62 comentários sobre “Como Sobreviver Ao Apocalipse Missão?

  1. Aproveitando um comentário da Magnólia em outro post, vou repetir meu comentário aqui, por ser pertinente ao assunto e por um pouco mais de luz ao assunto:

    Sobre apaixonar-se ou “abir o coração” durante uma missão SUD.

    Errado, lógico que não é. Facilmente controlável, tão pouco. Sem propósito (e perigoso), isso sim.

    Primeiro, que todos nós sabemos das nossas paixonites de adolescência, contos de fadas, essas coisas (que inclusive em nosso meio mórmon são bem comuns). Logo, como em meio a um turbilhão de hormônios e pouca experiência de vida, é fácil enganar-se sobre o que é amor, carência ou simples atração física.

    Segundo, que (mesmo que nada mais sério aconteça), dada a sociedade mórmon em que convivemos, nunca ‘vão perdoar’ essa casal, sendo assunto recorrente em rodas de conversa das alas onde residiram, podendo ser o caso de obrigar o casal a mudar-se (ou afastar-se, o que dará mais lenha ainda à fogueira) para ter um pouco de paz).

    Logo, se não consegue controlar suas emoções, fique em casa (ou aprenda a controlar). Não é coisa fácil, eu sei disso.

    Durante a missão tive três declarações claras e inequívocas (fora as aparentes, que nunca vou saber), de moças interessada em mim. A última, na última área, tinha até apoio irrestrito da família caso eu voltasse. Quase voltei (mas iletrado, sem profissão e paupérrimo, eu já sabia o destino desse amor; lógico ela não esperaria por muito tempo e acabou casando-se com alguém que parece cuidar bem dela).

    Uma casou-se esse ano, ainda está firme na igreja, e parece feliz.

    Outra, acabou engravidando (ou já estava) algumas semanas depois que tirei suas esperanças após ela quase ‘me agarrar’ numa capela.

    Ah, e eu tive um LZ, cara bem legal, que namorava a filha de 16 anos do Presidente de um Distrito, onde servi, a família morava na minha área e era estranho quando algumas vezes chegávamos de surpresa e encontrávamos as duas irmãs e os dois missionários sentados e descontraídos na sala enquanto o pai ou a mãe faziam agrados e lhes davam alguma privacidade. Hoje estão bem casados, uma família bem bonita (ela muito mais que ele, claro), e ambos moram bem longe de onde frequentavam a igreja antes disso. O curioso desse caso, é que descobri por outros missionários, que o Presidente da Missão sabia e havia ‘autorizado’ o caso.

    Nunca me importei com isso, e sequer fui atrás do Presidente da Missão (não estava nem aí pros acordos deles), mas após “bater de frente” com o tal líder do distrito, por humilhar e afastar um homem que admirávamos muito (e era um verdadeiro discípulo de Cristo, enquanto estávamos ausentes da cidade), misteriosamente fui transferido de emergência poucas horas depois.

    • Poderia nos contar um pouco mais a respeito dela, Silva?

      Não tenho dúvidas de que há muitas missões que foram ‘celestiais’ (para alguns, claro, na a missão em si). E seria bom você nos contar o que contribuiu para que ela assim o fosse.

      • Vou relatar somente as experiencias dos temas que parecem serem os mais recorrentes nos outros comentários:

        Mesada – sendo a mesada muitíssima pequena, e nunca recebendo dinheiro extra da minha família, economizava ao máximo que podia só comprando as coisas básicas e essenciais para passar cada dia. Produtos sem marca, e que fazem o mesmo dos de marca, eram os mais utilizados. Demonstrava para meus companheiros que era mais sábio, e assim tínhamos um poder de compra maior, se juntássemos nosso dinheiro para comprar, como por exemplo, papel higiênico, sabonete, arroz e demais itens em atacado ao invés de varejo. Mas, sem dúvida, o que fez eu nunca reclamar ou ficar triste com o pouco de dinheiro recebido, era porque minha mesada, utilizada somente para mim, era maior do que muitos salários de pais de famílias, e de outras pessoas, que conheci em minhas áreas de missão. Não era incomum estas famílias serem numerosas.

        Companheiros – tive vários companheiros, assim como os demais que relataram por aqui. Todos, sem exceção, tinham pensamentos, desejos e vontades diferentes dos meus. Aprendi a respeitar e fazer com que isto se torna-se algo prazeroso, agradável e apreciado nestes relacionamentos, e exigia o mesmo comportamento dos meus companheiros diante das minhas posições divergentes.

        Lideres – fui para o campo missionário sabendo que iria servir as pessoas e a Deus. Nas reuniões de acompanhamento de metas, não ficava nem um pouco preocupado se os números dados pelos os lideres haviam sido atingidos ou não. Minha missão era medida por mim a cada final de dia com o seguinte questionamento: hoje eu fiz o máximo que eu podia fazer para ajudar as pessoas? Se sim, não me preocupava o que os lideres de distrito, zona, assistentes ou o próprio presidente falariam sobre os meus números, sendo ou não alcançados. Quando virei líder na missão, tratava os missionários que estavam sob minha responsabilidade da mesma forma. Nas entrevistas de acompanhamento a pergunta sempre se repetia: você veio para a missão por qual motivo? Sempre era servir a Cristo e as pessoas, dai emendava: esta fazendo isto a cada dia? Se sim, muito bem, caso não, quer que eu te ajude?

        Quando disse que a missão foi a coisa mais fácil que fiz na vida, estava comparando com as tarefas realizadas antes dela em minha vida – servir o exercito, trabalhar até de madrugada e depois em seguida ir para a escola – e das tarefas após a missão – cursar uma faculdade já casado, trabalhar e ter um salário adequado para pagar todas as contas, filhos, e assim vai. Estas responsabilidades, antes e depois da missão, para mim, não se comparam em dificuldade com uma missão pois são muito mais dificeis e complicadas de serem executadas.

      • Obrigado, Silva,

        Sua experiência colabora e é pertinente ao propósito global do texto, indicando que uma atitude correta pode ajudar um(a) missionário(a) a não sucumbir ‘fatalmente’ durante ou após uma missão SUD.

        Dependendo de sua atitude, uma missão desse tipo pode preparar você para muitos desafios na vida. E é notório que uma preparação antes e pós (sem maquiagem) é importante (nem que seja por conta própria).

        Digo isso porque antes de partir convivi muitos meses com missionários em minha cidade (eu quase não fui por vários problemas familiares graves), mas conheci o lado bom e ruim da obra, andando com eles dias e dias, sob chuva e sol, vendo suas brigas (inclusive de saírem no soco) e ‘festas’, e tendo contato com líderes nada cristãos. Ou seja, quando eu fui, eu sabia que iria enfrentar tudo isso e talvez até mais, que a vontade de voltar (mesmo que eu já não tivesse casa ou família para voltar) seria enorme, mas que eu sabia “o porquê eu estava indo e por Quem”.

        Mesmo que algum dia eu ‘enjoe definitivamente’ de participar das comunidades mórmons, nunca me envergonharia ou me arrependeria do trabalho que sinto que Deus fez através de mim.

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