Cadê os Livros? Parte 2: O Período Inglês

A publicação de livros mórmons e o desenvolvimento da cultura mórmon fora dos EUA

literatura mórmon

Imagem: Jessica Ruscello

Esta apresentação examina o desenvolvimento cultural mórmon fora dos Estados Unidos, através da lente da produção e distribuição de livros. Para compreender melhor a situação atual, apresentarei uma visão geral da história da publicação de livros por e para mórmons, prestando atenção especial à publicação de livros não escritos em inglês e publicados fora dos Estados Unidos. Depois, vou examinar o ambiente atual para a publicação de livros mórmons e finalizar com alguns caminhos possíveis para o desenvolvimento da publicação mórmon fora do idioma inglês. Continuar lendo

Agende Já Seu Batismo

Recebemos a foto abaixo, tirada supostamente na cidade de Santos, SP.

agende seu batismo mórmons SUD capela santos

Você já viu esta faixa?

“Agende já seu batismo”, diz a faixa colocada em frente a uma bela capela SUD. Nossa primeira reação foi buscar algum indício de manipulação da imagem, e ela nos parece autêntica. Tentamos contato telefônico, mas os dois números indicados na faixa estavam desligados ou fora de área. Continuar lendo

Perdendo Membros? Como Resgatá-los?

A Igreja Mórmon está perdendo membros. Muitos membros. Milhares de membros.

Isso é um fato incontestável. Análises estatísticas, avaliando tanto o Brasil, como a Igreja global, demonstram clara e inequivocadamente que a taxa de crescimento da Igreja vem se mantendo, em média, nas mesmas proporções que a respectiva taxa de crescimento populacional. O que significa que a Igreja SUD cresce ao mesmo ritmo em que nascem bebês.

Tempos difíceis para a Igreja Mórmon?

Tempos difíceis para a Igreja Mórmon?

Contudo, essa não é o único dado estatístico relevante. A Igreja SUD faz um investimento ímpar em esforços missionários e em proselitismo para conquistar e recrutar novos membros, e não apenas manter os filhos e os netos dos membros já existentes. O fato da Igreja investir tamanho intenso investimento e ainda assim apresentar um crescimento relativo nulo só pode significar que a taxa de retenção é muito baixa, ou a taxa de evasão é muito alta.

Todo membro ativo, que já serviu ou serve como mestre familiar ou professora visitante, sabe disso em sua experiência pessoal. Quantas centenas de membros da Igreja encontram-se nos registros oficiais de sua ala ou ramo mas nunca frequentam a capela? Ou sequer conhecem os membros que frequentam? Ou sequer moram nos endereços anotados nas fichas oficiais?

No Brasil, essa taxa de evasão gira em torno de 75%! Nos Estados Unidos, país sede do mormonismo, em torno de 60%! Portanto, vê-se esforços intensos (e até milionários) por parte da liderança da Igreja para reverter essa sangria de fiéis.

A Igreja SUD, aparentemente, tem uma nova tática nos esforços para reverter essa abismal taxa de evasão: Continuar lendo

Louisa Barnes Pratt: Unção

Louisa Barnes Pratt ca 1855

Retrato de Louisa Barnes Pratt (1802-1880)

Missionária em uma época em que mulheres mórmons não serviam missões, Louisa Barnes Pratt viveu na Polinésia Francesa entre 1848 e 1850, junto com seu marido Addison. Suas memórias sobre a vida no Pacífico incluem interessantes relatos a respeito da imposição de mãos e outros rituais de cura utilizados por mulheres mórmons. Falando sobre os polinésios, afirmou:

Eles têm grande fé nas ordenanças do Evangelho tais como batismo e imposição de mãos para recuperar a saúde do doente. Eu trouxe comigo uma garrafa de óleo consagrado que foi abençoado pelo irmão Brigham Young e outras autoridades, antes da minha saída de Salt Lake. As mulheres tiveram grande fé no óleo quando lhes disse de onde o havia trazido e por quem havia sido abençoado. Elas frequentemente trazem suas crianças até mim quando estão doentes para eu ungi-las, dar óleo internamente e impôr minhas mãos sobre elas em nome do Senhor; se eu lhes dissesse que ficariam bem logo, pareciam não ter dúvida disso, e assim era de acordo com sua fé.


Referência

Smart, Donna Toland,  The History of Louisa Barnes Pratt. Logan: Utah State University, 1998, p. 128.

Percepções de duas antropólogas sobre o mormonismo no Nordeste dos anos 70

Há quase 40 anos, quando sequer tínhamos uma estaca no Nordeste, duas pesquisadoras, que mais tarde se tornariam acadêmicas de renome, viram o mormonismo como algo interessante para se estudar.

Sobre uma delas, já comentamos ano passado em um artigo que discorria sobre o impacto trazido pela política racial, que perdurou até 1978, no perfil socioeconômico dos conversos brasileiros: Nádia Fernanda Maia de Amorim, alagoana, professora da UFAL, autora de Mórmons em Alagoas: religião e conflitos raciais.

Nádia Amorim (esq.) e Fátima Quintas. (Imagens: Agência Alagoas, Unicap.)

Nádia Amorim (esq.) e Fátima Quintas. (Imagens: Agência Alagoas, Unicap.)

Antes desta, a hoje presidente da Academia Pernambucana de Letras, Maria de Fátima de Andrade Quintas, debruçou-se no estudo do grupo religioso que pouco tempo antes havia construído uma capela no bairro da Ilha do Leite, no Recife.

Do esforço da pesquisadora pernambucana surgiu Os mórmons em Pernambuco: uma sociedade fechada, obra que, ao lado do trabalho de Nádia Amorim, nos ajuda a compreender os primórdios do mormonismo nordestino e como a religião fundada por Joseph Smith foi percebida pela literatura acadêmica brasileira.

Fátima Quintas frequentou as reuniões da capela localizada na Rua das Ninfas, nº 30, Recife; à época, talvez a única capela construída em todo o Norte/Nordeste do país. A despeito de reconhecer o quase total desconhecimento da população brasileira sobre os mórmons, a pesquisadora já notava implicações sociais na penetração do mormonismo em solo pernambucano. Seu trabalho, embora tenha analisado os membros locais, foi muito voltado à apreensão das visões dos missionários de tempo integral que atuavam na época – eram seis no total, todos norte-americanos.

Nádia Amorim fez uma pesquisa mais longa. Atraída pela existência de um grupo religioso que promovia a segregação racial em plena Maceió dos anos 70, a autora se propôs a escrever sobre as afinidades entre as perspectivas da religião por ela analisada e a tradição estadunidense de segregação entre brancos e negros.

Porém, algo muito importante aconteceu: enquanto a alagoana desenvolvia seu trabalho, ela tomou conhecimento da mudança na política racial SUD. Sua investigação foi prolongada, e ela pôde observar a súbita expansão daquele pequeno grupo que, apesar de zeloso no proselitismo, caminhava a passos lentos por mais de uma década na capital de Alagoas. Continuar lendo

Assédio Sexual na Missão

Seeking-the-Spirit Greg Olsen

Buscando o Espírito, pintura de Greg Olsen.

Missionárias d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias vivem uma rotina dura de trabalho e vários desafios nos seus esforços de proselitismo. Uma dificuldade que pode passar despercebida por ser pouco comentada é o assédio sexual. Continuar lendo

Um missionário brasileiro na Colômbia

MARLON 2Texto de Marlon Paes de Farias

Talvez você tenha visto, em sua ala ou ramo, missionários de língua hispânica. Ou jovens brasileiros que receberam seu chamado missionário para servir em outros países da América Latina. Para os membros que tem um pouco mais de tempo na igreja, a grosso modo parece algo novo, ás vezes causando até certa tipo surpresa. Eu, há quase dois anos, servi numa missão de língua hispânica. Nesse período, tive o prazer de aprender algumas das razões políticas-sociais para essa nova trajetória missionária.

Servi na missão Colômbia Bogotá-Sul, uma missão que pedia, até o crescimento da obra missionária feita pelo profeta Monson, uma média de 4 missionários brasileiros por vez, já que tinha fronteira com Tabatinga, uma cidade brasileira  da Missão Manaus, que não queria ensinar por lá, por ser longe e sem segurança. Logo cabia a nós, brasileiros-colombianos, ficar um ano pregando em um local onde se falavam 3 línguas – o espanhol, o português e o portunhol.
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Proselitismo digital

Sisters_iPadMais de 32 mil missionários usarão iPads Mini até 2015, segundo planos da Igreja sud. Em missões nos EUA, Canadá, Japão e Europa ocidental, missionários irão adquirir seus próprios dispositivos pré-configurados no valor de US$ 400 (cerca de R$ 887,56 pelo câmbio de hoje). O anúncio foi feito no início do mês de julho. Os iPads servirão para estudo pessoal, planejamento e proselitismo online. Continuar lendo

A Política Racial e o Perfil Socioeconômico dos Conversos Brasileiros

nordeste

 

O mormonismo chegou ao nordeste brasileiro em 1960. Naquela década, alcançaria boa parte das capitais da região. A política de discriminação racial da Igreja era um grande obstáculo à sua expansão, já que mais da metade da população nordestina, segundo o censo de 1950, era formada por negros e pardos, para quem o sacerdócio mórmon não era conferido. [1]

Os mais de três séculos de importação de escravos, aliados à natureza da colonização ibérica em nosso país, proveram uma intensa miscigenação entre portugueses, índios e africanos. As economias açucareira e mineradora absorveram uma grande quantidade de escravos trazidos da África, sobretudo em cidades como Recife, Salvador, Rio de Janeiro e partes de Minas Gerais. Continuar lendo