Igreja Mórmon Hasteia Bandeira Libanesa

Ver as reações de solidariedade ao redor do mundo frente aos ataques em Paris nos relembram da capacidade humana de sentir empatia e compaixão, apesar de diferenças de nacionalidade e cultura. Por outro lado, também sugerem que sofremos de empatia e compaixão seletivas.

Mórmons. Bandeira da França. Atentado terrorista. Salt Lake. Paris.

Bandeira da França tremula a meio mastro na sede da Igreja SUD, em Salt Lake.

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Estas Três Coisas São Verdadeiras

Reflexões de uma acadêmica mórmon

Autora convidada: Melissa Inouye

Jesus Cristo. Crianças. Mórmons. Mormonismo.

Detalhe de “Deixai as crianças”, pintura de Carl Heinrich Bloch.

Divisões agudas tornam difícil identificar “como os mórmons se sentem” sobre a política que barra crianças de pais em casamentos homossexuais de bênçãos ou batismo n’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Mas estas três coisas são verdadeiras:

  1. Mormonismo é carismático;
  2. Mormonismo é organizado;
  3. Mormonismo é os mórmons.

Por “Mormonismo é carismático” (do termo charismata, ou dons do Espírito Santo, incluindo visões, curas, profecia, etc.), quero dizer que sua existência como tradição religiosa está predicada sobre certas histórias miraculosas serem reais: primeiro e acima de tudo, o nascimento e missão divina de Jesus Cristo, cuja vida estabeleceu um exemplo perfeito; após, as visões e inspiração dadas a Joseph Smith, um profeta chamado para revelar novas maneiras de entender a relação da humanidade com Deus. A afirmação do mormonismo de uma conexão continua com Deus através de revelação profética e também pessoal é como um cabo de alta tensão vivo — um conduto para o poder, mas também uma série responsabilidade. Por um lado, a experiência pessoal do Espírito é verdadeiramente miraculosa — uma abençoada anomalia, uma reorientação que muda a vida, uma alegria. Por outro, na história dos movimentos religiosos, poder carismático leva inevitavelmente a cismas. Continuar lendo

Apostasia

A Igreja Mórmon altera a definição oficial de “apostasia”.

Apóstatas Estaca

De Estaca ou na estaca? “Os líderes do Sacerdócio devem tomar ações disciplinares contra apóstatas para proteger os membros da Igreja.”

Uma recente mudança de política, anunciada apenas para a liderança masculina d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, foi a inclusão no Manual de Instruções da Igreja (antigo “manual geral de instruções”), um guia oficial secreto sagrado para a liderança do Sacerdócio, de uma nova definição do termo apostasia.

novo texto do manual diz: Continuar lendo

Estudar aos Domingos?

Membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são convocados a “guardar o Sábado” como ordenados pelos “dez mandamentos“.

Joseph Smith lendo Fawn Brodie?

Joseph Smith estudava aos domingos?

Assim como a maioria dos Cristãos, e diferentemente da maioria dos Judeus, Mórmons “guardam o Sábado” aos Domingos, ao invés do Sábado propriamente dito. Contudo, em semelhança aos Judeus, as definições sobre como se deve “guardar” o dia religioso, é motivo constante de debate e reflexão.

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Perguntas Em Teologia Mórmon: Batismo Pelos Mortos

Mormonismo não tem uma longa tradição em teologia sistemática. [1]

Não obstante, querendo ou não, todo religioso crente instintivamente elabora para si conceitos teológicos de modo a firmar suas crenças pessoais e organizar, em suas mentes, as crenças institucionais.

Esta série é dedicada a propor questões teológicas dentro do contexto Mórmon que nunca foram abordadas sistematicamente, através de perguntas elaboradas para estimular discussões abertas e o pensamento crítico. [2]

A pergunta de hoje é:

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Qual o Objetivo do Trabalho Missionário na Igreja SUD?

Este texto não é de minha autoria e o publico aqui na íntegra por solicitação.


Pintura de David Lindsley

Pintura de David Lindsley

Olá, caros leitores do site. Estou escrevendo este texto porque acredito que este é um bom lugar para o pensamento livre. Faz anos que eu me questiono sobre algumas práticas missionárias da Igreja e se elas são realmente eficazes ou a quem elas visam atingir realmente. Entretanto, nunca pude comentar nada na Igreja porque seria imediatamente taxado de apóstata por não acreditar em algumas dicas de Pregar Meu Evangelho (PME).

Antes de mais nada, preciso deixar claro que servi como missionário há cinco anos e peguei a fase PME. Já estudava comunicação antes da missão, mas meus estudos mais significativos ocorreram apenas depois que retornei à universidade. Enquanto estudava, percebia que havia falhas na comunicação utilizada pela Igreja em suas abordagens missionárias, fosse pelo trabalho dos élderes e sísteres, fosse em programas como “Mãos que Ajudam”. Hoje não tenho tantos pudores para comentar esse tipo de assunto porque não frequento mais a Igreja. Embora eu duvide de uma série de coisas, eu não tenho ódio pela igreja e, inclusive, me permito indicar alguns amigos aos missionários. Gostaria de contar-lhes algo que aconteceu esta semana para poder ilustrar melhor o ponto em que quero chegar. Continuar lendo

Nem Toda Nação e Tribo e Língua e Povo

“E este evangelho será pregado a toda nação e tribo e língua e povo”, promete a revelação ditada por Joseph Smith, em novembro de 1831.

Mormon Missionaries

Contudo, nem todo líder na Igreja SUD acredita nisso. Continuar lendo

Filantropia: tire os filhos indignos do seu testamento

Se seus filhos não forem bons membros da Igreja, eles não devem receber nenhuma herança sua. Nesse caso, seu dinheiro e bens podem ser doados à Igreja. Isso é o que sugere um vídeo da LDS Philanthropies (Filatropias SUD), organização oficial d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

De acordo com seu site, “LDS Philanthropies é um departamento do Escritório do Bispado Presidente, responsável por doações para a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e suas instituições de caridade afiliadas”. Continuar lendo

Dignidade Tem Preço?

Qual é o maior mandamento?

Queridos amigos, gostaria que todos aqui meditassem.

Sei que muitos logo pensarão na escritura em que Cristo fala sobre o maior mandamento.

Porém, na Igreja que leva o nome de Cristo não é esse mandamento que se tornou o mais importante. Continuar lendo

A história da Igreja e suas teses positivistas

Hoje, comemora-se no Brasil o Dia do Historiador. A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias sempre preservou sua história. Ela possui um museu e uma biblioteca em Salt Lake City. O mormonismo ainda conta com vários historiadores que buscam ao máximo descobertas sobre estes  195 anos desde a Primeira Visão de Joseph Smith Jr. Porém, nessa metodologia histórica, ao menos entre os membros, não houve uma grande evolução.

A Escola Histórica positivista, metódica ou tradicional surgiu no século XIX com as ideias do sociólogo francês Auguste Comte como neutralidade, objetividade, ordem e progresso da civilização, etc. Os historiadores positivistas tinham como meta transformar a história de uma simples filosofia subjetiva a uma ciência objetiva como a matemática. Os historiadores Charles-Victor Langlois e Charles Seinobos escreveram o livro “Introdução aos Estudos Históricos”(1899) ensinando regras e métodos de investigação histórica na visão positivista de como tornar a história objetiva. Posteriormente as Escolas Históricas do marxismo e dos Annales criticaram muitas dessas teses e reinventaram a pesquisa historiográfica.

A história da Igreja para muitos membros em visão de pesquisa, documentos, fontes de estudo e a mesma  que a dessa escola tradicional mais de 100 anos depois. Abaixo as teses historiográficas positivistas, sua explicação e aplicação SUD nos dias atuais.

O fato fala por si mesmo

memorizing-scripture-2-300x227O fato não precisava ser interpretado ou analisado, pois corria o risco da subjetividade. Entre os membros também não há uma análise e interpretação do fato. Exemplos disso são o assassinato de Joseph Smith Jr. em 27 de junho de 1844 ou da chegada dos santos ao vale de Salt Lake em 24 de julho de 1847. Os fatos e as datas são mais importantes que todo o contexto por trás deles. A ideologia, objetivos, metas, etc  não importam.

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A pedra e a vidraça

stoneAs fotos de uma das pedras de vidente usadas por Joseph Smith divulgadas pela Igreja ontem estão gerando reações variadas. Há aqueles que expressam o prazer da descoberta ou o alívio de verem a informação divulgada mais amplamente. As reações mais visíveis, porém, são de deboche (por parte de críticos rasos) e medo (por parte de crentes rasos). Reações infelizmente bastante previsíveis.

Por que muitos santos dos últimos dias sentem medo? Fazendo de Joseph Smith uma Autoridade Geral engravatada e/ou fazendo de Deus um mórmon ortodoxo, muitos parecem sentir uma ameaça na pedra marrom. Talvez ela não pareça especial o suficiente. Talvez seja trabalhoso demais reimaginar uma narrativa. Talvez pensem que ela será jogada contra sua vidraça. Continuar lendo

A Mãe de Jesus

Pintura de Galen Dara (2012).

Pintura de Galen Dara (2012).

João também menciona a mãe de Jesus na crucificação. Ele descreve as mulheres perto da cruz, mas há um problema de pontuação, e não há certeza sobre quantas mulheres havia. A primeira mencionada é a mãe de Jesus, mas ela não é nomeada. Isso porque talvez seu nome fosse bem conhecido, ou talvez haja algo a mais. João pode estar implicando a presença da Senhora. Os outros evangelhos não mencionam a Virgem Maria perto da cruz; como João, mencionam Maria Madalena, a outra Maria, e uma terceira mulher. João tem a misteriosa quarta mulher sem nome. Lemos que Jesus confia sua Mãe a João, e confia João à sua Mãe, o que pode simplesmente significar que Jesus esteja fazendo provisões para sua Mãe. Mas há outra possibilidade: que João se tornou o filho da Mãe celestial de Jesus, outro filho da Sabedoria, porque foi a João que Jesus revelou suas visões e ensinamento secreto.

Margaret Barker. Jesus The Nazorean: On the publication of King of the Jews. Temple Theology in John’s Gospel. Abril 2014. p. 05.

A autora Margaret Barker é metodista e conhecida pelos seus estudos bíblicos em “teologia do templo”, a qual procura traçar as origens da teologia cristã ao Primeiro Templo.

Uma SUD pode ser modelo?

A Miss Universo mórmon na capa da revista Manchete, em 1960.

A Miss Universo mórmon na capa da revista Manchete, em 1960.

Essa é uma questão que para muitos pode ser logo fácil de responder. Para grande parte dos brasileiros, obviamente será um “não” bem seco. Isso não é de se admirar, já que os mesmos muitas vezes idealizam o estado de Utah e sua capital Salt Lake City como uma cidade perfeita sem problemas. Obviamente é um estado normal quanto qualquer outro, com coisas boas e ruins. Muitos se questionam se lá há modelos, misses e líderes de torcida em jogos oficiais do Utah Jazz.

O manual Para o Vigor da Juventude, que fala sobre padrões para qualquer membro independente de idade, diz: Continuar lendo

Heber C. Kimball: esta terra

Heber Chase KimballQuando escaparmos desta terra, supomos que iremos ao céu? Vocês supõem que irão à terra de onde veio Adão, de onde veio Elohim, de onde veio Jeová? Não. Quando aprenderem a se tornar obedientes ao Pai que habita nesta terra, ao Pai e Deus desta terra, e obedientes aos mensageiros que Ele envia – quando tiverem feito tudo isso, lembrem-se de que não deixarão esta terra. Nunca a deixarão até que se tornem qualificados, e capazes, e capacitados para se tornarem vocês próprios um pai de uma terra.

Heber C. Kimball (Journal of Discourses 1:356)

Super-herói?

Acredite que nenhum de nós
Já nasceu com jeito pra super-herói

Essa frase vem da música mais famosa da cantora Jamily, Conquistando o Impossível, e como um converso ex-evangélico, a conhecia bem.  Nos dias atuais precisamos muito de bons exemplos e muitos vêm de missionários(as) retornados(as).

Mulher-Maravilha & SupermanEm muitos locais no Brasil onde há um pequeno ramo, onde o Presidente e muitos da liderança não serviram missão, o missionário que chega é tido como um herói. A frase de Paulo a Timóteo se torna literal: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”(II Timóteo 4:17) e com isso a liderança aposta todas as fichas e às vezes é chamado além de Líder de Missão do Ramo para outros chamados.

Bem… Não culpo nenhuma liderança por essa ideia que é um pouco errada. De fato muitos têm essa ideia de “heróis” por esperança de que o ramo um dia se torne ala ou por eles acharem que os jovens sabem mais do que eles.

Mas e com vocês? Foi assim quando voltaram de missão? E de fato, “nenhum de nós nasceu com jeito para super-herói.”