A pedra e a vidraça

stoneAs fotos de uma das pedras de vidente usadas por Joseph Smith divulgadas pela Igreja ontem estão gerando reações variadas. Há aqueles que expressam o prazer da descoberta ou o alívio de verem a informação divulgada mais amplamente. As reações mais visíveis, porém, são de deboche (por parte de críticos rasos) e medo (por parte de crentes rasos). Reações infelizmente bastante previsíveis.

Por que muitos santos dos últimos dias sentem medo? Fazendo de Joseph Smith uma Autoridade Geral engravatada e/ou fazendo de Deus um mórmon ortodoxo, muitos parecem sentir uma ameaça na pedra marrom. Talvez ela não pareça especial o suficiente. Talvez seja trabalhoso demais reimaginar uma narrativa. Talvez pensem que ela será jogada contra sua vidraça.

Muitos mórmons têm uma postura altamente defensiva, reagindo a ataques reais e imaginários. Não é raro ouvir que determinado tema não deva ser discutido porque os não-membros não entenderão. Ou os membros novos da Igreja se afastarão. Ou os anti-mórmons ganharão mais munição. Esse tipo de pensamento, creio, apenas esconde o preconceito dos próprios mórmons e suas expectativas sobre o mormonismo.

O historiador mórmon Richard Bushman comenta:

Por que então a foto de uma pedra rajada marrom nos incomoda? Acho que porque cruza uma divisão que tínhamos entre religião e superstição. Sabíamos sobre o anjo e o Urim e Tumim por tempo o suficiente  para assimilá-los em uma religião respeitável. Esses são os caminhos de Deus. Do outro lado da divisão estão bruxaria e encantamentos e cartas de tarô.  Essas são superstições tolas em que o inculto acredita. Não queremos nada disso.

O medo irá prevalecer a ponto de impedir que informações históricas reconhecidas ontem cheguem no cotidiano da Igreja? Eu vejo dois cenários possíveis:

  1. A informação de que Joseph Smith utilizou uma pedra como instrumento revelatório virá a ser popularizada entre os membros da Igreja SUD nos próximos anos, sendo mencionada em materiais do Seminário, Instituto e Escola Dominical. Obras de arte representando o uso da pedra ilustrarão publicações da Igreja. E, para começar, o artigo da Ensign também estará em português (e em outros idiomas) na Liahona do próximo mês de outubro.
  2. A informação divulgada ontem não será incluída em outro materiais da Igreja. O artigo mencionando a pedra de vidente não chegará à Liahona.

Qual você acredita ser o cenário mais provável? Qual seriam as reações na sua ala, ramo, entre familiares e amigos SUD? Quais as reações nos fóruns e comunidades online no Brasil? A “descoberta” da pedra de vidente será um passo para que mórmons abracem sua própria história e sejam mais abertos ao estudo da mesma?

Veja aqui as fotos da pedra

6 comentários sobre “A pedra e a vidraça

  1. Axo que o grande problema é que a maioria dos suas estão tão preocupados com sua responsabilidades burocráticas vazias que não se interessam em conhecer sua própria história, sempre fui curioso, aprendi a doutrina do casamento plural sozinho aos 9 anos e sobre a Pedra vidente aos 12, ve-la ( A pedra) me deixou feliz, pela curiosidade, mas em nada muda o fato de saber que por mais falha e bizarra que seja a história da Igreja, ao ela fascinante.Creio que muitas pessoas se afastam por estar esperando um sistema de leis perfeitos e pessoas santas, sendo que isso nunca foi nem nunca será possível nessa esfera humana, os Profetas são apenas homens com uma responsabilidade enorme, mas são pecadores sujeitos s todas as fraquezas como nós, não duvido que por exemplo na época da poligamia não existisse homens que praticavam apenas por ter direito a mais parceiras para o sexo!! Mas o que tem de errado nisso?? São homens, falhos!! São somos santos (no sentido de perfeição terrena inquestionável) Precisamos conhecer mais nossa história, nem sentir vergonha dela, Que mais pedras videntes, mais esposas, mais matadores, mas documentos polêmicos apareçam cada vez mais , para desmistificar essa visão furada de uma religião sem passado!!! Meu testemunho cada vez mais inabalável por cada noticias polemica e bizarra que surge, isso mostra cada vez mais que o Reino é feito de pecadores bizarros arrependidos, não de falsos santos mascarados.

  2. Um dos comentários que ouvi foi “acho difícil acreditar, como em muitas outras coisas, mas só aceito.” Também ouvi aqueles que não tem dúvida alguma. Eu torço pelo cenário I. Concordo que devemos ter acesso a história abertamente e sem preconceitos e medos. Acho que o testemunho não teria que ter relação alguma com o reconhecimento da história da Igreja. Não consigo ver relação de uma coisa com a outra.

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