Desafio de história mórmon: rituais

É novamente o momento de testar os seus conhecimentos sobre a história mórmon! O que está acontecendo na foto abaixo? O que é diferente da forma como a mesma “coisa” é feita hoje? O que já é diferente da forma como era feita ainda antes?

Menos idade = mais missionários?

Neste primeiro dia da 182a Conferência Geral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o presidente Thomas S. Monson anunciou a nova idade mínima para os missionários de tempo integral: 18 anos para os homens e 19 para as mulheres (ao invés do padrão anterior de 19 e 21, respectivamente).

A nova idade mínima, no entanto, não será obrigatória para os homens, afirmou Monson: “não estou sugerindo que todos os rapazes irão – ou devem – servir nessa idade mais jovem”. Continuar lendo

As Três Ordens do Sacerdócio

Joseph Smith primeiro disse que havia dois sacerdócios. Mais tarde, ensinou sobre três sacerdócios. Deveríamos desconsiderar a existência de uma terceira ordem, apenas por não estar explicitamente nomeada nas obras padrão, quando isso reflete o aprendizado do Profeta doze anos mais tarde?

 

Pintura de Liz Lemon Swindle.

Pintura de Liz Lemon Swindle.

A seção 107 de Doutrina e Convênios inicia com a afirmação de que “Há, na igreja, dois sacerdócios, a saber: o de Melquisedeque e o Aarônico, que inclui o Sacerdócio Levítico.” O texto data de 1835 e inclui elementos do início da década de 1830. Ainda que a Igreja sud tenha mudado enormemente sua compreensão do que seja o sacerdócio desde então, permanece a afirmação de que existem dois sacerdócios, sendo o menor parte do maior.

No mesmo texto, porém, há um elemento que aponta para uma outra porção do sacerdócio. Ao falar da responsabilidade dos Doze em ordenar “ministros evangélicos”, patriarcas, a revelação menciona uma “ordem (…) instituída nos dias de Adão e transmitida, por linhagem”. Continuar lendo

Feliz Aniversário, Manifesto

Wilford Woodruff (centro) e seus conselheiros George Q. Cannon e Joseph F. Smith.

“Reuni-me com 3 dos Doze & meus Conselheiros a respeito de um Assunto importante”, escreveu Wilford Woodruff em seu diário, em 24 de setembro de 1890¹. O assunto tratado era nada mais, nada menos do que viria a ser o maior divisor de águas da história mórmon: o Manifesto que colocou um fim à prática oficial do casamento plural pela Igreja sud. Continuar lendo

Brasileiros e a Igreja no Século XIX

Meu avô Garcia foi passar alguns dias lá em casa. Assim que chegou, pediu-me para irmos juntos ao centro da cidade. Ele tirou uma camisa amassada da mala e ligou o ferro de passar. Minha mãe vendo aquilo sorriu e me alertou: pode ter certeza que vai demorar!

Não era tanto a menor agilidade de seu corpo senil o motivo da demora. Creio que, para alguém que havia chegado à idade adulta ainda no início dos anos 30, a lentidão da vida naquela época lhe permitiu acostumar-se a passar a roupa com o mesmo preciosismo com que pincela seus quadros.

Como um adolescente do final dos anos 90, eu achava tudo aquilo uma perda de tempo. Ofereci-me para ajudá-lo, mas ele recusou minha oferta. Não confiaria em mim para realizar uma tarefa tão importante. A julgar pelos amassados das roupas que uso, acho que meu avô tinha razão.

Fui para a sala e fiquei folheando os livros que ele havia trazido. Dentre eles, encontrei um Aurélio bem grande. Aquele dicionário era diferente dos que eu já vira, já que, além de cumprir sua função metalinguística, dava o uso da palavra procurada em algum clássico da literatura em língua portuguesa. Constatada a peculiaridade daquele Aurélio, fiquei imaginando o trecho e a definição que o primo do Chico Buarque daria a minha religião.

Mormonismo. [Do ingl. mormonism.] S. m. Seita religiosa norte-americana fundada em 1827 por Joseph Smith (1805-1844), e cujos membros, os mórmons , praticavam a poligamia, que a lei americana proibiu desde 1887. “Cheguei a lembrar-me do mormonismo, a amaldiçoada seita de José Smith” (Aluísio Azevedo, Livro de uma Sogra, p. 77)[1]

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O Estereótipo Mórmon – Como Parece No Brasil?

Nos blogs do autodescrito “bloggernacle,” na maioria escritos em inglês, o “momento mórmon” não é nada novo. A mídia norte-americana também já vem explorando esse tema faz anos.

Então, por que falar mais disso nos Vozes Mórmons?

Bem, pelo menos da minha parte, o motivo é que estou bem insatisfeito com um lado dessa conversa pública sobre o mundo mórmon: estão esquecendo (na maior parte) o melhor aspecto dele, a cultura e vida dos mórmons fora dos EUA.

O Estereótipo Mórmon

A maioria aqui já sabe daquilo que vou descrever agora — há um estereótipo dos mórmons prevalece muito nos EUA, e aqui não estou falando das percepções erradas que as pessoas têm sobre a gente (especialmente sobre a prática continuada de poligamia) ou dos padrões e normas de vida que são identificados com membros da Igreja (como a Palavra de Sabedoria, o uso de garments, e outros mais) — estou falando das características estereotipadas que vão além de tudo isso, e que enchem o saco ainda mais porque têm alguma base na realidade. Aqui nos EUA, este estereótipo é mais forte com respeito aos homens (em parte, eu acho, por causa da ênfase da Igreja desde os anos 50 no princípio que diz que a mulher deve se manter em casa, e por isso fica fora do olhar público). Então, como parece este estereótipo do homem mórmon?

Branco. Pelo menos classe média, senão rico. Casado cedo com um monte de filhos (ou pelo menos com a expectativa de tal). Homem de negócios, muitas vezes com MBA na mão. De política conservadora, normalmente registrado nos EUA como Republicano ou Libertário.

Esse estereótipo é forte não só porque é refletido no mórmon atualmente mais famoso do mundo, Mitt Romney, mas porque é também refletido em muitos outros (A familia Huntsman, com o ex-governador de Utah Jon, Jr. e seu pai, Jon, Sr., fundador de uma empresa bem sucedida de química; a família Marriott, com a sua rede enorme de hotéis de luxo; Nolan Archibald, CEO de Black & Decker; David Neeleman, fundador das linhas aéreas JetBlue e Azul; e tantos outros).

Pessoalmente, sou muitas destas coisas–sou branco, criado numa família de classe média alta com pais que são professores universitários, casei mais ou menos cedo (aos 25 anos) e eu e minha esposa queremos três filhos, senão mais.

Ao mesmo tempo, não sou muito a fim de uma carreira de negócios (para mim, parece igualzinho ao sétimo grau do inferno descrito por Dante). Minha política vai mais ao lado dos socialistas e hippies (posso indicar meus pais como os responsáveis disso, que se descrevem como “hippies mórmons” e se encontraram em São Fransisco no início dos anos 70 — cresci ouvindo Bob Marley desde o ventre).

Mas estou começando a fugir do tema — se já eu fujo desse estereótipo como homem branco de classe média, quanto mais mórmons negros, mórmons pobres, mórmons asiáticos, latino-americanos, ou mais especificamente nesse caso, mórmons brasileiros, com toda a diversidade que esse grupo já tem em si? Sei pela minha experiência que há muitos mórmons brasileiros que se acercam desse estereótipo (entrando pelos negócios, torcendo politicamente pela centro-direita), muitas vezes em parte pelo incentivo de líderes da Igreja dos EUA, mas o que adorei sobre minhas experiências na Igreja durante os anos que já passei no norte e nordeste do Brasil (antes, durante e após a missão) é a diversidade de gente que entra pelos portões a cada domingo. Não é que esta diversidade não exista também em várias partes ou diversas alas nos EUA — adorei minha ala no Harlem quando fui professor da escola primária em Nova Iorque, onde tinha uma mistura gostosa de gente negra, latina e imigrante de toda parte (Haiti, Gana, Nigéria, República Dominicana, e toda parte da América Latina). Também adorei o ano em que minha esposa e eu passamos na Reserva Indígena da Tribo Navajo, onde também fui professor da escola primária. E ainda nem falei da diversidade de experiência e opinião que existe nos cantinhos de qualquer ala ou ramo nos EUA, mesmo que muitas vezes essas pessoas tenham receio de abrir a boca durante a Escola Dominical. O problema é que nos EUA, mesmo que você saia do estereótipo, ele ainda existe no pensamento da sociedade como todo.

Pelo menos ao meu ver (e estou ansioso para ser corrigido) parece que o maior estereótipo mórmon que existe no Brasil é dos missionários, não dos membros, e por falta de expectativa cultural do que seja “normal” entre os mórmons, há mais espaço para todo tipo de gente.

O que vocês acham? Sei que isso pode variar em várias partes do Brasil, como meus amigos Marcello e Antônio me mostraram quando conversamos no podcast da Mormon Matters na semana passada. Eles me disseram que na experiência deles em São Paulo, Rio e Rio Grande do Sul, onde a Igreja é melhor estabelecida, não há muita tolerância para diversidade de opinião que saia da ortodoxia.

Quero chutar esta pergunta para todos vocês: além de viver os padrões da Igreja, há um estereótipo de um “estilo de vida mórmon” no Brasil aos quais os membros são comparados?

Céus e terra

do pó às palavras

a terra

vã e vazia Continuar lendo

“Dentro do império mórmon”

Esta é a América capitalista, não?
Sheri Dew, CEO da Deseret Book
As finanças da Igreja sud mais uma vez têm sido objeto de discussão na mídia, especialmente desde a candidatura de Mitt Romney e a construção de um super shopping em Salt Lake. Na semana passada, a revista Bloomberg Businessweek, especializada em economia e negócios, publicou uma reportagem de capa sobre o assunto. A revista destaca principalmente a alta lucratividade de algumas empresas mantidas pela Igreja e a falta de transparência de suas finanças. Assinada por Caroline Winter, “Dentro do império mórmon” não é sensacionalista, apresentando opiniões diversas e dados concretos (ver lista abaixo). Ou seja, bom jornalismo. Continuar lendo

Investidura II

Erastus Snow

O sentimento expresso por Brigham Young sobre a necessidade de administrar a investidura em partes e sem apressar as ordenações ao sacerdócio maior foi ecoado também pelo apóstolo Erastus Snow (1818-1888).

Um converso dinamarquês registrou em seu diário pessoal o seguinte ensinamento de Snow: Continuar lendo

El, Jeová e Elohim

Uma informação e uma provocação

Na Bíblia hebraica, o nome Elohim ocorre 2570 vezes, enquanto YHWH (“Jeová”) aparece em 6823 vezes. Já o termo El aparece apenas 238 vezes. No entanto, o uso desses termos é muita vezes combinado, sugerindo a identidade única de Jeová e Elohim. Isso evidentemente passa despercebido a leitores de traduções para o português ou outras línguas ocidentais, uma vez que essas traduções acabam por uniformizar os nomes e esconder o uso dos nomes originais.

Tetragrammaton (YHWH) escrito em alfabeto paleo-hebraico no pergaminho 8HevXII, datado do primeiro século EC

Observemos esta passagem de Deuteronômio, de acordo com a tradução de Ferreira de Almeida: Continuar lendo

Tradição ou Doutrina?

chaoAinda hoje, acho incrível como um povo é capaz de produzir costumes. O fato de que um hábito muito disseminado numa sociedade – principalmente quando existe algum tipo de princípio por trás dele – vira uma tradição em relativamente pouco tempo é quase inquestionável. Todos os povos, grandes e pequenos, têm tais hábitos. Nem sempre eles são saudáveis, mas significam muito para eles.

Os japoneses da época feudal são um exemplo clássico. Desenvolveram todo um código de conduta para seus guerreiros samurais que, de tão rígido e respeitoso, virou tradição. Uma de suas maiores tradições, o Seppuku (também conhecido como Harakiri), dizia que era preferível que uma pessoa cometesse suicídio e morrer com honra do que cair em mãos inimigas; também servia como pena capital por insurreição ou insubordinação. Todos concordamos que suicídio não é lá muito saudável, mas, ainda assim, é uma tradição do código Bushido que, de tão forte, ninguém se atrevia a questionar.

Os Mórmons, como povo, possuem tradições? A pergunta chega a ser tola de tão óbvia que é a resposta. Sim, nós temos. Muitas. Tantas que, se fossem listadas, dariam um livro. Uma outra pergunta não tão óbvia seria: essas tradições são saudáveis? Bem, isso cabe a cada um analisar – de preferência, alguém que não esteja atrelado a ela. Continuar lendo

Falar com seu Deus

Duas citações de Joseph Smith sobre a revelação direta.

Ler a experiência dos outros ou as revelações dadas a eles, nunca pode nos dar uma visão ampla de nossa condição e verdadeira relação com Deus. Continuar lendo

Investidura

Será que Brigham Young tem razão ainda hoje? Esse recebimento gradual das ordenanças e as ordenações ao sacerdócio sem pressa ainda serão implementadas um dia?

A maioria de vocês, meus irmãos, são anciões [élderes], setentas ou sumo-sacerdotes; talvez não haja um só sacerdote ou mestre aqui presente. Isso se deve ao fato de que, quando damos a investidura [endowment] aos irmãos, somos obrigados a lhes conferir o sacerdócio de Melquisedeque; mas espero ver o dia em que estejamos em tal situação em que possamos dizer (…): Vão, recebam as ordenanças concernentes ao sacerdócio aarônico e depois podem sair pelo mundo e pregar o evangelho, Continuar lendo

Sem censura

Se uma revista da Igreja hoje chega a modificar uma obra de arte para torná-la mais “recatada” e doutrinariamente correta, no passado essa tendência à censura era ainda mais forte nos antigos periódicos mórmons, certo? Errado! Pelo menos é o que nos sugere esta capa da revista Juvenile Instructor, de 1926.

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Romper os grilhões

Muitos mórmons iniciaram neste sábado um jejum, preparando-se para o domingo de jejum e testemunho. O jejum  apresenta um elo entre o físico e o espiritual, não só por ser uma prática que envolve os dois aspectos da vida do indivíduo mas também porque o faz pensar no bem-estar físico e espiritual de outros. Aliás, especialmente o físico de outros. Aqui nos relembramos dos conselhos no livro de Isaías:

“Por que temos jejuado e tu não o vês? Temos mortificado as nossas almas e tu não tomas conhecimento disso?” A razão está em que, no dia mesmo do vosso jejum, correis atrás dos vossos negócios e explorais os vossos trabalhadores; Continuar lendo