BYU Estuda Efeito das Princesas Disney em Crianças

Pesquisa sugere influência nociva sobre meninas e efeito inesperado em meninos

1606-03 067 Sarah Coyne(Family Life)  Disney princess culture influence June 3, 2016 Imagem: Mark A. Philbrick|BYU Photo 2016

Imagem: Mark A. Philbrick | BYU Photo 2016

O estudo liderado pela pesquisadora Sarah M. Coyne, da Universidade Brigham Young (BYU), em conjunto com pesquisadores de outras instituições, observou crianças em idade pré-escolar, analisando a relação entre a exposição aos produtos das princesas Disney (filmes, brinquedos, etc) e as atitudes das crianças sobre papéis de gênero, auto-estima corporal e comportamento prossocial. O estudo foi publicado neste mês no periódico Child Development.

Apesar da imensa popularidade de que gozam e de serem vistos como “seguras”, segundo Coyne, as animações trazem alguns estereótipos que podem ter a longo prazo um efeito limitador para as meninas. “Acho que pais pensam que a cultura da princesa Disney é segura. Esta é a palavra que eu ouço seguidamente— é ‘segura'”, afirmou a pesquisadora ao site de notícias da BYU. “Mas (…) os pais deveriam realmente considerar o impacto de longo prazo da cultura da princesa”.

Das 198 crianças estudadas na pesquisa, 96% das meninas e 87% dos meninos haviam consumido alguma forma de mídia centrada nas princesas Disney.  A diferença entre os dois grupos saltou, no entanto, no que diz respeito aos brinquedos das franquias: 61% das meninas brincavam com os produtos uma vez por semana, comparadas a apenas 4% dos meninos.

As avaliações de comportamento foram baseadas em relatórios de pais e professores, bem como atividades em que as crianças classificavam seus brinquedos em ordem de preferência, dentre uma variedade de brinquedos “de menino” (bonecos de ação, ferramentas de brinquedo, etc), “de menina” (bonecas, jogo de chá, etc) e opções “neutras” (quebra-cabeças e tintas).

Estereótipos femininos

Maior exposição aos desenhos e brinquedos das princesas previu, para ambos os grupos, um comportamento mais estereotípico sobre o gênero feminino um ano depois. No caso das meninas, isso incluiu atitudes tais como evitar se sujar ou evitar correr riscos em brincadeiras. De acordo com a pesquisadora, as meninas se tornam “menos propensas a tentar e experimentar  coisas”.

A cultura das princesas também afetou a imagem das meninas sobre seu corpo. Coyne afirma, segundo reportagem do Washington Post, que

Meninas e mulheres que identificam figurativamente como “princesas” (…) tendem a colocar uma maior importância na aparência. Elas podem para sempre buscar um ideal de beleza inatingível, um caminho que pode levar à miséria. Elas podem não exercer muito esforço, digamos, na aula de matemática, sabotando uma habilidade que poderia ter florescido em uma bem-sucedida carreira de engenharia.

O estudo também mostra que meninas com pior estima corporal tendem a se envolver ainda mais com as Princesas da Disney ao longo do tempo, talvez buscando modelos de beleza.

A professora da BYU celebra o fato de algumas heroínas da Disney serem menos estereotipadas, como a princesa Merida, a inquieta personagem do desenho Valente (2012), uma exímia arqueira que se nega a aceitar um noivo arranjado. A sua aparência, no entanto, foi posteriormente mudada: cabelos mais comportados, cintura muito fina, e um vestido mais sexy.

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Efeito positivo sobre meninos

De acordo com o estudo, o efeito sobre meninos foi radicalmente diferente: os meninos que interagiram com produtos das princesas apresentaram uma maior autoestima relacionada ao corpo e um comportamento mais prossocial. Tais efeitos benéficos sugerem que as princesas Disney podem contrabalançar o impacto “hipermasculinizado” dos brinquedos e mídias direcionados a meninos (como super-heróis e brinquedos de guerra).
O que fazer?

A pesquisadora não sugere que as meninas sejam totalmente privadas de ver filmes ou ter brinquedos das princesas.  Ao invés disso, sugere que os pais promovam uma ampla variedade de interesses e conversem com suas crianças sobre influência da mídia. “Eu diria tenha moderação em todas as coisas”, disse Coyne. “Tenha seus filhos envolvidos em todos os tipos de atividades, e deixe que as princesas sejam apenas uma das muitas, muitas coisas que eles gostam de fazer e estar envolvidos”.

Princesas mórmons?

É salutar, e até surpreeendente, que o estudo liderado por uma professora da BYU – a universidade mórmon que faz pouco caso de crimes sexuais em seu campus -, ressalte o perigo dos estereótipos femininos no desenvolvimento de crianças. Curiosamente, estereótipos muito semelhantes, se não idênticos, são igualmente promovidos de forma explícita na doutrina e em políticas d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Mulheres mórmons costumam ser objetificadas e exortadas a pensarem sua aparência como decisiva.  Ao mesmo tempo que são elevadas em discursos masculinos a um pedestal, são instadas a ser submissas e não se expressarem tanto quanto os homens. Não obstante todos os aspectos positivos de suas crenças e práticas, não estarão as meninas e adolescentes SUD sendo treinadas, desde cedo, a internalizar estereótipos que limitarão seu crescimento como indivíduos?

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