Howard Hunter: A Dor da Discriminação

O Presidente Howard W. Hunter explicou, através de uma história pessoal sua, a dor e a solidão que sofrem crianças e adolescentes discriminados pela Igreja SUD.

Howard W. Hunter, Apóstolo (1959-1994) e Presidente da Igreja (1994-1995)

Howard W. Hunter, Apóstolo (1959-1994) e Presidente da Igreja SUD (1994-1995)

Lemos no manual da Igreja (ênfases nossas):

“Como Howard não tinha sido batizado, não pôde ser ordenado diácono quando completou 12 anos. “Naquele tempo, todos os meus amigos tinham sido ordenados diáconos”, disse ele. “Por eu não ser membro oficial da Igreja, não podia fazer muitas das coisas que eles faziam.” Howard sentia-se especificamente desanimado por não poder distribuir o sacramento: “Nas reuniões sacramentais, eu me sentava com os outros rapazes. Quando chegava a hora de distribuir o sacramento, eu me afundava no meu lugar. Sentia-me tão diminuído!

E ainda no mesmo manual (ênfases nossas):

“Quando Howard fez 12 anos, não pôde receber o Sacerdócio Aarônico nem ser ordenado ao ofício de diácono, pois ainda não tinha sido batizado. Embora pudesse participar de outras atividades com os rapazes, Howard sentia-se profundamente frustrado por não poder distribuir o sacramento com eles.

“Durante a reunião sacramental, sentava-me com os outros rapazes”, relembra. “Quando chegava a hora de distribuir o sacramento, eu me afundava no banco. Sentia-me tão diminuído! Eu desejava distribuir o sacramento, mas não podia por não ter sido batizado.”

Quase cinco meses depois de fazer 12 anos, Howard conseguiu convencer o pai a permitir que fosse batizado. Pouco depois, foi ordenado diácono. “Lembro-me da primeira vez em que distribuí o sacramento”, disse. “Tive medo, mas fiquei muito entusiasmado com o privilégio. Após a reunião, o bispo elogiou a maneira como me comportei.”

Quando Howard W. Hunter foi chamado apóstolo, participava assiduamente da ordenança do sacramento com outras autoridades gerais no Templo de Salt Lake. O Élder David B. Haight, que serviu com o Élder Hunter no Quórum dos Doze, descreveu a experiência de ouvi-lo abençoar o sacramento:

“Desejaria que os rapazes do Sacerdócio Aarônico de toda a Igreja pudessem ouvir o Élder Howard W. Hunter abençoar o sacramento no templo. Ele é uma testemunha especial de Jesus Cristo. Quando o ouvia rogar ao Pai Celeste que abençoasse o sacramento, sentia a profunda espiritualidade de sua alma. Cada palavra era clara e significativa. Ele não tinha pressa. Estava ali como porta-voz de todos os apóstolos, dirigindo-se ao Pai Celestial”.

Esses relatos ilustram a reverência que o Presidente Hunter teve a vida inteira pelos emblemas sagrados do Sacrifício Expiatório de Cristo.”

Assim como o pequeno Hunter sentiu-se “desanimado” e “diminuído”, crianças e adolescentes em famílias LGBT são proibidas de serem batizadas e de participarem em ordenanças relevantes, religiosa e socialmente, e sagradas como “distribuir o sacramento”, e também sentem-se “desanimadas” e diminuídas” por não poder “participar de[ssas] atividades [sagradas] com os rapazes”. E por que não podem? Porque a Igreja SUD discrimina contra essas crianças e adolescentes impondo regras e oportunidades diferentes para elas.

Assim como o pequeno Hunter sentiu-se “frustrado” e “[s]e afundava no banco”, crianças e adolescentes do gênero feminino são proibidas de serem ordenadas e de participarem em ordenanças relevantes,  religiosa e socialmente, e sagradas como “distribuir o sacramento”, e também sentem-se “frustradas” e “[s]e afundam no banco” por não poder “participar de[ssas] atividades [sagradas] com os rapazes”. E por que não podem? Porque a Igreja SUD discrimina contra essas crianças e adolescentes impondo regras e oportunidades diferentes para elas.

A única diferença entre a história pessoal de Hunter e essas crianças hoje em dia é que Hunter não podia ser ordenado ao sacerdócio porque seu pai era quem não o permitia, enquanto a Igreja em si e todos na Igreja lhe desejavam ordenar. Como se sentiria Hunter se o motivo tivera sido que a Igreja SUD determinara que ela não lhe permitiria apenas por ser ele diferente dos demais “rapazes”?

9 comentários sobre “Howard Hunter: A Dor da Discriminação

    • HENRIQUE MARTINS, o fato de des conhecermos certas coisas, não necessariamente as anula, certo?
      E como explicado abaixo é a regra atual, o que incentiva a discriminação, a qual sabemos que acontece. O que significa esse “ser excluído” para você? Ser excomungado?

  1. A leitura desse texto foi bem emocionante, triste. Eu também não sabia nada sobre o Presidente Howard Hunter até esse momento. Essa leitura foi uma das mais tocantes para mim, aqui do Vozes.

  2. Eu entendo muito bem a diferença entre excluído e excomungado…..pq algumas pessoas sentem a necessidade de serem grosseiras nesse blog…?????

    • O fato de algumas pessoas serem grosseiras não é de responsabilidade do blog, HENRIQUE MARTINS.
      Dessa vez, eu não fui grosseira, só estava tentando entender o teu comentário. O que caracteriza exclusão para ti?
      Na minha ala tem um rapaz gay que sofre muita discriminação de muitos membros. Eu já presenciei olhares de repulsa a ele por outros homens e inclusive a mim por aproximar-me dele. Ou na sua ala não tem pessoas LGBT ou tem e não reparaste, então não podes dizer que não existe só porque não sabes, não é?

  3. O Howard foi profeta por pouco tempo talvez por isso não tenha tantos escritos dele e o pouco que leio dele eu gosto, que bom que publicaram esse texto.

  4. Eu também achei uma comparação sem sentido. Gosto quando o Elder Bedner diz que não existe homossexuais na igreja. Embora existe sentimentos por pessoas do mesmo sexo o ato deve ser repudiado e chamado ao arrependimento. Também acredito na orientação de que crianças de país em situação de relação homossexuais não devem ser batizados para não existir uma confusão entre os ensinamentos da igreja e a vida em casa.

    • Também achou? Também?

      Não, não.

      O Henrique acima achou a comparação “sem sentido” porque ele não conhece ainda a política oficial da Igreja que determina a discriminação dessa crianças.

      O seu comentário deixa claro que você achou “sem sentido” porque você quer discriminação, quer preconceito.

      Racistas nunca acham que são racistas. Machistas nunca acham que são machistas. Por que?

      Todo mundo compreende que preconceito é imoral, e ninguém gosta de se descobrir uma pessoal imoral. Algumas lutam pra superar seus preconceitos, enquanto outras fecham os olhos pra fingir que seus preconceitos não existem. Esses, quando confrontados com a realidade, o julgam “sem sentido” para poder seguir em sua auto-ilusão.

      Não se sinta único ou ímpar. Essa é uma reação comum e frequente.

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