Por que Rapazes Fazem Missão e Moças Fazem Bolo?

Texto de Larissa Arce Centurião

Sobre a separação de tarefas por gênero dentro da igreja

Foto: littlemisskaelin.tumblr.com.

Foto: littlemisskaelin.tumblr.com.

Comecei a prestar mais atenção em certos ensinamentos na igreja para compreender por que me prometiam a felicidade mas estavam, de um certo modo, se tornando um incômodo. De princípio até acreditei que meus questionamentos eram desnecessários e que a necessidade de mudança devia estar fora de cogitação. Afinal, quem é que nunca escutou a velha frase: ‘A Igreja é perfeita’?

Porém tomei conhecimento de que o problema estava em algumas doutrinas repletas de sexismo, e isso definitivamente não é saudável para o crescimento de mulheres na igreja (digo mulheres pois são as mais prejudicadas, mas os homens não fogem das consequências). Principalmente para que tenham a plena noção de que os estereótipos extremos na sociedade não fazem nenhum bem, tornando assim o evangelho duvidoso.

Acredito que a base para esses ensinamentos esteja nas organizações dos jovens (ORM). Quando uma criança completa doze anos de idade, ela desvincula-se da primária e passa a ter aulas separadas e especificas de acordo com o seu sexo.

Jovem posando com a publicação

Jovem posando com a publicação “Progresso Pessoal”. Foto: lds.org

Essas aulas dão ênfase para os jovens de seu verdadeiro papel na terra, e eu como Laurel aprendi nesses quatros anos meu verdadeiro papel como mulher e claro minhas responsabilidades diante da família. Creio que os irmãos já imaginam quais ensinamentos tive nesses quatro anos, pois nas organizações dos adultos não é diferente, a questão é que para os jovens passa-se uma visão ‘natural’ das coisas, ensinando toda a visível divisão de tarefas de modo sútil durante tais aulas.

Aprendi que sou uma moça, naturalmente mais frágil, possuo uma afinidade maior e uma responsabilidade maior com os afazeres domésticos, devo ter filhos (sem mas), a responsabilidade de cuidar deles é minha, devo cuidar e ajudar meu futuro esposo com o sacerdócio, e de um modo aprendi também o papel do homem: ele é o cabeça, tem a responsabilidade de me sustentar e o direito de tomar as decisões finais da família.

Com essa explicação objetiva dos ensinamentos devo assustar alguns, mas a prova que tenho de que o que falo é verídico é muito simples, os manuais com metas para obter um testemunho pessoal de Jesus Cristo – diferentes para meninas e meninos.

Imagem da publicação

Imagem da publicação “Dever Para Com Deus”.

Ao analisar Dever para com Deus (dos Rapazes) e Progresso Pessoal  (das Moças) é óbvia a separação de tarefas por gênero. Observamos o foco para os rapazes fazerem o trabalho missionário, adquirir conhecimento e habilidades para um futuro emprego.  Já o Progresso Pessoal das Moças foca na “natureza divina da mulher”, aconselhando sobre o natural instinto materno, com metas para ajudar a família em afazeres domésticos, aprender a cozinhar, costurar, e ainda possui uma opção no projeto de boas obras de “ser uma boa dona-de-casa”.

“Ah! Mas no dever para com Deus também possui meta para os rapazes cumprirem atividades no lar” “Ah! Mas no Progresso Pessoal existe meta de obra missionária”. Ok irmãos, gosto de falar em números, alguém ai já comparou?

O sistema de metas dos dois livrinhos é completamente diferente. Até mesmo entre os jovens é reconhecido que o Progresso Pessoal das Moças é mais difícil, pois depende de um tempo e um foco maiores, moldado aos seus oito valores (fé, natureza divina, valor individual, conhecimento, escolhas e responsabilidades, boas obras, integridade e virtude – Princípios básicos para uma boa moça Sud). A Organização dos Rapazes não possui tais valores como foco, nem se comenta esses valores especificamente. Por que não focar em virtude com os Rapazes assim como nas Moças? 

Repetidas vezes no Dever para com Deus é possível ver imagens de missionários, e apenas duas imagens de meninos lavando a louça (páginas 26 e 75), exemplos dados para as metas de servir ao próximo (qualquer próximo), diferentemente do Progresso Pessoal das Moças, em que todas as atividades referentes ao lar são claramente colocadas para nos preparar a uma futura responsabilidade dentro da família: “O serviço é um princípio essencial da vida familiar. Por duas semanas, ajude a preparar o cardápio de sua família, consiga alimentos e prepare parte das refeições” (Boas Obras, p. 54).

Quando comentado no começo do texto de que os homens não fugiam de tais consequências não houve nenhuma ideia precipitada, afinal, a maneira como eles são ensinados e cobrados da responsabilidade masculina de sustentar toda a família e tomar sobre si todos os problemas fora da responsabilidade materna (filhos, limpeza), e a obrigação (sim, obrigação) de cumprir uma missão de tempo integral também é de se preocupar.

“Se você tiver uma renda, desenvolva e siga um planejamento pessoal de despesas e de poupança. Inclua o pagamento do dízimo e uma poupança para a missão.” Pg.57

Foto: lds.org

Foto: lds.org

Muitos irão criticar o que escrevo, dizendo que é impossível questionar algo que veio da inspiração do Senhor, mas digo: sim, acredito que um manual para os jovens poderem facilmente adquirir um testemunho de Jesus Cristo deve existir, acredito que ensinar sobre a importância do trabalho missionário e a importância de servir também é necessário, acredito que ensinar afazeres domésticos para a proximidade da independência e a importância do aprendizado para os cuidados de uma criança também é extremamente importante, porém, quando ensinado igualmente para os dois.

As pessoas gostam também de lutar contra este argumento apresentando o famoso testemunho dos apóstolos “A Família: Proclamação ao Mundo”: ‘Segundo o modelo divino, o pai deve presidir a família com amor e retidão, tendo a responsabilidade de atender às necessidades de seus familiares e de protegê-los. A responsabilidade primordial da mãe é cuidar dos filhos.’

Não existe documento mais contraditório e patriarcal. Esse documento foi feito por homens. Existe sim um equívoco. Deve haver a necessidade de todos compreenderem a importância da família, porém, não dessa forma.

Infelizmente acho triste mulheres se fecharem a essas ideias, ou então, procurar igualdade ‘até onde convém’. Nós podemos ser mais do que nos apresentam que podemos ser.

Eu não estou querendo dizer que todas as mulheres devem abolir o pensamento de responsabilidade dentro do lar, mas sim, que TODAS devem ter a noção de que sua escolha e sua liberdade não se limitam a isso, todas devem ter a visão de que estar ali é uma escolha e não uma obrigação.

Foto: lds.org.

Foto: lds.org.

Acredito que devem e vão haver algumas mudanças. Uma prova é o direito de sisters  ocuparem cargos na missão antes negados. Ainda falta muito, mas já seria excelente se os membros começassem a compreender e a se sentirem livres para argumentar e questionar certas doutrinas da igreja.

Sei que os problemas apresentados estão presentes nos moldes da sociedade, mas se este é o evangelho de Cristo deve-se então desprender-se dessas ideias e procurar o melhor para seus membros. Todos sofremos as consequências do patriarcado, e o ensinamento igualitário atrai benefícios em qualquer situação.

*Sobre a autora:

Larissa Arce Centurião tem 16 anos e acaba de ingressar no Curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul.

126 comentários sobre “Por que Rapazes Fazem Missão e Moças Fazem Bolo?

  1. Vamos refletir: na Bíblia fala-se de profetisas, mas principais representantes de Deus foram homens, no Livro de Mórmon também foram homens, na restauração do evangelho foi escolhido um homem e não uma mulher, ou seja, o profeta Joseph Smith. Jesus escolheu apóstolos e nenhuma apóstola. Deus escolheu um homem para ser salvador do mundo e não uma mulher. A Mãe Celestial existe, mas até onde sabemos, não temos (pelo que eu saiba) evidências de que ela tenha participado do plano de salvação da maneira que Deus tem feito. Aí vai a pergunta:
    Diante de tudo isso, Larissa, você afirmaria que Deus é machista?

    • Não sou a Larissa, mas a minha resposta à sua pergunta final é esta: Deus não é machista, mas as pessoas que escreveram os textos contidos na Bíblia, no Livro de Mórmon, Alcorão, etc. transmitiram aos seus leitores essa visão patriarcal – e em vários casos – misógina, “machista” do mundo. Esses textos são produto de sua época, de sua cultura. E até assim, mesmo neles, há indícios fortes de um papel bem mais ativos das mulheres tanto nos tempos da Bíblia Hebraica (“Antigo Testamento”) quanto nos da Igreja cristã primitiva. Os evangelhos gnósticos, encontrados em Nag Hammadi, contêm também várias referências a esse papel feminino que as igrejas oficiais suprimiram no decorrer da história.

      • Sua resposta não tem lucidez alguma, dizer que os escritores, no caso profetas e apóstolos que ouviram diretamente do Senhor e assim escreveram eram machista, é um sinal de incoerência sem tamanho. Joseph traduziu as placas por meios divinos e o Senhor permitiu que o machismo se perpetuasse? Favor, volta a ler as escrituras, essa discussão aqui proposta é uma ignorância sem tamanho!

    • Excelente reposta ! e obrigada pelo apoio!
      Sim, é exatamente isso, as pessoas se esquecem de que estes livros foram escritos por homens , e querendo ou não possui todo um pensamento cultural da época refletido nos ensinamentos.
      Se assim não fosse, tenho certeza de que haveriam muitos relatos de mulheres, e até mesmo mais teorias claras sobre a existência da mãe celestial.
      As mulheres foram oprimidas e caladas não só na religião, mas também na ciência, muitos nomes seriam conhecidos se assim não fosse.
      Gosto muito da citação das irmãs católicas sobre cristo :

      “Quando indagas um pouco e tiras a crosta da intolerância que a hierarquia católica (diga religião) colocou sobre a mensagem básica de Jesus e dos Evangelhos, te dás conta de que há outras coisas. Por exemplo, Jesus mostrou em sua vida pública que, para ele, as mulheres eram importantes. Rompeu com muitos estereótipos de sua época. Por exemplo, se aproximou da hemorroíssa, a mulher que sofria de fluxos de sangue há mais de 12 anos e a curou. Naquela época, a menstruação era um sinal total de impureza. As mulheres menstruando não podiam ir ao Templo. Havia toda uma série de tradições em relação a isso. Jesus Cristo rompeu com tudo isso e estabeleceu um diálogo com a hemorroíssa. Aproximou-se também das prostitutas. Mas digo que foi o primeiro feminista da história, sobretudo, porque tinha uma mensagem de misericórdia, de compaixão, de bondade, de igualdade.”

      • Eu prefiro muito mais um analfabeto humilde, educado, respeitoso e temente a Deus do que uma pessoa intelectual e cheia de conhecimento, porém arrogante e que se acha dona da verdade.

      • Prefere para quê, Marcos?

        Você prefere um analfabeto para operar o seu filho se ele ficar doente?

        Você prefere um analfabeto para construir o prédio onde sua família vai morar?

        Você prefere um analfabeto para defende-lo em um processo legal de alguém lhe tomando seus bens?

        Até hoje eu não entendo por que há pessoas que exigem que seus médicos, seus engenheiros, seus advogados, etc., sejam pessoas estudadas, inteligentes, capacitadas, e especializadas mas aceitam que seus historiadores, seus psicólogos, seus sociólogos, etc., sejam completamente ignorantes, incompetentes, e destreinados.

      • Quanto preconceito contra pessoas analfabetas. Parece que você está dizendo que elas são inúteis. Alguém que diz lutar contra preconceitos com uma atitude dessas

      • Marcos, me parece óbvio que você não entende o que significa o substantivo “preconceito”. Vamos buscar um dicionário:

        1. Ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.
        2. Opinião desfavorável que não é baseada em dados objectivos. = INTOLERÂNCIA
        3. Estado de abusão, de cegueira moral.
        4. Superstição.

        Eu tomei a liberdade de colocar ênfase nas partes mais relevantes para facilitar sua compreensão. Como você pode ver — e deve estar imaginando agora — os meus comentários sobre analfabetos não constituem preconceito. Se você ainda não entendeu, vou explicar melhor.

        Você acha que não há dados objetivos ou fundamento sério ou fundamento imparcial para a afirmação que não se deve delegar à uma pessoa analfabeta a construção de um prédio, ou um processo legal, ou a cirurgia de uma pessoa doente? Você acha que é superstição ou opinião desfavorável formada antecipadamente sem qualquer raciocínio lógico acreditar que tais atos necessitam de uma formação educacional formal de entre 17 e 27 anos de duração? Você acha que um pai está sendo intolerante quando não permite que um analfabeto exerce a profissão de médico em seu filho, ou de engenheiro para sua família, ou de advogado para seus problemas legais?

        Não. Eu imagino que não. Eu imagino que você jamais aceitaria um “profissional” tão destreinado e despreparado para si ou para sua família. Apenas uma pessoa profundamente estúpida aceitaria tal situação.

        Preconceito seria se eu escrevesse que analfabetos não merecem ser tratados dignamente, com respeito e igualdade oferecidos aos alfabetizados. Eu nunca escrevi isso, nem nunca escreveria. Da mesma maneira que nunca escrevi que Negros devem ser tratados diferentemente, ou que mulheres devem ser tratadas diferentemente, ou que homossexuais devem ser tratados diferentemente. Isso, sim, seria preconceito porque nenhum destes grupos (analfabetos, gays, mulheres, Negros) merecem ser tratados com menos dignidade ou igualdade que os demais grupos.

        Caso você ainda não tenha entendido o meu ponto original, vou explica-lo de maneira mais simples ainda. A sua afrimação acima de que prefere um “analfabeto humilde, educado, respeitoso” ao invés de “uma pessoa intelectual e cheia de conhecimento” é uma afirmação inteiramente irrelevante porque compara maçãs com celulares. Prefere para quê, é a minha pergunta retórica! Se é para ser um amigo para jogar baralhos de Sábado à noite, a condição de analfabetismo é irrelevante — o que importa é se a pessoal é congenial ou não para você. Se é para lhe servir como médico, engenheiro, ou advogado (ou historiador, ou sociólogo, ou psicólogo), a condição de analfabetismo torna a pessoa completamente desqualificada e sequer merece ser considerada.

        Como eu sei de onde suas lamúrias estão vindo, deixe-me ser mais claro ainda: Se você quer um amigo e confidente, um analfabeto de bom caráter lhe poderá servir tão bem quanto qualquer outra pessoa. Se você quer aprender sobre História, você não vai aprende-lo do analfabeto. A menos que este seja o grau de complexidade intelectual para a qual você almeja para si.

      • Posso ter errado ao usar a palavra preconceito, mas ainda me parece que você acha os analfabetos totalmente inúteis. Parece que você só sabe dá valor aos intelectuais. Só os intelectuais que são humanos, só os intelectuais podem contribuir com alguma coisa?
        “A sua afirmação acima de que prefere um “analfabeto humilde, educado, respeitoso” ao invés de “uma pessoa intelectual e cheia de conhecimento” é uma afirmação inteiramente irrelevante porque compara maçãs com celulares. Prefere para quê, é a minha pergunta retórica! ” Você já acusou muitas pessoas de não saberem ler direito seus textos ou comentários, parece que agora é você que não sabe ler direito ou está se fazendo de desentendido. Eu não me refiro a qualquer pessoa intelectual e cheia de conhecimento, mas somente aquelas que se portam de maneira arrogante e prepotente.
        Quando eu digo que prefiro, eu falo em termos de ser humano, alguém que eu prefira escutar e conversar. Portanto, prefiro um analfabeto humilde, educado e respeitoso do que um intelectual arrogante e prepotente. E o contrário também, prefiro um intelectual humilde, educado e respeitoso do que um analfabeto arrogante e prepotente. Espero que dessa vez você tenha entendido.

      • Não, Marcos. Eu li e entendi bem o que você quis dizer desde o começo. E você ainda está errado.

        Se você precisa de uma cirurgia, você prefere operar-se com um “analfabeto humilde, educado, respeitoso” ou um médico competente “intelectual, arrogante, prepotente”?

        Se você precisa de um prédio, você prefere um “analfabeto humilde, educado, respeitoso” ou um engenheiro competente “intelectual, arrogante, prepotente”?

        Se você precisa está sendo processado, você prefere um “analfabeto humilde, educado, respeitoso” ou um advogado competente “intelectual, arrogante, prepotente”?

        Agora, se você perdeu o pai ou a mãe e precisa de um ombro amigo, quem não preferiria um amigo “analfabeto humilde, educado, respeitoso” a um amigo “intelectual, arrogante, prepotente”? Quem?

        A questão, novamente, é que você levantou uma falsa dicotomia. Não existem só analfabetos humildes e educados. Não existem só intelectuais arrogantes. Postular uma escolha hipotética entre ou este ou aquele é simplesmente estúpido e inútil por não ter nenhum valor real e por não incluir nenhum contexto. Contexto, meu caro Marcos, é tudo! Esta é a diferença entre uma visão de mundo nuanceada, realista e inteligente e outra simplista, irreal e infantilizada.

      • “A questão, novamente, é que você levantou uma falsa dicotomia. Não existem só analfabetos humildes e educados. Não existem só intelectuais arrogantes.” Parece que você está fazendo questão de distorcer o que eu disse. Vou colar abaixo, o que exatamente eu disse: “Eu não me refiro a qualquer pessoa intelectual e cheia de conhecimento, mas somente aquelas que se portam de maneira arrogante e prepotente.
        Está vendo? Nessa frase está claro que eu apenas me refiro aos intelectuais que são arrogantes e prepotentes. Observe, caso não enxergue direito, que eu ainda usei a palavra “somente”.
        Observe também: “… Portanto, prefiro um analfabeto humilde, educado e respeitoso do que um intelectual arrogante e prepotente. E o contrário também, prefiro um intelectual humilde, educado e respeitoso do que um analfabeto arrogante e prepotente.” Veja, jamais afirmei que existem somente intelectuais arrogantes ou somente analfabetos humildes e educados, tanto é, que eu disse que o contrário também.
        “Se você precisa de uma cirurgia, você prefere operar-se com um “analfabeto humilde, educado, respeitoso” ou um médico competente “intelectual, arrogante, prepotente”?”
        A segunda opção é claro, mas não refiro ao aspecto do conhecimento ou do que a pessoa pode fazer por mim, me refiro ao relacionamento humano. Pois, toda pessoa, analfabeto ou intelectual, que é prepotente e arrogante tende a querer humilhar as pessoas. O intelectual humilde e respeitoso passa seu conhecimento ou até corrige as pessoas de maneira educada, procurando não ofender ninguém, sem sarcasmo e ironia.
        O analfabeto humilde e respeitoso vai aceitar esse conhecimento que lhe trará benefícios.

      • “Parece que você está fazendo questão de distorcer o que eu disse.”

        Não, Marcos. Eu estou lhe ensinando a pensar no que você escreve. Você ainda não aprendeu isso, mas tudo o que você escreve tem significados além das exatas palavras que estão formando as sentenças. Neste caso específico, o raciocínio que você usou para formar a sua proposição inicial depende de uma falácia lógica não-estrutural denominada “falsa dicotomia”. Eu não distorci o que você disse, eu analisei o que você disse.

        “Nessa frase está claro que eu apenas me refiro aos intelectuais que são arrogantes e prepotentes.”

        Sim, e por isso a falsa dicotomia. Para que a sua proposição seja válida, só pode haver estas duas opções no mundo, a saber, analfabeto humilde e intelectual arrogante. Se houver outra opção além destas duas (e você mesmo admite que a maioria esmagadora das pessoas se encontram num espectro entre esses dois extremos), a sua proposição inicial torna-se inválida, inútil, e ilógica.

        Depois você corrigiu a sua proposição inicial para especificar “sómente” um subgrupo de intelectuais (i.e., arrogantes e prepotentes), o que torna o argumento simplesmente estúpido, visto que você — ao modificar um dos seus parâmetros iniciais — admite que a construção inicial do seu argumento é ilógico. Neste momento, o passo inteligente seria abandonar o argumento ao invés de insistir nele, embora emendado.

        “Veja, jamais afirmei que existem somente intelectuais arrogantes ou somente analfabetos humildes e educados…”

        Não, Marcos. Você não tinha dito isso explicitamente, mas a sua proposição inicial dependia desta idéia e, portanto, disse implicitamente. A partir do momento que você concedeu que não acredito nesta idéia, você concedeu que a sua proposição inicial está errada. Isso é importante uma lição importante para você aprender porque todos nós aprendemos errando — quando postulamos idéias e hipóteses, precisamos pensar no arcabouço intelectual e racional que sustenta o nosso raciocínio, e muitas vezes deixamos de enxergar falhas no raciocínio lógico que comprometem nossas hipóteses. Com prática, e aprendendo com nossos erros, passamos a fazer isso com menos frequência.

        “A segunda opção é claro, mas não refiro ao aspecto do conhecimento ou do que a pessoa pode fazer por mim, me refiro ao relacionamento humano.”

        Bom, daqui tiramos duas conclusões importantes. 1) Você concede que o seu argumento inicial era ilógico pois não estruturava-o dentro de um contexto específico (i.e., situação profissional onde conhecimento é importante ou situação pessoal onde relacionamento humano é importante), e 2) que o meu contra-argumento a você foi pontual e relevante para lhe ajudar a enxergar a falha no seu raciocínio inicial.

        “Pois, toda pessoa, analfabeto ou intelectual, que é prepotente e arrogante tende a querer humilhar as pessoas. O intelectual humilde e respeitoso passa seu conhecimento ou até corrige as pessoas de maneira educada, procurando não ofender ninguém, sem sarcasmo e ironia. O analfabeto humilde e respeitoso vai aceitar esse conhecimento que lhe trará benefícios.”

        Marcos, de novo com as falsas dicotomias. Você está pintando pessoas como personagens caricatos de filmes baratos. Ninguém é 100% arrogante e 100% humilde. As pessoas são arrogantes em alguns contextos e humildes em outros. Abandone esses exemplos porque eles simplesmente são inúteis.

        Contudo, permita-me deixar 4 ideias para você ponderar sobre o tema de “intelectuais arrogantes e prepotentes” que eu acho que você ainda não considerou: 1) “Intelectuais” tem mais motivos para serem “arrogantes e prepotentes” que os “analfabetos”, então é natural que aqueles o sejam mais que estes; 2) Muitas vezes, os “analfabetos” apenas acham que os “intelectuais” sejam “arrogantes e prepotentes” porque sua própria condição de ignorante lhes causa desconforto e vergonha (i.e., dissonância cognitiva) e para reduzir este desconforto é mais fácil vilipendiar os “intelectuais” que os fazem lembrar de sua própria condição ignorante; 3) Muitos “analfabetos” são mais “arrogantes e prepotentes” que os “intelectuais” pelo simples fato de recusarem novas ideias ou novos fatos, insistindo em acreditar em suas superstições ou em suas crenças mesmo quando confrontados com fatos e ideias que as contradizem, escolhendo vilipendiar os “intelectuais” ao invés de estudar e sair de sua condição ignorante — enquanto os “intelectuais” tem a “humildade” para admitir que não sabe tudo e que pode estar errado, e assim se esforça para explorar novos fatos, novas ideias, e até mudar suas opiniões e conceitos; e 4) Muitos “intelectuais” usam “sarcasmo e ironia” como uma forma de chocar os “analfabetos” confrontando-os diretamente com a ignorância (e estupidez) de sua condição de “analfabeto”, na esperança que este choque os motive a sair de sua apatia e buscar educação para elevar-se desta condição ignorante inicial, conscientes de que isto é um processo pessoal e ninguém sai desta condição “na marra” mas através de seus próprios anseios e esforços.

        E, finalmente, solicito a gentileza e a educação da confirmação do recebimento do email que lhe enviei ontem. Obrigado.

      • Quem se acha por aqui “dono da verdade”, Marcos? E quem “arrogante”? Seja mais claro, por favor, mas antes de emitir comentários desse tipo pegue sua Bíblia (se a tiver) e leia em Mateus 7:1, pra começar.

      • Quanto a você que se diz membro da igreja e concorda com a posição de (naturadeorum), querida, procura causas nobres pra se envolver, olhe ao seu redor, a muito por contribuirmos nesse mundo e a favor de inocentes como crianças que sofrem com casos destruidores de pedofilia. O apostolo Paulo nos disse pra evitar discussões que geram mais contendas que edificação, pare com isso, você não tá ajudando uma alma sequer, senão alimentando seu ego com elogios e vãs palavras. Faça como eu me propus a fazer. Em sua cidade levante um movimento contra abusos de crianças, crie paginas sobre isso, campanhas em praças publicas, isso salva vidas. Essas discussões criará um furação que irá levar você junta com pessoas tão ignorantes na fé que dizem que o céu azul não é azul é rosa.

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