Por Que Se Afastam?
Por que as pessoas se afastam da Igreja SUD?
Essa é uma pergunta importante. Tão importante, que um post explorando o assunto de quase um ano atrás continua gerando comentários, discussão, e debate até hoje. Ontem, o site Why Mormons Questionpublicou os resultados de uma pesquisa realizada com mais de 3 mil pessoas sobre a questão “por que as pessoas perdem a fé”.
Surpreendentemente, a pesquisa demonstrou claramente que “perder a fé” não é a mesma coisa que “se afastar”!
A pesquisa, intitulada ‘Compreendendo Descrença Mórmon: Por que alguns Mórmons perdem seus testemunhos, e o que lhes ocorre quando isso acontece’ tabula questões postas a mais de 3.000 voluntários que, de uma maneira ou de outra, deixaram de acreditar no que normalmente criam antes.
Alguns dos resultados são bastante interessantes.
1) O que mais me chamou a atenção foi o fato de 20% dos participantes, apesar de não manter nenhuma fé na Igreja ou na Fé Mórmon, ainda frequentavam a Igreja normalmente, isto é, seguiam como SUD ativos! Isto significa que nem todas as pessoas que deixam de acreditar se afastam! Aliás, um quinto dos descrentes seguem ativos como qualquer crente. Outro dado interessante sobre esse grupo é o fato deles não manifestarem sua descrença ou suas dúvidas a seus pares. 92% deles escondem suas dúvidas dos outros membros de suas alas, 72% escondem de seus Bispos, 85% escondem de seus familiares (com 73% escondendo de seus filhos, 66% de seus pais, e 58% de seus irmão), e até 14% escondendo dúvidas e descrenças de seus próprios cônjuges.
2) Entre os fatores mais importantes para deixarem de crer ou duvidar da Igreja e da Fé Mórmon estão doutrina ou teologia (74%), história (70%), Joseph Smith (70%) e o Livro de Mórmon (70%). Entre os fatores menos importantes estão falta de amizades (6%), ser abusado por alguém na Igreja (7%), vontade de participar em atividades vistas com pecaminosas (4%), e ser ofendido por alguém na Igreja (4%).
3) Entre os fatores para deixarem de crer ou duvidar da Igreja e da Fé Mórmon, apenas 12% dos participantes disseram que 4 ou menos fatores determinaram essa mudança religiosa. Comparado com 41% que laudaram 5-15 fatores fundamentais, e 46% que nomearam mais de 15 fatores.
4) Entre os fatores históricos mais relevantes, os participantes mencionaram: poligamia/poliandria (59%), o Livro de Abraão (59%), a Proibição ao Sacerdócio (55%), DNA e o Livro de Mórmon (45%), e Maçonaria (43%).
5) Entre os fatores mais significativos para as mulheres, os participantes mencionaram: Posição da Igreja sobre mulheres; Mulheres e o Sacerdócio; Posição da Igreja sobre Homosexuais; Poligamia; Abuso dentro da Igreja.
6) Entre os fatores mais significativos para os homens, os participantes mencionaram: Fé em Deus/Cristo; Ciência; Anacronismos no Livro de Mórmon; Livro de Abraão.
7) Entre os fatores mais significativos para os jovens, os participantes mencionaram: Fé em Deus/Cristo; Posição da Igreja sobre Homosexuais; Falta de Experiência Espiritual; Problemas com a Cultura Mórmon; Vontade de “pecar”.
8) Entre os fatores mais significativos para os “mais velhos”, os participantes mencionaram: Restauração do Sacerdócio; Escândalo do Mark Hofmann; Massacre de Mountain Meadows; Livro de Abraão; Placas de Kinderhook.
9) Entre os fatores mais significativos para os descrentes continuarem a frequentar as reuniões, os autores calcularam: tempo de Igreja — quanto mais tempo de Igreja, mais ativo (61%); juventude — quanto mais jovem, mais ativo (40%); educação formal — quanto maior escolaridade, mais ativo (40%); chamados — quanto mais chamados, mais ativo (20%).
10) Entre os fatores que não tiveram impactos em graus de atividade: serem ofendidos; falta de fé em Joseph Smith ou no Livro de Mórmon ou no Livro de Abraão; falta de confiança em líderes ou nas Autoridades Gerais; questões de história ou doutrina.
Esse é basicamente um resumo do estudo. Eu recomendo a qualquer pessoa interessada no assunto a le-lo na íntegra. Há muitos dados interessantes e que levam à muitas outras ponderações relevantes.
Certamente, o estudo apresenta falhas e pontos fracos, que os autores prontamente admitem e prometem corrigir na próxima expansão do estudo. Não obstante, este já é um excelente ponto de começo para se discutir realmente quais os fatores importantes nesse processo de desconversão, e se há passos que se podem tomar para evita-lo.
Os autores perguntaram aos participantes o que, se mudado, poderia lhes trazer de volta à atividade na Igreja. 24% dos participantes estipularam que voltariam sob determinadas circunstâncias, enquanto os demais não voltariam. Dentre as sugestões/condições mencionadas pelos 24% estão:
1) Maior abertura e aceitação para pessoas com dúvidas ou com crenças não-literais.
2) Maior transparência e honestidade com relação a questões históricas e controversas.
3) Maior aceitação e tratamento igual para homosexuais.
4) Maior respeito, sensibilidade, e igualdade para mulheres.
Existe muita especulação sobre por que as pessoas se afastam da Igreja. Nos comentários do outro post vemos uma tendência a culpa-las por serem pecadoras, fracas, preguiçosas, descompromissadas, ou mesmo más. Esse estudo sugere que nenhuma dessas caracterizações é válida, e bom-senso rege que nenhuma é construtiva.
Num país onde 70-75% de todos os Mórmons sequer se consideram Mórmons, independente dos registros e estatísticas oficiais, talvez seja hora para se ponderar a questão com mais racionalismo, com mais caridade, e um pouco de introspecção.
Vamos olhar ao redor para os nossos amigos pessoais, ex-colegas de alas ou missão, e parentes, e pensar justamente o que lhes levou a sair. O que acham que diriam? Você já perguntou-lhes diretamente alguma vez? O que disseram? Como você acha que a Igreja pode mudar para melhor acomodar os que têm dúvidas ou incertezas, ou os que sequer acreditam? Ou você acha que é melhor que saiam, mesmo?
Claramente podemos ver que a história nos mostra certos erros que levaram a mais erros e que, hoje em dia, chegamos a criar uma “bola de neve” de erros que afastam muitos da igreja, ou mesmo fazem perder a fé.
Por muitas vezes me pus a pensar sobre como pode algo errado ser certo, porém acredito que, sempre que a dúvida entra na minha mente, orar e perguntar a Deus, por mais primitivo e obsoleto que pareça, sempre foi o meio de permanecer na fé que muitas vezes desacreditei.
Nunca gostei de ser enganado, por isso me tornei mórmon, porque foi a primeira igreja que me disse, pergunte a Deus e saiba se é verdade, ou seja, busque a verdade.
Eu sei que a igreja não é perfeita, em sua organização e em sua história, porém algo sempre me faz sentir, quando oro a Deus, que esse é o caminho, por mais erros que cada um teve, todos somos humanos, as vezes fazemos algo errado e queremos cobrir, no caso de líderes religiosos, isso aparece e ficamos limitados a acreditar que toda uma história linda é tirada por algo de erros que todos cometemos.
Quando penso nisso, relembro que o próprio Cristo disse que o único bom é Deus, ou seja, que por mais romântico e lindo possa parecer ter um líder que nos guie, ele não é perfeito e comete erros. Sei disso, não sou guiado por líderes, chegando ao ponto em não ser guiado por nenhum deles, aprendi que cada um ensina princípios corretos e eu me guio por o que aprendo e pelo que sei que é verdadeiro.
Em suma, sou mórmon pela capacidade de revelação continua que recebo a cada vez que comparo o que sei com o que Deus sabe que é verdade. Argumentos podem fazer qualquer verdade ser mentira e qualquer mentira ser verdade, porém a questão é, se creio em Deus, Ele tem que ser o meio de toda a resposta, o conhecimento nos liberta da ignorância, porém Cristo nos ensina toda a verdade. Nisso creio e nisso focalizo minha fé, não no homem falho e débil que sou e todos somos, porém no ser perfeito que sabe onde cada um deve estar.
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