Quais os problemas enfrentados por mães divorciadas ou solteiras dentro da Igreja sud? Há preconceito contra essas mulheres? O que pode ser feito para que sejam melhor recebidas e tenham plena cidadania na Igreja?
Numa instituição que valoriza a família tradicional e que percebe o casamento e a paternidade e maternidade como passos para a deificação, sabemos que podem surgir certos “efeitos colaterais”: ser solteiro, por exemplo, pode ser algo socialmente incômodo para membros que há tempo deixaram a adolescência. Isso também afeta fortemente aqueles que são divorciados, pois ainda que o divórcio tenha sido a última saída para a solução de sérios problemas, o divórcio é geralmente representado na Igreja como um problema em si e os divorciados, pessoas que não perseveraram até o fim. E, claro, solteiros ou divorciados que são pais e mães parecem se distanciar ainda mais do ideal de família tradicional representado pelas fotos da Liahona.
Quando muitos se preparam para celebrar o dia das mães, eu me questiono como é ser mórmon, mãe e solteira. Evidentemente, não é uma experiência que eu possa viver e falar a respeito. Mas nem por isso isso me preocupa menos. A extrema habilidade que nossas congregações (alas ou ramos) têm para excluir pessoas, somada a padrões familiares idealizados por muitos mas alcançados por poucos em nossos dias, estariam fazendo das mães solteiras e divorciadas as vítimas preferenciais do conjunto de fatores que afasta os membros da Igreja?
Leia ainda

Isso era uma das coisas que mais me irritava na época que era da igreja, esta pressão em cima da gente, sempre seguida da “desculpinha” de que é para nosso bem ou que precisamos seguir estas pessoas pois são “chamadas” por deus e elas nos guiam, acho tudo tão idiota, mas isso são ordens da liderança lá de cima pelo que percebi na época e que alguns líderes me diziam, nunca confiei neles, hoje afastada a anos, sei por outros que estão lá de muitas confissões que eu fiz no bispado e o assunto era para ter ficado lá , não só aconteceu comigo mas com vários outros, eles pensam que podem sair falando só porque vc não vai mais voltar para lá mas enfim são tantas coisas para contar que ficaria aqui até ano 2090.
Me lembro a primeira vez que fiquei grávida, eu estava com 35 anos e solteira, lembro- me do conselho que a esposa do meu presidente de estaca, que é médica, me deu, quando fui pedir à ela uma guia pra exame de Beta HCG pra confirmar a gravidez. Ela me disse que se alguém me criticasse ou falasse mal de mim por estar grávida solteira, que não me importasse por que naquele momento o que mais importava era a vida do meu futuro bebê e que ninguém ali me sustentava em nada, portanto sem direito de falar nada a meu respeito.
Alguns meses depois eu me casei, já com sete meses de gestação e foi lá na Igreja, numa cerimônia fechada, não para manter as aparências, mas por que fazer festa tendo ainda o enxoval do bebê pra completar ia ser muito dispendioso. Hoje tenho dois filhos, ainda não fui selada no templo, meu marido só se tornou membro depois do nosso casamento. Na minha ala temos três mães não casadas, quero dizer, uma mãe solteira mesmo, uma divorciada e outra que divorciou duas vezes já, mas sinceramente não vejo tratamento diferenciado pra elas, uma é primeira conselheira na Soc. Soc., outra tem chamado de conselheira na presidência da moças da estaca e a outra é mais idosa e uma de minhas melhores amigas, está sem chamado, em tratamento de câncer. Mas enfim, quando eu era solteira e mais um monte de amigas minhas, a impressão que tinha era mesmo que ser solteira era como se fosse deficiente na Igreja, parece que você não serve pra muita coisa, como se fosse gente sem futuro. Essa é a cultura ruim da Igreja sobre isso. Se ficar muito tempo solteira, vai encalhar ninguém mais vai querer, é por isso que muitos casamentos não dão certo. Eu mesma, antes dessa história toda que vos contei, fui casada, selada no templo por um ano e meu casamento foi por água abaixo por incompatibilidade mesmo. Fui na onda de alguns membros e meu antigo presidente de estaca que chegou a me dizer que se eu não me casasse com o fulano eu ia ficar solteira para sempre, eu não queria isso, acabei me casando e um ano depois, divórcio, há uma longa história dentro desse casamento de um ano, uns três meses depois de divorciada, conheci meu atual marido de quem fiquei grávida pela primeira vez aos 35 anos e solteira. Vivo muito bem com ele e ele é um super pai. Mas vou parando por aqui, senão vou ficar o dia todo falando do meu primeiro casamento quando fui selada no templo e o cara só me roubou.