Voltar a frequentar a Igreja, após um período de “férias” pode ser algo bastante difícil para muitos indivíduos, basicamente pelos motivos motivos que levam as pessoas a deixarem o convívio da Igreja. O olhar dos outros, a avalanche de responsabilidades e outras formas de pressão social pouco ajudam nesse processo de reintegração. Mas como superá-las?
Caso o indivíduo sinta vontade de voltar a frequentar a Igreja, como ele pode se prevenir dessas pressões? Ou passar por elas sem se machucar? Como fazer desse retorno uma experiência prazerosa e de fato espiritual?
Pedro, faço de minhas palavras, as palavras de Marcus H. Martins para dizer o quão escasso é seu raciocinio sobre os negros (de Zimbabwe por exemplo) estarem nas condições que estão “em desvantagens”, por terem sido “menos fiéis” na vida pré-mortal:
“Frequentemente ouvimos a pergunta: “Nascer numa família SUD ativa [e/ou num ambiente abastado] é evidência de fidelidade pré-mortal?” No passado alguns sugeriram que um nascimento sob tais circunstâncias “favoráveis” poderia ser visto como uma recompensa por ações justas na préexistência.
Entretanto, se tal idéia fosse verdadeira, como poderíamos explicar o nascimento de
Abraão num lar onde o pai era idólatra e abusivo? Ou como explicaríamos o fato de que entre os primeiros 30 e poucos profetas e apóstolos dessa dispensação nenhum deles nasceu numa família SUD? Associar circunstâncias materialistas com recompensas pré-mortais negaria a possibilidade de os governantes pré-ordenados pelo Senhor estarem nascendo em todas as nações e sob uma variedade de circunstâncias sociais e econômicas.” (Consideracoes sobre Racas, Pre-Existencia e Mortalidade por Marcus H Martins-PhD).
“No passado alguns autores afirmaram que nossas atuais circunstâncias na terra (por exemplo: nacionalidades, raças, estado de saúde, renda, etc.) teriam nos sido impostas como recompensas ou punições por eventos desconhecidos ocorridos durante o estágio pré-mortal.
Conquanto seja verdade que indivíduos são pré-ordenados no mundo pré-mortal, precisamos lembrar que a doutrina da pré-ordenação se refere a designações a serem cumpridas na mortalidade, e não deve ser automaticamente estendida a outros aspectos da experiência mortal.”(Idem)
Há uma outra citação bem conhecida de Bruce R. McConkie, que aliás, também era dessa idéia absurda de que os negros eram menos valentes na vida pré-mortal, segue:
“… Esqueçam tudo o que eu disse, ou que o Presidente Brigham Young, ou quem quer que seja … disse no passado que seja contrário à revelação presente. Nós falamos com um entendimento limitado e sem a luz e o conhecimento que agora chegou ao mundo. …“Não faz uma partícula de diferença o que qualquer pessoa tenha dito sobre [este] assunto antes do primeiro dia de junho deste ano, 1978. … e quanto a quaisquer fagulhas de luz ou partículas de escuridão do passado, vamos deixá-las de lado.” (“All Are Alike Unto God,” publicado em Charge to Religious Educators (1982), pp.152-155)
Pedro, aqui eu acho que McConkie já estava percebendo o fiasco que era a doutrina do negro na igreja, e indiretamente pediu desculpas pelas tolices que ela disse no passado.
Ah, tem uma outra bem interessante de um dos meus profetas preferidos (pois ele percebeu bem antes de McConkie a estapafúrdio pratica racista na igreja:
“Presidente David O. McKay de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi citado quarta-feira dizendo como em 1954 que ‘não há doutrina nesta igreja e nunca houve uma doutrina nesta igreja para o efeito de que os negros estão sob qualquer tipo de condenação divina’”. (Salt Lake Tribune,1970)
Voltando mais um pouco, o presidente Joseph F Smith também disse em uma carta a M. Knudson no dia 13 de janeiro de 1912:
“Não há nenhuma revelação, moderna ou atual, nem há quaisquer declarações autoritativas feitas por quaisquer autoridades da Igreja… [em apoio à idéia] que os negros são aqueles que ficaram neutros nos céus na época do grande conflito ou guerra, o qual resultou na expulsão de Lúcifer e daqueles que foram guiados por ele” (Nem Brancos ou Negros, Bush e Mauss, Signature Books, pg. 86).
Lembrando que, o próprio Brigham Young, apesar de ter trazido essa prática para dentro de igreja, sabia que era uma heresia dizer que os negros eram menos valentes na vida pré-mortal:
Quando perguntado “se os espíritos dos Negros haviam sido neutro nos céus” Brigham Young responde: “não, eles não foram, não houve espíritos neutros na época da rebelião, todos assumiram um lado…. Todos os espíritos que vieram da presença de Deus são puros” (Journal History, 25 de dezembro de 1869, citado no Diário de Wilford Woodruff).
Pedro, veja como o próprio idealizador da proibição, já sabia que todos os espiritos que vinham à Terra eram PUROS e que não estavam sob maldição divina alguma, tanto ele como David O. McKay sabiam disso, e o Elder McConkie selou de vez essa doutrina.
Bem, até aqui, eu acho que já deu para refutar a vã e tola citação de Joseph Fielding Smith sobre um povo nascer com menos ou mais privilégios do que outro, e ainda mais quando se baseia em cor da pele, né?
Se você quer realmente ajudar nosso irmão Geninho, esqueça tudo o que você disse sobre esse grande povo de Zimbabwe, a África e os negros, pois nós não estamos sobre uma maldição divina e nunca estivemos, nós não mereciamos ser privados das bençãos do sacerdócio, foi uma falha e nós precisamos aceitar isso, para que haja uma reparação ampla e digna desse ensinamento torpe que a igreja praticou até 1978. Até mais amigo!
Sem mais comentários meu novo Amigo Giovanni…
só posto aqui uma lembrança de uma frase que li por ai certa vez:
“A fé tem que nos levar para ALÉM dos fatos e nao nos empurrar contra os mesmos”
O mais curioso desta história toda, e contrário ao que eu um dia, enquanto ativo, imaginava… é que eu me sinto em PAZ sabe? Nao me sinto apostata, ou menos abençoado por Deus e nem menos digno ao fazer minhas oraçoes e derramar meu coraçao a Ele.
Se Cristo vive e nós sabemos disso é porque os fatos amplamente narrados sobre sua
vida, os lugares onde andou nos mostram isso, seria muito dificil crer num Homem que
os fatos sobre sua vida, missao e propósito nao pudessem ser no mínimo verificados.
Se Deus realmente fala com esses homems (profetas modernos) por tudo que já foi exposto por aqui, eu acredito firmemente nao ser o mesmo que aprendemos desde pequenos através de nossos pais e da bíblia.
Ou entao esse Deus jamais falou ou revelou a esses homens o que atribuem a Ele. Ler Amós 3:7 e ler o que “A igreja verdadeira” publicou em certas épocas sobre o que Ele revelou nao podem definitivamente, ao meu ver, se referir a Este Deus.
Mas Ele vive, temos sim uma fonte inesgotável de aprendizado de toda a Verdade..parafraseando Jesus (Jo 17:17) “Santifica-os na tua VERDADE; A TUA PALAVRA É A VERDADE”
O grande carinho que tenho por esse blog e por todos voces (Marcelo Junn, Pedro, Bill e voce Giovanni) é que pelo menos aqui podemos sim falar livre e abertamente, descordando, contestando, e mesmo assim estarmos juntos num mesmo espaço, algo que na estrutura da Igreja Sud como é hoje se torna impossível. E mais uma vez digo, esse lugar aqui tem me ajudado sobremaneira a prosseguir na minha busca e reconstruçao das verdades eternas.
Obrigado a todos voces! Um abraço e fiquem com Deus e sua Paz!
os fatos
Giovanni , me desculpe amigo, mas, vc precisa refazer seu comentário, pois em momento algum eu disse algo sobre desvantagens por terem sido “menos fieis” na existência pré-mortal. E gosto do artigo do Marcus sobre o assunto. Quero deixar claro que eu NÃO SEI os motivos para tais privilégios, vantagens e desvantagens, agora, ignorá-los seria ridículo de minha parte.
Na verdade amigo, acho errado vc insinuar algo sobre o McConkie que ele não tenha declarado, o que ele fez foi em relação ao que eles( McConkie, Brigham etc. etc.) haviam dito em relação ao tempo em que o negros receberiam o sacerdócio e não sobre a restrição do mesmo.
Eu já acho tola qualquer declaração afirmando que não existem privilégios ao nascer. A não ser que prove, de acordo com as minhas colocações anteriores.
Meu amigo, o que eu disse de errado sobre o o povo do Zimbabwe? Por favor, leia com atenção minhas palavras e responda, por favor.
Veja bem, vc fez o que eu lhe pedi? Mostrou a situação em que vive o povo do Zimbabwe, e depois perguntou se eles nasceram em um estado de privilégio em relação aos que nascem na Europa, por exemplo?
Hoje, com certeza os irmãos negros não merecem nem podem ser privados das bençãos do sacerdócio, mesmo porque não existe mais restrição alguma.
Falha? Onde vc leu que a restrição do sacerdócio foi uma falha? Quando o Senhor lhe revelou isso?
Pedro,
Pedro,
Você fez algumas perguntas ao Geninho das quais duas me chamaram a atenção:
4- Nascer negro é uma benção(no nosso mundo)?
5- Nascer no Zimbabwe é uma benção?
Como se não fosse!? Pois foi isso que eu entendi da sua resposta abaixo:
“…não conheço nenhuma passagem bíblica mencionando privilégios por conta da cor da pele, nem vantagens, agora, se vc acredita que o Deus que criou todas as coisas é o Deus da Bíblia, então, esse Deus privilegiou pessoas para nascerem na Europa(por exemplo) e amaldiçoou outros para que morressem de fome em lugares da África, Ele também privilegiou pessoas para nascerem brancas e assim terem certas vantagens e amaldiçoou outras para que nascessem negras e com certas desvantagens na sociedade. Ou seja, mesmo que a Bíblia não relate, a verdade é outra meu caro.” (Parte do seu comentário do dia 25/10/2012 às 4:36 pm )
Ou seja, você insinua que nascer negro na Africa é uma maldição; enquanto nascer branco na Europa é uma benção, e que isso veio de Deus. É lamentável ler um comentário desses meu amigo!
Outra, eu posso estar enganado, mas eu acho que você parafraseou Joseph Fielding Smith, que por sinal é um afronte aos negros:
“Há uma razão pela qual um homem nasce preto e com outras desvantagens, enquanto outro nasce branco, com grande vantagem. A razão é que nós viemos de um estado pré-mortal, e fomos obedientes, para mais ou para menos, para as leis que nos foram dadas lá. Aqueles que foram fiéis em todas as coisas lá, receberam bênçãos maiores aqui, e aqueles que não foram fiéis receberam menos …. Não houveram neutros na guerra no céu. Todos tomaram partido, quer com Cristo ou com Satanás ….. O negro, evidentemente, está recebendo a recompensa que ele merece. (Doutrinas de Salvação, vol. 1, páginas 66-67)
Agora, você pode sair pela tangente e dizer que não sabe os motivos!? mas…suas palavras te entrega meu amigo! Você quer um ensinamento mais baixo, racista, e imoral do que esse!? Me perdoe Pedro, mas eu não admito de maneira nenhuma me dizerem que nascer negro é uma MALDIÇÃO! Irmão, por favor! jamais diga isso!!!
Ps: Depois eu comento sobre McConkie.
Se existe um país chamado Zimbábue é porque europeus criaram artificialmente fronteiras e desmantelaram a estrutura tribal/patriarcal que existia naquele continente; fazendo isso, também criaram caos social e fome. Deveríamos pensar que os africanos foram abençoados pelos europeus? Ou que a escravidão e miscigenação forçada foram igualmente bênçãos, já que trouxeram milhões para as Américas?
Para ambas as perguntas, NÃO!
Só que o meu questionamento aqui é sobre esta frase do Pedro:
“DEUS…privilegiou pessoas para nascerem brancas e assim terem certas vantagens e amaldiçoou outras para que nascessem negras e com certas desvantagens na sociedade”
Com que propriedade alguém pode dizer que: DEUS AMALDIÇOOU OS NEGROS PARA QUE NASCESSEM ASSIM?
Existe algum fundamento teológico e escrituristico para defender tal tese?
Ps: Antonio Trevisan, você é a favor dessa tese? ou você tentou me dizer que esta situação – dos negros em Zimbabwe por exemplo – é fruto da iniquidade do próprio ser humano e NÃO DE DEUS?
Aguardo!
Giovanni,
eu escrevi perguntas para fomentar o debate, mas de fato acredito que o mal foi e é causado pelo ser humano ao seu semelhante.
A longa proibição dos negros receberem o sacerdócio na Igreja sud não remonta a Joseph Smith, que viu pelo menos dois negros serem ordenados a ofícios do sacerdócio, mas a Brigham Young. E a doutrina que se tornou “clássica” pega elementos ensinados por Brigham Young com o argumento da pré-existência (ao qual Brigham Young se opunha, como bem lembrou o Pedro).
Sim, Brigham Young, um dos homens mais fascinantes da história mórmon.
Não, eu não acredito nessa tese. Como um “investigador” do mormonismo, eu me deparei com esse ensinamento histórico e tive que focar na minha fé e testemunho e ignorar o passado racista da Igreja. Tempos depois, admito que cheguei a acreditar que Brigham Young poderia estar certo, já que ele era um profeta. Que Deus me perdoe por isso. Até que compreendi que Brigham Young era também um homem mortal e havia cometido diversos erros na liderança da Igreja. E que seus ensinamentos sobre linhagens estavam muito, muito errados. Ele foi influenciado pela cultura protestante dos EUA e buscou estabelecer uma regra ao invés de buscar revelação. Ele buscou poder e usou a figura de Joseph Smith para justificar muitas de suas ações iníquas.
Não se trata de pisar no cadáver de Brigham Young (o túmulo dele é inclusive cercado por grades), mas de encarar a nossa própria história (como mórmons) com sinceridade.
Abraços!
Antônio,
São visões como a sua que fazem do meu testemunho ainda mais forte. Confesso que após dez anos de afastamento, não é fácil se deparar com essas informações e retornar à igreja.
Eu não queria acreditar que tudo aquilo aconteceu de verdade. Quanto mais eu procurava saber, mais eu me decepcionava. Quanto mais eu procurava respostas, mais eu me deparava com vãs e tolas explicações mórmons e antimórmons. Por um lado, os mórmons (desinformados e bem intencionados) defendendo com unhas e dentes a proibição, que foi revelada e ordenada por Deus, e que se eu não acreditasse naquilo, entraria em apostasia. E por outro, os antimormons (desinformados e bem mau intencionados) defendendo que aquilo foi racismo (nisso eu concordo) e que por isso a igreja e os profetas eram falsos e que eu os deveria abandoná-los de vez. Eu me senti entre a “cruz e a espada”. É um processo difícil, e em partes continua sendo, pois isto é muito recente!
Até que eu resolvi pesquisar com seriedade, ler as escrituras, orar e chegar a esta conclusão:
– Sei que Ele, sim, o próprio Deus, jamais faria isso com seus filhos, jamais segregaria uma nação inteira por causa da cor da pele, à escravizaria e à discriminaria injustamente, à proibiria de receber as ordenanças do templo; jamais faria isso, proibir um filho Seu, justo e honesto de receber as bençãos do sacerdócio por motivos raciais.
Hoje, sou grato à Deus por estar me revelando gradativamente essas verdades, “…linha sobre linha, preceito sobre preceito…” (2 Néfi 28:30).
Um grande abraço amigo!
Bruce R. McConkie foi um dos homens mais racistas que a Igreja já abrigou. Infelizmente foi apóstolo e todo mundo o tem como exemplo. Mas que era muito racista, ah isso era.