Apóstolo Russell Ballard Ofende Famílias LGBT

Russell Ballard, Apóstolo d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, recebeu a homenagem de ser o palestrante principal na última reunião do Congresso Mundial de Famílias.

M Russell Ballard

Embora o discurso em si não tenha inovado em conteúdo para Mórmons bem informados (ou leitores deste site), o contexto da honra desse convite, porém, é muito mais notável que o fato em si.

Eis os pontos chaves do discurso de Russell Ballard:

  • Ballard afirma que “liberdade religiosa” está em perigo e deve ser defendida; Conclama a “angariar apoio à fé, às famílias e à liberdade” contra as forças que “querem nos deprivar desses direitos” e intentas em “derrotar as proteções das liberdades religiosas”

Ele, como de costume com demais líderes na Igreja SUD, nunca dá exemplos concretos de quais liberdades estariam sendo ameaçadas. A verdade é que não há ameaças (nos EUA) à “liberdade religiosa” e esse argumento é uma tática de distração (ver últimos parágrafos aqui).

  • Ballard queixa-se de crianças escolares serem expostas à tolerância a famílias LGBT; Queixa-se dos “direitos dos pais” e a “liberdade prerrogativa das convicções parentais”

Ele reclama de crianças que foram ensinadas na escola a não ter preconceitos contra famílias LGBT, cujos pais não foram permitidos a proibir tais medidas educacionais, ou de remover seus filhos dessas classes.

Esquece-se que uma das funções da escola é educar cidadãos, e parte dessa educação inclui o ensino da coexistência e tolerância dentro de uma sociedade diversificada. Seguindo o argumento de Ballard, pais racistas deveriam ter o direito de excluir suas crianças de quaisquer atividades que promovam integração e tolerância interracial.

  • Ballard reforça a importância de compromissos

Ele argumenta, perante um público ferozmente homofóbico (ver abaixo), que é importante realizar concessões dentro de uma sociedade diversificada. Ele citará o próprio exemplo da Igreja SUD que, após a humilhante reação pública negativa por causa de seu papel fundamental em extirpar direitos civis de homossexuais na California em 2008, passou a apoiar leis que protegem alguns direitos civis de LGBT em Utah (e.g., leis que proibem preconceito em práticas habitacionais ou trabalhistas) a partir de 2009.

  • Ballard queixa-se do rótulo de “fanatismo e intolerância”

Ele argumenta que a Igreja e seus membros devem poder seguir discriminando contra homossexuais e famílias LGBT sem ser chamados de “fanáticos” ou “intolerantes”.

  • Ballard queixa-se de ser “punido com uma medida desarrazoada”

Ele argumenta chamar de “fanáticos” ou “intolerantes” ou criticar como “homofóbica” a Igreja ou seus membros por discriminar contra homossexuais e famílias LGBT é “punir com uma medida desarrazoada” (i.e., contrária à razão, despropositada, injusta, que não tem fundamento). A “medida” a qual Ballard se refere, embora não explicitamente citada, é a reação pública acima mencionada, que se mantém até hoje.

  • Ballard elogia e congratula a Igreja SUD por apoiar legislação que protege direitos básicos de cidadãos LGBT em Utah

Ele cita, em tons congratulatórios, o próprio exemplo da Igreja SUD que, após a humilhante reação pública negativa por causa de seu papel fundamental em extirpar direitos civis de homossexuais na California em 2008, passou a apoiar leis que protegem alguns direitos civis de LGBT em Utah (e.g., leis que proibem preconceito em práticas habitacionais ou trabalhistas) a partir de 2009.

  • Ballard usa o sacríficio dos Mórmons para terminar o Templo de Nauvoo às pressas antes do êxodo para o Oeste como exemplo da importância do casamento e das famílias para Mórmons

Ele só esqueceu-se de contar a seus convidados não Mórmons qual a maior motivação para acelerar o processo de construção do Templo de Nauvoo, mesmo sabendo que eles iriam emigrar dali. E não era “casamento homem-mulher”.

  • Ballard cita a “Proclamação da Família” para urgir autoridades seculares para “proteger a família”

Ele, apesar do discurso de “tolerância” e “compromisso”, deixa claro que é a intenção da Igreja continuar pressionando autoridades seculares por leis que discriminem contra famílias LGBT. O que Ballard, como de costume com demais líderes na Igreja SUD, nunca dá exemplos concretos de como exatamente proibir ou denegrir casamentos e famílias LGBT deveria “proteger a família”.

  • Ballard insiste na “importância de defender o casamento tradicional”

Ali estão casais LGBT querendo, não uma vida de devassidão e orgias dos sentidos, mas uma vida de família e responsabilidade e comprometimento simbolizado e formalizado na instituição do casamento, e barrando o seu caminho estão Ballard e colegas do “Congresso Mundial de Famílias”.

O que poderia ser mais “tradicional” que duas pessoas fazendo votos de uma vida em conjunto, companheirismo, cooperação mútua, fidelidade, e dedicação? Votos de ter, criar, educar filhos em parceria e desapego?

Para um congresso dedicado a “proteger a família”, Ballard nada disse sobre como “proteger a família” e muito sobre como discriminar contra a família LGBT.

Nem todo o discurso, contudo, foi negativo para relações entre a Igreja e a comunidade LGBT ou os Mórmons LGBT:

“Assim como nós não podemos ou não devemos nos afastar de familiares de quem discordamos, nós não podemos e não devemos nos afastar daqueles que aparentam ou pensam ou agem de forma diferente de nós. Demonstramos nossa melhor humanidade e mostramos amor e bondade a todos os filhos de Deus, mostramos nosso verdadeiro discipulado quando nos recusamos a usar tons estridentes, quando nos recusamos a usar rótulos divisivos e quando entramos na praça pública a busca de soluções justas através da compreensão e respeito mútuo.” — M. Russell Ballard

Assista o discurso de Ballard na íntegra aqui:

O que é o Congresso Mundial de Famílias?

O Congresso Mundial de Famílias é uma organização norte-americana fundada em 1997 com a missão de promover leis que discriminem contra mulheres (dificultando acesso a métodos contraceptivos) e homossexuais (restringindo direitos civis ou mesmo criminalizando relações LGBT).

O Southern Poverty Law Center, uma ONG norte-americana fundada em 1971 com a missão de oferecer apoio legal contra discriminação racial, recentemente listou o Congresso Mundial de Famílias no rol de “grupos de ódio” dedicados à discriminação e repressão preconceituosa de minorias.

O Human Rights Campaign, uma ONG norte-americana fundada em 1980 com a missão de promover diretos civis básicos para, e combater discriminação contra, pessoas LGBT, também denuncia o Congresso Mundial de Famílias como um dos principais incitadores mundiais de ódio, preconceito, intolerância contra homossexuais e LGBT em geral. Para tanto, o HRC vem documentando a influência do CMF nas leis anti-gay extremistas e discriminatórias na Rússia, Uganda, e Nigéria, entre outras.

O Apóstolo Russell Ballard será o principal palestrante na nona edição do Congresso Mundial que será realizado em Salt Lake City no final de outubro. A cooperação entre a Igreja SUD e esse “grupo de ódio” data deste a fundação desta no final da década, com a criação de um departamento inteiro na Universidade de Brigham Young  para produzir respaldo acadêmico para a empreitada anti-gay.  Janice Shaw Crouse, uma membro do comitê executivo do CMF descreve:

“[A Igreja SUD] tem sido um forte aliado do Congresso Mundial de Famílias… e é uma honra ter um de seus Apóstolos seniores discursando na nossa conferência — especialmente alguém cujo compromisso de vida e liderança tem servido para preservar e fortalecer a unidade familiar.”

O Southern Poverty Law Center denuncia a organização por disseminar ódio e preconceito sob o pretexto de “proteger a família”, da mesma maneira como a Ku Klux Klan e os neonazistas desejam apenas “proteger a raça branca” e “suas famílias, seus filhos, suas mulheres” de Negros e imigrantes. Inclusive, tanto a KKK como os neonazistas compartilham o mesmo lugar na lista de “grupos de ódio” que o Congresso Mundial de Famílias.

Famílias LGBT ofendidas?

Para se compreender como o discurso de Ballard é ofensivo para famílias LGBT, é importante destrinçar o seu argumento final:

“Nós podemos ser específicos e impetuosos sobre os benefícios do casamento homem-mulher sem injuriar ou desrespeitar aqueles que pensam diferente.” — M. Russell Ballard

E essa mentira é extremamente ofensiva.

Mentira? Sim, porque a verdade é que isso é literalmente impossível.

Não se pode argumentar os “benefícios do casamento homem-mulher” sem implícita ou explicitamente estar argumentando pelos malefícios do casamento homem-homem, ou mulher-mulher, ou homem-transgênero, etc. (Ironicamente, também sem denegrir casamentos homem-mulheres, algo que a Igreja Mórmon defendeu com unhas e dentes)

Quando se argumenta os “benefícios do casamento homem-mulher”, denigre-se todas as famílias que não se encaixam nesse padrão específico. Estabelece-se que a família “homem-mulher” é inerentemente melhor que qualquer outro modelo de família.

Para uma Igreja que se diz “defender a família”, essa postura não deixa de soar hipócrita para todas as famílias que não são “defendidas”, mas sim relegadas a segunda categoria de famílias menos importantes, menos boas, inferiores.

Russell Ballard discursou para um reconhecido grupo de ódio com uma explícita missão homofóbica usando retórica desonesta para defender a categorização de famílias LGBT (e as famílias alternativas) como de segunda categoria e inferiores. Como não se ofender?

16 comentários sobre “Apóstolo Russell Ballard Ofende Famílias LGBT

  1. É interessante que o Elder Ballard, como Apóstolo de Cristo NUNCA OFENDERIA uma família LGBT.
    Isto vai contra os preceitos dos princípios ensinados por Cristo, agora advertir (como é sua função, responsabilidade e cargo) que é errado o homossexualismo esta totalmente correto. Há maneiras de fazer e chamar atenção sem ofender alguém.

    Da mesma forma, e concordo, que quem tem filhos e é totalmente contrário aos preceitos de LGBT, como aconteceu comigo que eu afirmei firmemente que uma família que quer ensinar meus filhos que isto é correto esta prejudicando INDIRETAMENTE os meus filhos querendo ensinar o errado como certo.

    Desculpe, mas a opinião do autor deste texto esta totalmente errada e mal interpretada pelas palavras do Elder Ballard.
    Melhor rever alguns pontos de vistas próprios com o que o Apóstolo do Senhor disse. (Sem ofensas).

  2. Quanta asneira, qual será o próximo ataque ao Elder Ballard?
    Fica até chato para a credibilidade do “Vozes Mórmons”, precisa usar
    melhores táticas, essas já são cartas marcadas.

  3. os comentários do autor deste artigo são tendenciosos a enfocar a opnião propria dele, que insiste em defender preceitos que são contrários ao evangelho. Usando uma lógica-argumentativa muito eloquente, tal qual corior e outros modernos hoje o fazem… é preciso decidir de lado se está… O autor deste texto parece não compreender que não é possivel servir a 2 senhores… fica a reflexão.

  4. Caro irmão Marcello, gostaria, em defesa de M. Russel Ballard, de fazer um contraponto à sua exposição, que me chegou na forma de post. Em primeiro lugar, desejo salientar que, independentemente de ser ou não favorável às teses de Ballard (e sou absolutamente favorável!), é de bom tom que ele tenha um advogado, pois não está aqui para prover o seu próprio contraditório. Segundo, penso que como autoridade clerical de uma denominação religiosa ele tem o direito de se manifestar sobre temas que impactem doutrinariamente a vida dos fiéis. Aqui vai, portanto, a defesa de Ballard, em três pontos que considero mais relevantes:

    a) Você o acusa de afirmar que a liberdade religiosa está em perigo mas de não oferecer exemplos que sustentem tal afirmação. No artigo que se segue, colhido no jornal The Brussels Journal, edição de 11.09.06, editado em Bruxelas, na Bélgica, e intitulado “Gay dictatorship”, são fornecidos os exemplos que pede, colhidos na Europa.

    “An evangelical Christian campaigner, Stephen Green, was arrested and charged last weekend with using threatening, abusive or insulting words or behaviour. So what was this behaviour? Merely trying peacefully to hand out leaflets at a gay rally in Cardiff. So what was printed on those leaflets that was so threatening, abusive or insulting that it attracted the full force of the law? Why, none other than the majestic words of the 1611 King James Bible. […]Author Lynette Burrows received a warning from the Metropolitan Police merely for suggesting that gay people did not make ideal adoptive parents. The former leader of the Muslim Council of Britain, Sir Iqbal Sacranie, also had his collar felt by police after he said that homosexuality was harmful. […] An elderly evangelical preacher, Harry Hammond, was convicted of a public order offence after he held up a poster calling for an end to homosexuality, lesbianism and immorality. […] And Lancashire pensioners Joe and Helen Roberts were interrogated by police for 80 minutes about their ‘homophobic’ views after they had merely asked their local council to display Christian literature alongside gay rights leaflets in civic buildings.[…] The ‘diversity’ agenda, in other words, is a fig-leaf for an attack on Christianity. And to cap it all, we can no longer rely on our future monarch to hold the line, since Prince Charles has said that when he becomes King he will no longer be Defender of the Faith but ‘defender of faith’”.

    b) Você o acusa de estimular a intolerância, inclusive racial, por ter ele reclamado que pais estão tendo cerceado o direito de ensinar aos filhos no tocante à maneira como as famílias devem ser corretamente constituídas. Pais têm o direito (e o dever!) de educar seus filhos de acordo com a sua própria cultura e consciência, segundo a inteligência do Artigo 3, Item 2 da Convenção dos Direitos da Criança, aprovada pela Assembleia-Geral da ONU em 20.11.89, e sem prejuízo de legislações constitucionais e infra-constitucionais adotadas nos respectivos estados-membros. É onde se lê: “Os Estados-Partes comprometem-se a garantir à criança a proteção e os cuidados necessários ao seu bem-estar, tendo em conta os direitos e deveres dos pais, representantes legais ou outras pessoas que a tenham legalmente a seu cargo e, para este efeito, tomam todas as medidas legislativas e administrativas adequadas”.

    c) Você o acusa de defender a Igreja em uma cruzada contra homossexuais. A Igreja possui esse direito, conforme os Artigos 9 e 18 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, a qual assegura aos cidadãos o exercício de discriminação e arbítrio de pensamento e ações: “Toute personne a droit à la liberté de pensée, de conscience et de religion; ce droit implique la liberté de changer de religion ou de conviction, ainsi que la liberté de manifester sa religion ou sa conviction individuellement ou collectivement, en public ou en privé, par le culte, l’enseignement, les pratiques et l’accomplissement des rites. » et précise également les restrictions liées à la liberté de conviction et de religion en amendant l’alinéa 3 de la déclaration de 1981 : « La liberté de manifester sa religion ou ses convictions ne peut faire l’objet d’autres restrictions que celles qui, prévues par la loi, constituent des mesures nécessaires, dans une société démocratique, à la sécurité publique, à la protection de l’ordre, de la santé ou de la morale publiques, ou à la protection des droits et libertés d’autrui.

    Portanto, irmão Marcello, penso que você não deve se sentir ofendido pelos princípios esposados por Ballard, que aliás não são dele próprio, mas abraçados pela Igreja e, mais ainda, por uma expressiva, senão majoritária parcela da sociedade global. As ideias que ele sustenta podem ser enfeixadas naquilo que comumente chamamos de “direita”, enquanto as suas se enquadram naquilo que comumente chamamos de “esquerda”. Uma sociedade que se proponha plural e democrática deve ter a capacidade de incorporar ambas, sob pena de, não o fazendo, transformar-se numa ditadura. Restringir a liberdade religiosa, obrigando uma ou mais denominações a aceitarem comportamentos que não se coadunam com seus comandos doutrinários, como é o caso da “família gay”, me parece, sob as luzes da civilidade, parte da aludida “ditadura gay” que alguns tentam implantar em nosso sofrido planeta.

    • Friederick, você tenta “defender” o Russell Ballard em três pontos principais, porém o faz baseando-se em diversos erros básicos e grosseiros de raciocínio e leitura.

      1) “… autoridade clerical de uma denominação religiosa ele tem o direito de se manifestar sobre temas que impactem doutrinariamente a vida dos fiéis.”

      Seu primeiro equívoco grave. Em algum lugar você me leu argumentando que ele não teria esse direito?

      Talvez seja difícil compreender essa distinção quando a dissonância cognitiva seja tão profunda, e por isso seja tão comum essa reação, mas criticar um ponto de vista não é o mesmo que defender a sua censura.

      2) “… colhido no jornal The Brussels Journal, edição de 11.09.06, editado em Bruxelas…”

      Esse exemplo que você cita se fundamenta em dois equívocos ao mesmo tempo.

      O primeiro é que eu escrevi acima, específicamente, sobre os Estados Unidos.

      Ballard aborda o assunto de “liberdade religiosa” nos EUA, assim como o fizeram Oaks e outros Apóstolos repetidas vezes, assim como é o costume para os representantes desses grupos de ódio que pregam homofobia.

      A Constituição Americana protege liberdade de expressão com ainda mais vigor que liberdade religiosa e não há, simplesmente não há, nenhuma ameaça contra quaisquer desses dois direitos. Qualquer norte-americano que diga que existem tais ameaças está mentindo.

      O segundo é que o seu exemplo citado é um perfeito exemplo de como não há ameaças contra “liberdada religiosa”, mesmo quando ela inclui discursos homofóbicos. 15 segundos a mais de pesquisa nas internets e você teria descoberto que o ativista anti-gay Stephen Green foi completamente exonerado dessas acusações meras semanas após o incidente. Qualquer pessoa consciente e inteligente compreende que um sistema legal justa e competente deve funcionar assim: Um policial achou que Green violara leis, o sistema judiciário rápida e eficazmente defendeu o seu direito de expressão e o seu direito de crença religiosa, ele é exonerado, e ainda pode processar e receber compensação monetária por seu incômodo.

      [Apenas uma curiosidade: Esse “defensor da família” que você acha que foi “perseguido” porque Belgas estão ameaçando “liberdades religiosas” é o mesmo que espancava a mulher e defende o extermínio de gays. Esse jornal que você acha que “defende” as “liberdades religiosas” ameaçadas é conhecido por artigos racistas e xenofóbicos. Diga-me com quem andas…]

      3) “Você o acusa de estimular a intolerância, inclusive racial…”

      Aqui você comete um equívoco simplesmente porque você não leu direito o artigo. Pause um instante, volte a ler o texto acima, desta vez com cuidado e atenção.

      Eu não acuso que Ballard estimule intolerância. Eu provo que ele estimula intolerância. Contra pessoas e famílias LGBT. Mas em nenhum momento eu o acuso de estimular intolerância racial.

      Leia de novo com atenção.

      4) “Pais têm o direito (e o dever!) de educar seus filhos de acordo com a sua própria cultura e consciência…”

      Aqui você comete o equívoco de ignorar a complexidade da realidade.

      Certamente, pais têm tanto esse direito quanto esse dever, mas é dever do Estado educar seus cidadãos e exigir cooperação dos pais. Pais que não acreditam em ciência ou matemática (veja que há Mórmons que se incluem nessa categoria) não são permitidos de isentar suas crianças dessa educação! Pais neonazistas não podem exigir que não se ensine história ou tolerância racial a seus filhos. A educação básica de seus cidadãos é um dos deveres básicos do Estado moderno.

      5) “Os Estados-Partes comprometem-se a garantir à criança a proteção e os cuidados necessários ao seu bem-estar, tendo em conta os direitos e deveres dos pais, representantes legais ou outras pessoas que a tenham legalmente a seu cargo e, para este efeito, tomam todas as medidas legislativas e administrativas adequadas”.

      Eis um outro equívoco por não ler direito e com atenção.

      O texto claramente diz que pais ou representantes legais tem “direitos e deveres” e que o Estado deve criar medidas e estruturas legislativas para tanto. O texto não diz absolutamente nada sobre soberania dos pais sobre tais medidas e estruturas legislativas.

      Se você tirasse 15 segundos para ler alguns artigos abaixo desse que citou, o artigo 28o define como a obrigação do Estado fornecer educação básica com igualdade de oportunidade, e o artigo 29o define como parte obrigatória dessa educação básica, entre outras coisas, o desenvolvimento do respeito por direitos humanos e por tolerância e igualdade. Sendo, portanto, dever do Estado ensinar crianças a não serem preconceituosas (inclusive de pessoas e famílias LGBT)!

      6) “Você o acusa de defender a Igreja em uma cruzada contra homossexuais. A Igreja possui esse direito…”

      Outro equívoco grave de raciocínio. Onde você leu que eu argumentei que a Igreja não tem esse direito? Onde você aprendeu que argumentar que algo seja imoral signifique o mesmo que defender sua criminalização ou proibição?

      Eu não acuso de defender a Igreja em uma cruzada contra homossexuais. Eu demonstrei factualmente que ele defendeu a Igreja por conduzir uma cruzada contra homossexuais. Esses são os fatos e eles são inegáveis.

      7) “Portanto, irmão Marcello, penso que você não deve se sentir ofendido pelos princípios esposados por Ballard…”

      Você não articulou nem um único argumento válido, racional, relevante ou correto. Esse “portanto” não significa absolutamente nada nesse contexto.

      Contudo, mesmo que tivesse apresentando algum argumento válido, ainda assim eu tenho amplos motivos para me ofender pelos “princípios esposados por Ballard”. Preconceito me ofende. Intolerância me ofende. Homofobia me ofende. Instituições bilionárias que perseguem minorias para lhes tirar seus direitos civis me ofendem. Esses são os “princípios esposados por Ballard” nessa reunião de um reconhecido grupo de ódio.

      8) “Uma sociedade que se proponha plural e democrática deve ter a capacidade de incorporar ambas, sob pena de, não o fazendo, transformar-se numa ditadura.”

      Novamente, o mesmo equívoco de raciocínio. Simplesmente porque a sua posição seja imoral e anti-ética não quer dizer que ela deva ser criminalizada ou censurada. E, se você tivesse lido o artigo acima com cuidado, teria se dado conta que em nenhum momento eu defendi que a homofobia Mórmon, mesmo a homofobia institucional, fosse censurada, proibida, criminalizada, ou punida.

      9) “Restringir a liberdade religiosa, obrigando uma ou mais denominações a aceitarem comportamentos…”

      Mais uma vez, os equívocos de péssimo raciocínio com péssima qualidade de leitura. Onde, diga-me, você leu que alguém defendeu que a Igreja deve ser “obrigada” a aceitar “comportamentos”?

      Ninguém obrigou a Igreja SUD a suspender seu racismo institucional. Muitas pessoas, inclusive muitos membros, a criticaram por essa falha moral e ética.

      Argumentar que a homofobia institucional na Igreja SUD atual seja imoral e anti-ética não é a mesma coisa que defender que seja obrigada a ser inclusivista e a deixar de ser preconceituosa.

      10) “…parte da aludida “ditadura gay” que alguns tentam implantar em nosso sofrido planeta.”

      E aqui você perde completamente todo o meu respeito.

      Restringindo-me ao máximo por cortesia, apenas relato que o têrmo “ditadura gay” é inteiramente divorciado de qualquer mérito intelectual, factual, ou racional, sendo um daqueles “rótulos divisivos” e “tons estridentes” que o próprio Ballard criticou em seu discurso.

      • Ele pode dizer que uma família homem-mulher é “melhor” que qualquer outra. Ele pode dizer isso. Ele não ofendeu como fez Jesus diversas vezes com os fariseus (com razão). Quando uma pessoa quer ofender, ela fala diretamente a esse grupo com clareza. Ler nas entrelinhas pode tanto resultar em acerto quanto em erro. Uma pessoa pode dizer “gosto de loiros(as)” e ela pode odiar ou não pessoas negras, orientais e de cabelos pretos. Ele declarou o que é ensinado em todo lugar das escrituras: é pra casar homem com mulher, mulher com homem. E não deve-se basear ensinamento de filho em lei de não sei aonde, isso é tão superficial! Se um pai (ele é pai :D) acha que a escola não deve ensinar tal coisa, ele tem o direito de achar! Ele tem o direito de falar isso em público também. Você criou tanta polêmica onde não tem, que dá até preguiça de ler.

      • É lógico que ele tem o direito, Priscila. Ninguém lhe está questionando seu direito constitucional de falar o que lhe aprouver.

        O que não significa que o ele disse não seja homofóbico, e o fórum onde ele o disse não seja um fórum notoriamente rotulado como “grupo de ódio” por uma renomada ONG dedicada a combater racismo e preconceito!

        Note como a Igreja se mobilizou nos bastidores enquanto Ballard discursava contra famílias LGBT, e como muitos membros reagiram aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

        Ballard, assim como todos os líderes SUD, tem o direito de quaisquer pronunciamentos preconceituosos que lhes aprazem. Eles, contudo, não tem o direito de exigir que as pessoas não se ofendam ou não os critiquem pelo preconceito exibido. Certamente, você sabe que isso não é a primeira vez na história da Igreja.

        Com relação à preguiça, Priscila, a de ler obviamente não lhe foi a única.

  5. Não sei se sou só eu, mas esse já é o segundo site que tem a intenção de denegrir a imagem do Elder ballard com citações tendenciosas, ele ainda é um porta voz do Pai Celestial, e suas palavras estão em conformidade com a Santa lei, se vcs querem apoiar algo q não seja de acordo com os padrões SUD façam por si mesmo, mas não venham denegrir a imagem de uma pessoa dessa forma tão baixa.

  6. Prezado irmão Marcello, muito obrigado pelo seu contraponto, assinado por você próprio e não pelo site, numa demonstração de que se sente pessoalmente atingido quando o assunto é homossexualismo… Vivemos numa sociedade formalmente democrática e todos temos o direito de realizar as nossas próprias escolhas morais desde que para isso não ofendamos o direito de outrem de realizar as suas próprias escolhas. E penso que tais escolhas morais são cabíveis a qualquer tempo, principalmente a pessoas que tenham passado grande parte de suas vidas na Igreja, como missionários, prestando testemunhos da veracidade de sua doutrina e em apoio às suas autoridades gerais. Afinal, é para sermos testados em nossas capacidades de escolher entre o bem e o mal que estamos aqui na Terra, não? Além disso, o amor e o ódio manifestam-se na vida dos seres humanos em momentos e de formas que a ciência ainda não conseguiu determinar com precisão, mas que são aceitáveis a todos aqueles que possuem sangue nas veias, alguma massa cefálica no cérebro e inarredável paixão pela polêmica. Como parece ser este o seu caso, e creio, no mínimo ser eu também movido pelo apetite à polêmica (e dado que tenho tempo de sobra neste sábado), passo agora a considerar as argumentações contidas no que escreveu, começando pelo final, que me parece mais saboroso.

    a) Essa expressão “ditadura gay” não foi cunhada por mim, sendo decorrente de uma apreciação realizada pela própria comunidade gay nos Estados Unidos e depois empregada em outros países. Excerto de uma das edições do jornal eletrônico “Datalounge”, encontrável em http://www.datalounge.com, permite que vejamos com bastante clareza quais as reais intenções do movimento gay naquele país e, pelo que posso entender, no restante do mundo:

    “America needs a dictatorship — a secular gay dictatorship. I am fucking sick and tired of hearing how people who want gays dead are “entitled to their opinion” and how these psychotic religious motherfuckers are “Americans.” No, they’re not. Give them the chance, and they’ll turn this country into a religious dictatorship with freedom for me but not for thee. Since dictatorship is what these evil psychotic bastards want, then let’s give them one. But make it a secular dictatorship where atheism is mandatory and heterosexuality is illegal and punishable by death. The enemies of gay people are the enemies of humanity, and we need to be focused on their complete elimination by every means necessary”.

    Tão interessante quanto este excerto foi conhecer os resultados de uma enquete conduzida pelo jornal junto aos seus leitores em relação à tal da “ditadura gay”. Uma única pergunta foi realizada: “Você apoiaria uma ditadura nos Estados Unidos que fosse 100% secular e 100% gay?” . O índice de respostas positivas foi de 25,3%, as respostas negativas foram de 51,6% e uma terceira resposta possível (“Só se eu fosse o ditador”) ficou com 23,1%. Vê-se, assim, que não apenas a ideia de uma “ditadura gay” existe concretamente como é partilhada por uma minoria de gays.

    A partir disso é possível atestar que carece de veracidade intelectual o que você apontou em seu comentário quando disse que o “têrmo “ditadura gay” é inteiramente divorciado de qualquer mérito intelectual, factual, ou racional, sendo um daqueles “rótulos divisivos” e “tons estridentes” que o próprio Ballard criticou em seu discurso”. Portanto, a expressão “ditadura gay” (que não é termo, e sim expressão; e “termo”, por favor, não leva acento circunflexo há décadas…), ao contrário do que você afirma, possui, sim, um contexto de afirmação valorativa e de discussão acadêmica, inclusive, como você pode verificar, no interior da comunidade gay. Desconhecer isto pode ser justificável para alguém, como parece ser o seu caso, que não possui treinamento profissional em pesquisa nas Ciências Sociais e Humanas, mas absolutamente injustificável para aqueles, como também parece ser o seu caso, que buscam ser defensores de uma corrente de pensamento tão importante como é o movimento gay. Estimulo o irmão a estudar mais e também a informar-se junto a militantes e instituições adjacentes ao homossexualismo antes de elaborar comentários em tom tão arrogante quanto desinformado, como fez. E no que se refere ao “E aqui você perde completamente todo o meu respeito”, trata-se de uma péssima maneira de contra-argumentar no mundo acadêmico, onde se valoriza acima de tudo a humildade, e muito mais no mundo social em geral, onde em geral se preza a polidez. Humildade que, apesar de suas palavras, prefiro continuar a cultivar, tanto por saber que “quanto mais sabemos, mais sabemos que não sabemos”, quanto por ter recebido preciosas lições de boas maneiras ainda quando criança. Portanto, irmão, apesar de tudo, você continua a gozar de meu respeito.

    b) Não vou debater com você em relação aos demais itens relacionados em seu comentário pois minha mulher está me chamando para almoçar e também porque:

    b.1) O que você esgrime é apenas um jogo de palavras subjetivamente posto, que não evidencia e muito menos prova coisa alguma, tendo assim, ao menos na forma em que é colocado, pouquíssima relevância. Isso pode não ser percebido por aqueles desacostumados à discussão científica, porém não por acadêmicos treinados quanto ao pensamento e ao verbo.

    b.2) Seu discurso, além disso, é pretensioso, grosseiro e cheio de erros de sintaxe

    Até a próxima!

  7. Marcelo Junn,
    Tenho certeza que o apóstolo, por mais inábil que seja com as palavras, acredita piamente que está fazendo a vontade de Deus ao tentar “proteger” as famílias heterossexuais do que ele considera uma ameaça causada pela aprovação de leis igualitárias que equiparam as relações hetero com as relações homo.
    Esse pessoal não aceita estudos como o de Kinsey, por exemplo, ou a psicanálise freudiana. Seja por desconhecimento, seja por pré-conceito.
    Talvez fosse o caso de, se possível, utilizar termos menos contundentes (mentira, engana, etc), pois você mesmo já pode ter pensado do mesmo modo que ele.
    É só uma sugestão, e grato por nos manter informados e dar uma visão crítica.

  8. Não tinha lido todo o artigo antes. Deixo meus contra pontos ao artigo:
    Sobre a ameaça é dito:
    Ele, como de costume com demais líderes na Igreja SUD, nunca dá exemplos concretos de quais liberdades estariam sendo ameaçadas. A verdade é que não há ameaças (nos EUA) à “liberdade religiosa” e esse argumento é uma tática de distração (ver últimos parágrafos aqui).
    Pode ser uma tática de distração, mas pode ser que ele se considere um profeta que com sua visão profética veja ameaças antes mesmos delas ocorrerem. Nesse papel diversos profetas ofenderam seu ouvintes.

    Mais ao final do artigo, foi escrito:
    Para uma Igreja que se diz “defender a família”, essa postura não deixa de soar hipócrita para todas as famílias que não são “defendidas”, mas sim relegadas a segunda categoria de famílias menos importantes, menos boas, inferiores.

    Não considero hipócrita, pois as famílias que não são defendidas não são relegadas a segunda categoria de família como escrito, mas a categoria de não-familia. Ou seja, sequer são consideradas famílias.
    Deves saber que na doutrina atualmente aceita, não existem selamentos de filhos que não sejam a um homem (na condição de pai/marido) e uma mulher (esposa/mulher) previamente selados, sendo que no plano eterno só permaneceram famílias as que entrarem no novo e eterno convênio. E todas as demais tipos de associações terminam com a morte. (D&C132)

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