Universidade Mórmon Sem Diversidade

Faculdades da Igreja Mórmon são para alunos brancos e norte-americanos.

Animadores de Torcida de Universidade de Brigham Young

É o que demonstra estudo sobre a universidade oficial da Igreja SUD, Brigham Young University, que figura no quesito diversidade entre as piores instituições de ensino superior nos Estados Unidos.

College Factual é uma organização, subsidiária da empresa digital de ciência e educação ‘Bright Hub’, dedicada a coletar e categorizar dados disponíveis no Ministério da Educação para analisar diferentes métricas sobre as várias faculdades espalhadas pelo país e assim oferecer uma noção baseada em dados concretos sobre as qualidades e defeitos de cada instituição, especialmente quando comparada com as demais.

Vasculhando-se os dados levantados pelo College Factual, por exemplo, pode-se comparar as faculdades por rankings específicos, como qualidade em cursos ou carreiras específicas, melhores preços por custo-benefício, atendimento de alunos veteranos de guerra ou adultos retornando à faculdade, por diversidade racial e religiosa, etc. Do ponto de vista acadêmico, a BYU sai-se acima da média na maioria dos cursos oferecidos, inclusive em Biologia e até quando o foco é Evolução (embora classifique mal entre os cursos de Religião).

Não obstante o sucesso acadêmico, o levantamento da College Factual posiciona a escola da Igreja Mórmon como 1.396ª de um total de 1.739 escolas no ranking de diversidade racial. Isso significa que 80% das faculdades norte-americanas gozam de maior diversidade racial do que a BYU.

Os próprios dados publicados pela Igreja demonstram a natureza do problema, quando 85% de todos os alunos de graduação são brancos, apenas 5,6% são hispânicos (latino-americanos, como brasileiros), 5,1% asiáticos, e 1% negros.

Considerando que o perfil demográfico dos EUA (63,7% brancos, 16,3% hispânicos, 12,2% negros, e 4,7% asiáticos), e considerando o perfil demográfico alardeado pelos dados oficiais da Igreja SUD (41% estadunidenses, 41% de hispânicos ou latino-americanos, e 3% africanos), a discrepância racial é óbvia  e alarmante.¹

Se esse desequilíbrio em diversidade racial não ficou patente ainda, basta contrastar os dados demográficos:

85% dos alunos BYU são brancos;
63% dos americanos são brancos;
41% dos mórmons são americanos.

5% dos alunos BYU são hispânicos;
16% dos americanos são hispânicos;
41% dos mórmons são hispânicos.

1% dos alunos BYU são negros;
12% dos americanos são negros;
3% dos mórmons são africanos.

A universidade em si é predominantemente mórmon, com não menos que 98% de todos os seus alunos pertencendo à Igreja SUD². É, portanto, óbvio para qualquer pessoa competente em aritmética básica que o corpo discente da BYU não representa com justiça nem o equilíbrio racial dos Estados Unidos, nem o do conjunto global de membros da Igreja SUD.

Quais seriam os motivos para tamanho déficit em diversidade racial? Seria a história de racismo institucional ou o perene racismo cultural um fator predominante? Ou seria uma questão cultural nacionalista? Seria uma injustiça financiar com fundos da Igreja o ensino superior predominantemente de brancos norte-americanos, em detrimento de minorias raciais?


Em outro quesito, a BYU está sendo investigada por suspeita de discriminação.

O órgão público equivalente à OAB norte-americana, a American Bar Association (ABA, ou “associação de advogados americana”) está investigando as práticas e políticas oficiais da universidade mórmon com relação a expulsão de alunos que abandonam a religião oficial da escola.

O chamado “código de honra” da BYU determina que alunos que não sejam membros da Igreja SUD, ou que sejam de outras religiões, ou que não pertençam a nenhuma fé específica, possam estudar lá normalmente e converter-se à fé mórmon em qualquer momento de sua vida acadêmica sem problemas. Contudo, se um aluno é membro da Igreja SUD e expressa o desejo de mudar de fé, ele(a) pode ser expulso imediatamente.

Uma ONG chamada FreeBYU (ou “BYU Livre”) está determinada a mudar essa política. Caleb Chamberlain, fundador da FreeBYU e ex-aluno explica:

“Há muitos alunos estudando na BYU atualmente que simplesmente escondem suas mudanças de fé, por pura necessidade, caso desejem formar-se. No meio do meu mestrado eu corria o risco de não poder me formar apenas por estar passando por uma transição na minha fé.”

No ano passado, quase 3 mil pessoas assinaram uma petição protestando a faculdade de direito da BYU por violar as explícitas regras éticas da ABA ao discriminar contra alunos LGBT ou contra alunos que mudaram de crenças ou afiliações religiosas. Consequentemente, a ABA enviou um investigador para entrevistar alunos e administradores e determinar se há descumprimento ético por parte da faculdade mórmon, e depois enviar as recomendações apropriadas para o comitê de acreditação do órgão.

Antes de 1993, a universidade aceitava alunos membros e não membros da Igreja igualmente, apenas distinguindo-os nos valores das mensalidades cobradas. Em 1993, porém, a universidade alterou sua política oficial para permitir a expulsão de alunos que decidissem abandonar a fé mórmon. Estudiosos da história mórmon recente reconhecerão o ano como o mesmo em que a Igreja conduziu uma caça a bruxas contra intelectuais, excomungando e ameaçando com excomunhão vários membros fiéis simplesmente por serem acadêmicos e estudiosos.

A ONG ‘BYU Livre’ é composta por alunos, ex-alunos, e pais de alunos que desejam fomentar o espírito de liberdade religiosa dentro do contexto universitário da BYU, acreditando ser injusto punir alunos acadêmica, financeira, e profissionalmente por causa de suas crenças religiosas. O site da ‘BYU Livre’ oferece explicações básicas sobre como funciona, especificamente, esse tipo de discriminação religiosa, além de testemunhos de alunos que sofrem ou sofreram esse tipo de discriminação por parte da Universidade.

É a esperança do movimento ‘BYU Livre’ ver liberdade religiosa ser não apenas um princípio a ser ensinado pela Igreja, mas também vivido e praticado por ela.

Se você deseja apoiar a causa da ‘BYU Livre’, junte-se a outros membros da Igreja e assine o seu abaixo-assinado adereçado ao Presidente da Universidade de Brigham Young.


NOTAS

[1] A composição de alunos nativos do estado de Utah oscilou entre 18,3% e 34,2% de todos os alunos nos 17 anos entre 1998 e 2014, com média de 29,9% nesse período, e 32,15% na última década.
[2] A composição de alunos oficialmente membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias oscilou entre 98,27% e 98,77% de todos os alunos nos 13 anos entre 2002 e 2014, com média de 98,57% nesse período.

5 comentários sobre “Universidade Mórmon Sem Diversidade

  1. Ja vi que quem fez a materia é um nascio completamente desinformado e anti mormom. Soh tenho que pedir que voces tomem vergonha na cara e parem de mentir. Por pessoas como voces que esse pais Brasil nao vai pra frente, bando de corruptos mentirosos servos de satanas.

    • O que é um “nascio”, Patrícia?

      O que é “mormom”, Patrícia?

      O Ministério da Educação do governo federal dos Estados Unidos da América estão mentindo sobre esses dados demográficos, Patrícia?

      Você percebeu que todos os dados citados no artigo vieram do Ministério da Educação do governo federal dos Estados Unidos da América, Patrícia?

      Você percebeu que você veio para xingar, xingar, e xingar mas sem oferecer um argumento racional, um pensamento lógico, uma informação concreta, ou um fato sequer que demonstre que o artigo acima esteja errado, equivocado, desinformado, ou mesmo mentindo?

      Você poderia citar uma mentira no artigo? Um exemplo que sugira falta de informação? Uma indicação de corrupção? Uma ideia lógica ou racional sobre os dados levantados pelo artigo?

  2. Em 1990 Gordon B. Hinckley declarou que a BYU era o maior recipiente de fundos do dizimo na igreja com um custo operacional de mais de 1 bilhao de dolares anualmente. O mais triste disso e que a maioria dos beneficiarios dela sao justamente membros que vivem em paises de primeiro mundo, principalmente EUA e Canada onde existe varios outros recursos oferecidos pelo governo. Na secao 119 de D&C o Senhor deixa claro para que e como o dizimo deveria ser usado, nao ha mencao alguma que deveria ser usado para financiar curso superior para pessoas com situacao economica muito melhor que a maioria dos membros em outras partes do mundo onde muitos mal tem o que comer. Como sera que o Senhor ve essa grande diferenca dentro da igreja? Sabemos que para termos Siao estabelecida entre nos nao deve haver pobres na igreja. Em D&C 104 o Senhor deixa claro que deve haver igualdade na igreja: “16 Mas é necessário que seja feito a meu modo; e eis que este é o modo que eu, o Senhor, decretei para suprir meus santos, para que os pobres sejam aumentados naquilo que os ricos são diminuídos.” Vemos que o modo do senho nao e que os ricos e milionarios dentro da igreja continuem ricos e milionarios mas que sejam diminuidos em sua riqueza para que os pobres sejam aumentados.

  3. Morei nos EUA, fiz curso de Inglês em BYU, mas o que eu sei é que BYU é uma faculdade muito difícil, fazendo um analogia: BYU é como uma universidade de medicina no Brasil, que todos nós sabemos que para conseguir uma vaga no curso de medicina tem que ser excelente aluno, preparadíssimo. Não é fácil conseguir uma vaga para estudar lá.

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