Bispos Mórmons Discutem Sexualidade com Crianças

Bispo mórmon é flagrado em gravação clandestina admitindo que ele, enquanto bispo, tem a obrigação de discutir sexualidade com crianças de 8 anos de idade em entrevistas a sós e a portas fechadas.

Quando os pais de uma criança, através de sua mãe, pediram ao seu bispo que não entrasse em perguntas sobre sexualidade com seu filho de 8 anos para uma entrevista batismal, o bispo simplesmente ignorou o pedido dela, descartando suas preocupações e objeções. Perturbados com essa atitude do bispo, o pai da criança agendou uma entrevista para si e decidiu confrontá-lo e questioná-lo sobre isso.

Bispo Entrevista

Entrevistas de Bispo ocorrem usualmente às portas fechadas e individualmente, sem testemunhas ou outras pessoas presentes (foto meramente ilustrativa, print do vídeo publicado)

Contudo, o pai planejou gravar a entrevista com o bispo e, posteriormente, decidiu publicá-la:

Na gravação, ouve-se claramente que o bispo em questão defende-se, afirmando que é um dever seu, exigido pela Igreja, que todas as crianças entrevistadas sejam questionadas sobre comportamento sexual, particularmente sobre masturbação, pornografia, e abuso sexual.

Repetidas vezes, o bispo afirma que ele nada mais cumpre diretrizes oficiais vindo da Primeira Presidência e passadas pelo presidente de estaca. Afirma o bispo que como, de que maneira, e qual a linguagem ele usa fica a seu critério, mas que ele não tem a opção de evitar o assunto.

Quando o pai explica suas hesitações sobre deixar um adulto, largamente desconhecido pela criança, discutir assuntos sobre sexualidade, em especial sobre masturbação e pornografia, e particularmente a sós com ela sem a presença de um de seus pais, completamente ignora as suas preocupações, alternando entre chantagem emocional (e.g., “eu me sinto pessoalmente ofendido que você ache que eu não saiba fazer o meu trabalho”) e ameaças espirituais (e.g., “você pode fazer as coisas do seu jeito ou você pode ter sua família junta para sempre”).

O pai, durante toda entrevista, deixa perfeitamente claro que ele é um membro da Igreja com ideologias pessoais e religiosas ultraconservadoras. Eles, inclusive, impõe às suas crianças educação domiciliar, um programa popular nos EUA entre religiosos ultraconservadores que educam suas crianças em casa através de apostilas e provas à distância para evitar que frequentem escolas e sujeitem-se à interação com outras crianças que não partilhem da mesma religiosidade de seus pais.

Não obstante, o bispo é inflexível quanto à necessidade de discutir sexualidade com o menino de 8 anos, pois “Satanás influencia até as crianças hoje em dia”. Na quase uma hora de conversa, em nenhum momento o bispo admitiu que pudesse haver motivos para preocupação paternal, seja pela abordagem de tema sexual com um adulto desconhecido, seja pela própria discussão em si de temática sexual com uma criança. Em dado momento, o bispo, rindo, sugere jocosamente ao pai que escreva à Primeira Presidência dizendo que não concorda com tais perguntas na entrevista batismal.

Insistindo na inflexibilidade, o bispo deixa claro que não autorizará o batismo da criança caso seus pais persistam em exigir que sexualidade não seja discutida na entrevista batismal. Ele ainda investe em chantagem emocional hipotetizando uma morte precoce no próximo ano para o jovem não batizado e as implicações “espirituais” dele morrer sem batismo, explicitamente estabelecendo culpa e responsabilidade para os pais numa eventual tragédia do gênero.

Para o bispo, toda a discussão morre no fato, exposto por ele repetidamente, que se a liderança da Igreja determinou que bispos devem discutir masturbação e pornografia com crianças, então é porque Deus assim o quer e todos devem apenas acatar sem questionar, e que se a liderança afirma que Satanás está induzindo crianças a pecados sexuais, então isso é um fato inquestionável.

Ouça a gravação aqui:

Nós já discutimos em outras ocasiões impropriedades que ocorrem, infelizmente com frequência, nesses confessionários que mórmons denominam de “entrevista com o bispo”. É apropriado para a Igreja ordenar que seus bispos discutam sexualidade com crianças, ao invés de deixar essa educação para os pais? Especialmente quando os pais são explicitamente contra permitir que um adulto desconhecido fique a sós com suas crianças conversando sobre temas sexuais?

19 comentários sobre “Bispos Mórmons Discutem Sexualidade com Crianças

  1. A idéia de fazer tal entrevista na presença dos pais não é nada mal. A criança sentiria maior conforto e segurança, mas não deixa de ser embaraçar te. Não se trata de criar os filhos em uma redoma. O fator é a idade. Repito que aos 8 anos, masturbação e pornografia simplesmente não existem para os inocentes. Para quê apresentá-los tão cedo e quem sabe despertar a curiosidade para isso. Eu acho que é o mesmo que uma criança de 4 anos perguntar sobre como nascem os bebês e explicarmos exatamente como é. Ela não tem a maturidade, discernimento e tão pouco interesse em detalhes. Exemplo: A criança pergunta ao pai o que significa a palavra virgem. O pai fica constrangido, mas finalmente toma coragem e responde. Depois de ouvir, a criança questiona novamente, por que está escrito virgem na lata de azeite. Eu acho que é exatamente a mesma coisa. Uma criança abusada não vai apresentar um comportamento diferente? Os pais não teriam percebido ou os pais seriam os próprios abusadores? Não vejo sentido na justificativa de investigar sobre abuso sexual.

    • criar os filhos numa redoma se configura no momento que eles não querem que os filhos frequentem uma escola com outras crianças para não sofrerem “influência” de outras religiões ou tentações. E eu não sei em que mundo vcs vivem, mas num mundo onde existe MC Melody, achar que crianças de 8 anos não sabem o que é pornografia e masturbação é ser mais inocente que a própria criança.

      • Saber é uma coisa, João, entender é outra bem diferente. Essa tua fala cai no lugar comum. Vamos lá, cara, você é mais estudado do que essa frase faz parecer.

        Você parece não ter filhos, certo? Não concordo também com redomas, nem tão pouco com a falta de preparo dos pais ao lidar com esses assuntos, mas tão pouco com estranhos (especialmente religiosos, que podem esconder patologias psíquicas de ordem sexual) falando de modo equivocado com meus filhos nessa tenra idade. Mesmo o manual da igreja não permite isso.

      • João, as crianças são influenciadas pelo meio em que vivem. Essas primeiras experiências são na família, claro. As crianças repetem comportamentos e respondem aos estímulos a que foram expostas. Eu acho que se em casa ninguém escuta funk, mas também não proíbe dizendo que é coisa de satanás, logo não será o estilo de música que a atrairá. O que ocorre, na maioria das vezes, é imitarem o comportamento dos pais. Na escola, outras crianças demonstrarão seu interesse pelo funk , por exemplo, como por outras coisas mas não é o que vai chamar a atenção. Nessa fase inicial, falamos sobre crianças de 8 anos e não adolescentes que estão em outra fase e passam por transição hormonal… Existe o momento certo para tudo, para cada uma das fases da infância. Aos 8 anos não existe razão para introduzir e expor crianças a esse assunto. Causaria constrangimento a elas ao começar a compreender, porque são inocentes, mas não são burras.

      • João, generalizar que todas as crianças conhecem e sabem de assunto sobre sexualidade já é demais.
        A maioria das crianças são totalmente inocentes e nada sabem sobre esse assunto principalmente as de 8 anos que crescem.na igreja, essa é uma idade que começa a curiosidade sobre alguns assuntos, mas acreditar que a criança tem malícia de adultos e esta preparada para uma conversa dessas com uma pessoa desconhecida não rola.
        E outra estamos falando de crianças, isso para mim soa em assédio, perguntar sobre assuntos como masturbação, sexualidade e etc, é errado e fere alguns direitos das crianças e adolescentes, eu teria denunciado esse bispo a justiça.
        E de verdade meu filho tem quase essa idade, criança ta brincando, jogando bola, eles tem preocupações de crianças, com meras exceções.
        Por favor me poupe em falar que um Bispo tem autoridade de falar de assuntos que criança ainda nao estar preparada para entender.

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