato ou argumento racional à disposição, já o teria escrito.

        4) Você diz que “[s]e alguém é capaz de acreditar que a IURD gasta percentualmente mais com caridade do que a Igreja, é difícil de saber quem vive na fantasia,” mas se recusa a checar os dados estatísticos que eu forneci.

        5) Você nos acusa de ser “Vozes Anti-Mórmons”, mas novamente demonstra a propensão a viver num mundo de fantasias. No mundo real, onde se preza o raciocínio lógico e os fatos, discutir e debater fatos lógica e racionalmente não significa ser a favor ou contra por default. No mundo real, adultos conversam livremente sem rotular tudo e todos em cores exclusivamente pretas e brancas.

        6) E aí você começou a apelar para mentiras e distorções de fatos que, novamente, eu gostaria que você me mostrasse de onde tira. Ou são fantasias da sua cabeça, ou alguém está mentindo pra você. Por exemplo:

        “Mitt Romney foi acusado na campanha de se aproveitar, e foi acusado de muitas outras coisas, que no final se mostraram falsas.”

        Eu pergunto: QUAL acusação se mostrou falsa??? TODAS as acusações que nós discutimos aqui e aqui foram COMPROVADAS. Nem ele se deu o trabalho de contestá-las!

        “Não se fala mais nisso, era pura campanha eleitoral.”

        Lógico que não se fala mais nisso. Romney é, hoje, uma pessoa completamente irrelevante. Mas, eu vou te contar uma surpresa, porque óbviamente você não acompanha política americana: até hoje ele é motivo de chacota como um ícone de político mentiroso. Sabe como até hoje se faz piadas de como o Bill Clinton era mulherengo ou de como o George W. Bush era burro? Então, com o Mitt Romney é de como ele mentia sobre qualquer coisa pra sair bem com a audiência alvo.

        “Suas declarações de renda e seus impostos estavam 100% dentro da legalidade.”

        Sim. E ninguém contesta isso. Mas ele se aproveitou de insider trading e uma brecha na lei para usar a Igreja para evasão de impostos. Legal? Sim. Moral e ético? Me diz você…

        “O valor de ajuda humanitária da Igreja é bilionário.”

        Você vem com esse valor fantasioso, mas se recusa a ler o relatório que a própria Igreja publica. Os dados publicados pela própria Igreja são de, em média, USD 46 milhões ao ano. Você sabe a diferença entre milhões e bilhões? Milhão = 1.000.000,00 x Bilhão 1.000.000.000,00! Você sabe a diferença entre um valor inventado e dados estatísticos concretos publicados pela Igreja? (Ver notas aqui)

        7) E após esses vôos de fantasia, você passa a deturpar o meu argumento para tentar desmerece-lo. Novamente, uma atitude intelectualmente infantil. Você lança o argumento de que os Apóstolos eram “ricos” antes de serem Apóstolos e que por serem Apóstolos tiverem seus níveis de vida reduzidos. E eu contra-argumentei provando que, ao menos 60% deles subiram de nível de vida por serem Apóstolos, e qual é a sua tréplica?

        “E daí? Isso os desqualifica para serem apóstolos? Ou o fato de Pedro ser pescador era menos relevante para seu chamado apostólico?”

        Preciso explicar pra você como essa resposta é estúpida? Mas eu explico: Em nenhum momento estavamos discutindo sobre a “qualificação de Apóstolos”, mas sim a remuneração deles. De novo: O assunto em pauta NÃO é a qualificação de Apóstolos. O assunto em pauta é QUANTO GANHA um Apóstolo!

        8) Você termina prestando seu testemunho pessoal, que é completamente irrelevante para a discussão. O que você acredita ou acha é irrelevante. O que é relevante são os fatos concretos, dos quais você não disputa nenhuma vez com nenhum fato ou contra-fato novo.

      • “Sim, claro. Exceto o banco ilegal que Joseph Smith fundou em Kirtland, exceto as notas fraudolentas que Smith e Rigdon emitiram, exceto a especulação imobiliária predatória de Joseph Smith e John Bennet em Illinois, exceto a impressão ilegal de dinheiro de Brigham Young em Deseret, exceto os monopólios ilegais e tentativas de suborno de oficiais federais e o desvio de fundos públicos (destinados a “FUNAI” Americana, para o qual Young trabalhava) que Brigham Young orquestrou em Utah, etc.”

        Tudo isso foi comprovado ou é uma interpretação particular dos fatos?

        Se não fosse meu testemunho….talvez eu abandonasse a Igreja agora. Mas, tendo também como exemplo Antonio Trevisan que conhece muito mais a respeito da Igreja do que eu e ainda permanece membro, me motiva a permanecer e a orar e a lutar sempre por uma Igreja melhor.

      • Sim, todos estes fatos são fartamente bem documentados. Todos eles criaram vários problemas legais para a Igreja na época.

        “[T]endo também como exemplo Antonio Trevisan que conhece muito mais a respeito da Igreja do que eu e ainda permanece membro, me motiva a permanecer e a orar e a lutar sempre por uma Igreja melhor.”

        É isso aí, Marcos. Quiçá todos os membros pensassem assim como você.

        E, sim, o Antônio é o herói de todos nós por aqui!

      • “Sim, todos estes fatos são fartamente bem documentados.”
        Os documentos que falam a respeito destes fatos são de origem antimormon, mormon, neutra ou todas? Se for possível, peço que me envie algumas delas.

      • Neutra. São fatos amplamente conhecidos por historiadores especializados em Mormonismo e/ou Histório do Oeste Americano, Marcos.

        Esses que eu mencionei estão em praticamente todos os livros e artigos que já li em história Mórmon. Se você quiser algumas fontes que servem de introdução, esses tópicos são discutidos nestes livros:

        ‘Brigham Young: Pioneer Prophet’ por John Turner, Harvard University Press, 2012

        ‘The Mormon Rebellion’ por David Bigler e Will Bagley, Oklahoma University Press, 2011

        ‘Joseph Smith: Rough Stone Rolling’ por Richard Bushman, Alfred Knopf, 2005

        ‘Wayward Saints’ por Ronald Walker, University of Illinois Press, 1998

        ‘The Mormon Hierarchy’ vol. 1 e 2 por Michael Quinn, Signature Books, 1997

        Como todos eles são acadêmicos, eles discutem suas fontes amplamente.

    • Mauro,

      Lendo seu texto percebi que o amigo vive no mesmo país de Alice, lembra daquele filme Alice no País das Maravilhas!! Isso mesmo, vc falando cheguei a ficar com pena dos “pobres” apóstolos mormons, e tive uma grande idéia, vamos todos fazer jejum especial em favor deles, o que vc acha? Mobilizaremos nas redes sociais, certo.

      Esse mundo de faz de conta que vc vive, é fruto de um grande trabalho evolutivo dentro do mormonismo. Essa capacidade que os mormons possuem de fazer uma apologia cega e sem argumentos, faz parte desse skow da teologia bizarra.

      Esses homens vivem muito bem, possuem um alto padrão de vida, ao contrário do que sua cabecinha pensa. Volte para a realidade e enfrente a verdade dos fatos, só assim poderá dizer palavras com a voz da razão.

      [Editado e moderado de acordo com a Política de Comentários]

  2. Após ler estes artigos,despido de pré-conceitos sobre este site,chego as seguintes conclusões:

    1º-90% dos comentários se tornaram palanques teológicos utilizados por pessoas que discordam total ou parcialmente das doutrinas,princípios e procedimentos adotados pela Igreja SUD.

    2º Os outros 10% restantes tentam esquivar-se com desculpas de “eu não sabia” ou “não é bem assim”

    Atualmente sou um mórmon(I.E:SUD) fiel,ativo e regular há quase duas décadas,servi em uma missão SUD e participado das ordenanças do Templo,creio que os que se enquadram nestes pontos supracitados,devam retornar ao ponto de inicio e se perguntar:O que de fato eu desejo para minha vida,pois se procurarem por falhas e pontos sem resposta clara a suas indagações,de fato encontrarão,pois a dúvida é contrária a fé e isto é uma máxima.

    As informações aqui veiculadas,tem em sua maioria,fundamentos palpáveis,podendo ser alvo de questionamentos justos,tendo em vista a 11ª Regra de Fé(Declaração resumida da Fé mórmon),nada disto me é novidade,na realidade como falante nativo da língua inglesa,já tive acesso a muitas publicações de cunho investigativo,doravante não traduzidas,e,apesar disto,este conhecimento pleno destes fatos não afeta a minha compreensão do que descobri ser verdadeiro por mim mesmo.Caso tenham dúvidas,elas são suas por direito,a mim,a cada texto,cada “bomba” sobre a Igreja SUD,tem o mesmo efeito de uma onda no mar:uma pequena onda.

    A demais,a qualidade dos textos é impressionante,bem como o esforço dos autores em torná-los atraentes,isto é digno de reconhecimento,sigam neste caminho,dizimem coentros e hortelãs,eu persisto agarrado ao que me impulsiona para frente e quanto a estes esforços empregados em uma pseudo-associação de estudos “mórmons”? “Nós não lhes demos atenção”(1º Néfi 8:15).

    • Rodrigo, obrigado pelo seu comentário e participação. Aliás, obrigado pelos elogios. No Vozes Mórmons damos muito valor à indagação intelectual honesta e diligente, então realmente os textos têm “fundamentos palpáveis” e alguns são “impressionantes”. Permita-me, conduto, corrigi-lo de alguns (vários) equívocos (maiores e menores) no seu texto acima:

      1) A Igreja SUD presentemente enfrenta problemas reais de crescimento e retenção de membros, inclusive no Brasil. Você pode achar que esses problemas são “no mar… pequena[s] onda[s]”, mas a maioria esmagadora dos Mórmons não acha que sejam tão pequenas assim.

      2) Parte do problema pode ser, justamente, a ironia de um foco eclesiástico e institucional em “coentros e hortelãs.”

      3) Você escreveu “mórmon(I.E:SUD)”, mas você talvez não entenda que “i.e.” vem de uma expressão latina (“id est”, usualmente abreviada assim: “i.e.,”) que significa “isto é” ou “em outras palavras”. SUDs não os únicos Mórmons, mas uma sub-classificação de todos os Mórmons, então sua colocação está completamente equivocada. Tampouco o inverso poderia ser usada, pois SUD e Mórmon não são inteiramente intercambiáveis, o que é o sentido da expressão “id est”.

      4) Eu não sei de onde você tirou esse cálculo 90%-10% sobre os comentários. Se você se está referindo aos artigos do site, você esta completamente errado (e inventando números da sua própria imaginação). Teologia ocupa um espaço muito limitado no site. Se você esta se referindo aos comentários deixados por leitores, você ainda assim está completamente errado (tendo lido todos os comentários deixados até hoje). Se você acha que pode provar que os seus cálculos não são invenções da sua fantasia pessoal, demonstre uma contagem séria, por favor.

      5) Os seus 3 útimos parágrafos fazem muito pouco sentido por não gozarem de uma estrutura de pensamento coerente e redação com estrutura gramatical adequada. Pontuações ajudariam. Frases completas também.

      6) Doravante é advérbio de tempo que significa “de hoje em diante” ou “deste momento em diante”.

      7) “Pseudo-associação” é um têrmo, desculpe a franqueza, simplesmente estúpido. Uma Associação é definida como “uma organização resultante da reunião legal entre duas ou mais pessoas, com ou sem personalidade jurídica, sem fins lucrativos para a realização de um objetivo comum”. Para que a expressão “pseudo-associação” seja algo menos que estúpido, a ABEM deveria deixar de cumprir um ou mais destes requisitos. Qualquer observador consegue averiguar, em minutos, que ela cumpre todos estes. Em tempo: Pseudo é um adjetivo significando “falso”, e pseudo-associação significa “uma associação falsa”.

      8) “Nós não lhes demos atenção”? Você esta aqui, dando atenção, não?! Você não acha irônico ler um texto e comentar nele que você não quer ler o texto?

      De qualquer modo, obrigado pelo comentário e pela leitura. Espero que você encontre outras temas aqui que lhe interessem, e que seus próximos comentários sejam melhor estruturados para serem mais compreensíveis. Uma dica que ajuda bastante é escrever rascunhos, pausar longe do texto, e retornar e re-ler tudo para checar se suas ideias estão sendo elaboradas de maneira clara e coerente.

    • Tu és bem revoltado em rodrigo, é tão agradável saber de tantas coisas, sejam erradas ou certas, mais se tu tens a mente fraca, então não veja mais isso menino.

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