Atravessar a Distância

Nesta semana seguida à Conferência Geral, publicaremos artigos explorando alguns seletos discursos proferidos no fim de semana que passou. Em consideração hoje, o discurso do Apóstolo Dale G. Renlund.

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Fiquei impressionado na sessão da Conferência na manhã do Sábado pela citação oferecida pelo Élder Renlund: “Quanto maior a distância entre o doador e o beneficiário, mais o beneficiário desenvolve um senso de direito”. O que me causou pausa, uma vez que concordo com a declaração, é uma simples questão: O que vamos fazer sobre essa distância?

Esta parece ser uma questão crucial. O Élder Renlund salienta que esta é a razão pela qual o sistema de bem-estar da Igreja é projetado para que aqueles em necessidade procurem ajuda da família em primeiro lugar, e depois de seus líderes locais – i.e., de sua ala ou ramo. Mas não me parece que isso resolva o suficiente a distância entre doadores e beneficiários; eu vejo uma enorme distância dentro das alas e ramos, e às vezes até mesmo dentro das famílias. Demasiadas vezes doadores e beneficiários simplesmente têm pontos de vista e até culturas completamente diferentes. Continuar lendo

Hino Racista na Conferência Geral?

Ontem, durante a Sessão do Sacerdócio da Conferência Geral, os congregantes presentes uniram-se ao coro de jovens alunos do Instituto de Logan, Utah, para cantar o que talvez seja o hino mais racista do hinário mórmon.

Hino Raça Escolhida

Congregação no Centro de Conferência da Igreja SUD cantando hino com contações raciais durante a Conferência Geral em abril de 2016

O hino em questão, traduzido para o português como ‘Ó vem, supremo Rei’, foi escrito pelo Apóstolo Parley P. Pratt e contém uma abominável e surpreendemente franca frase de supremacia branca: Continuar lendo

Votos Contra na Conferência Geral: Entenda

Ontem, durante a segunda sessão da 186a Conferência Geral d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos, membros da Igreja gritaram votos em oposição ao Presidente Thomas S. Monson, à Primeira Presidência e aos Doze Apóstolos.

Pelo menos 7 membros ativos da Igreja levantaram-se para votar contra Thomas Monson como Presidente da Igreja

Pelo menos 7 membros ativos da Igreja levantaram-se para votar contra Thomas Monson como Presidente da Igreja

Entenda como e por que: Continuar lendo

Igreja Mórmon Incentiva Ajuda a Refugiados

Encorajar a ajuda a refugiados é o objetivo do website Era Estrangeiro, lançado nesta semana pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Mórmons refugiados política

Imagem: lds.org

O site incentiva a participação de mórmons em iniciativas do poder público, organizações locais sem fins lucrativos e outras instituições que ofereçam auxílio a refugiados e imigrantes. Continuar lendo

Rapaz Proibido de Servir Missão

“Eu morri por dentro!”

Emmett C. é um rapaz de 20 anos de idade, membro ativo e fiel da Igreja SUD e aluno dedicado na Faculdade Pacific Northwest. No ano passado, ele enviou seus papéis para servir uma missão de tempo integral para a Igreja após preparar-se para isso por duas décadas. Contudo, seus líderes locais negaram-lhe a oportunidade de servir. Emmett nunca quebrou nenhuma regra ou mandamento da Igreja, sempre dedicou-se a seus chamados no Sacerdócio Aarônico, estudou com afinco no Seminário e Instituto, e manteve-se fiel e ativo por todos esses anos.

Não obstante, Emmett acredita que membros da Igreja que sejam LGBT devem ser tratados e respeitados igualmente como ele, que é heterossexual. Por conta disso, proibiram-no de servir uma missão. Continuar lendo

Legisladores Mórmons Arriscam Mulheres, Desafiam Ciência

Legisladores Mórmons passaram nova lei que deliberada e notoriamente aumenta os riscos para mulheres submetendo-se a abortos.

A nova lei, passada pela Assembleia Legislativa Estadual, sabidamente controlada pela Igreja SUD, e assinada pelo Governador de Utah Gary Herbert, que também é SUD, obrigará médicos a abandonar as melhores e mais seguras técnicas baseadas em ciência e forçar mulheres realizando abortos (perfeitamente legais) a submeter-se à Continuar lendo

Páscoa: Evangelho de João

Celebramos a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de João? Continuar lendo

Páscoa: Evangelho de Lucas

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Lucas?
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Páscoa: Evangelho de Mateus

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Mateus?
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Páscoa: Evangelho de Marcos

Celebramos hoje a Páscoa Cristã.

Páscoa vem da palavra grega pascho, que significa “sentir” ou “viver a experiência”. Nos Evangelhos canônicos, especialmente nos relatos da Páscoa Cristã, ela foi invariadamente usada com o significado de “sofrer” ou “sentir dor” ou “viver uma experiência dolorosa ou pesarosa”. Para os autores dos Evangelhos, pascho (páscoa) significava o sofrimento e a dor que Jesus de Nazaré vivenciou no seu martírio em Jerusalém. Daí o nosso uso do têrmo Páscoa para nos referir ao martírio (sofrimento e morte) de Jesus.

Celebraremo-na considerando os quatro relatos mais antigos, e coincidentemente canonizados, da Páscoa.

Ao contrário do que a maioria dos Cristãos imagina, os quatro relatos canonizados (i.e., os Evangelhos atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João) não narram o mesmo evento, não se complementam, e não são mutualmente inclusivos. Todas as quatro narrativas são individuais e independentes, narrando relatos como o seu autor acreditava ou imaginava ou ouvira ter ocorrido (nenhum desses autores fora testemunha ocular — na realidade, todos os evangelhos são anônimos, e atribuições autorais surgiram décadas após suas composições).

Portanto, honramos os autores que nos legaram esses quatro relatos distintos respeitando suas independências editoriais, estudando-os como eles haviam desejado: Individual e independentemente.

Dito isso, como ocorreu a Páscoa de acordo com o autor do Evangelho de Marcos?
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Todd Christofferson: Ostracismo Familiar Pela Fé

O Apóstolo D. Todd Christofferson, em Serão do SEI para Jovens Adultos da Universidade de Brigham Young, defendeu o conceito de ostracismo familiar como ferramenta de proselitismo.

Ostracismo é a prática de rejeição social ou distanciamento emocional que serve como mecanismo de punição social ou manipulação psicológica. Consiste em cessar interações interpessoais com um indivíduo ou um grupo, usualmente seguindo uma formulação específica de regras quando se trata de prática religiosa.

No vernáculo médico-acadêmico, o têrmo mais comum é shunning, e é consistentemente considerado como uma técnica de agressão psicológica e bullying emocional. Essa rejeição social pode ocorrer de forma espontânea e orgânica, quando uma pessoa ou um grupo de pessoas deliberadamente evita interações com algum indivíduo ou grupo específico. A rejeição pode, também, ocorrer em decorrência de uma decisão formal e premeditada de um grupo, como uma instituição social ou religiosa.

A prática de ostracismo, especialmente determinadas por instituições religiosas que formam comunidades coesas, estabelece isolamento psicológico similar aos que prisioneiros sofrem em solitária, e estudos classificam a prática como tortura psicológica, punição moral, e até lavagem cerebral, além de grandes prejuízos econômicos e familiares.

Entre as religiões conhecidas por praticar o ostracismo oficialmente estão as Testemunhas de Jeová, os Cientologistas, os Baha’i, alguns grupos Judeus Ortodoxos, e, mais notoriamente, as comunidades Amish:

“Se os membros da igreja Amish quebram seus votos de batismo ao desobedecer líderes religiosos ou regulamentos da igreja e se recusam a confessar seu erro, eles terão de enfrentar excomunhão. Com base em várias escrituras bíblicas, a igreja evita ex-membros para lembrá-los de sua desobediência na esperança de ganha-los de volta. Shunning é praticada de maneiras diferentes por diferentes grupos Amish, mas normalmente envolve rituais de vergonha como não comer na mesma mesa com ex-membros em casamentos ou outras reuniões públicas. As pessoas evitadas raramente vivem em casa, mas alguns retornam para funerais, casamentos ou reuniões que envolvem membros da família. O rigor do ostracismo e da comunicação entre pais e filhos adultos que saem varia de um grupo de Amish a outro.

Membros rebeldes são restituidos se confessarem a sua transgressão. Algumas congregações encerram o ostracismo se um ex-membro se junta a uma igreja pacifista com vestuários simples como os menonitas conservadores. As pessoas não batizadas que saem não são evitadas, porque nunca fizeram promessas batismais e se juntaram à igreja.”

 

Não obstante as considerações morais e éticas, e não obstante inicialmente explicar e ilustrar a dor e o sofrimento causados pelo ostracismo em membros de comunidades Amish,  Todd Christofferson signaliza que ostracismo é uma prática louvável e válida para Mórmons que tem familiares com dúvidas ou questionamentos sobre ortodoxia da Igreja SUD:
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Universidade Mórmon Sem Diversidade

Faculdades da Igreja Mórmon são para alunos brancos e norte-americanos.

Animadores de Torcida de Universidade de Brigham Young

É o que demonstra estudo sobre a universidade oficial da Igreja SUD, Brigham Young University, que figura no quesito diversidade entre as piores instituições de ensino superior nos Estados Unidos. Continuar lendo

O Livro de Mórmon – Dia 8

O Livro de Mórmon é a obra literária mais sagrada para milhares de mórmons, centenas de igrejas e seitas da tradição Santos dos Últimos Dias, e o principal volume de escrituras para membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Imagem inspirada na descrição das Placas de Ouro por Joseph Smith

Dedicamos aqui um artigo para cada capítulo do Livro de Mórmon , cobrindo todo o seu texto (utilizando, como base, a última edição da Igreja SUD), acompanhados de comentários adicionais do ponto de vista historiográfico, racional, e científico para incentivar uma leitura diária do texto sacro e facilitar um estudo mais intelectual dele. Postagens passadas podem ser encontradas aqui.

O trecho de hoje é: 1 Néfi 6

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O Livro de Mórmon – Dia 7

O Livro de Mórmon é a obra literária mais sagrada para milhares de mórmons, centenas de igrejas e seitas da tradição Santos dos Últimos Dias, e o principal volume de escrituras para membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Imagem inspirada na descrição das Placas de Ouro por Joseph Smith

Dedicamos aqui um artigo para cada capítulo do Livro de Mórmon , cobrindo todo o seu texto (utilizando, como base, a última edição da Igreja SUD), acompanhados de comentários adicionais do ponto de vista historiográfico, racional, e científico para incentivar uma leitura diária do texto sacro e facilitar um estudo mais intelectual dele. Postagens passadas podem ser encontradas aqui.

O trecho de hoje é: 1 Néfi 5

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Discursos dos Profetas e Apóstolos

A maioria dos Mórmons na atualidade desconhece um dos maiores tesouros da literatura religiosa Mórmon do século 19.

O ‘Jornal dos Discursos’, conhecido em inglês como ‘Journal of Discourses’, e comumemente abreviado como J.D. ou JOD ou JoD, é uma coleção de 26 livros publicados oficialmente pela A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias contendo Continuar lendo