Namoro e Casamento entre Jovens Mórmons

Jovens Mórmons encontram desafios para namorar e casar-se diferentes de não-membros?

Interessante peça jornalística na revista ‘TIME’ explora algumas das características idiosincráticas da cultura Mórmon nas práticas sociais de namoro e casamento e dos desafios atuais da juventude Mórmon.

Jovens SUD

Moças SUD sofrem com escassez de rapazes na Igreja para namorar ou casar-se?

Eis alguns destaques dessa investigação:

  • Há mais mulheres na Igreja que homens.

De acordo com estudo da Trinity College chamado Pesquisa de Identificação Religiosa Americana (American Religious Identification Survey ou ARIS), há 150 mulheres Mórmons para cada 100 homens Mórmons no estado de Utah, ou 3 mulheres para cada 2 homens.

  • Homens na Igreja se aproveitam desse desequilíbrio.

Uma veterinária de San Diego entrevistada desabafa que os “homens [da Igreja] ficam esperando que possa aparecer uma mulher melhor, mais perfeita”. Além disso, diz que por causa da escassez de homens, mulheres na Igreja acabam se submetendo a intimidade sexual além do preconizado pela religião: “Há uma cultura de namoro muito mais promíscua dentro da cultura Mórmon por causa desse desequilíbrio”.

  • Mulheres Mórmons acabam se casando com homens não-Mórmons ou tendo filhos independentemente.

Entrevistada, a dona de um site de relacionamentos voltado para Mórmons chamado ‘Mormon Matchmaker‘, afirma que tem o triplo de mulheres cadastradas que homens em seu banco de dados, e relata dúzias de casos de mulheres que acabam desistindo de buscar parceiros dentro da fé para casar-se com membros de outras religiões ou mesmo ter filhos em “produções independentes”. Relata que, nos casos de 10 amigas próximas, muitas histórias pessoais chegam a ser tristes e dolorosas.

  • Demograficamente, há mais mulheres em idade de casamento que homens. Inclusive, a Igreja SUD sofre de uma dos maiores desequilíbrios de gênero entre religiões nos EUA.
  • A multiplicidade de opções em parceiras paralisa os homens SUD.

Uma gerente administrativa entrevistada pondera que “há tantas opções para homens que é difícil pra eles tomarem uma decisão [para casar]”.

  • Mulheres são mais ativas na Igreja SUD que homens. Estes abandonam a fé com maior frequência.

De acordo com estudos da Pew Research Center, 67% de ateus são homens. De acordo com dados publicados pela própria Igreja, a razão mulheres/homens em 1990 era 52:48. De acordo com dados publicados pelo estudo ARIS, esta razão em 2008 mudou para 60:40.

  • O desequilíbrio demográfico entre homens e mulheres SUD é mais pronunciado entre solteiros.

Nos EUA, especialmente em Utah, há alas designadas exclusivamente para membros solteiros. Em um exemplo citado, uma ala na Cidade de Lago Salgado, a Parley 7, tem 429 mulheres em seu registro, contra 264 homens.

  • Atividades sociais não ajudam.

Uma repórter de televisão de Utah entrevistada queixa-se que em há 2 mulheres para cada homem nas atividades sociais organizadas pela Igreja ou por membros em sua região. Ela relata que acaba passando mais tempo socializando com outras mulheres:  “Eu chego a viajar em cruzeiros para [Mórmons] solteiros e volto com nenhuma paquera mas incríveis amigas novas”.

  • Paradoxo da Escolha: Esperar pela Esposa Perfeita!

A repórter entrevistada continua: “Para homens, há tantas escolhas que acabam não escolhendo. O sonho de um homem Mórmon é casar-se e ter seis filhos. Ao envelhecer, seu sonho nunca se altera. Mas quando se é uma mulher de 37 anos de idade, você já é velha demais para esse sonho.”

Um professor de Sociologia da Universidade de Tampa entrevistado concluí que o êxodo de homens da Igreja é um efeito colateral da crescente importância da missão na vida Mórmon. Antigamente, servir missão era uma opção. Atualmente, é um pré-requisito para participação em cargos de liderança e, consequentemente, status social.

  • A maioria dos homens Mórmons não serve missão.

Homens Mórmons são compelidos a servir missões justamente no período de vida quando sociologistas dizem que é mais propenso para o abandono de religiões organizadas. O sociólogo entrevistado diz crer que este foi o real motivo pelo qual a Igreja SUD decidiu reduzir a idade para missionários de 19 anos para 18 anos de idade: “Eu acho que eles estavam perdendo muitos membros que começavam suas faculdades aos 18 anos, ou entravam no mercado de trabalho, e simplesmente chegavam aos 19 anos sem o ímpeto de abandonar suas vidas para servir uma missão”.

  • Reduzir a idade missionária parece ter reduzido o problema da evasão.

Entre 2012 e 2014, o número de Mórmons servindo missão de 58 mil para 83 mil. Se essa tendência persistisse, poderia haver uma redução na taxa de evasão de homens, e consequentemente uma redução na disparidade entre homens e mulheres.

  • Homens Mórmons estão postergando casamento.

Artigos recentes vem documentando essa tendência entre membros da Igreja SUD, assim como a própria liderança da Igreja, que encaram essa atitude como um problema religioso.

Alunos da universidade oficial da Igreja (BYU) entrevistados dizem achar que a idade ideal para casamento é 30 anos.

  • Homens Mórmons objetificam mulheres.

David Dollahite, professor da BYU, acusa os rapazes Mórmons de ter uma “mentalidade de mercado” com respeito a mulheres: “Atualmente, estou namorando uma mulher [nota] 9,7. Mas, se eu esperar um pouco, posso conseguir uma mulher [nota] 9,9!”

Hannah Wheelwright, voluntária no Ordain Women, adiciona: “No mercado de namoros, os homens detêm todo o poder. Eles têm todas as escolhas, enquanto as mulheres gastam horas preparando-se para os encontros porque, afinal, sua salvação eterna e exaltação dependem exclusivamente de um casamento com um homem digno de portar o Sacerdócio”.

Ademais, ela ilustra o processo de objetificação de mulheres: “Os corpos das mulheres são debatidos [entre os homens]”. Homens Mórmons são, portanto, muito mais exigentes com as aparências e atributos físicos das mulheres, o que tem levado a uma obsessão competitiva por estética, cirurgia plástica, e cosméticos entre mulheres Mórmons.

  • Embora sexo antes do casamento ainda seja tabu, as normas sociais entre Mórmons vêm mudando.

Recém-formada, Wheelwright coloca o cenário atual em perspectiva: “Na BYU, muitos Mórmons da minha idade não consideram sexo oral como sexo.”

  • Mórmons são fanáticos por cirurgia plástica!

“Eu já vi as próteses mamárias mais chamativas e as cirurgias plásticas faciais mais radicais em Utah do que em qualquer outro lugar do país, especialmente entre mulheres Mórmons. Elas dizem que castidade é a maior virtude, mas isso não impede ninguém de comprar pra si seios enormes”, pondera o sociólogo.

O site RealSelf.com, dedicado a cirurgias plásticas, publicou estudo em 2011 na qual residentes de Salt Lake City constituíam os maiores visitantes em busca online por cirúrgias plásticas. Em 2007 a revista Forbes publicou matéria entitulando-a como a “cidade mais vã”, com 4 cirurgiões plásticos por 100.000 habitantes, 2,5 vezes acima da média nacional. Salt Lake City gastava em 2006, além disso, USD 2,2 milhões em produtos para tingir cabelo e USD 6,9 milhões em cosméticos, enquanto  Oklahoma City, com uma população um pouco maior, gastava USD 172.000 e USD 594.000, respectivamente.

Kimball Crofts, cirurgião plástico em Salt Lake, relata que “há tantas mulheres atraentes aqui que os homens escolhem demais e ficam exigentes.” Ele diz que próteses mamárias, lipoaspiração, e toxina botulínica são os procedimentos mais pedidos. Ainda relata que algumas pacientes vão a pedido de seus namorados mais do que por volição própria.

  • Assimetria de expectativas sociais pioram, ao invés de melhorar, o quadro.

Casar-se e ter filhos é a principal responsabilidade e aspiração de vida dentro da fé SUD. A desigualdade demográfica, que dificulta um casamento dentro da fé, só torna o que seria uma desilusão numa situação social degradante. Opina Wheelwright:

“Numa religião onde mulheres são inteiramente desnecessárias na estrutura essencial da Igreja, ter um desequilíbrio de gêneros onde há mais mulheres que homens apenas serve para intensificar o efeito [negativo].”

Como nós vivenciamos isso nas nossas comunidades Mórmons brasileiras?

75 comentários sobre “Namoro e Casamento entre Jovens Mórmons

  1. Engraçado que todos os comentários que vi falando que a essa coisa de pressão não existe e coisa e tal vieram de homens! Homens, queridos, vcs NÃO TEM A MÍNIMA IDEIA do que é ser mulher com mais de 30 na Igreja. Não tem mesmo! Não sabem de um terço do que a mulher com mais de 30 passa. O homem é sim privilegiado: pode ser um ogro que vai conseguir alguém para casar (tem doida pra tudo) mas e a mulher? Não interessa se ela tem faculdade, tem emprego bacana, tem vida equilibrada (o que não significa perfeita), não importa nada disso se vc tem mais de 30… nem digo 30, digo uns 26 pra frente. Nosso valor é ZERO. Entendam isso: ZERO!!! Aliás, a gente até vale alguma coisa quando o assunto é servir, quando precisam dos nossos conhecimentos e etc., mas tirando isso, necas! As aulas da SocSoc são voltadas para mulheres casadas SIM, não tem espaço pra solteira na Igreja não meus lindos. Comecem a observar mais e vão perceber como as mulheres são tratadas!

    Não existe sentar numa sala com as líderes e não sair esse assunto. A nossa vida de solteira se resume em “encontrar um marido urgente”. Ninguém pergunta como tá sua vida, o que vc precisa, nada disso. “Tá namorando? Não!?!?!?! Sério? Aqui, mas e o ciclano, ele é bacana!” E vc vai ver o ciclano é um pamonha ridículo…

    Homens, vcs tinham que viver um dia no corpo de uma mulher solteira, com mais de 30, nem linda nem feia, com cólica, cansada do trabalho e isso tudo num domingo de manhã em que a Pres. da SocSoc tá de pá virada e decide descontar toda a frustração com a vidinha mais ou menos que leva em vc. Aí, depois de passarem por isso, vcs podem dar opinião!

    • Não há maneira de se resolver um problema, de se evoluir, superar, a não ser expondo, debatendo, e deixando sangrar. Analgésicos não curam. Anestesia não cura. Fingir que não acontece não resolve o problema. É preciso garantir espaços onde as pessoas possam exteriorizar o problema, para então identificarmos as causas e refletirmos sobre elas, buscando mudanças. Claro que tomar um analgésico e empurrar o problema pra frente é uma medida imediatista e mais barata, mas a doença vai evoluindo e causando estragos em todo o sistema. Aí vemos este número enorme de evasão, divórcios, pessoas fracas etc. Colocar toda a culpa na falta de testemunho do evangelho é fácil, mas é ignorar importantes variáveis do problema. Refletir sobre práticas e cultura é difícil, é fazer autocrítica, e isso é incomodo e incerto. Mas é a única maneira de realmente conseguir um tratamento eficaz para doenças seculares que vêm corroendo o sistema.

    • Jogar a culpa nos outros é fácil, mas eu te pergunto: o que vc fez para conseguir encontrar a pessoa certa pra vc? (isso se for solteira). A sociedade tem culpa? sim, mas se fosse pensar assim não tinha conseguido nada na vida. Sou negro nordestino e tive uma infância bem pobre, se fosse culpar as circunstancias da vida e a sociedade, não tinha feito metade das coisas que fiz. Por exemplo eu nunca namorei uma moça da igreja antes da minha esposa.Elas não queriam nada com o pretinho pobre e favelado! Fui buscar lá fora, começamos a namorar na 8 serie, ela veio algumas vezes, eu fui na igreja delas varias vezes, até que depois de meses ela decidiu se batizar. Continuo nordestino e preto, mas casei com uma gata que é além de minha amiga de longas datas , minha esposa e mãe da minha filha, enquanto que muitas das “esnobes” de casta alta estão sozinhas mal amadas e pesando mais de 90 kg.Resumo da ópera gente que põe banca tem em ambos os lados.Tenho uma amiga que casou recentemente aos 40 anos, que passou a vida toda esnobando bons homens, honestos, trabalhadores, fieis, com vidas financeiras estáveis apenas porque não eram lindos loiros e fortes.Casou com um amigo dela que tem metade da estatura pretendida por ela no passado, mas é um baita marido e pai. Generalização é umas das práticas mais absurdas que existe.

      • Generalização sempre é ruim, eu concordo. Mas focar nas exceções é uma maneira de colocar toda a responsabilidade no indivíduo e evitar a discussão do sistema como um todo, e em que práticas poderiam mudar, melhorar, ser adquiridas ou evitadas para que o problema seja superado, ou, ao menos, deixado apenas no campo individual. Ou seja, é preciso refletir: Quais práticas e quais falas, quais posturas e discursos (aqui no sentido amplo, de análise do discurso) podem contribuir para o agravamento da questão, e quais podem ajudar? Não falando de modo pontual, de uma pessoa, de um exemplo de pessoa que fez diferente, mas de uma cultura grupal, comunitária. Por exemplo, como um líder de jovens, um bispo, uma presidente das moças, da sociedade de socorro, como um presidente de missão ( posições que alguns de nós aqui já ocupamos ou podemos ocupar) pode contribuir para a formação e o fortalecimento espiritual e emocional dos jovens, para que eles tenham mais sucesso? Que práticas e falas estes líderes devem abandonar?
        Eu creio que a reflexão é sempre benéfica.

      • Ai ai Antônio! Vc não tem ideia do que eu fiz para encontrar uma pessoa legal. Fiz muito, corri muito atrás mas sabe como é, eu não sou “padrão SUD de beleza”: sou uma mulher normal: não sou feia não mas tb não sou a mais linda da Estaca. Entrei pra Igreja durante a adolescencia e sozinha, ninguém na minha família veio comigo, portanto, eu não tenho nome tradicional. Não sou rica mas sou muito esforçada e trabalhadora, malho pra tentar manter mais ou menos meu corpinho… ah, e sou preta tb! O que falta? Que os rapazes acordem pra vida e percebam que só existe UMA FILHA do presidente da Estaca e que não dá pra ela casar com todos os caras! Eu cansei daquelas atividades em que nós somos praticamente expostas numa vitrine e os rapazes ficam ali, pensando, analisando e depois de tudo, ainda tem a cara de pau de falar que vc não é digna o suficiente. Então, meu amiguinho, eu corri e muito atrás mas não encontrei. E eu acho que o problema não sou eu não pq agora que eu abri os horizontes eu não fico sozinha mais (digo isso pq se eu fosse uma pessoa “irc” eu não conseguiria namorar nem fora da Igreja). É padrão alto demais que os rapazes impõem e tá difícil alcançar essa barra, cara! Sinto muita falta da Igreja, de frequentar, de participar e tudo. Mas sabe o que aconteceu? Fiquei um ano sem ir na capela. No dia que fui, a primeira coisa que me falaram foi: “Oi, Euzinha! Volta logo pra Igreja! Vc tá ficando velha e não vai arrumar ninguém”… por mais mental que seja meu “Foda-se”, fica difícil de viver num ambiente assim.

      • Esse é outro grande problema na igreja SUD, eles pensam que há um grande cardápio de gente pronta para casar e ninguém pode escolher. Óbvio que sei que quem escolhe demais fica sem nada mas, ficar com qualquer um tbm nunca foi sábio, NÃO há homens preparados para casar, essa decisão, se é tão importante, eles tratam da maneira mais banal possível jogando você para cima de qualquer um, tanto é que hoje muitas estão casando com os americanos, que acham as brasileiras lindas, tem vida financeira melhor (não é perfeita, é óbvio) pois começam a trabalhar desde cedo, tem carro, casa, muitos fazem faculdade (mais do que aqui) e por aí vai, mas somos obrigadas a ficar com os idiotas, analfabetos daqui que não sabem nem ao menos escrever um texto direito.

  2. Euzinha, lendo teu depoimento me lembro da minha primeira entrevista logo que cheguei da missão o meu bispo me perguntou se eu não queria me casar com um idiota que ele “arranjou” para mim, (como se eu precisasse da ajuda de um “bispo-cupido”), realmente eles não tem bom senso tamanha é a lavagem cerebral deles, jogam vc para cima de moleques que NÃO sabem ao menos ler ou escrever, sem nem pensar em fazer uma faculdade, e olha que tenho 26 anos e eu era obrigada de todas as formas que vc imaginar a me casar com esses dementes ignorantes, me desculpe a sinceridade, beira mesmo ao ridículo essa igreja!

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