11 de Setembro

Fanatismo religioso, a violência brutal de ato terrorista, e a tragédia da morte de inocentes marcam a data do 11 de Setembro profundamente no inconsciente coletivo norte-americano.

Cemitério

Lenta e progressivamente, ao longo dos últimos 10+ anos, a Igreja SUD vem assumindo a sua parte neste triste legado de violência e terror.

O avanço das últimas semanas é mais um pequeno, porém importante, passo neste longo processo de auto-reflexão institucional.

A Chacina das Campinas Montanhosas (ou Massacre de Mountain Meadows) – parte I

Introdução

Em 11 de setembro de 1857, entre 45 e 68 Mórmons (i.e., membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias) sob a direção imediata de 2 Presidentes de Estaca, 1 Bispo, e vários Sumo-Conselheiros, junto com 15 a 25 Ameríndios Paiute induzidos por seus aliados Mórmons, assassinaram 105-140 imigrantes inocentes a sangue frio (incluindo, entre os confirmados, 21 crianças entre 8-12 anos de idade, 14 adolescentes entre 13-17 anos, 23 jovens entre 18-23 anos, 12 mulheres, e 20 homens). Após enterrarem as vítimas da chacina (em covas tão rasas que virariam presas de lobos), os Mórmons sequestraram 17 crianças sobreviventes entre 9 meses e 7 anos de idade e os distribuíram entre seus familiares, juntamente com seus espólios estimados entre USD 28.000,00 e 48.000,00 (aproximadamente USD 700.000,00 e USD 1.200.000,00 em valores atuais). [1]

Este artigo é o primeiro de uma série semanal em 10 partes para explorar adequadamente um dos eventos mais espinhosos e mais controversos na história Mórmon. Neste, apenas os fatos mais básicos e mais bem estabelecidos por historiadores serão expostos a título de simples introdução para aqueles que nunca leram nada sobre o assunto. Nos subsequentes artigos, serão discutidos o contexto histórico e social da chacina, a história pessoal das vítimas, os detalhes específicos da chacina de como foi planejada e executada, as reações públicas e a reação da lei e do sistema judicial, as reações oficiais da Igreja SUD, a evolução da historiografia acadêmica sobre a chacina, e ainda algumas considerações filosóficas extraídas desta horrível e perfídia tragédia.

Além disso, abaixo está incluído uma tradução da página no site oficial da Igreja lançado há duas semanas para discutir, entre outras coisas, a questão deste crime histórico.

Quem Eram As Vítimas?

Naquela fatídica semana de Setembro de 1857, o grupo de emigrantes descansando nas campinas montanhosas consistiam de dois grupos principais, entre familiares e amigos de John T. Baker e Alexander Fancher, ambos vindo da região norte-noroeste do estado de Arkansas. Ambos grupos saíram de Arkansas em Abril de 1857 com mais ou menos 200 pessoas entre ambos, porém vários grupos menores foram se desprendendo durante o caminho, enquanto outros grupos menores de emigrantes foram se alinhando para viajar com estes. Comparados com a média dos emigrantes rumo à Califórnia, os grupos Baker-Fancher eram relativamente ricos e, segundo testemunhas Mórmons e não-Mórmons, educados e cortês. [2]

Onde Ocorreu A Chacina?

Numa planície 55-65 km ao sul do último dos assentamentos Mórmons em Utah, completamente fora de contato com os colonos Mórmons. A planície, sem nome específico, era conhecida pelo têrmo genérico “campinas montanhosas” por causa das montanhas que a cercam. Ela também era conhecida por oferecer luxuosas pastagens e, apesar de alguns quilômetros fora da popular rota da Trilha Espanhola (o caminho para o sul da Califórnia),  servia como ponto de repouso para colunas de carroças cobertas antes do trecho final através do deserto de Mojave.

Os emigrantes decidiram repousar nas campinas montanhosas por dois motivos: 1) Eles haviam atravessado o sul de Utah com pressa, devido a tensão com (e algumas ameaças por parte) dos Mórmons em Cedar City, e 2) Eles haviam sido assim orientados por Jacob Hamblin, Presidente da Missão Santa Clara, que os havia encontrado mais ao norte de Utah enquanto viajava rumo ao Lago Salgado com o Apóstolo George A. Smith. [3]

Quando Ocorreu A Chacina?

Mórmons com as caras pintadas como guerreiros ameríndios, juntamente com alguns ameríndios Paiute coagidos pelos Mórmons, atacaram o grupo no dia 7 de setembro, resultando em 7 mortos e 16 feridos (entre eles, um criança de 18 meses). Os emigrantes se defenderam fechando as carroças em um círculo e entrincheirando-se. Após cinco dias de cerco, sem acesso a água fresca, sob intermitente barragem de tiros e constante terror, além do esgotamento de munição e rações, os emigrantes chegaram no dia 11 de setembro em situação desesperante.

Neste instante, 3 Mórmons se apresentaram sob bandeira branca de trégua e prometeram mediar paz entre eles e os Paiutes e escolta-los para fora das campinas em segurança, desde que os emigrantes entregassem suas armas. Armada a armadilha, desarmados e enfileirados, todos os emigrantes acima de 7 anos de idade foram assassinados em sangue frio. [4]

Quem Cometeu A Chacinha?

Entre 45 e 68 Mórmons sob a direção imediata de 2 Presidentes de Estaca (William Dame e Isaac Haight), 1 Bispo (Phillip Klingensmith), e vários outros líderes locais, junto com 15 a 25 Ameríndios Paiute coagidos pelos Mórmons participaram do massacre do dia 11 de setembro. Dezenas de outros Mórmons e Paiutes participaram das hostilidades entre os dias 7 e 10. [5]

Por Que Cometeram A Chacina?

Certamente, esta é a pergunta mais desconcertante e mais contundente. Esta ficará para um dos artigos finais. [6]

Como Reagiu A Igreja?

Imediatamente após a chacina, Brigham Young exigiu relatórios de seus subordinados sobre o ocorrido. Em duas semanas, seu filho adotivo e co-líder do massacre John D. Lee estava em Lago Salgado explicando detalhadamente o que havia ocorrido. Pouco menos de 10 meses após a chacina, o Apóstolo George Albert Smith entrevistou pessoalmente toda a liderança SUD no sul de Utah e muitos dos participantes em uma investigação formal para a Igreja. [7]

Não obstante, a postura inicial da Igreja foi mentir sobre o incidente. [8] Os Apóstolos George Smith e Amasa Lyman concluíram suas investigações com um relatório acusando os ameríndios Paiute da chacina e elogiando os colonos Mórmons por terem “conseguido salvar” 17 crianças. Esta seria a posição oficial da Igreja por 31 anos.

Na década de 1870, com o final da Guerra Civil Americana (1861-1865) e o difícil período de Reconstrução, os olhos do público retornaram à “chacina Mórmon”. Depois de árduos anos, e dúzias de testemunhas e suspeitos Mórmons que desapareceram como fugitivos da lei, a promotoria pública conseguiu levar um dos culpados a julgamento: o filho adotivo de Brigham Young, John Doyle Lee. Após um julgamento anulado em 1874, Young e a promotoria chegaram a um acordo em portas fechadas em que Young cedia colaboração por parte dos Mórmons e a promotoria não tentaria novamente incrimina-lo. Testemunhas reapareceram e Lee foi condenado à morte em 1876. (Young excomungou Lee e Isaac Haight apenas em 1872, após emitidos os mandados de prisão; em 1961 a Igreja “restaurou as bençãos” de Lee, anulando sua excomunhão) [7]

Apesar de um Mórmon ter sido condenado e executado pelo crime, o opróbrio nacional não se arrefeceu e a Igreja encarregou o Apóstolo Charles Penrose  de limpar o nome da Igreja. Em 1889, Penrose publicou uma defesa de Brigham Young através do qual culpava John D. Lee e os Paiutes de orquestrar e executar a chacina. Esta seria a nova posição oficial da Igreja por 33 anos. [8]

Em 1922, o Apóstolo Joseph Fielding Smith, jr. (neto de Hyrum Smith, sobrinho-neto de Joseph Smith, filho do 6o Presidente Joseph F. Smith, e futuro 10o Presidente da Igreja SUD), servindo como Historiador da Igreja, publicou o livro ‘Fundamentos em História da Igreja’ onde Smith relata a chacina como inteiramente culpa dos ameríndios Paiutes com auxílio de John D. Lee (“que parecia participar da frenesi do homem vermelho”). Seguindo nesta linha, a Igreja publicou os livros ‘A Igreja Restaurada’ em 1936, ‘O Reino de Deus Restaurado’ em 1955, e ‘História da Igreja na Plenitude dos Tempos: A História de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias’ em 1989, todos repetindo as mesmas mentiras estabelecidas por George A. Smith em 1858 de que os ataques e a chacina haviam sido orquestradas pelos Paiutes (com alterações para incluir John D. Lee, e posteriormente, alguns outros Mórmons “coagidos” pelos ameríndios). [8]

Apenas em 2007, 150 anos após a chacina, que autoridades da Igreja começaram a admitir a culpa dos Mórmons (locais) no crime. Em entrevista para o documentário da PBS, os Apóstolos Jeffrey Holland e Dallin Oaks afirmaram que Mórmons foram os principais culpados pelo massacre, enquanto o Apóstolo Henry Eyring fazia o mesmo na cerimônia em memória do sesquicentenário da chacina, exonerando os Paiutes. No mesmo mês, a revista oficial da Igreja ‘Ensign’ publicou um artigo do historiador da Igreja Richard Turley com a mesma narrativa. No ano seguinte, a Editora da Universidade de Oxford publicou o trabalho de historiadores da Igreja (Ronald Walker, Richard Turley e Glen Leonard, além de mais de uma dúzia de historiadores-assistentes) culminando um projeto de quase uma década (e estimadas centenas de milhões de dólares para a Igreja) levantando exaustivamente documentações primárias sobre a chacina, e chegando às estas conclusões publicadas e anunciadas no ano anterior pela Igreja.

Recentemente, a Igreja SUD publicou um artigo em seu site oficial que discute, entre outros temas, a chacina das campinas montanhosas.

A Chacina das Campinas Montanhosas

No auge d[a tensão da Guerra de Utah], no começo de 1857, um ramo da milícia territorial no sul de Utah (composta inteiramente de Mórmons), junto com alguns índios (sic)  que eles recrutaram, levantaram um cerco em tôrno de um grupo de  emigrantes em carroças cobertas viajando do Arkansas à Califórnia. Enquanto o grupo viajava rumo ao sul saindo de Lago Salgado, os emigrantes trocaram farpas verbais com Mórmons locais sobre onde poderiam pastar com seu gado. Alguns membros do grupo de emigrantes ficaram frustrados por que estavam tendo dificuldades para comprar suprimentos essenciais, como grãos, dos habitantes locais, pois estes haviam sido instruídos a economizar grãos como política de guerra. Assim ofendidos, alguns dos emigrantes passaram a ameaçar unir-se às tropas federais para lutar contra os Santos.

Embora alguns dos Santos ignoraram estas ameaças, outros líderes locais e membros da cidade de Cedar City, em Utah, preconizaram violência. Issac C. Haight, um presidente de estaca e líder da milícia, enviou John D. Lee, um major na milícia, para liderar um ataque ao grupo de emigrantes. Quando o presidente relatou o plano ao seu conselho, outros líderes se opuseram e solicitaram que cancelasse o ataque e enviasse um mensageiro expresso a Brigham Young em Lago Salgado por orientações. Mas os homens que Haight havia enviado para atacar os emigrantes já haviam cumprido com seus planos antes de receber a ordem para não atacar. Os emigrantes lutaram de volta, e o iniciou-se o cerco.

Durante os dias seguintes, eventos se escalonaram, e os milicianos Mórmons planejaram e executaram uma chacina deliberada. Eles atraíram os emigrantes para fora de suas fortificações atrás das carroças em círculo com uma falsa bandeira de trégua e, com a ajuda dos índios (sic) Paiute que eles haviam recrutado, massacrando-os. Entre o primeiro ataque e a carnificina final, a chacina destruiu a vida de 120 homens, mulheres, e crianças em um vale conhecido como Campinas Montanhosas (n.t., Mountain Meadows no original). Apenas crianças pequenas — acreditadas pequenas demais para conseguir relatar o ocorrido — foram poupadas. O mensageiro expresso retornou dois dias após o massacre. Carregava consigo uma carta de Brigham Young dizendo aos líderes locais para “não se intrometerem” com os emigrantes e para permiti-los passagem pelo sul de Utah. Os milicianos tentaram acobertar o crime ao colocar a culpa exclusivamente nos Paiutes locais, alguns dos quais também eram membros da Igreja.

Eventualmente, 2 Santos dos Últimos Dias foram excomungados da Igreja por suas participações, e um júri popular que incluía Santos dos Últimos Dias indiciou 9 homens. Apenas um participante, John D. Lee, foi condenado e executado pelo crime, o que ocasionou as falsas alegações que a chacina havia sido encomendada por Brigham Young.

Em anos recentes, a Igreja vem feito esforços diligentes para aprender tudo o possível sobre a chacina. No início dos anos 2000, historiadores do Departamento de História da Igreja d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias vasculharam arquivos por todos os Estados Unidos por documentos histórico; todos os documentos da Igreja sobre a chacina foram abertos para escrutínio. No livro resultante, publicado pela Editora da Universidade de Oxford em 2008, os autores Ronald W. Walker, Richard E. Turley Jr., e Glen M. Leonard concluíram que, embora a pregação imoderada sobre estrangeiros por Brigham Young, [o Apóstolo] George A. Smith, e outros líderes contribuiram para o clima de hostilidade, o Presidente Young não ordenou a chacina. Ao invés, as discussões verbais entre indivíduos do grupo emigrante e habitantes do sul de Utah criaram grande alarme, especialmente dentro do contexto da Guerra de Utah e outros eventos adversos. Uma série de decisões trágicas por líderes locais da Igreja — que também mantinham liderança civil e militar no sul de Utah — culminaram na chacina.

A Igreja SUD merece ser parabenizada pela coragem de ser mais honesta e franca que demonstrou desde 2007 pra cá, e especialmente com este novo artigo publicado no site oficial para leitura imediata de qualquer internauta interessado (desde que o consiga achar). Após passar 150 anos mentindo sobre esta tragédia e crime hediondo, discutir os fatos honesta e francamente é uma atitude honrosa e difícil. Gastando uma pequena fortuna em pesquisa histórica e publicando seus achados demonstra que a Igreja está realmente interessada em abordar seu passado com mais dignidade e maturidade.

Não obstante, a Igreja SUD merece ser escoriada por ainda ater-se às mentiras que já foram demonstradas falsas e por esconder-se de maior culpabilidade ao evitar fatos e discussões que há mais de um século fazem parte das abordagens acadêmicas sobre a historiografia da colonização do Oeste Americano e sobre a “chacina Mórmon”. O próprio artigo publicado pela Igreja há duas semanas induz, ao mesmo tempo que surpreende pelo progresso, desconforto entre historiadores familiarizados com os pormenores da chacina e descendentes das vítimas. [9]

Comentários e Próximos Artigos

Como fora mencionado acima, este é apenas o primeiro (e introdutório) de 10 artigos sobre o assunto. Por ser controverso, espera-se alguns comentários animados e agitados e, portanto, antecipadamente pede-se a gentileza de tentar mante-los pertinentes aos temas discutidos especificamente em cada artigo. Isto facilitará a possibilidade de discussão concreta, e desencorajará a gratuita regurgitação de banalidades atiradas a esmo. Não obstante, perguntas, dúvidas, e contestações dos dados expostos serão, como sempre, bem-vindas.

O próximo artigo discutirá a (2) colonização do território de Utah, e especialmente o sul de Utah, e como este processo contribuiu com, e contribuiu para, o clima social onde ocorreria tal hedionda chacina. Artigos subsequentes lidarão com os temas (3) as crises dos anos 1850, (4) a rebelião Mórmon de 1857, (5) o grupo emigrante Baker-Fancher, (6) a Chacina das Campinas Montanhosas, (7) investigando a chacina, (8) mentindo sobre o passado, (9) problemas historiográficos, e (10) problemas filosóficos.

A Chacina das Campinas Montanhosas (ou Massacre de Mountain Meadows) – parte II: Construindo o Território de Utah


NOTAS
[1] Ver artigo #6 e notas
[2] Ver artigo #5 e notas
[3] Ver artigo #6 e notas
[4] Ver artigo #6 e notas
[5] Ver artigo #6 e notas
[6] Ver artigos #6 e #7 e notas
[7] Ver artigos #7 e #9 e notas
[8] Ver artigo #8 e notas
[9] Ver artigos #9 e #10 e notas

Atualização (11/9/2019): Após anos de dezenas de cobranças de vários colegas, amigos, e leitores, planejo completar nas próximas semanas a série de artigos sobre a tragédia introduzida acima. Em nota pessoal, preciso confessar que para escrever o artigo introdutório acima, eu revisei todos os livros e artigos acadêmicos sobre o tema em um período curto de tempo, o que me causou uma profunda tristeza e depressão ao ler e reler e revisar os detalhes desse crime hediondo e o acobertamento que se seguiu.  Confesso a fraqueza pessoal de ter permitido o emocional sobrepujar o racional e me impedido de terminar essa série importante para a compreensão da história do mormonismo, e por isso peço desculpas aos colegas, aos amigos, e aos leitores.

30 comentários sobre “11 de Setembro

  1. O Marcel teme pelos membros menos experientes, porém posso afirmar que muitos dos mais experientes também são afetados. Porém, isso não justifica que a verdade não seja mostrada, aliás esse foi o lema ensinado e apresentado pela primária em 2012 onde crianças de todo mundo citaram na sacramental de suas alas a seguinte afirmação: “Honestidade é dizer a verdade, sejam quais forem as consequências.” (Tempo de compartilhar Julho/ 2012).A ironia é que ensinamos as crianças o que não vivemos, ou seria, hipocrisia.

    Penso que nós e nossos lideres deveríamos ser mais humildes e baixarmos mais a nossa bola e reconhecer que a história da nossa igreja e de seus fundadores não são melhores do que a dos outros, que eles e nós deveriamos baixar a cabeça e pedir desculpas pelas partes obscuras que existem nela e não tentar oculta-lás no pretexto de proteger a fé e o testemunho dos membros. Mesmo porque não somos tão cuidadosos ao explorarmos a história de outras religiões para afirmarmos a nossa verdade. Um exemplo disso foi a publicação do livro A Grande Apostasia do Élder Talmage pela igreja que escancarava as horrendas atrocidades e maldades dos papas e bispos católicos em nome da fé. O livro fez muito sucesso entre os membros, lembro de membros e missionários (inclusive eu) com grande satisfação darem de presente para não membros.

    A ironia é que como igreja ao contrário condenamos e excomugamos os que escrevem sobre as nossas próprias faltas históricas e não vemos muita graça nos que divulgam essas coisas, afinal, como diz o ditado popular, dois pesos, duas medidas. Uma atitude digna de exemplo teve o Papa João Paulo II ao reconhecer e pedir desculpas em público pelos erros passados na historia da Igreja Católica (Revista Veja edição 640 15/03/200).

    A questão que surge é o que fazer com tal informação, no que ela deveria ser últil, afinal o fato ficou no passado a igreja já cometeu seu pecado e tardiamente reconheceu seus erros ou melhor recontou sua história aparentemente de forma mais transparente e séria, o que poderia ter sido feito já a muito tempo e ter talvez encerrado a discusão sobre o assunto. Infelizmente não temos o livro de Juanita Brooks em português, gostaria de saber o que a motivou escrever a história do massacre mesmo com a reprovação da igreja e da sociedade mórmon e apresenta-lo ao mundo colocando sua própria igreja numa situação desconfortável, para dizer o mínimo. Gostaria também de saber no que difere o trabalho da Sra. Brooks para o trabalho de pesquisa dispendiosa da igreja, ele torna o trabalho dela menos preciso ou falho?

    Quanto ao texto e a iniciativa de discutir e esclarecer o assunto é uma excelente iniciativa do vozes mormons, valeu!.

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