Professor da BYU relata em entrevista como membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias estão sofrendo com decisão recente da liderança da Igreja SUD de ameaçar rompimento com os Escoteiros da América.
Quin Monson, professor de ciência política na universidade Mórmon Brigham Young University, relata em entrevista à estação norte-americana NPR os conflitos pessoais encarados por ele e seus correligionários acostumados a décadas de voluntarismo e colaboração com a maior organização para rapazes jovens do mundo.

Thomas Monson demonstra a saudação do Escoteiro. 16o Presidente da Igreja SUD, Monson sempre enfatizou a importância do escotismo para os jovens (rapazes) Mórmons, como todos os outros profetas desde 1910.
Quando a direção executiva da Boy Scouts of America, como é oficialmente conhecida a organização de escotismo, decidiu contrariar os desejos expressos da liderança SUD e aceitar homossexuais nos seus quadros de voluntários e líderes, a Igreja SUD emitiu nota oficial ameaçando romper seu longo relacionamento com o escotismo, mesmo sendo assegurada pelos escoteiros que igrejas permaneceriam livres para discriminar contra gays em suas unidades específicas:
…[O]rganizações religiosas poderão continuar a usar suas crenças religiosas como critério para selecionar líderes adultos, inclusive em questões de sexualidade.
Monson, ex-escoteiro e atual pai e líder voluntário de escoteiros, é recebido pela repórter da NPR recém-retornado de um acampamento de escotismo:
“A Igreja [SUD] pegou o programa de escotismo e decidiu que seus valores e sua missão se alinhavam o suficiente com o programa para rapazes que o adotaram na íntegra. Básicamente, se você é um jovem rapaz Mórmon [nos EUA], você também é um escoteiro. Em algumas maneiras, é difícil separar os dois.”
Trechos traduzidos da entrevista abaixo (ouça-a na íntegra no site da NPR):
O que Mórmons estão falando sobre a decisão dos Escoteiros?
É um assunto que está óbviamente na mente de toda comunidade de escoteiros em Utah, que é naturalmente predominantemente SUD. A minha impressão é que não há frustração com a Igreja tanto quanto há com o programa de escoteiros, e também frustração que esse relacionamento esteja sendo ameaçada, porque é algo que é muito valorizado e amado. Eu acho que a maioria dos líderes de escoteiros SUD é fiel ao escotismo, mas suas fidelidades primárias estão com a Igreja, e eles irão seguir quaisquer direções que a Igreja peça deles.
Por que a Igreja romperia com os Escoteiros?
O pronunciamento dos Escoteiros da América permite líderes voluntários que sejam abertamente gays, e o que isso significa na prática é… eu acho que isso pode significar um conflito com a política oficial da Igreja, que é que você pode se identificar como gay e ser um membro fiel e ativo na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O problema é agir nessa atração homossexual, então há uma distinção entre ações e orientação.
Qual foi a reação do seu filho sobre a decisão dos Escoteiros?
Sua reação foi interessante. Não é uma preocupação para ele. Ele é um moleque pensador, profundo, mas sua reação foi: “Bom, eu não sei porque isso deveria ser importante, pai. Por que toda essa celeuma?”
Essa é a parte difícil de tudo isso, que impacta num grupo de rapazes jovens que não sabem necessariamente as razões do que está acontecendo.
Como você se sentirá se a Igreja realmente romper com os Escoteiros?
Bom, eu me sinto conflitado com isso, também. Sim, isso me trará muita tristeza, especialmente por causa da minha história pessoal com o escotismo é recheada de memórias incríveis.
Eu acho que este problema com os escoteiros revela bem a contradição do discurso da Igreja em relação aos gays. A Igreja permite que um membro se reconheça como gay desde que ele siga os padrões e mandamentos e renuncie a qualquer tipo de relacionamento de caráter homossexual. Até aí ok. O que a organização dos escoteiros aprovaram, me parece, é que seus lideres poderão se declarar abertamente gays. Eu não vejo ai nenhum problema para a Igreja querer retirar o seu apoio a organização. A Igreja não fez um site para gays e mórmons dizendo que todos os membros deveriam aceitar os homossexuais dentro de suas alas? Recebe-los e tratá-los com respeito e dignidade? Mas a Igreja se revolta contra a organização dos escoteiros simplesmente devido a possibilidade de existirem novos lideres que se declararão gays? Eis aí uma contradição. Então a Igreja está a afirmar que gays são uma ameaça simplesmente por se declararem gays? Porque sejamos francos, o fato de um lider dos escoteiros se dizer gay não altera em absolutamente nada as suas práticas durante as atividades a organização. Mas, pelo visto, a Igreja agora está obstinada a negar até mesmo a liberdade das pessoas se declarem gays.
Acho que a igreja está mantendo o mesmo padrão sim. Devemos lembrar que os escoteiros realizam acampamentos e retiros que ficam dois, três ou quatro dias isolados no mato. Convívio junto durante 24 horas, pode levar aos que possuem tendências a homossexual se interessarem por algum desses jovens e desviarem o objetivo do programa de escotismo.