Mãe do Ryan Gosling

A mãe do famoso ator de Hollywood Ryan Gosling é Mórmon e, de acordo com ele, ofereceu-lhe uma lição de vida que nem toda mãe SUD costuma oferecer.

 

Ryan Gosling

 

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Concurso: Profecias

Quando uma profecia é válida? Quando é inspirada? E quando é apenas uma “opinião de um homem”?

Este é uma questão particularmente importante tendo em vista o recente debate sobre a propriedade de se discutir a relevância ou a preeminência de pronunciamentos de profetas. Muitos defendem a posição de que nunca se deve questionar as opiniões de profetas, que devem ser obedecidos cegamente e seguidos em silêncio.

A função de um profeta é justamente profetizar, ou oferecer previsões sobre o futuro. Diferentemente do papel de um vidente (que tem visões sobrenaturais sobre o passado, presente e futuro), de um revelador (que revela tais segredos sobrenaturais não acessíveis aos demais), e de um Apóstolo (que testifica de seu conhecimento sobrenatural de Jesus Cristo), o profeta faz declarações afirmativas que são mensuráveis e checáveis naturalmente. Não se pode checar objetiva ou racionalmente as visões sobrenaturais de um vidente, ou as revelações sobrenaturais de um revelador, ou mesmo o privilégio epistêmico sobre Jesus de um Apóstolo, mas uma profecia pode ser checada e confirmada quanto ao seu cumprimento factual. Pode-se, assim, medir e confirmar o quão relevante e obrigatórios devem ser seus pronunciamentos.

três anos atrás, eu publiquei um curto artigo lançando um desafio para determinar quantas profecias foram realmente cumpridas. O desafio reside em determinar, racional e logicamente, uma (ou mais) profecia(s) que podem ser comprovadas como cumpridas, confirmando assim factualmente o dom profético. Além da satisfação em determinar um exemplo concreto do sobrenatural, eu havia oferecido um prêmio em livro (que até hoje não foi conquistado).

IsaiahComo vimos num artigo mais antigo, há profecias que se esquecem rapidamente, em poucos anos. Geralmente estas são as que não se cumpriram, ou que se provaram equivocadas. Por que não nos lembramos destas?

Existe um traço comportamental humano que cientistas chamam de “viés de confirmação“. Usamos desse viés quando nos lembramos das coisas que confirmam nossas opiniões ou crenças ou ideias, e quando nos esquecemos das coisas que desconfirmam ou contradizem nossas opiniões ou crenças ou ideias. Por exemplo, alguém me convence que toda que vez que eu jogo uma partida de futebol usando um boné, eu faço gols, enquanto que todas as vezes que deixo de usar o boné, eu saio de campo sem fazer gols. Poucas pessoas se deixariam levar por uma superstição tão absurdamente irracional, mas o viés existe, é comum, e ocorre com todos os seres humanos.

Um exemplo mais difícil de reconhecer no dia-a-dia: Petistas ignoram tudo de positivo no governo FHC e lembram-se de todos os erros e problemas, enquanto ignoram todos os problemas e erros do governo Lula, lembrando apenas os acertos e os aspectos positivos. Tucanos fazem o mesmo ao inverso. Converse sobre política com 10 pessoas que tenham opiniões formadas, e verá o fenômeno ocorrer 7, ou 8 ou mesmo 10 vezes.

Ele ocorre muito frequentemente em âmbito religioso também. Profecias, usualmente, funcionam assim. Lembra-se dos acertos, ignoram-se os erros. Da mesma maneira funciona o tarô, leitura de mãos, mapas astrais, astrologia, numerologia, homeopatia, etc.

Gostaria, então, de propor novamente o mesmo exercício intelectual. Continuar lendo

Historiografia Como Abordagem Científica: Exemplos da História Mórmon

Durante a VI Conferência Anual da Associação Brasileira de Estudos Mórmons, ocorrida no último sábado, Marcello Jun explorou alguns conceitos básicos utilizando exemplos da história mórmon de como analisar criticamente o trabalho de uma historiadora ou como avaliar a qualidade de uma reconstrução historiográfica. Assista o vídeo dessa palestra aqui:

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Igreja Mórmon Contradiz-se, Mente Para Silenciar Intelectual

A Igreja SUD excomungou psicólogo cujo projeto público é ajudar membros da Igreja a manter sua fé enquanto sofrem com dúvidas sobre as práticas éticas, morais, e históricas de sua religião.

John Dehlin e esposa conversam com 200 amigos enquanto aguardam sua "corte de amor". (Foto por Rick Egan do The Salt Lake Tribune)

John Dehlin e esposa conversam com 200 amigos enquanto aguardam sua “corte de amor” na Estaca Logan do Norte. (Foto por Rick Egan do The Salt Lake Tribune)

Há pouco mais de uma década, John Dehlin vem mediando comunidades na internet para membros da Igreja sofrendo de crises de fé por dúvidas ou inquietações sobre questões históricas ou éticas. Seu tom conciliador, seus esforços para promover a fé Mórmon e incentivar membros a permanecerem na Igreja, e sua abordagem respeitosa lhe renderam milhares de fãs e a tácita aceitação da liderança da Igreja. Contudo, nos últimos dois anos, a Igreja encontrou-se sob maior e crescente pressão pública por causa da exposição da candidatura presidencial de Mitt Romney, do movimento a favor da ordenação de mulheres ao Sacerdócio, e da rápida deterioração da posição anti-gay da Igreja frente à sociedade e as leis norte-americanas. Dehlin, apoiando publicamente ambas destas últimas, encontrou-se progressivamente em posição contrária à liderança da Igreja, passando a ser ameaçado e coagido por meses, e finalmente sendo excomungado ontem.

Em nota oficial, a Igreja defende-se de críticas públicas contra essa manobra de censura entrando, contudo, repetidas vezes em contradição.

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John Dehlin excomungado

john dehlinJohn Dehlin, fundador do site Mormon Stories Podcast e ativista LGBT, recebeu hoje sua carta de excomunhão de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O conselho disciplinar ocorreu no último domingo (08/02) na cidade de Logan, em Utah, quando Dehlin foi acusado de apostasia.

Psicólogo, Dehlin escreveu uma tese de mestrado sobre o tratamento de desordem obsessiva-compulsiva acerca de questões religiosas, e atualmente desenvolve sua pesquisa de doutorado sobre as experiência pessoais de mórmons e ex-mórmons gays, lésbicas e transexuais com terapias para mudança de orientação sexual.

Dehlin afirma sobre suas crenças:

Acredito em muitos ensinamentos morais centrais, não-distintivos no mormonismo (por ex., amor, bondade, perdão, fé, esperança), mas  tenho sérias dúvidas ou não mais acredito em muitos das reivindicações de verdade da igreja SUD (por ex., Deus antropomórfico, “uma igreja com autoridade exclusiva”, que o atual profeta da igreja  SUD recebe comunicações privilegiadas de Deus, que o Livro de Mórmon e o Livro de Abraão são traduções, poligamia, ensinamentos racistas no Livro de Mórmon, que ordenanças são necessárias para salvação, obra vicária pelos mortos).

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Introdução à Abordagem Sociológica da Religião e do Mormonismo

Durante a VI Conferência Anual da Associação Brasileira de Estudos Mórmons, ocorrida no último sábado, Joni Pinto explorou uma introdução à abordagem sociológica da religião e do Mormonismo. Assista o vídeo dessa brilhante palestra aqui:

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Preparando Missionários na Era da Informação

Durante a VI Conferência Anual da Associação Brasileira de Estudos Mórmons, ocorrida no último sábado, a mesa-redonda composta por Suzana Nunes, Emanuel Santana, Antônio Trevisan Teixeira e Kent Larsen debateu os problemas, dilemas e obstáculos de se preparar missionários na era da informação e da internet. Assista o vídeo dessa excelente apresentação aqui:

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Conferência de Estudos no próximo sábado

A VI Conferência Brasileira de Estudos Mórmons acontecerá no próximo sábado, dia 07 de fevereiro, das 14 às 18 horas. A transmissão ao vivo será através do site LiveStream. É necessário fazer um cadastro (rápido e gratuito) para utilizar o serviço. Participe!

Leia aqui o programa da Conferência.

Como Você Traduziria Ezra Taft Benson?

Em 2015, mórmons pelo mundo afora estarão estudando os ensinamentos de Ezra Taft Benson, 13° Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias entre 1985 e 1994.

 

Durante o ano, aproveitaremos esta oportunidade para relembrar e discutir a interessantíssima e idiossincrática passagem desta marcante figura histórica do mormonismo, que serviu como Apóstolo entre 1943 e 1985, como Ministro da Agricultura dos Estados Unidos entre 1953 e 1961, e protagonizou as maiores controvérsias na história da liderança Mórmon no século 20.

Antes de entrarmos na celebração deste importante homem, ponderemos talvez seu legado filosófico e teológico mais famoso.

Uma das citações icônicas no mormonismo associadas a Benson é, ironicamente, anônima. Publicada em uma revista oficial da Igreja como mensagem oficial para Mestres Familiares, ela, não obstante, encapsula tão profunda e sucintamente um dos discursos mais icônicos da carreira apostólica de Benson que é, até hoje, usada para resumir a sua filosofia profética. Ela é, também, uma das mais difíceis de se traduzir. Como qualquer tradutor competente e experiente sabe, uma tradução bem sucedida deve muito mais que transliterar as palavras entre uma língua e outra, mas sim transpassar a totalidade das ideias e dos sentimentos expressado em uma língua para outra. E isso, como bons tradutores admitem, nem sempre é simples, fácil, ou mesmo possível.

Portanto, estamos solicitando uma colaboração coletiva para traduzir esta pérola dos arquivos literários da Igreja SUD: Continuar lendo

Imposição de mãos (femininas)

Imagem: ordainwoen.org

Imagem: ordainwomen.org

Mulheres sud não são mais vistas administrando bênçãos de conforto e saúde por imposição de mãos.  A prática incentivada por Joseph Smith e levada para as Montanhas Rochosas pelas mulheres mórmons, foi defendida e  promovida pela Sociedade de Socorro no final do século XIX, sobrevivendo com respaldo oficial a primeira metade do século XX.

Para Joseph Smith, mulheres poderiam impor as mãos sobre qualquer doente, homem ou mulher. Para aqueles que criticaram a prática, afirmou que havia tanto pecado na imposição de mãos por mulheres quanto em umedecer o rosto de um doente. Presidida por Emma Smith, a Sociedade de Socorro estabelecida em 1842, em Nauvoo, abraçou com devoção a prática. Continuar lendo

Introdução ao Mormonismo

Como você explicaria o Mormonismo em 5 respostas sucintas?

 

Faltou a pergunta “o que Mórmons pensam sobre tatuagem”!

Recebemos um email de um leitor que se denomina “seminarista cristão” solicitando ajuda para completar “um trabalho” sobre a “religião” Mórmon. Então, ele submeteu uma lista com 5 perguntas surpreendemente básicas e simples sobre o Mormonismo, e aí vimos uma excelente oportunidade para um pouco de crowdsourcing, ou esforço colaborativo. Estamos, assim, copiando abaixo a lista de perguntas e pedimos para que vocês anotem, na seção de comentários, uma resposta sucinta para cada uma delas, como se estivessem respondendo a alguém que lhes fizera estas perguntas pessoalmente.

 

Além de ajudarmos o colega “seminarista cristão” com o seu “trabalho”, será interessante observar como as respostas diferirão uma das outras.  Religião, como a maioria das expressões culturais, é assunto muito pessoal e sujeito a interpretações e a viés idiosincráticos. Mormonismo, portanto, não sendo peculiarmente diferente nesse aspecto, comporta uma multiplicidade e diversidade de opiniões, percepções, e experiências que é ao mesmo tempo rica e curiosa.

 

Eis as perguntas. Expliquem o seu Mormonismo para alguém que não sabe absolutamente nada sobre o assunto. Lembrem-se de manter suas respostas sintéticas.

 

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Mormonismo e Migrações

A Religião Como Rede de Segurança dos Processos Migratórios Transatlânticos

Texto de Eliott Mourier¹

Passaporte_MercosulNo contexto atual que muitos qualificam como sendo um “retorno do religioso” ou “dessecularização”, os pesquisadores em ciências sociais já não podem ignorar a dimensão religiosa chave em nossas sociedades modernas. Longe de desaparecer, o religioso voltou a ter um lugar chave na hierarquia dos fatores explicativos do fato social observável em nossas sociedades.

Essa constatação se verifica particularmente nos últimos trabalhos sobre migrações  transnacionais. Antigamente, a maioria desses focava quase que exclusivamente nos fatores econômicos e sociais do fenômeno migratório. Porém, constatamos que nos últimos anos, o fator religioso, mesmo submetido a distintos processos de globalização e pluralização, tem uma importância crescente no estudo dos processos migratórios transnacionais (Hagan & Ebaugh 2003, Peggy Levitt 2003).

De forma recíproca, um número crescente de organizações religiosas transnacionais têm se interessado pelos fenômenos migratórios, incluindo-os em seus respectivos discursos e programas (Odgers & Ruiz 2009).

Assim, por exemplo, o Papa Bento XVI declarava em 25 de dezembro de 2010 que “frente ao êxodo dos que migram de suas terras e que são empurrados pela fome, pela intolerância ou pela degradação do meio ambiente, a Igreja é uma presença que promove a acolhida”.

Além desse tipo de manifestação profética, muitas denominações participam de modo bastante concreto nas diferentes etapas da migração de seus fieis. Tais etapas são identificadas como: (1) a preparação da viagem; (2) viagem; (3) chegada; (4) instalação; (5) desenvolvimento de redes transnacionais. Às vezes também se inclui o retorno ao país de origem. Continuar lendo

Enquete: ordenação de mulheres

Semana Mórmon em SP

50 anosPara celebrar o cinquentenário da sua capela em Santana, na zona norte de São Paulo, membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias realizam entre os dias 12 e 16 deste mês a Semana Mórmon, oferecendo aos interessados atividades religiosas e culturais.

A programação pode ser encontrada no site do evento, o qual traz ainda fotos históricas.

Suprema Corte dos EUA abre portas para casamento gay em Utah

Casal aguarda certidão de casamento em Salt Lake, em 06 de outubro. Foto: Michelle Tessier/ Deseret News.

Casal aguarda certidão de casamento em Salt Lake, em 06 de outubro. Foto: Michelle Tessier/ Deseret News.

Ontem, a Suprema Corte dos Estados Unidos se recusou a debater o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em uma decisão que o tornará legal em Utah e em mais outros quatro estados norte-americanos onde o casamento gay havia sido banido – Virgínia, Oklahoma, Wisconsin e Indiana.

Utah e os outros quatro se somam aos 19 estados, além da capital, onde hoje o casamento homossexual já é permitido legalmente. Mais seis estados ainda têm casos similares, o que deve elevar o número para 30 dos 50 estados que compõem o país.

Há dez anos, eleitores de Utah haviam votado uma emenda que não reconhecia quaisquer casamentos ou uniões que não fossem entre um homem e uma mulher. Continuar lendo