62 comentários sobre “Como Sobreviver Ao Apocalipse Missão?

  1. Acompanho a igreja desde 2000 quando fui missionário de outra (aliás, saudade) e nos cruzávamos nas ruas, eu e os elders, sempre cumprimentavam eu e o meu colega, eram muito simpáticos, era como se fossemos de exércitos diferentes mas combatentes iguais, sabe, quando um general americano presta continência para um canadense?
    Na outra igreja só gente muito qualificada e com muitos anos de campo poderiam ir para outras cidades e estados, geralmente eram pessoas com altos cargos e eram muito maduros como pessoas. Já a molecada interna era como os elders, boa gente e de boa índole. Mas o que eu e os meus colegas notavam nas portas era justamente a rentenção mórmom, era incrível, muita gente dizia: “Ah, estudei com os mórmons, eram muito legais, me batizei, eles voltaram pra casa e eu nunca mais fui.” Isso era quase sempre, poucas e boas vezes encontrei um mórmom ativo, quando encontrava batíamos papo por muito tempo. Mas era melhor ser “colega” do que membro, me batizei como mórmom quase que forçado, mesmo que ligando pro bispo e dizendo que eu não deveria, senti que pressionaram as sisters pra isso, tremenda covardia, por que disse “tudo bem” e claramente mandou as sisters me colocarem na parede, se eu já tinha avisado que não me batizaria? O resultado? Nunca mais fui depois que as meninas foram embora. Notei como os missionários são forçados à batizar.

      • Missão é um termo que eu uso para ser mais bem compreendido (e porque é charmoso na igreja SUD hehe) começa assim: a pessoa estuda com eles, depois de uns meses se tiver qualificações morais (eles se importam muito com isso sabe) pode entrar na Escola Teocrática e aprender técnicas de ensinamentos, isso é toda a semana, é aberto à todos, mas a pessoa pode participar recebendo um tema e fazendo discursos, conforme for indo, sai da “sala B ou C” e vai para o salão, para o público maior (como é na sacramental) mas depende da nota. Depois disso, a pessoa passa por uma entrevista com dois anciãos (lembra algum lugar?) para sair de casa em casa, mesmo não sendo batizado, a pessoa passa a ter o compromisso de fazer a média de horas do país (Brasil, 10 horas mensais, Peru, 15, por exemplo) se torna um “publicador”.
        Depois disso, depois de 6 meses, a pessoa pode fazer a entrevista (lembra algum lugar? Lembra, né) para o batismo. É uma sabatina de mais de 200 perguntas com 3 líderes diferentes e em dias diferentes e depois disso SE estiver qualificado tem que esperar um evento grande, a assembléia ou um congresso para se batizar.

        Depois de batizado, a pessoa pode assinar uma petição (tem que ser assinado com a autorização dos líderes) para ser “pioneiro auxiliar”, faz 50 horas (no meu tempo, hoje podem ser 30, acho) naquele mês e pronto. Eu era pioneiro auxiliar por tempo indeterminado, 50 horas todos os meses.
        Mas tem o que mais se parece com os missionários SUD: Os pioneiros regulares de tempo integral. São 70 horas mensais dentro da cidade, a pessoa é aceita pela congênere do país se for qualificada e deve ser também bem recomendada. A pessoa se mantem sozinha, com o trabalho dela, ou com a ajuda dos pais, não tem idade mas em tudo são parecidos com os elders/sisters, motivação, disciplina, passam aquela fé que os missionários passam (ou o que eu vi) os pioneiros são muito cobrados pelas horas e devem fazê-las e também ter sempre “estudantes”, gente pra dar palestra nas casas.
        Aí depois de anos de dedicação, a pessoa pode solicitar ser pioneiro especial, aí é designado para outra cidade ou estado onde há necessidade, 90 horas mensais, duras responsabilidades e um salário (geralmente são casais que vão, pessoas bem qualificadas e adultas). Aí (dá até sono) se o cara for muito, mas muito “o cara”, pode fazer a faculdade de Gileade em Nova Iorque e ser designado para outro país, aí sim é chamado de Missionário. Qualificação? No mínimo 15 anos de serviço de tempo integral, ótima conduta, 120 horas mensais são exigidas para o cargo mais saber inglês.

        Mas, se a pessoa quiser ser “só mais um” e fazer discípulos pode ser apenas um membro qualificado que trabalhe de casa em casa no mínimo 10 horas por mês, dar estudos bíblicos para algumas pessoas. Eu fazia 45 horas, gostava daquilo mesmo, foi assim que eu conheci a igreja SUD, no campo, como eles chamam.

      • Thiago, muito interessante ouvir de alguém que realmente frequentou como funciona, eu sempre quis saber, dá para ver que se preparam mesmo, imagino o porquê de tantos jovens missionários imaturos assim como eu era, terem MEDO de falar com outros crentes de outras religiões na rua, lembro que saí de casa com 1 ano exato de membro e nem sabia quem tinha vencido a batalha no fim do LDM, juro mesmo, mas a desculpa dos líderes é a mesma: você aprende tudo na missão! Aquele CTM é uma coisa tão inútil na minha opinião, saí de lá do jeito que entrei, igual a uma burra, eu e minhas companheiras sempre comentávamos isso, e várias delas que era membros desde pequenas tbm não sabiam de quase nada, lembro que sim, eu tinha muito medo de ensinar TJ ou adventistas na missão pois eu sabia que iria “apanhar muito”.

      • Não gosto de difamar ninguém, mas vale um aviso sério sobre as TJ: É bem organizado, mas muito radical, ao ponto extremo de gastarem tempo difamando ex membros sem o menor pudor. Ex membros tem a sua reputação destruída, eu mesmo, era bem visto por eles mesmo sendo “dissociado”, depois que virei mórmon pegaram um ódio que eu jamais imaginaria que pegariam. Alguns mesmo com a proibição de não cumprimentar ex membros, me cumprimentavam, mas depois de eu entrar para a “rival” deles (eles tem um quê com os mórmons porque infantilmente se acham a verdade por serem organizados, vestirem roupa social e pregarem, os mórmons fazem isso e eles não gostam, basta ler algumas matérias em revistas sobre “mormonismo” que eles tem).
        As TJ me ensinaram muitos valores e boa cultura, fui feliz lá até discordar do amor cristão dos mesmos, mas mesmo com unidade doutrinária, em algumas regiões eles pegam birra de certas pessoas e grupos. Esse grupo religioso tem as suas qualidades, mas também, danos irreparáveis ao psicológico humano, não é por nada que a maioria sofre de depressão.

    • Thiago poderia explicar quais foram os métodos ou formas utilizados para que pudessem batizá-lo forçosamente na igreja mórmon?
      Pelo o que eu percebi você era maior, na época do batismo, e estava na plenitude de suas faculdades mentais, correto?

      • Pois é, questionarem se eu realmente tinha qualificações morais, tipo ” Se você não toma café, não bebe e tem uma vida de boa moral, por que não se batiza?” Eu expliquei que não era a hora, falei que eu deveria ter mais conhecimento. Daí já ficaram de cara feia, e eu em questionando: “Puxa, será que eu sou um fraco mesmo?” Mas lá no fundo eu sabia que não era a hora, pois é necessário entrosamento, disciplina e rotina para dar um grande passo: SEGUIR O MAIOR QUE JÁ ESTEVE AQUI NA TERRA. Aí me baseando no que o bispo disse de “a conversão é diária”, eu pensei, tá, vamos lá. Mas pelo jeito eu não sou o único, quando falo “forçado” não quero dizer que tenham sido agressivos, mas insistentes.

    • Jafar, também fiquei um tanto curioso. Você teria sido Adventista ou Testemunha de Jeová, por acaso?

      Não que isso importe, nem que você precise informar esses detalhes (aqui, até onde eu saiba, você pode citar qualquer credo ou organização, contanto que com respeito, mas entendo que pode ser uma questão pessoal).

      O que gostaria de saber, mesmo, é se você teria alguma sugestão, baseado em sua congregação passada, que poderia ser adotada pelos SUDs, ou mesmo pela ‘Adminstradora’, que faria alguma diferença na retenção de fieis?

      • Ah sim, fui Testemunha de Jeová até 2005, depois saí. A sugestão que eu daria aos líderes de missão é: Os dois anos de serviço de um elder, deve ser na mesma ala para acompanhar os novos, os conversos e reter as pessoas nessa igreja que é muito bem organizada (SUD). A SUD é bem inclusiva e bem organizada para isso, o problema maior é o instrutor do converso ir embora, pois o elder ou a sister se torna um amigo e desempenha muitos papéis, como ouvir, ajudar dando conselhos entre outras coisas.
        Se cria um vínculo enorme entre instrutor e aluno, o elder/sister pode ajudar a pessoa na fé por mais tempo, até pelo menos o converso visitar o templo.
        E outra coisa, todos devem ser missionários no sentido de dar atenção e incluir e não deixar só na mão desses jovens que tem muita coisa pra fazer.
        Saí das TJ justamente por crer em coisas parecidas com a igreja SUD, depois descobri que a igreja sabe que a terra não é o único mundo povoado, sabe que não somos frutos de mero relacionamento íntimo entre nossos pais, temos um grande propósito, isso me atraiu a ser SUD, antes só me chamava a atenção por serem educados.
        Acho o batismo muito rápido, embora a pessoa possa crer e entender, deve ser mais instruída e o batismo deve ser mais seletivo, pois o cara saiu do mundão com outros costumes não deveria ser tão rápido, porque a pessoa já se batiza, recebe o sacerdócio e recebe cargo e zaz, zaz e zaz (encarnei o Chaves aqui hehe) o sujeito cansa, porque tinha aquela vida brasileira de chegar em casa, ligar no Datena, ver a novela depois, o jogo, dormir e ir trabalhar no outro dia.
        Não falarei mal da antiga fé que eu tive, mas a igreja SUD é bem mais organizada, o dízimo ajuda muito, pois uma igreja sem isso, corre o risco de ter que pedir vaquinha no púlpito. Se eu critico a igreja SUD, é porque eu a amo, não entro em sites de TJ pra criticá-los, não me interessa mais, mas a igreja sim.
        Eu posso dizer que o primeiro motivo de interesse pela igreja não se deu só por se vestirem e se organizarem como eu, mas a educação dos membros, eu era escorraçado por kardecistas, adventistas, umbandistas, assembleanos e perseguido onde eu estudava ou trabalhava, os únicos que me tratavam bem, eram os mórmons e sou grato por ter conhecido a igreja, aprendi muita coisa que foi pra minha sobrevivência neste pesado ano.
        Algumas coisas me desagradaram, mas não perco a fé.

  2. Estamos diante de uma Igreja desumana e difusora de preconceitos. Antes do batismo e da confirmação, posam de altruístas e preocupados com o membro em potencial. Após o batismo, tudo muda: começam os assédios e cobranças. Basta não atingir as metas, recusar um chamado, deixar de pagar o dízimo por algum tempo, não comparecer a limpeza da capela, etc para ser colocado de lado e se tornar vítima de assédio, bulling pela liderança e por outros membros. Quando o fiel acorda, toma consciência que a Igreja SUD é uma empresa e que o membro é um empregado informal da mesma. Qualquer semelhança entre a Igreja SUD e uma empresa não é mera coincidência.

    • Concordo 100% com o que vc disse Peterson, não se pode recusar nada lá dentro principalmente depois que vc chega da missão, todos ficam em cima não só obrigando a casar mas, te enfiando mil chamados inúteis e pobre de vc se não aceitar, eles logo marcam um milhão de entrevistas para saber o que está acontecendo, logo começam a achar que vc fez algo de errado na missão e se inicia o bullying como vc mesmo falou, depois ganhei meu notebook pesquisei, me viciei em procurar coisas sobre a igreja ( literatura anti-mórmon ) como alguns costumam chamar e ainda bem que saí de lá em tempo, antes de acabar com minha vida.

    • Jeferson, me solidarizo à sua decepção.

      Acredito que a igreja tenha se tornado isso dada a enfase exagerada em programas (padrões de normalização mental e social), o que gera uma burocracia desnecessária (e lá vem mais trabalho), associada a técnicas empresariais (e ganhar dinheiro, e isso é eufemismo).

      Junte a isso uma leva de pessoas déspotas, perfeccionista (de dar inveja a fariseus), ou interesseiros (de dar inveja a saduceus), arrogantes, sem amor fraternal ou piedade (essências do sacerdócio) e uma liderança superior (e com ego lá em cima) que não está ‘preocupada’ com a plebe (já que seu futuro está garantido) e investida de um conservadorismo de extrema direita (extremos nunca são bons, como ‘diria’ Gautama).

      E o pior, todos estes imersos em uma realidade autossustentada em que pensam estar fazendo o bem ao mundo, e justiça ao mesmo, sendo e agindo desse modo (traduzindo, “somos perfeitos e quem não pensa assim não é culpa nossa, no final seremos salvos e eles não”).

      E assim me forço a questionar minha conduta: que tenho feito eu para, após declarar-me cristão, não seguir por esse caminho, mas “ser exemplo na palavra, no trato…”?

      Porque perdemos o carisma da fé? Porque complicamos tanto o evangelho com ‘bijuterias’? Mas como entre nós, mórmons, tudo é imposto e se não obedece é pecador, considero que em nível estrutural há muita pouca coisa que se possa fazer para ajudar a mudar.

      • Concordo Gérson. Me lembra muito o livro “A Grande Apostasia” do Elder Talmage. Se verificar as causas internadas da apostasia mencionada em seu livro, vemos um comportamento similar hoje. As pessoas estão esquecendo a essência do Cristianismo que é a caridade genuína. Até mesmo o Livro de Mórmon e seus preceitos está sendo deixado de lado.

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