Hino Racista na Conferência Geral?

Ontem, durante a Sessão do Sacerdócio da Conferência Geral, os congregantes presentes uniram-se ao coro de jovens alunos do Instituto de Logan, Utah, para cantar o que talvez seja o hino mais racista do hinário mórmon.

Hino Raça Escolhida

Congregação no Centro de Conferência da Igreja SUD cantando hino com contações raciais durante a Conferência Geral em abril de 2016

O hino em questão, traduzido para o português como ‘Ó vem, supremo Rei’, foi escrito pelo Apóstolo Parley P. Pratt e contém uma abominável e surpreendemente franca frase de supremacia branca:

Ave! Príncipe da vida e da paz!
Três vezes bem-vindo a seu trono!
Enquanto todos da raça escolhida
Acolhem Seu Senhor e Salvador,
As nações pagãs dobram os joelhos,
E toda língua canta-lhe louvor.

(Hinário SUD, ‘Come O Thou King of Kings‘, ênfase nossa)

Para quem não conhece a história da Igreja, para Mórmons no século XIX (e até no século XX), existia uma clara “raça escolhida” por Deus: Veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, e aqui).

A tradução no hinário em português, felizmente, esconde a conotação racial:

Bem-vindo, Julgador,
Ao santo tribunal;
Eleitos do Senhor,
Já surge o sinal.
E as nações se irão curvar
E em toda língua exultar!

(Hinário SUD, ‘Ó vem, supremo Rei‘)

Assista a sessão de ontem na íntegra aqui (o hino cantado encontra-se no minuto 40m40s):

A estrófe no original em inglês, por Parley P. Pratt:

Hail! Prince of life and peace!
Thrice welcome to thy throne!
While all the chosen race
Their Lord and Savior own,
The heathen nations bow the knee,
And ev’ry tongue sounds praise to thee.

Não está na hora de alterar ou remover esse hino do hinário? Ou, ao menos, não canta-lo em plena Conferência Geral?

39 comentários sobre “Hino Racista na Conferência Geral?

    • Tinha que ser um ex-membro mesmo, que qdo se afasta quer justificar sua saída condenando a igreja para se safar de sua falta de perseverança. Geralmente isto acontece, sinalizando sua falta de testemunho e suas faltas de ações , por alguma forma de não cumprimento da palavra. Fica desdenhando e levantando falsos testemunhos a luz de suas interpretações e nem percebem que o mundo é que é seu engodo.

      • Vamos por partes que pelo visto as pessoas estão usando um eufemismo para associar “raça escolhida” com “povo escolhido”. E ainda estão dizendo que é “claro” “óbvio” que a intenção do autor era falar sobre “povo escolhido” e não enfatizar a cor da pele. Essa afirmação é tão “clara” e “verdadeira” quanto dizer que o Sol gira na órbita terrestre porque vemos ele “nascer” e se “pôr” geralmente de Leste a Oeste (mesmo pensamento que Josué teve na Bíblia).

        Para desconstruir esse pensamento falso, basta uma análise rápida sobre as duas expressões.

        1- Vamos apontar quando o termo RAÇA era usado. Essa palavra surgia sempre que fosse ser mencionado os negros. Os profetas e apóstolos antigos nunca usaram a palavra RAÇA para querer dizer “povo do convênio” independente de cor. Então vejamos de que forma esse termo aparecia:

        “O primeiro homem que cometeu o odioso crime de matar um de seus irmãos foi amaldiçoado por mais tempo do que qualquer outro filho de Adão. Caim matou seu irmão. Caim poderia ter sido morto e isto teria findado aquela linhagem de seres humanos. Mas não era para ser assim, e o Senhor pôs uma marca nele, que é o nariz chato e a pele negra. Siga a história da humanidade até após o dilúvio e ali uma nova maldição é lançada sobre a mesma RAÇA— eles seriam ‘servos de servos’; e assim será até que a maldição seja retirada; e aqueles que querem libertar os escravos não poderão fazer nada a respeito, nem sequer alterar este decreto”.

        “Até quando essa RAÇA vai suportar essa maldição terrível que está sobre ela? Essa maldição permanecerá neles, e eles nunca poderão celebrar o Sacerdócio ou poderão compartilhar dele até que todos os outros descendentes de Adão recebam as promessas e desfrutem as bênçãos do Sacerdócio…”
        (Journal of Discourses, vol. 7, páginas 290-291) ” (grifo nosso)

        “Devo eu lhes falar da lei de Deus a respeito da RAÇA africana? Se o homem branco, que pertence à ‘semente’ escolhida, misturar seu sangue com a semente de Caim, a penalidade, na lei de Deus, é morte na hora. Assim será para todo sempre”. (Journal of Discourses, vol. 10, página 110).

        Repare que nessa última citação fica muito bem claro o significado de RAÇA em contrapartida a SEMENTE ESCOLHIDA. Demonstrando que a RAÇA AFRICANA, ou seja, os negros, não fazem parte da RAÇA ESCOLHIDA, que são os brancos.

        Ficando claro e evidente que o hino quando foi escrito, foi concebido com o entendimento de RAÇA BRANCA ESCOLHIDA e não povo do convênio, já que os negros eram batizados, mas não eram contados como a RAÇA ESCOLHIDA ou Povo do Convênio. O que nos leva a falar sobre a segunda consideração:

        2- Analise sociológica e cultural em que o hino foi escrito.

        Já sabemos que em 1852 Brigham Young instituiu uma nova doutrina, que negros eram descendentes de Caim e portanto, não poderiam portar o sacerdócio. Sabemos também que pelo próprio site oficial da Igreja no ensaio “Ordenação ao Sacerdócio antes de 1978”, é dito que tal politica instituída por Brigham Young foi motivada pelo contexto social e cultural de grande racismo nos EUA, onde essa crença da descendência de Caim vinha desde um século anterior a Brigham Young e por conta dessa influência, foi inserido na Igreja algumas práticas e opiniões doutrinárias racistas e apesar de não se saber o ano preciso que o hino foi criado, é factível imaginar que foi entre 1852 e 1857 (ano que foi instituida a proibição até o ano em que Elder Pratt foi assassinado). Ainda que tivesse sido anterior a essa data, já vimos que o conceito de descendência de Caim já estava instituído na crença popular havia mais de 100 anos.

        Como verificado e confessado pela própria Igreja em seu site oficial, é de conhecimento publico e notório que o racismo cultural americano influenciou a Igreja e suas práticas e nada mais normal que tivesse influenciado a letra do hino em questão. O que não é normal é o hino permanecer no hinário ou não haver uma correção, alterando a palavra. Que ele possui conotação racista, é evidente, conforme as citação similares sobre o tema feitas pela liderança no período em questão, demonstrando inequivocamente que RAÇA foi inserida no hino para diferenciar os brancos e negros e não para dar sentido de povo escolhido.

        Embora HOJE possa ser interpretado RAÇA ESCOLHIDA como POVO ESCOLHIDO, essa interpretação nada mais seria do que um eufemismo, o que não faz o hino deixar de ter a herança racista de quando ele foi criado.

    • Concordo, o racismo NUNCA acabou, ele apenas está disfarçado, logo que saí da igreja percebi como fui tonta, acredito que isso nunca acabará e hoje só sinto vergonha de ter sido dessa seita americanizada!

      • Só o fato dos judeus se considerarem “o povo escolhido de D’us” e tratarem os outros povos como pagãos, não respeitar suas leis e tradições, já é uma forma de racismo brutal. E aí a Bíblia está cheia de preconceitos, se matavam em nome de Deus, todos os povos eram destruidos naquela época se não aceitasse o deus JEOVÁ. E aí, como é que fica?

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