Famílias Dividas na Crise de Sucessão

Pioneira, de Michael Dumas

Pioneira, de Michael Dumas

O assassinato de Joseph Smith em 1844 deixou os santos dos últimos dias numa situação inesperada: a jovem igreja estava desprovida de seu líder maior e sem instruções específicas sobre o que fazer. Isso não gerou um problema qualquer, mas uma imensa e intensa crise, em que doutrinas, ordenanças, quóruns, ofícios e personalidades entraram em disputa para decidir os rumos do mormonismo.

Estima-se que em torno de 50% dos membros da Igreja deixada por Joseph Smith tenham seguido a liderança dos Doze, encabeçados por Brigham Young. Já a outra metade dos membros teria se dividido entre os demais grupos ou indivíduos. Dentre as igrejas minoritárias formadas sem a liderança de Brigham Young, algumas ainda existem, enquanto outras são extintas. Mas todas contam têm ou tiveram algo em comum: uma envolvente história feita por pessoas que sacrificaram suas vidas em nome da fé.

A disputa de sucessão após a morte de Joseph e Hyrum Smith aconteceu no cotidiano daquelas pessoas, tendo às vezes resultados muito mais palpáveis e pessoais do que podemos imaginar num estudo rápido e frio da questão. A disputa era, afinal, por convicções, crenças. Em última instância, tratava-se de uma disputa por pessoas.

Um aspecto pouco conhecido dessa crise é sua dimensão familiar. Muitas famílias mórmons na época ficaram fragmentadas – durante anos ou mesmo décadas – entre os diferentes grupos ou igrejas que se reivindicavam os verdadeiros sucessores de Joseph Smith. E laços familiares eram muitas vezes rompidos pelas diferenças de crença, um rompimento motivado ou reforçado especialmente pela respectiva coligação de cada grupo.

Vejamos alguns exemplos:

O escritor de panfletos Benjamin Winchester se juntou a Sidney Rigdon, enquanto seu pai e irmã seguiram Brigham Young. Warren Post foi um apóstolo na igreja de James Strang, enquanto seu irmão Stephen se tornou porta-voz de Rigdon. Samuel Miles foi para Utah, mas seu irmão se uniu à colônia de Lyman Wight no Texas. Jedediah M. Grant seguiu os Doze, mas sua irmã seguiu a reivindicação patriarcal de William Smith. Joseph Lee Robinson foi para Utah, enquanto seu irmão Ebenezer seguiu Rigdon, depois se juntou à Reorganização e então endossou David Whitmer. Leonard Rich se juntou a Strang, então seguiu Whitmer, enquanto seu filho foi para Utah e se tornou um missionário sud. Mary Judd Page foi com seu marido para Strang e depois a Reorganização, mas seu irmão e irmãs foram para Utah. Brigham Young e Heber C. Kimball lideraram os pioneiros para Utah, enquanto uma das esposas de Young e duas esposas de Kimball levaram seus filhos e se juntaram à Igreja de Cristo, de Alpheus Cutler. [1]

varin-temple-mormon-de-nauLonge de ser apenas um debate sobre autoridade eclesiástica, a crise de sucessão de 1844 foi também um drama pessoal e familiar, onde laços emocionais foram estabelecidos, rompidos, refeitos ou mesmo completamente destruídos, dependendo das crenças individuais acerca do sucessor do Profeta e os vínculos com a “igreja verdadeira” escolhida por cada um.

 

 

A crise de sucessão de 1844 será o tema do segundo Podcast Mórmon,  no dia 14/06, às 14 horas (horário de Brasília). Promovido pela ABEM e o site Vozes Mórmons, o programa ao vivo será transmitido pelo site LiveStream.

 

Referência

[1] Quinn, D. Michael. The Mormon hierarchy: origins of power. Signature. Salt Lake, 1994. p. 242

2 comentários sobre “Famílias Dividas na Crise de Sucessão

  1. Uma visão histórica que não vamos encontrar nos manuais do seminário e instituto. É uma pena que nosso conteúdo histórico sejam tão pobres.

  2. É verdade aconteceu tudo isso mesmo mas é comum em questões desta natureza acontecerem tendo em vista que muitos tiveram a apostasia pessoal, ou seja apostataram da fé que tiam tanto que os próprios apóstolos que viram as placas também apostataram pois a sucessão já se sabiam pois é por revelação e não por herança familiar como os reis da época.

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