A existência de uma divindade feminina, esposa de Deus o Pai, é um dos ensinamentos mais distintos do mormonismo. Quase transformado em tabu em décadas recentes, o tema hoje parece receber pouco mais que tímidas alusões no cotidiano da Igreja sud. Sequer a palavra “Mãe” é geralmente mencionada em textos oficiais, mas apenas subentendida nas alusões a “pais celestais”, como no documento A Família: Proclamação ao Mundo e no livro Princípios do Evangelho. O hino Ó Meu Pai, escrito em 1845 por Eliza R. Snow, esposa plural de Joseph Smith, permanece para a grande maioria dos membros como a afirmação mais acessível de tal doutrina:
Pelo espirito Celeste
Chamar-te pai eu aprendi
E a doce luz do evangelho
Deu-me vida, paz em ti.
Há somente um Pai Celeste?Não, pois temos mãe também
Essa verdade tão sublime
Nós recebemos do além!
A quantidade relativamente grande de referências à Mãe Celestial em discursos e escritos de líderes da Igreja no final do séc. XIX e início do séc. XX contrasta com a percepção contemporânea do tema na Igreja e a posição marginal que ocupa. Em décadas mais recentes, esse ocaso é atribuído por alguns às leituras feministas do tema entre intelectuais mórmons norte-americanos nas décadas de 80 e 90, incluindo alguns dos seis autores excomungados em 1993, como Margareth Toscano.
Em 1991, o presidente Gordon B. Hinckley, então primeiro conselheiro na Primeira Presidência, havia enfatizado que não era apropriado orar à Mãe Celestial. Naquele contexto incerto e doloroso, é muito provável que as mensagens foram recebidas pelos membros em geral como se significassem que o tema em si – Mãe Celestial – era inadequado ou mesmo um motivo potencial de excomunhão. Preocupações desse tipo podem ter sido ainda maiores para os membros sud fora dos EUA, ao receberem tais afirmações fora de contexto. Mas essas percepções talvez possam estar mudando.
Na última edição da BYU Studies, periódico oficial da Brigham Young University, mantida pela Igreja sud, David L. Paulsen and Martin Pulido tentam apresentar uma síntese dos ensinamentos de líderes da Igreja sobre a existência e papéis da Mãe Celestial ao longo da história mórmon. Em ‘A Mother There’: a survey of historical teachings about Mother in Heaven, os dois autores prestam um grande trabalho à compreensão do tema ao mostrarem para o público sud atual o fato mais óbvio mas não menos crucial: de que não se trata de um tema proibido e o silêncio que prevalece hoje não encontra paralelo na história da Igreja. De acordo com Paulsen, uma das motivações para escrever o artigo foi justamente “minha perplexidade quando recentemente comecei a ouvir com frequência cada vez maior pessoas falando sobre a necessidade de um ‘silêncio sagrado’ com respeito à Mãe Celestial”.
A pesquisa em si, financiada pela BYU e publicada no seu periódico, revela que há hoje uma abertura no debate doutrinário mórmon para reenfatizar a posição da Mãe Celestial em nossa teologia. Resta saber se o debate iniciado num periódico acadêmico terá reflexos no discurso da Igreja. Além disso, de que forma a doutrina será devidamente “encaixada” no quadro maior. A posição da mulher em relação ao sacerdócio, por exemplo, é um dos assuntos que podem vir à tona, relacionados ao tema da Mãe Celestial, o que aparentemente não desperta as melhores atitudes na maioria dos membros da Igreja sud.
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Vejam o que Fazem com O nome de Deus,
Imaginem o Que não fariam com o de Nossa Mãe Celestial.!
Com o Pai pode, mas com a Mãe não? A Mãe é mais importante que o Pai? Aff
Tenho muitas duvidas, Deus não teria criado Adão com barro, ou seja o fez com as mãos? por que teria necessidade de uma mulher sendo que Ele tem poder de criação? basta uma palavra para tudo ser feito. Se eu conheço um pouco da bíblia, acho que o homem foi criado do barro, e Eva da costela, então por que acham que Ele teve que ter uma mulher para fazer filhos? não entendo, tenho medo de seguir coisas erradas e ir para o inferno.
Amiga,
As vezes o Senhor utiliza-se de metáfora para passar seus ensinamentos, por exemplo: Quando é dito que a “serpente” tentou Adão e Eva no Jardim do Éden, não quer dizer que foi um animal e sim Satanás que é comparado a uma “cobra traiçoeira”, a mesma coisa com relação a ter criado o “Homem do barro”, não temos o conhecimento de toda a ciência e biologia usada pelo Pai Celestial, afinal Ele tem o conhecimento perfeito, como diz a escritura em Doutrina e Convênios 37:6-7, “O Senhor faz com que coisas pequenas e simples confunda os homens…”. É nessa hora que devemos exercer a nossa fé Nele. Pois fé nada mais é do que acreditar “naquilo que não vemos, mas sabemos que é verdadeiro…”.
Sei que você tem muitas dúvidas e a única forma de saber a verdade e perguntando (em forma de oração) para Deus. (Tiago 1:5). Talvez Ele não responda pessoalmente para você, mas vai deixar um sentimento Bom ou Ruim como resposta. Então pergunte a Ele e dependendo do sentimento que você tiver já terá a sua resposta. Muito tempo atrás eu fiz isso e posso te dizer com propriedade que suas dúvidas serão sanadas, como as minhas foram, pois um Pai nunca deixa de responder uma pergunta do seu filho. E buscar as coisas certas não te levam para o Inferno, mas sim as ações erradas que mancham seu caráter.
Abrç.,
Douglas
Quando falamos em “mãe celestial”, falamos na criação de nossos espíritos! Antes de Adão vir à Terra, ele era Miguel Arcanjo.
Que Adão foi originado do “barro”, ou melhor, dos elementos que constituem o barro, não temos dúvidas.
A questão é: quem deu origem ao espírito de Miguel, antes da fundação do mundo? Deus sozinho? Ou há um ser celestial feminino, a qual junto com o Pai deu origem a nossos espíritos?
O primeiro capitulo de Genesis vemos Um Deus criando pelo poder de sua palavra, talvez seja a criacao espiritual, no segundo Capitulo vemos um Deus fisicamente envolvido na criacao, para responder sua pergunta, sim Deus criou Adao com suas maos, ele plantou, irrigou, entre outras coisas, no versiculo 19 indica que ele tambem criou todos os animais com elementos encontrados na terra “Depois que formou DA terra todos os animais do campo e todas as aves do ceu”. O trabalhou arduo sempre fez parte da natureza divina, por isso o Senhor descansou no setimo periodo da criacao, se ele criado tudo simplesmente proferindo palavras nao creio que ele sendo Deus todo poderoso teria cansado e necessitado de descanso.
O que eu acho mais interessante nesses dois relatos da Criação é que no primeiro relato só existia inicialmente água, e Deus junta as águas debaixo do céu e faz surgir a porção seca que chama de terra. Já no segundo relato, só existia terra seca e não havia vegetação porque ainda não tinha chovido.
O primeiro relato parece ser de uma cultura em que a água era abundante, já o segundo relato parece ser de uma cultura em que a água é escassa, descrevendo o jardim do eden como um oasis no meio do deserto.
No primeiro relato, a mulher tem um status de igualdade como o homem. Já no segundo relato, a mulher depende do homem para existir, que é criado primeiro.
No mais, os relatos divergem na sequencia da criação dos astros e seres viventes.