Menos idade = mais missionários?

Neste primeiro dia da 182a Conferência Geral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o presidente Thomas S. Monson anunciou a nova idade mínima para os missionários de tempo integral: 18 anos para os homens e 19 para as mulheres (ao invés do padrão anterior de 19 e 21, respectivamente).

A nova idade mínima, no entanto, não será obrigatória para os homens, afirmou Monson: “não estou sugerindo que todos os rapazes irão – ou devem – servir nessa idade mais jovem”. Segundo o presidente da Igreja, circunstâncias pessoais e locais devem guiar a decisão, mas a “opção [de servir aos 18] está agora disponível”. A conclusão do ensino médio ou equivalente será exigido dos rapazes que quiserem sair em missão aos 18.

Quais os motivos e implicações futuras dessa nova decisão? Teria sido motivada por um número menor de missionários em relação a décadas anteriores? Seria essa uma forma de tentar amenizar o crescente “adiamento” do matrimônio entre as novas gerações sud? Ou tornará menor a ênfase dada ao casamento para as lauréis? Que implicações isso ainda trará para os jovens brasileiros em termos de oportunidades educacionais, profissionais e da sua experiência como membros da Igreja?

16 comentários sobre “Menos idade = mais missionários?

  1. É uma pena a entrevista coletiva não estar sendo traduzida…O Que penso é que para o Brasil, o jovem termina o ensino médio com 17-18 anos, raramente vejo pessoas com 17 anos, nas universidades, no meu curso tinha uns 3 com 17 anos em uma turma de 70 alunos.Tem a questão do alistamento militar, não sei se o jovem vai esperar a carteira de reservista ficar pronta então sair em missão.Em termos de maturidade, tenho a impressão que a geração Z, tem uma certa dificuldade de comunicação verbal, a missão vai acelerar mais a necessidade de interagir mais com as pessoas na forma de um diálogo formal, sem auxilios tecnológicos, também é uma geração que pensa rápido e faz varias coisas ao mesmo tempo.Acho que essa medida vai acelerar mais o amadurecimento desta geração não deixando, ela exposta as coisas do mundo por mais um ano.Pensando bem ” se enviamos jovens desta idade para uma guerra, porque não para uma missão ? Estranho, essa medida não entrar em vigor antes…Mas tudo no tempo do Senhor…Creio que o mundo Universitário deve estar tirando muitos jovens do caminho da missão, eu fiz universidade e sei como é…Cobiça por coisas do mundo…festas…ambiente mais liberal que no ensino médio…disso tenho certeza.Pres Hinckley uma vez alertou que a maioria dos homens se afastam com 18 anos…seria esta estatistica; o motivo da diminuição da idade, para servir missão ?

    • Também me pergunto, Otávio, como vai funcionar no Brasil, dada a questão do alistamento militar. Ele será dispensado da mesma forma que seminaristas católicos e outros que almejam ser ministros religiosos? Mas considero essa a questão menos importante.

      Acho que a questão educacional que você menciona é a que pode ser mais afetada. Ou não. Não tenho acesso a nenhum tipo de estatísticas sobre isso, mas por evidência anedotal (minha observação), vejo que a maioria dos jovens brasileiros que voltam de missão não cursam o ensino superior, nem antes nem depois. Mas isso é outra coisa que vamos ver como fica, já que o ensino superior no Brasil tem se tornado muito mais acessível.

      Sua observação sobre o ambiente universitário “desencaminhar” jovens sud me faz perguntar se essa será uma percepção comum entre líderes locais da igreja e que acabe por não incentivar a busca de uma maior qualificação educacional.

      Um abraço!

      • Antônio,

        Entendi bem sua colocação, mas também temos de pensar (exclusivamente no seu último parágrafo) em como isso se dá nos outros países onde essa (sair com 18) não era a prática.

        O fato de o acesso ao nível superior ter se tornado mais fácil implica na POSSÍVEL entrada do jovem na academia ainda com 20 anos. Ao passo que o plug do momento são as faculdades de menor duração, voltadas à tecnologia e mão de obra mais especializada, talvez alguns dos problemas de ‘incentivos’ NÃO dados pelas “lideranças locais” aumente.

        É possível ver que mesmo sendo essa a Geração Z (ou qualquer desses termos usados no blog e redes sociais), conectada e plugada no mundo, eles ainda têm dificuldade de entender ‘responsabilidade’. Sei que há graus ou níveis disso – maturidade – mas me preocupa um outro fato, o de jovens AINDA MENOS experientes com os relacionamentos interpessoais viverem em companhia de outros semelhantes morando sozinhos numa casinha no final da rua, no bairro Y, da cidadezinha do MS. E mais: nunca me foi difícil ver, dada a pressão que esses ‘jovens’ sofrem no campo, tomarem para si uma certa culpa por maus resultados e então informarem seus ‘superiores’ que fizeram os ’70 contatos com homens’ durante o dia, quando na verdade fizeram apenas 10. Sim, a falta de responsabilidade somada a uma ‘mentirinha de leve’ pode fazer com que o número de MR aumente, ao invés de diminuir.

        Claro que são apenas suposições minhas mescladas com os fatos. Porém, apesar de reconhecer que o anúncio de hoje possa mesmo ter sido não somente uma vontade e analise dos homens, mas também uma vontade do Senhor, o que deixo aqui é um outro fato: os líderes locais – bispos e presidentes de estaca – com suas ocupação (casa, família, trabalho, estudo, igreja) esquecem-se, em grande %, de incentivarem os jovens a se prepararem. Uma simples entrevista com os pais e o jovem ou somente o jovem (Guiados pelo Espírito? Por que não?) faria com que os formulários de recomendação deixem de ser preenchidos com ‘concerteza’ e ‘porisso’.

        Sempre incentivei os alunos do seminário ou os jovens da escola dominical a lerem as escrituras de forma a aperfeiçoarem seu modo de falar, escrever e melhorarem sua redação na escola. Isso me parece algo simples demais, mas nem isso esses líderes abordam. Não por erro escrachado deles, mas por não entenderem que eles mesmos melhoram quando de fato estudam as escrituras. Quando buscam o significado de 1 palavra nova nas escrituras, enriquecem o vocabulário. Assim por diante…

        Pode parecer confuso o comentário e deve estar mesmo porque o sono está gritando aqui do lado.

        Abraço

      • Pela minha própria experiência, Aron, digo que a missão é uma experiência extremamente difícil, física e mentalmente desgastante, desafiadora em termos de cultura, convívio social e espiritualidade. E eu servi dos 26 aos 28! Então, sim, concordo que a maturidade física e emocional deve(ria) ser levada em conta – e na adolescência um ano de vida a mais faz uma enorme diferença. Ainda veremos os efeitos disso.

        Despencando pro lado utópico, podemos sonhar com o dia em que a Igreja sud volte a mandar homens de qualquer idade para a missão e, claro, os apóstolos voltem a ser um Sumo Conselho Viajante (D&C 107:33-35) 🙂

      • E os apóstolos não são um sumo conselho viajante? Não viajam para todos os cantos pregando o evangelho? São ainda mais fortemente um sumo conselho (conselho superior), e bem viajante sim. Podem não bater de porta em porta, mas isso é dado ao tamanho da igreja hoje. Sim, eles declaram seus testemunhos e convidam pessoas a virem a Cristo por meio do batismo, tal qual os missionários mais jovens.

      • Interessante você dizer que a idade tem a ver com maturidade e que você, com 26/28 ainda assim foi difícil. Meu marido fez missão com 19 anos, meu tio e primo também e eles sempre dizem que a missão foi a coisa mais fácil da vida deles, em especial meu marido. Sim, a pressão por contatos era grande, mas eles nunca tiveram problemas com isso. Minhas irmãs fizeram suas missões com 21 e nem por isso estão menos qualificadas. Na questão educacional, acredito ser um problema mais familiar do que eclesiástico, pois meu marido fez um semestre de faculdade antes da missão e quando voltou, continuou de onde havia parado.

        Você não pode julgar o amadurecimento espiritual de outros jovens baseado na sua falta de amadurecimento na época. Meu filho desde que nasceu sabia que ia fazer missão aos 19 e como diminuiu um ano, ele ficou ainda mais feliz. Não digo que ele vá ser o jovem mais maduro do mundo, mas ele estará preparado para servir uma missão no tempo que o Senhor designou.

        Ainda em tempo, ao ler seu comentário sobre os padrões do FSY, fico imaginando como algum membro da igreja possa pensar assim, pois esse padrão fica evidente na maneira dos profetas. Alguém pode dizer, “ahhhh, mas eles são velhos” e daí??? Quantas pessoas mais velhas que vejo que são tatuados, usam brinco, piercing, alargador, etc… O padrão do Senhor é esse e pronto.

      • Oi, Elaine,

        em qualquer grupo social, há comportamentos que são esperados e incentivados, e outros que são desencorajados. Isso pode ser observado também na Igreja. Quando se fala sobre missão de tempo integral, fala-se muito sobre as bênçãos da missão. Se alguém falar sobre dificuldades, espera-se que sejam abordadas como provações ou bênçãos. Dessa forma, é inusitado que alguém na Igreja fale que a missão foi/é difícil, pois corre o risco de sair do discurso esperado, normal naquele ambiente, e até ser considerado indigno, fubeca, etc. Acredito que a afirmação de que a missão foi a coisa mais fácil que já fez tenha a ver com esse contexto cultural em que é esperado que toda a fala de um(a) missionário(a) retornado(a) soe motivacional.

        Há que se considerar também que “difícil” ou “fácil” são julgamentos subjetivos, pessoais. Missionários que quebram a perna ou são assaltados à mão armada podem dar diferentes significados a tais experiências.

        Ainda assim, não se poderia ignorar o fato de que a experiência missionária não depende apenas da idade e fatores psicológicos ou do testemunho de alguém. Ela acontece num lugar, com sua cultura e economia, em determinada(s) língua(s), sob determinadas condições climáticas, de saneamento, etc. E, sim, algumas dessas combinações podem ser bem mais desafiadoras do que outras.

        Um abraço!

      • Elaine, se o seu marido e o seu tio e o seu primo acreditam que tinham a mesma maturidade aos 19 anos que têm hoje em suas fases adultas, então isso é um testemunho *contra* o seu marido, tio, e primo.

        Eu confesso que entendo a sua colocação. Há pessoas de mentes mais simples e que enxergam obediência cega a figuras de autoridade como um hábito fácil e natural. Imagino que isso tenha facilitado em muito as vidas missionárias de seu marido, seu tio, e seu primo.

        Pessoalmente, eu adorei minha missão, fui um missionário muito feliz e produtivo, tive todos os cargos de liderança possíveis e fiz muitos amigos e conversos. Mesmo assim, *eu* (como o autor acima) não tenho uma mente simplista, senti muito os desafios de lidar com outros missionários e líderes (simplistas como os seus homens) que enxergavam regras como o “propósito final e maior” de toda experiência missionária, de lidar com a minha própria imaturidade (ao contrário dos seus homens, eu era um adolescente comparado com a minha maturidade atual), e com os desafios pessoais dos meus investigadores e membros (que criança de 19 anos esta preparada para auxiliar adultos com problemas adultos?).

        Eu imagino que você deva levar uma vida muito restrita e com pouca experiência. Cidade do interior, dona-de-casa ou trabalho em empresa familiar, sem nunca ter vivido numa cidade grande ou no exterior e experimentado outras religiões ou grupos sociais. Isso não é culpa sua, e não estou desmerecendo. Mas se você se desse o trabalho de conhecer um pouco do mundo além de Soc-Soc, filhos, casa e empreguinho, veria que *ninguém* além de você (e outros SUD) acham que moleques de 19 anos são maduros suficientes para oferecer liderança espiritual ou emocional. Outras religiões mais “sérias” educam e treinam seus clérigos por décadas para oferecerem esse tipo de serviço com qualidade.

  2. Vejo a alteracao da idade com bons olhos. No Brasil, estatisticamente, a grande maioria dos rapazes que se alista no exercito, e’ dispensada. Assim, aos 18 anos, ha’ muitos rapazes disponiveis ao servico missionario. Resta saber se os rapazes terao o desejo de servir. Devemos ensina’-los a confiar no Senhor e servir. A faculdade pode esperar.

    Muito se fala em “preparo”. Quem estaria preparado para servir ? Segundo o irmao acima, os lideres locias “esquecem-se, em grande %, de incentivarem os jovens a se prepararem.”. Pode ser que eu seja membro de uma Estaca fora do normal, mas nao e’ isso que vejo por aqui. Os jovens sao incentivados pelos lideres. Mas o que acontece dentro da casa deles?

    Penso que o problema esta na superprotecao dos pais, e nao em seus filhos. Afinal, houve alguma alteracao genetica importante nos ultimos anos entre os humanos ? Acredito que os jovens de hoje sao, ainda, Homo Sapiens, certo ? Por que seriam diferentes, entao?

    A questao e’ a cultura que cada vez mais prega a adolescencia aos 30 anos. Durante seculos, as idades do homem dividiam-se em crianca, jovem, adulto e idoso. Hoje temos crianca, pre-adolescente, adolescente, jovem adulto, jovem, adulto, melhor idade, etc, e essa classificacao, que foi criada apenas a um seculo (Journal of Marriage and Family http://migre.me/b5JFh ), impele os homens a nao assumirem responsabilidades – nao e’ incomum encontrarmos homens-feitos de 25-30 anos que sao solteiros e moram com os pais. Por opcao.
    Guardar os mandamentos com esse estilo de vida requer, em minha opiniao, um esforco Herculeo. O Elder Christofferson falou um pouco sobre isso na sessao do sacerdocio. Quando e’ que vamos acordar para esse fato ?
    Mandem os rapazes mais cedo e ajudem-nos a transformarem-se em homens.

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