Como o camelo passou pela agulha?

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Arte: Florêncio Batista.

Quanto Ganha um Apóstolo Mórmon? é um dos mais populares artigos deste site. Escrito por  Marcello Jun há mais de dois anos, o texto continua sendo um dos mais lidos, mais comentados e que geram mais xingamentos por parte dos leitores.

As reações ao post são as mais diversas. Uns encaram-no como uma difamação; outros parecem comprar a ideia do autor, mostrando-se entristecidos com a suposta abastada ajuda de custo que as Autoridades Gerais recebem.

Porém, não poucos leitores têm demonstrado uma percepção interessantíssima, argumentando, ao seu modo, o que pode ser condensado na seguinte ideia:

Por mais alto que seja o padrão de vida que a Igreja proporciona às suas Autoridades Gerais e Presidentes de Missão, ainda é inferior ao padrão que essas pessoas possuíam antes de ocupar esses cargos.

Hoje, cristãos espalhados por todo o globo parecem fazer uma forte ligação entre progresso espiritual e condição financeira privilegiada, seja nas noções de nossos leitores (mórmons em sua maioria), ou em formas mais exacerbadas, como a Teologia da Prosperidade dos neopentecostais.

Nas visitas que fiz à Igreja Universal, por diversas vezes o pastor ensinava às suas ovelhas que, em nome de Jesus, seus sonhos de riqueza poderiam ser realizados. Chegou a dar exemplos de fiéis que frequentavam aquela mesma reunião e que hoje têm seus carros importados e jatinhos. Prometeu o mesmo para seus ouvintes: “Deus é rico e é seu pai, ele quer que você seja rico também”.

Em uma reportagem sobre empresários brasileiros, passada na Globo, a frase ” desperte o milionário que há em você”  aparece ao fundo do púlpito do salão sacramental de uma capela mórmon (aos 4:24 deste vídeo).

Se na atualidade muitas pessoas acreditam que ficarão ricas com a ajuda de Jesus, os autores dos evangelhos desenharam o perfil do Homem de Nazaré praticamente em oposição a essa ideia.

Como foi a transição de um Jesus que se orgulhava de não ter onde reclinar a cabeça, que reivindicava o Reino de Deus para os pobres (sendo para os ricos o acesso a esse reino mais difícil que um camelo passar no fundo de uma agulha), que afirmava ser impossível amar conjuntamente Deus e as riquezas, para um Jesus que dá carros importados, jatinhos e aceita que no local onde se partilha seu corpo e sangue seja o mesmo onde o milionário que supostamente habita em nós desperte de seu sono?

Quando o leitmotiv cristão se distanciou do “não ajunteis tesouro na terra…mas no céu” e passou para os arrabaldes do “tirar onda de Camaro amarelo”? Como o ideal de vida cristã se deslocou de São Francisco de Assis para um Edir Macedo? Quando Deus e Mamon fizeram as pazes?

NOS PRIMÓRDIOS DO CRISTIANISMO

O Movimento de Jesus foi uma das várias propostas de renovação do judaísmo bíblico que floresceram nas décadas que antecederam à destruição do templo de Jerusalém pelas tropas de Vespasiano.

Para muitos estudiosos, Jesus, tal como João Batista, teria sido um profeta apocalíptico. Sendo assim, defendia que o mundo acabaria em breve, e que as opressões e dificuldades sob as quais o povo estava submetido seriam revertidas em algum momento futuro. Descrente da possibilidade de justiça neste mundo, Jesus pregava uma virada escatológica: os humildes seriam exaltados; os exaltados, humilhados.

Estudiosos do Jesus Seminar negaram a ideia de Jesus ter sido uma profeta apocalíptico. De acordo com um dos cabeças do Seminar, John Dominic Crossan, a mensagem de Jesus teria sido influenciada pelo cinismo –  corrente filosófica crítica às convenções sociais, que defendia o desapego ao poder e ao dinheiro, ou como definiu Crossan, defensora do ” ter nada como se tivesse tudo”.[1]

Profeta escatológico ou mestre da sabedoria cínica, o que nos parece certo é que ásperas eram as palavras com as quais o Nazareno se direcionava aos ricos e poderosos , assim como a esperança dada às pessoas das camadas mais humildes – algo notório nos comentários preconceituosos dos primeiros críticos, ainda na antiguidade, assim como os de Nietzsche, para quem o cristianismo é um produto do ressentimento, a “moral de escravos”.[2]

Após a morte de Jesus, toda uma teologia surgiu para dar significado à vida e aos ensinamentos do Salvador. Nas primeiras cartas do principal missionário das Boas Novas, Paulo, conforme comentamos em outro post, é notória a crença em um retorno iminente de Jesus .

Quando findava o primeiro século, as expectativas do retorno iminente de Cristo se arrefeceram. A preocupação agora deixava de ser o fim do mundo, e passava a ser manter a estabilidade nas diversas igrejas espalhadas. Fez-se necessário que as igrejas mais rigidamente se hierarquizassem, já que elas se tornavam instituições que deveriam durar mais que um breve período.

Quando se acreditava que o fim do mundo estava próximo, como Paulo, ou quando se tinha uma vida itinerante, como os discípulos mais íntimos de Jesus, o acúmulo de riquezas não fazia muito sentido. Somente quando as expectativas de um fim próximo desapareceram, e mais e mais pessoas com posses tornaram-se cristãs, frases como “dos pobres é o Reino de Deus” e a noção do quão difícil é um rico entrar neste reino foram perdendo sua força.

O cristianismo se institucionalizava. Como para qualquer outra instituição, patrocínio e pessoas influentes eram bem-vindos. Passava a ser necessário cada vez mais ajuntar tesouros na terra.

Vão aparecendo os responsáveis pelos “Assuntos Públicos”. As visões dos de fora não eram das melhores. A tática paulina da empatia, expressa na máxima “se fazer judeu para ganhar os judeus, e gentio para ganhar os gentios”, foi usada. Tendo como objetivo a sobrevivência e a expansão da fé, os apologistas cristãos foram, aos poucos, depurando os elementos mais radicais que o movimento apresentava em seus primórdios – o cristianismo se tornava mais e mais simpático ao Império.

Pessoas com posses e governantes – dois dos grupos para quem Jesus dirigia suas críticas mais ácidas – abraçaram a fé cristã. Não precisava distribuir todo seu dinheiro aos pobres, como o conselho de Jesus ao jovem Rico. Era necessário colaborar com a instituição, esta passava assumir essa responsabilidade.

Muitos dos novos cristãos, mesmo não se desfazendo de seus bens, não vivendo uma vida modesta, e muitas vezes com conduta moral duvidosa, eram percebidos como bons cristãos.  As palavras de Jesus tiveram que ser reinterpretadas: ser rico e poderoso não era mais problema, desde que usasse sua influência na propagação da fé. A agulha se adaptava ao tamanho do camelo.

As manifestações espirituais que anunciavam Jesus, que primeiramente foram feitas, de acordo com o evangelho lucano, a humildes pastores de Belém, agora se dirigiam ao imperador romano como um guia para a vitória em uma batalha, conferindo a este mais terras e poder, e, ao cristianismo, a liberdade de culto –  a religião de Jesus se deslocava da marginalidade para o mainstream.

Várias pessoas sentiram a necessidade de uma prática religiosa mais austera, na qual votos de pobreza, castidade e obediência eram feitos na intensa luta contra idolatria. Era o MARTÍRIO BRANCO, que substituía o MARTÍRIO VERMELHO; este, tão comum nas intensas perseguições a que os cristãos eram submetidos no período anterior à Virada Constantiniana.

Essas pessoas se isolavam do mundo no afã de uma maior espiritualidade. Influenciadas por um platonismo mortificador do corpo, na procura por uma elevação do espírito, buscavam uma prática religiosa distante das coisas comuns para as outras pessoas – ascese extramundana.

Alguns optavam por uma vida em um mosteiro, outros mais criativos passavam a viver em árvores ou em cima de uma pedra (estilitas), além dos que optavam por uma vida no deserto.

ENTRE ALGUNS PROTESTANTES

Séculos depois, a Reforma Protestante, em especial o calvinismo, proveu mais intensamente uma nova forma de ascese (conjunto de práticas religiosas). Para eles, o ascetismo não deveria ser apenas praticado por uma minoria religiosa do mundo, mas vivenciada por todos os eleitos de Deus. O novo asceta não ia para o deserto, não ficava em cima de árvores, nem vivia recluso em um mosteiro.

Ele continuava ligado ao mundo, ao seu trabalho. Era a ascese intramundana, na qual o controle ativo e racional de suas vontades fazia com que seus esforços fossem direcionados ao seu trabalho. A doutrina da predestinação, com sua ideia de que a salvação do fiel era uma escolha de Deus, criava uma tensão nos crentes quanto ao seu destino eterno. O conselho dado pelos pregadores calvinistas era de que o fiel deveria considerar-se como um eleito (i.e., predestinado ao céu), agindo como tal.

Uma vida longe do pecado e o sucesso no trabalho sinalizavam a eleição. O acúmulo de riquezas, desde que fruto do trabalho, não era apenas permitido, mas incentivado. O fiel, que percebe a si como mero administrador dos bens de Deus, passa a ver o lucro como um meio de potencializar o Talento (aqui usando a parábola bíblica) já que, ao invés de gozar exageradamente deste, reinveste-o em seu negócio.

Esse Ethos calvinista foi associado, pelo alemão Max Weber (1864-1920), ao surgimento do capitalismo moderno, em seu clássico A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.

NO MORMONISMO

A Nova Inglaterra do século XIX era fortemente calvinista. Joseph Smith, ao trazer à luz o livro de mórmon, rompeu com a ideia de predestinação, sem desvencilhar-se , entretanto, da rigidez do ethos  da religião iniciada pelo pregador francês. Embora negue a concepção de que o destino já esteja traçado, a Igreja Mórmon foi muito influenciada pelo calvinismo, tanto pelo ambiente onde o mormonismo foi concebido, quanto pelo background de seus primeiros conversos.

Há de se reconhecer a aproximação da Ética Protestante, conforme usada por Weber, com o mormonismo. Assim como os calvinistas, o projeto de vida mórmon é marcado pela austeridade. A religião se construiu de modo a estar presente em todos os aspectos da vida do membro, desde o que se deve ou não ingerir até sua roupa íntima.

São definidos padrões com o objetivo do estabelecimento de uma zona depois da qual o fiel encontra-se em perigo. Seu “viver no mundo, sem ser do mundo” mostra sua ascese intramundana, em que, com autodisciplina, atua-se no mundo sem o compromisso dos valores do mesmo, em tese.

O sucesso financeiro parece ser uma meta a ser perseguida; quando alcançada é muitas vezes associada à aplicação de princípios aprendidos na igreja e como consequência de um viver digno.

O destaque de mórmons no mundo dos negócios tem levado a crença na existência de um Mormon Way Of Doing Business, algo explorado por marqueteiros SUD na busca de uma boa recepção de sua tradição religiosa.

A NEOPENTECOSTALIZAÇÃO E O ROMPIMENTO COM A ASCESE INTRAMUNDANA

Embora seja um fenômeno de origem estrangeira, sobre os pentecostais falarei dos acontecimentos no Brasil, tendo em vista a familiaridade de nossos leitores com essas igrejas.

No último século, vimos chegar ao Brasil o pentecostalismo e sua proposta de resgatar os carismas presentes na tradição bíblica. Por carisma, quero me referir aos supostos dons conferidos pelo Espírito Santo, que na tradição neotestamentária , vieram em grande intensidade na ocasião a Festa de Pentecostes, narrada no Livro de Atos.

Em um primeiro momento das igrejas pentecostais, a ênfase era dada no “falar em línguas”, fenômeno interpretado como o sinal de que Batismo pelo Espírito Santo havia ocorrido (Assembleia de Deus e Congregação Cristã).

A segunda onda pentecostal, deuteropentecostalismo, se deu nos anos 50, tendo como marco importante a vinda de dois ex-atores de filmes de faoroeste do cinema americano, Harold Williams e Raymon Boatright, ligados à Igreja do Evangelho Quadrangular. [3]

A ênfase passava a ser na Cura Divina (Quadrangular, Deus é Amor, O Brasil para Cristo), quando barracas de curas eram armadas e muitas pessoas supostamente se viam livres das doenças que lhes acometiam.

Ocorreu uma pentecostalização do cristianismo brasileiro: igrejas protestantes históricas se renderam ao êxtase pentecostal, autodenominando-se igrejas renovadas. O pentecostalismo rompeu as fronteiras do protestantismo, alcançando a Igreja Católica por meio da Renovação Carismática.

A terceira onda pentecostal é conhecida como neopentecostalismo, que, entre outras coisas, se caracteriza pela a ruptura com a visão puritana de que os fiéis são meros administradores da riqueza que pertence a Deus (Universal, Internacional, Sara Nossa Terra, Mundial, Bola de Neve).

Com sua Teologia da Prosperidade, o neopentecostal conquista “riquezas materiais, saúde e felicidade ao poder consumir com prazer os bens deste mundo”[4], rompe com o ascetismo intramundano, sendo liberal no comportamento, em comparação com as vertentes pentecostais que lhes antecederam.

As últimas três décadas vêm assistindo a uma neopentecostalização do cristianismo, especialmente entre os Filhos de Lutero.

ABRAÇANDO TEOLOGIAS CONTEMPORÂNEAS

De acordo com o historiador Leandro Karnal [5], a contemporaneidade, afastando-se da crença em um Deus sofredor do Gólgota, com fiéis que deveriam carregar uma cruz, cede lugar ao Deus vitorioso: pessoas como São Francisco de Assis e Santo Antão deixam de ser referências, e empresários de sucesso passam a ser o modelo ideal.

Novas teologias têm sido criadas. Além da Prosperidade dos neopentecostais, o professor chama a Autoajuda e o Empreendedorismo de teologias – filhotes da contemporaneidade. Segundo Karnal, o inferno da Teologia do Empreendedorismo é o fracasso financeiro e pessoal.

A teologia do empreendedorismo, aliada às raízes puritanas e americanas do mormonismo (com a Ética Protestante de Weber), talvez explique o quadro que temos observado nos leitores do Vozes Mórmons  e em outros exemplos que cito a seguir.

Em uma conversa que tive logo após chegar ao campo missionário, comentei com um dos élderes que eu pertencia a mesma ala da família do antigo presidente da missão onde servíamos. “Como é a casa do presidente fulano de tal? É uma mansão?”, perguntou o missionário.

Conversando mais com aquele rapaz, notei que ele havia introjetado a ideia de que, para se ter um cargo alto na igreja, como o do irmão cuja família frequentava minha ala, a pessoa tinha que ter uma condição financeira que lhe permitisse (e fizesse) morar em uma casa luxuosa. Na visão daquele missionário, as testemunhas especiais do homem que afirmou não ter onde reclinar a cabeça deveriam repousar as delas em um confortável cômodo de uma mansão.

Outras experiências dessa natureza se deram em serões de estaca. A coisa ficava mais EDIRMACÊDICA quando os oradores convidados estavam ligados ao SRE, e o tema, à autossuficiência.

Num desses serões pôde ser ouvido de um ex-presidente de missão a sacramentação do RICO COM RICO, POBRE COM POBRE: “enquanto presidia a missão, batizamos uma médica. Foi difícil apresentar alguém àquela moça; até que encontramos um fulano de outra estaca … eles eram da mesma condição financeira; deu certo”.

Em outro, o líder do SRE local veio com ainda mais ode à prosperidade. Fez elogios encantados a uma pessoa de quem fora mestre familiar nos EUA: “era muito interessante visitar um irmão que tinha seu próprio avião”.

Pouco tempo depois, fez comentários não muito enaltecedores a outro membro, “um gênio da matemática”, que havia se contentado a um emprego considerado de baixo nível pelo orador: “entrava dentro da fossa, com fezes até a altura dos peitos”.

Os elogios voltaram; agora, não mais ao americano que ele visitava, mas a um brasileiro. Segundo aquele orador, esse irmão era provavelmente o mais rico membro da Igreja no nosso país.

Após aplaudir o sucesso financeiro desse mórmon tupiniquim, nosso discursante relembrou um dado que esse rico SUD supostamente havia apresentado em uma palestra meses antes em outra capela: “Entre os homens mais ricos do mundo, quinze são mórmons”. Não faço a mínima ideia da precisão dessa afirmativa, não obstante, o que mais me marcou foi a indagação proferida logo em seguida: “quem será o décimo sexto? Será desta sala?”

O complexo de minoria, com a consequente necessidade de autoafirmação, talvez explique o motivo do apreço que confissões minoritárias possuem de mostrar quão “incríveis” são seus membros.

Em sua cantilena, o líder do SRE chegou a falar um valor em dinheiro, que, embora não fosse muito, era mais que a grande maioria daqueles jovens recebia em seus trabalhos, apontou para uma moça e perguntou: “digamos que esse seja o salário de seu noivo, está bom?” Talvez, constrangida com todas aquelas cifras idealizadas, a moça soltou um tímido “ah, pode melhorar”.

Todos esses oradores contavam suas histórias de superação. Começaram de baixo, com muita dificuldade. Através de princípios aprendidos na Igreja, como fé e estabelecimento de metas, essas pessoas puderam ter o progresso material do qual davam testemunho.

O sucesso financeiro era interpretado como consequência de uma vida virtuosa. A ideia passada por muitos era de que um padrão financeiro BEM ALÉM do necessário para suprir as necessidades básicas deveria ser nossa busca durante a jornada espiritual.

Esses oradores, que acredito serem pessoas íntegras e dedicadas às suas famílias e Igreja, prestam um grande serviço aos jovens nesses serões ao estimularem princípios como fé, dedicação e honestidade. Porém, devo reconhecer que suas elucubrações teológicas que supervalorizam o crescimento financeiro tem pouco ou nada em comum com a pregação do marginal galileu cujo nome antecede ao AMÉM no término de seus discursos.

Com base nessas visões sobre prosperidade e no caráter modelar que possui as autoridades da igreja, fica claro que é uma crença difusa entre os mórmons que um padrão financeiro bem acima da média seja um ponto importante para quem pleiteia elencar o rol das testemunhas especiais de Cristo.

A ideia de muitos que comentaram no artigo do Marcello Jun, que sintetizei no início deste post, pelo que tudo indica, não é muito diferente de boa parte de nossos correligionários.

——

[1] Crossan, John Dominic. O Jesus Histórico: a vida de um judeu no Mediterrâneo. Rio de Janeiro, Imago, 1993. P. 111.

[2] O Filósofo alemão trata desse assunto em pelo menos duas de suas obras: A Genealogia Da Moral (1887) e O Anticristo (1888).

[3] Mariano, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. Edições Loyola, 1999. p. 30

[4] Ferrari, Odêmio Antonio. Bispo S/A: a Igreja Universal do Reino de Deus e o exercício do poder. Editora Ave-Maria, 2007.p. 222.

[5] A palestra de Leandro Karnal pode ser acessada aqui. http://www.youtube.com/watch?v=dNVhp98SCbs

49 comentários sobre “Como o camelo passou pela agulha?

  1. Muito bom texto, confesso que devo estudá-lo um pouco mais e buscar os referenciais apresentados.

    Porém, é algo que já percebi faz muito tempo: nenhum pobre, sim, nenhum, se tornará apóstolo ‘mórmon’. E não é apenas questão de dinheiro, muito pelo contrário, é que ricos se socializam, casam e convivem com ricos, e são estes que se ‘auto-indicam’ aos mais altos cargos.

    Essa é uma inocência que seria bom perder: a igreja funciona como qualquer associação de homens; embora possa ser boa e honesta, ainda é uma associação de homens, regrada pelas normas sociais e culturais vigentes. Ou seja, pobres com pobres e ricos com ricos, para citar um exemplo simples.

    A princípio fui criado, como muitos, para não ver nada de tão anormal nisso, mas também não tão normal assim, segundo a própria doutrina.

    Na realidade, a prosperidade (tão almejada por alguns SUDs) é mais uma questão de estatística do que ‘graça divina’. Conheça os membros e líderes certos e em algum futuro não muito distante, se mostrar-se promissor (em termos profissionais e financeiros, por exemplo) teu nome estará na lista dos próximos presidentes de missão, setenta e por aí vai. Esteja no lugar certo e rodeado das pessoas certas (ter um pouco de renda também ajuda, embora isso possa ser resolvido com um emprego na ‘associação’) e é bem provável que a prosperidade lhe sorria.

    Em outras associações e situações do mundo é a mesma coisa, a SUD apenas a copia (talvez até de modo magistral, mas agora estou só especulando).

    Mais uma vez, um ótimo texto. Provavelmente eu escreveria algo nesse tema no futuro, pois também é assunto sobre o qual já meditei.

  2. Excelente texto. Ricos com ricos, pobres com pobres, enaltecendo o neoliberalismo e a meritocracia ao extremo, disfarçadas de bênçãos por dignidade e trabalho. A separação de classes é algo extremamente valorizado no meio mórmon. Muitos dos privilégios de estudo e trabalho, oferecidos por grupos, associações, filantropos, sequer chegam ao conhecimento da maioria dos membros de baixa renda, deixando suas benesses apenas para os mais abastados e membros do seleto grupo dos top das estacas mais tradicionais e dos grandes centros, como São Paulo e região. É a famosa “panela”. Ao meu humilde entendimento, muito se perde do verdadeiro discipulado, ao vincular riquezas e bens terrenos a dignidade e retidão. Esse não é o Cristo que eu conheço e paulatinamente vamos perdendo os valores mais profundos e absolutos que Ele ensinou, na medida em que são sorrateiramente substituídos por livros e palestras sobre autoajuda e empreendedorismo. FIlosofias dos homens mescladas com escrituras? Parece-me familiar.

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