Os 9 Apóstolos

Os 9 Apóstolos

The SupremesHoje, a Suprema Corte dos Estados Unidos novamente estragou os planos dos Apóstolos e Profetas d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Em decisão história, a Corte invalidou o plebiscito de 2008 no estado da Califórnia que proibiria o reconhecimento pelo estado de casamentos homossexuais.

A Igreja investiu pesadamente nesta campanha homofóbica em 2008, incluindo solicitando (em muitos casos, coagindo) doações de dezenas de milhões de dólares e centenas de milhões de horas em trabalho “voluntário” e diversas mensagens do, e reuniões com, o alto escalão (até a Primeira Presidência) da Igreja, programas de metas de contribuições para Bispos e Presidentes de Estaca, etc. (além de multa para a Igreja por tentativa de ocultação de gastos). Ademais, a força da influência Mórmon durante a campanha pelo projeto-de-lei contra gays fora tão notório e fundamental que as reações contra a lei também respingaram, intensamente, contra a Igreja — alterando e suavizando sua postura, que vinha agressiva desde 1993.

Esta não foi a primeira vez que a Suprema Corte dos Estados Unidos interfere com os ensinamentos dos Apóstolos e Profetas Mórmons.

Em 1878, a Suprema Corte manteve que a Igreja não tinha recurso por cláusula religiosa contra a lei anti-bigamia de 1862 (assinada por Abraham Lincoln), o que resultou no fim de quaisquer recursos legais para a prática da poligamia. A Igreja continuou praticando poligamia (de maneira ilegal) publicamente até 1890 e secretamente até 1904, mas uma série longa de represálias legais, baseadas nas leis anti-poligamia e na decisão de 1878, acabou forçando a Igreja a abandonar a prática terminantemente.

Não se pode, atualmente, negar que a Igreja tenha abandonado a prática da poligamia. Tanto que durante o século XX, a Igreja ajudou policiais a espionar e prender aqueles Mórmons que se recusavam a abandonar um preceito que os Apóstolos e Profetas haviam considerado essencial! Além disso, e não sem ironia, hoje a Igreja defende unha-e-dentes o casamento entre um homem e uma mulher!

Mas também é igualmente inegável que essa mudança jamais teria ocorrido caso a decisão da Suprema Corte em 1878 tivesse lhe respaldada, permitindo a Igreja o refúgio legal para prosseguir com a poligamia.

Indiretamente, a Suprema Corte também afetou outra prática cultural Mórmon.

Em 1967, a Suprema Corte julgou como inconstitucional leis anti-miscigenação, ou seja, que a corte era contra leis que proibíssem Negros a se casarem com Brancos. Junto com outros julgamentos históricos da Suprema Corte e outras leis contra discriminação raciais entre os anos 1950 e 1960, a Igreja passou a novamente encontrar-se do outro lado da moral e da ética como vistas pelo quorum judicial máximo dos Estados Unidos. A Igreja continuou praticando segregação racial até 1978, quando finalmente uma pessoa Negra e uma pessoa Branca poderiam se casar num Templo Mórmon.

Não se pode, atualmente, negar que a Igreja tenha abandonado a prática da segregação racial. Infelizmente, contudo, alguns resquícios aparecem aqui e acolá, mas no geral trata-se de equívoco do passado. Tampouco se pode negar que tais leis e tais sentenças judiciais em muito influenciaram o meio sócio-cultural que favoreceu a Igreja, com algumas décadas de atraso, também abandonasse suas práticas de segregação racial.

Com a visão voltada para o passado histórico, é inconteste que as resoluções da Suprema Corte Americana tenham influenciado, direta ou indiretamente, as posições oficiais da Igreja sobre questões sociais e culturais (e familiares). As maiores e mais dramáticas mudanças no Mormonismo desde a consolidação da liderança da Brigham Young envolveram intensamente esta corte judicial. O que, naturalmente, torna a decisão de hoje importante e histórica.

A Igreja respondeu prontamente em pronunciamento oficial queixando-se de problemas com a “democracia e [o] sistema judicial”. Ironicamente, a Igreja atualmente não se queixa (como já se queixou) que a “democracia” e o “sistema judicial” a forçaram direta e indiretamente a abandonar a prática poligamia e segregação racial. Pelo contrário, quase unanimamente, a liderança da Igreja SUD abraça monogamia e integração racial como uma postura ética e moral óbvia.

Assim sendo, a pergunta óbvia paira no ar, ansiosa mas confiante num futuro melhor: Quando tempo tardará para a Igreja SUD abraçar integração e aceitação de famílias LGBT como uma postura ética e moral óbvia?

57 comentários sobre “Os 9 Apóstolos

    • Sim. Por quê,não se mostrou isso por aqui? não compreendo. Isso parece injusto, já que independente da luta pela observãncia á princípios moralmente religiosos, a Igreja SUD, defendeu os homosexuais em seus direitos de cidadãos.

    • A igreja neste assunto esta preservando os direitos do cidadão: “ao direito a um teto e ao direito de uma pessoa trabalhar sem sofrer discriminação” e que a Igreja os apoiava “na essência”….O que tem isso a ver com o casamento Gay?
      O fato de defender a doutrina não significa ficar contra a pessoa, e sim de defender a igreja para que possa seguir a doutrina das escrituras…Quanto a pessoa é sua escolha, elas tem livre arbítrio para o caminho que escolher…Nunca uma autoridade geral negligenciou o atendimento a um homossexual. Então se um gay entrar na capela terei que deixar de ensinar determinada escritura por que ela bate de frente com as leis do pais, pois essa lei diz que o cidadão pode tudo, em contrapartida o evangelho ensina que vc pode tudo, mas para estar com Sr. terá que fazer e viver como ele determinou…Não ha escritura que faça proibição alguma sobre o caminho, escolhas qual deseja seguir…E aceitem que determinada religião tem sua doutrinas. As doutrinas não obrigam ninguém a nada, nem as forçam é algo muito simples

  1. Com um pouco mais de pressão – interna e externa -, a igreja SUD cederá às transformações da sociedade que, “pela postura ética e moral óbvia”, vem solidarizando-se com a pluralidade e diversidade sociocultural. A igreja SUD não pode e nem deve (como não vai) ficar alheia aos anseios de uma classe minoritária. Estabelecer e buscar valores reais e concretos de justiça, igualdade, liberdade, respeito e, sobretudo; amor ao próximo, é obrigação de uma igreja cristã. Mas, se tal atitude não vier por livre e espontânea vontade (ou por inspiração se preferirem), virá à força, à modus operandi dos já citado casos da poligamia e proibição do sacerdócio aos negros, é inevitável.

    • Concordo com voce Giovanni,
      várias Igrejas alegam que são guiadas por Deus.
      Ora, se o evangelho é imutável e se Deus é mesmo ontem, hoje e para sempre, não deveria haver mudanças nas doutrinas e ensinamentos das Igrejas.

      Mas o que se vê na prática é que as Igrejas vão mudando de acordo com as mudanças que ocorrem na cultura e nos costumes da sociedade. Portanto não é Deus, mas sim a sociedade que é determinante na maneira como os líderes religiosos se comportam.

      As igrejas mais populares são aquelas em que os líderes percebem quais são as verdadeiras demandas dos fiéis. Os líderes falam aquilo que o povo quer ouvir.

      Muitas Igrejas tem muitos seguidores (e arrecadam muito dinheiro) porque focam na “Teologia da prosperidade”, na cura de doenças e em outros assuntos que são de interesse de muitos que procuram uma Igreja. Ou seja, a pregação do evangelho tem que ser ao gosto do freguês.

      Isto ocorre também com a Igreja Mórmon, que teve que ser curvar às mudanças da sociedade, e acabou por mudar algumas doutrinas “eternas e inspiradas por Deus”.

      John Taylor falou que a poligamia não acabaria, e acabou.
      BY disse que os negros só receberiam o sacerdócio depois que todos os brancos pudessem ter recebido as promessas e desfrutassem as bênçãos do sacerdócio, e não foi isso que aconteceu.

      Não duvido que futuramente a Igreja Mórmon promova novas mudanças no “evangelho eterno” .

      • Isso Luiz,acreditar que Deus é um Deus variável é mais que uma apostas ia é uma falta de crença. já mais a igreja verdadeira de Jesus Cristo mudará seus padrões para satisfazer o seu argumento e do mundo. pós seu reino(mormon) não é desse mundo, seus ensinamentos primeiramente foi feito nos céus para depois aqui na terra que tu habitas por causa do criador. vocês são de mais meu!!! nossa. tenham mais fé!! a doutrina é simples, e confusa para os duros de coração como Lamã e Lamuel. sejamos como Néfi como Adão, apenas acreditai…
        É pecado casamento entre homem e homem e mulher com mulher, e Deus com sua irá ira feri a terra por nossos pecados, e esse mais… pós se não concordar com isso é ser preconceituoso; Deus é preconceituoso. e eu realmente acredito que Ele não seja.
        obs: Esse comentário é direcionado a todos vós.

      • Rafael, a Igreja SUD mudou repetidas vezes seus padrões e suas doutrinas para satisfazer o que você chama de “argumento” do mundo. Aqui somente alguns exemplos: a) o fim (oficial) da prática do casamento plural para os membros com a Declaração de 1891 (embora tivesse celebrado dezenas, senão centenas de casamentos plurais após essa data, no mínimo até meados da década de 1910), para não ter que perder seus bens nos EUA; b) o fim da proibição de conceder o sacerdócio aos afrodescendentes em 1976, para não sofrer represálias fiscais nos EUA; c) as mudanças na cerimônia dos endowments, retirando os juramentos e as punições maçônicas; d) o fim de ensinar aos membros que os índios do continente americano são “lamanitas”, dizendo agora que esses fazem parte dos antepassados daqueles – e não que SÃO os antepassados. E assim por diante. Há outros mais, muito mais exemplos de mudanças na doutrina e na prática.

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