The Economist: O Mormonismo Conseguirá Prosperar Como Fé Global?

Os problemas que afetam o progresso d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias como denominaçāo presente em diversos países, bem como possíveis soluçōes apontadas por estudiosos da religiāo, foram tema de artigo da revista The Economist, publicado em seu website no último dia 08 de janeiro.

O templo de São Paulo, d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. | Imagem: Cortesia de aigrejadejesuscristo.org

O artigo, intitulado “O mormonismo conseguirá prosperar como fé global?”, inicia notando os paralelos arquitetônicos entre os templos SUD de Sāo Paulo e de Provo, em Utah, apesar dos enormes contrastes entre duas cidades e suas respectivas culturas:

Uma é uma pequena cidade com menos de 120.000 habitantes. A outra é o lar para mais moradores do que Nova York e Chicago juntas. No entanto, uma coisa une Provo, Utah, e São Paulo, Brasil: ambas ostentam templos brancos com uma única torre que alcança os céus. Um é cercado por montanhas e o outro por palmeiras, mas a arquitetura simples das igrejas [templos] mórmons faz com que elas se pareçam.

A brasileira Cristiane Fernandes, que frequenta o templo no Caxingui, explica à revista que a semelhança existe porque a igreja é “como o McDonald’s”: a mesma ao redor do mundo.

O artigo fala sobre as origens norte-americanas da Igreja e seu presente status como denominaçāo global, ganhando mais conversos fora de sua terra natal:

A igreja estima que existam 16,6 milhões de mórmons ao redor do mundo, um aumento de 50% desde 2000. Matt Martinich, um demógrafo independente que administra um blog dedicado ao crescimento da igreja, estima que os batismos de conversos americanos podem agora representar apenas 20% do batismos mundiais.

A reportagem da The Economist ainda aponta para as discrepâncias entre os números de membros reivindicados oficialmente pela instituiçāo e a realidade cotidiana da Igreja:

“O segredinho que todo mundo que saiu em missão sabe é que muito desse crescimento está apenas no papel”, diz Rick Phillips, sociólogo da Universidade do Norte da Flórida. Qualquer um que tenha sido batizado ou nascido na fé é contado como membro, mesmo que não seja mais ativo na igreja. Martinich calcula que apenas cerca de 40% dos mórmons americanos sejam ativos.

Com a terceira maior populaçāo mórmon, atrás apenas do México e dos EUA, o Brasil também apresenta um forte problema de retençāo de membros:

Os registros da igreja sugerem que havia 1,1 milhão de mórmons no Brasil em 2010, mas apenas cerca de 227.000 brasileiros identificaram-se como mórmons no censo do mesmo ano. “A América Latina sempre foi o caso problemático”, diz Patrick Mason, da Utah State University. “Por um lado, é o garoto-propaganda do crescimento mórmon fora dos Estados Unidos. Mas também é o garoto-propaganda para baixas taxas de retenção.”

Leia mais sobre os dados do Censo do IBGE acerca dos mórmons brasileiros aqui e aqui.

Para os estudiosos do mormonismo ouvidos pelo periódico, há três principais razōes para as baixas taxas de retençāo:

  • a natureza centralizada da Igreja;
  • a alocaçāo de membros em alas e Ramos baseada em local de moradia;
  • um modelo de proselitismo que precisa de reformas.

O modelo MacDonald’s

O paralelo entre os prédios SUD e os arcos dourados, feito pela membro em Sāo Paulo, nāo é uma mera coincidência, como explica a historiadora Jana Riess:

“A mentalidade corporativa na América do pós-guerra era que você teria uma cultura corporativa para sua empresa – fosse GE ou IBM – e então onde quer que você fosse ao redor do mundo, essa seria a cultura da sua empresa”, diz Jana Riess , autora de “The Next Mormons: How Millennials are Changing the lds Church” [“Os próximos mórmons: como geração do milênio esta mudando a Igreja SUD”]. “A igreja teve sucesso com esse modelo por um longo tempo.”

Essa centralizaçāo e dependência da cultura mórmon de Utah poderia estar impedindo o desenvolvimento da Igreja em diferentes culturas, as quais nāo se adapta.

Em segundo lugar, ao alocar membros membros a determinadas unidades, com base somente em seu local de moradia, a Igreja impediria a busca por lideranças e correligionários com quem o membro tivesse maior afinidade.

Acerca dos esforços missionários da Igreja SUD, a reportagem lembra a grande ênfase dada à busca de novos conversos, com menor atenção dada à peanência dos membros, além da pouca utilizaçāo de missionários oriundos de países onde a instituiçāo ainda apresenta um crescimento rápido:

Muita ênfase é colocada no batismo de novos membros; missionários batem em portas e usam mídias sociais para alcançar potenciais conversos. Mas os líderes da igreja e acadêmicos concordam que isso por si só é insuficiente. Empregar missionários que cresceram em lugares onde a igreja está crescendo com relativa rapidez, como Filipinas e África Ocidental, para fazer proselitismo para seus próprios compatriotas também pode ser mais eficaz do que enviar americanos.

Mudanças

O artigo menciona algumas mudanças positivas ocorrendo na Igreja SUD, como no caso das mais recentes diretrizes para música – que permitem a inclusāo de “estilos musicais culturalmente diversos” -, a maior diversidades entre líderes e missionários, e mesmo o contato mais frequente entre jovens servindo missāo e suas famílias:

Nas últimas décadas, os missionários também receberam maior permissao para ter mais contato com suas famílias. Parte disso é resultado de uma tecnologia melhor. Mas também pode ser uma maneira inteligente de aumentar as taxas de retenção: quanto mais os pais mórmons ouvem sobre a experiência de seus missionários, mais conectados à igreja eles se sentem.

Na sua opiniāo, além dos três problemas elenvados pela reportagem, que outros fatores impedem que a Igreja SUD floresça como uma fé global? E que outros possíveia soluçōes existem?

12 comentários sobre “The Economist: O Mormonismo Conseguirá Prosperar Como Fé Global?

  1. É possivel que isso venha acontecer desde que a Igreja largue os velhos hábitos e tradições que ao longo dos anos tem feito a religião perder membros. Claramente o descaso com os membros e a falta de respeito com os mesmos tem causado consideravel desgaste entre os membros das alas e ramos da Igreja.

    O problema que a liderança da Igreja não parece estar disposta a mudar e passar por reformas nas já tradicionais aulas e reuniões, que convenhamos; parece um teatro com falas decoradas. O enredo é sempre o mesmo, o professor vive a aula inteiro falando e muitos nem prestam atenção nas aulas. Nas reuniões o povo presta mais atenção nas crianças chorando do que nas experiências que o membro tem a dizer, ou simplesmente não prestam atençao mesmo devido as falas já estarem na memória dos membros que há tempos são os mesmos “eu sei que isso é verdadeiro, eu sei disso e daquilo”. Sem contar que os projetos da igreja são feitos com propósito de angariar membros novos e uma vez que percebem isso, logo perdem interesse em fazer parte disso.

    Isso é apenas o ponto do iceberg. Há também o fator educação e respeito. Há muitos membro que são falsos e não tem respeito com os membros; o que ainda podemos aturar, mas a conivência da liderança ao colocar a mantra “a igreja é verdadeira e membros não” apenas piora as coisas e muitos ao ver que ninguém está nem ai acabam abandonando a fé.

    Esses são alguns pontos que são fáceis de serem feitos, mas precisa da vontade da liderança fazer isso, do contrário a religião vira campo de bagunça e ninguém leva a sério; tratando como “uma igreja igual qualquer outra”.

    • Concordo, não há respeito ou educação, os membros e principalmente a liderança, são extremamente falsos, o trabalho do bispo, hoje em dia, é só resolver fofoca e picuinha, antigamente um bispo demorava anos pra deixar o cargo, hoje você olha pra todos os lados e não acha ninguém competente e que aguente esse chamado desgastante e ainda mais de graça, trabalhando de domingo a domingo, a questão é que os missionários também não conseguem batizar ninguém com instrução, e esses missionários também, hoje em dia, são todos corrompidos, não tem mais nenhum que preste. Aulas simplesmente patéticas, aquela reunião de testemunho é torturante, aquilo não agrega nada na vida de um ser humano, atividades ridículas, e o passado da igreja é podre, o povo pesquisa e descobre tudo e sai.

  2. Pontos em que a Igreja pode melhorar, na minha visão:

    1. Melhorar a comunicação com os jovens. Acho que os líderes dos jovens precisam ouvi-los mais e conhecer mais a realidade em que estão inseridos. Isso já vem melhorando com os conselhos de jovens, mas acho que os jovens também precisam se envolver mais nesse trabalho. O orçamento das unidades é dedicado uma boa parte a eles, então, eles devem ter prioridade, pois é um público bem suscetível de sair da Igreja e é o futuro dela.

    2. Investir pesadamente no “on line”: Apesar de AIJCSUD ser a denominação religiosa mais avançada em relação uso da tecnologia, penso que seus líderes gerais não devem estar “escondidos” nas redes sociais. Apesar dos líderes gerais terem seus perfis oficiais, tais perfis são muito institucionais passando uma frieza que não agrega. Os líderes tem que ser verdadeiros influenciadores digitais, “metendo a cara” diariamente nas redes sociais através de stories, reels, etc, mostrando seu dia a dia e influenciando as pessoas para o bem. Vídeos de conferência não acrescentam, os membros querem ver os líderes gerais como pessoas normais, isso gera conexão e empatia com a membresia, deixando para trás aquela impressão de pessoas iluminadas em seus tronos de marfim e se aproximando mais do membro comum através das redes sociais. A Igreja está perdendo a chance de fazer uma grande diferença através das redes sociais. Isso tudo também melhora a retenção entre os jovens, que passarão a ser influenciados por esses líderes diariamente através das redes sociais.

    3. Melhorar as aulas, no geral: A depender da congregação, os discursos em sacramental e as aulas da escola dominical são bastante precárias, não possuem qualidade e muitas vezes são meras leituras dos manuais e discursos de autoridades. Isso precisa ser revisto. Investir na qualificação dos professores, escolher os melhores oradores, tudo isso vai contribuir para uma experiência espiritual do membro que frequenta a Ala.

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