Política e poligamia

Obama e Romney descendem ambos de famílias poligâmicas. Mas o que democratas e republicanos pensam sobre poligamia?

Poligamia é um dos temas mais persistentes na história mórmon e ainda hoje afeta tanto a maneira como a Igreja sud é vista por não-membros quanto o imaginário dos próprios membros. Não é de se estranhar que no chamado “momento mórmon”, quando um sud, Mitt Romney, coloca-se como o  mais forte (numericamente falando) adversário republicano de Barack Obama, que o tema do casamento plural venha à tona nos debates sobre o mormonismo. Mas o que pensam eleitores independentes e aqueles identificados com os dois maiores partidos dos EUA em relação ao tema?

Uma recente pesquisa realizada pelo instituto Gallup para o New York Times, perguntou a democratas, republicanos e independentes suas opiniões a respeito de diversas questões morais, pedindo que o entrevistado se posicionasse em termos de “moralmente aceitável” ou “moralmente errado”.Perguntados sobre poligamia, os correligionários de Romney demonstraram o menor índice de aceitação: apenas 5% dos republicanos entrevistados consideram a poligamia moralmente aceitável. Já entre os democratas (correligionários do presidente Obama), o índice foi de 11%. Eleitores independentes  expressaram a maior aceitação dentre os três grupos: 14%.

O fato da maioria dos republicanos e democratas considerarem a poligamia moralmente errada se mostra ainda mais curioso se lembrarmos que tanto Barack Obama quanto Mitt Romney são descendentes de poligamistas. Nada comparado, claro, a Joseph Smith que ao concorrer à presidência dos EUA era ele próprio um poligamista.

Na pesquisa do Gallup, outros temas controversos, incluindo aborto, suicídio, pornografia e clonagem humana, tiveram maiores índices de aceitação entre republicanos e democratas, quando comparados à poligamia. No geral, a pesquisa confirma uma maior abertura de valores morais entre democratas em relação aos republicanos, mas surpreende ao mostrar que eleitores independentes superam os democratas em muitos pontos, como no caso da poligamia.

Seriam os eleitores brasileiros mais propensos a perceber a poligamia como moralmente aceitável? Membros da Igreja sud seriam mais propensos a condenar a prática?

Agradeço a Daymon Smith pelo aviso sobre essa pesquisa.

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13 comentários sobre “Política e poligamia

  1. Independente das considerações morais ou que façamos ou objeções que tenhamos acerca da poligamia (ou outros arranjos familiares), penso que deve ser facultado a cada ser humano escolher por si mesmo a forma de relacionamento que mais lhe convém – desde que isso não implique envolver quem não queira ser envolvido ou aqueles que por sua falta de maturidade (como crianças e adolescentes) sejam envolvidos nessa prática sem as condições intelectuais e emocionais necessárias para sua avaliação e eventual aceitação ou rejeição. A poligamia não é intrinsecamente má e existem muitas pessoas que optam por esse arranjo (o fato de ser por motivação religiosa não desqualifica a prática ou a torna menos legítima).

  2. Quanto ao fato de Joseph Smith ser o iniciador da poligamia, tenho sérias desconfianças. Alguns escritos mostram Joseph se opondo violentamente à prática. A destruição das prensas do Nauvoo Expositor (o que ocasionou a prisão de Joseph e o martírio) foi motivada exatamente pelas acusações ali publicadas de que este ensinava e praticava secretamente a poligamia. O texto registrado em D&C 132 só “apareceu” cerca de 8 anos após a morte do Profeta, quando Brigham Young necessitava desesperadamente de legitimação para a prática. Enquanto o Profeta vivia seus opositores não puderem indicar mais do que um par de possíveis esposas plurais. As demais esposas de Joseph só aparecem muito tempo após a morte do Profeta, quando era considerado de um status superior tal vinculação com o fundador da religião e fornecia suporte adicional para aqueles que afirmavam que Joseph era o iniciador da prática.

    Para mais informações sugiro a leitura do texto Why I’m Abandoning Polygamy, de Alan Rock Waterman, disponível em: http://puremormonism.blogspot.com.br/2010/06/why-im-abandoning-polygamy.html

    • Leonel,

      essa teria de que a poligamia veio através da influência dos seguidores ou ex-seguidores de Jacob Cochran (exposta no livro “Joseph fought polygamy”) ignora alguns fatos básicos. Nem os historiadores ligados à Comunidade de Cristo (como o excelente John Hammer), negam que Joseph Smith tenha sido o iniciador da prática e que ele próprio teve casamentos plurais e oficiou a outros o mesmo.

      Em primeiro lugar, a prática era secreta e publicamente negada por Joseph Smith. Por isso é que há registros de Joseph “lutando ” contra a poligamia, claro, e a maior parte de suas esposas plurais não era conhecida. (Aliás, até hoje não se tem certeza absoluta se todas nos são conhecidas). Rumores internos e externos acompanharam Joseph desde o início da década de 1830. A tese também ignora a rejeição da poligamia por parte de Sidney Rigdon e outros e os arranca-rabos que teve em torno do tema, sobre os quais há evidências da época em que aconteceram.

      O que o fatos sobre o movimento cochranita reforçam é que havia em muitos dos movimentos restauracionistas da época uma série de “experimentos familiares” ocorrendo nos EUA – como o celibato dos Shakers, a poligamia do profeta Mathias, os experimentos da comunidade Oneida, etc. Isso tudo pode ter afetado/influenciado Joseph Smith? Não tenho dúvida que é uma forte possibilidade.

      • “Em termos de quem iniciou a poligamia: todos os líderes da Comunidade de Cristo que conheço estão conscientes de que Joseph Smith Jr. é o criador da poligamia e isso é verdade em relação à maioria dos membros com quem já falei. No entanto, há todo um segmento de membros (especialmente a geração mais velha) que não acredita que a evidência exista.” (John Hammer – http://www.mormonheretic.org/2009/06/09/interview-with-the-community-of-christ/)

      • A questão básica que se impõe, ao menos para mim, é: como a reputação de Joseph como homem de Deus pode sair ilesa se aceitarmos que, de fato ele é o iniciador da poligamia? A única conclusão honesta seria que ele não passava de um mentiroso escroque que esteva tentando se proteger. Senão vejamos, condenar publicamente uma prática enquanto secretamente a endossa e pratica. Não vejo como acreditar em tal coisa sem colocar em xeque o caráter e a própria legitimidade de Joseph como profeta.

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