Estupro Não Engravida, Diz Legislador Mórmon

Legislador Mórmon Pete Nielsen do estado de Idaho sai em defesa de projeto-de-lei argumentando que mulheres estupradas não engravidam.

O argumento reflete, em parte, uma noção já defendida por autoridades da Igreja sobre a culpabilidade de mulheres vítimas de abuso sexual. Existem ensinamentos de Profetas e Apóstolos Mórmons, como os de Spencer Kimball ou de Dallin Oaks, que sugerem haver culpa, se ao menos parcial, por parte de mulheres vítimas de violência sexual. A crença popular de que uma mulher “virtuosa” que fora “realmente” estuprada não engravidaria desse encontro abusivo existe com suficiente prevalência para justificar a sua menção por um legislador público.

Nielsen  usou esse argumento durante as elaborações de seu comitê sobre um projeto-de-lei que obrigaria profissionais da saúde que oferecem serviço de aborto (que nos EUA, diferentemente do Brasil, é legal) a orientar mulheres buscando esse tratamento a submeter-se a uma ultrassonografia antes.

O projeto-de-lei não contém quaisquer exceções para estupro ou incesto. Contudo, de acordo com Nielsen, tais exceções seriam desnecessárias. Como disse em entrevista ao jornal Spokesman-Review:

“Agora, pelo que eu entendo, muitos casos de estupro não envolvem gravidezes por causa do trauma do incidente. Isso pode ser verdade também com incesto, um pouco.”

Questionado, Nielsen insiste no raciocínio:

“Essa é a informação que eu recebi através dos anos. Se é totalmente verdadeiro ou não, eu não sei. Eu leio muitas informações. Eu já li isso repetidas vezes… Sendo pai de 5 meninas, eu já pesquisei isso a fundo.”

 

Não deveria ser necessário, porém é relevante ressaltar que não nenhuma justificação científica para tais opiniões absurdas. Inclusive, o maior estudo publicado avaliando a taxa de fecundidade em casos de violência sexual concluiu que ela é consideravelmente elevada.  Outros estudos sugerem que ela possa ser ainda maior que em mulheres não violentadas.

O projeto-de-lei foi aprovado pelo comitê do qual Nielsen faz parte e agora segue para a Assembléia Legislativa, onde Mórmons se encontram em vantagem numérica desproporcional.

Percentual de filiação religiosa na Assembléia Legislativa de Idaho (em amarelo) comparado com a representação na população total (em vermelho)

Espera-se que o projeto seja aprovado e torne-se lei, trazendo Idaho para o ról de estados que juridicamente dificultam o acesso de mulheres a serviços de saúde básica exigidos pela lei.

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