Dallin Oaks: Cartões de Natal

O Apóstolo Dallin H. Oaks foi à sua página pessoal de Facebook ensinar uma lição natalina que ele já havia contado em um discurso recente. Uma mensagem delineando quais cartões de Natais são apropriados para Mórmons.

Apóstolo Dallin Oaks no “púlpito sagrado”.

O Apóstolo Dallin Oaks, em sua recente mensagem de Natal para ex-alunos da Faculdade de Administração da Universidade de Brigham Young, teceu interessantes comentários sobre a missão e os ensinamentos de Jesus. (Leia artigo nosso sobre esses comentários aqui)

Ademais, naquele discurso Oaks havia comentado sobre cartões natalinos, e aparentemente, esse tema lhe pareceu importante o suficiente para repeti-lo a um público maior. Vejamos o que Oaks tem a dizer sobre tais cartões natalinos:

“Alguns anos atrás, analizei os cartões de Natal que recebi no meu escritório e em casa.  Havia muitos, de forma que não era uma amostra pequena. De forma significativa, minha amostra era tendenciosa a favor de imagens e palavras religiosas pelo simples fato de a maioria dos cartões terem sido enviados por líderes ou membros de minha fé.

Eu classifiquei os cartões que recebi em três grupos. No primeiro grupo, coloquei os cartões tradicionais — aqueles com uma menção explícita de Cristo e/ou gravuras evocativas do nascimento do Salvador. Somente 24% dos cartões que recebi eram dessa natureza tradicional.

No segundo grupo estavam aqueles cujos cartões de imagens e efeitos visuais não eram de todo religioso, mas continham as palavras “Feliz Natal” para identificar a origem religiosa do feriado. Este foi o maior grupo – 47%.

No terceiro grupo – compreendendo 29% dos cartões que recebi – não havia menção de Cristo ou do Natal e não há haviam visuais religiosos. Estes cartões continham palavras como “com os cumprimentos da Estação”, “Boas Festas”, “Paz no Ano Novo”, ou “Paz e Beleza nessa Estação.” Poucos foram tão ousados como para se referir a “Paz na Terra” ou “Fé, Esperança e Amor “, mas nenhum continha quaisquer imagens sugestivas de religião.

Para Santos dos Últimos Dias, o Natal deve ser um momento para celebrar o nascimento do Filho de Deus e também para lembrar os Seus ensinamentos. Na realidade, Sua vida teve maior impacto sobre todas as partes do mundo e sua história do que qualquer vida já vivida. Seus dons para nós são os maiores presentes que já ofertados – a certeza da imortalidade e a oportunidade da vida eterna. Esses são os presentes que devemos celebrar neste e cada Natal.”

Muitos comentários no Facebook estranharam a prática de Oaks de ficar separando, categorizando e julgando as pessoas que demonstraram a educação e consideração de lhe enviar cartões natalinos. Outros comentários questionaram a postura de julgar a fé ou a religiosidade de uma pessoa baseando-se nos cartões natalinos que ela compra e envia para as pessoas.

Um exemplo de comentarista ressabiado com a postura do Apóstolo:

“E se a pessoa escolhe um cartão pelo preço mais barato? E se achar que uma gravura representando Jesus é desrespeitosa, idólatra ou esteticamente de mau gosto? E se acreditar (como algumas Autoridades Gerais acreditam) que Jesus nasceu em abril e o Natal é uma mera data social? E não-cristãos, agnósticis e ateus não tem o direito de celebrar o Natal de alguma fotna, pelo significado familiar, social, etc?”

A nossa pergunta é se membros da Igreja SUD precisam do Natal para se lembrar de Jesus e demonstrar isso publicamente para afirmar sua fé e espiritualidade? Ou se as devoções dominicais, com a participação semanal na comemoração da Santa Ceia, já não cumprem essa função?

Perguntamos, também, aos nossos leitores, se a preocupação excessiva com expressões públicas de religiosidade como demonstração de espiritualidade, não os lembra do famoso Rameumptom, imortalizado no Livro de Mórmon?

 

 

4 comentários sobre “Dallin Oaks: Cartões de Natal

  1. Quem não gostaria de receber um cartão de natal? Não importa se tem gravura de Jesus ou se tem uma simples foto de arvore de natal, o importante é a intenção da pessoa em enviar, demonstrando amor, afeto e agradecimento à pessoa que tem amizade.

    A igreja parece que gosta de controlar os seus membros e fazer eles virarem robôs proibindo eles de viverem o Livre Arbitrio. Não pode assistir filme que você gosta, não pode namorar a pessoa que você gosta, não pode sair com os amigos que você gosta, não pode ler gibi que você gosta, não pode comer a comida que você gosta, agora não pode mais enviar cartão de natal que você gosta. Qual será a próxima regra? Proibir pessoas para enviar carta com envelope de cor verde?

  2. Para mim, vejo que o Élder Oaks está se referindo ao problema da secularização de uma festa sumamente cristã, ao constatar que 29% dos cartões não faziam nenhuma referência à Cristo ou ao Natal, em contraponto com apenas 24% com uma menção explícita de Cristo e/ou gravuras evocativas do nascimento do Salvador.

    São muitos atrativos para desviar a atenção do motivo da principal da comemoração: são papais noéis, presentes, enfeites, amigos secretos etc. Não que sejam coisas ruins, mas que se Cristo for preterido por essas coisas aí se tornam coisas ruins.

    Não vejo ele julgando pessoas com essa atitude da triagem dos cartões, ele apenas categorizou as mensagens para poder chegar a uma conclusão.

    Respondendo à pergunta levantada no texto, eu diria que o Natal é MAIS UMA OPORTUNIDADE para lembrar e falar sobre Jesus, tendo praticamente o “dever” como cristão de lembrar aos que comemoram esta data do que ela se trata, ante a leva de informações encarregadas de fazer esquecer ou desvirtuar o motivo do Natal.

    Sim, algumas expressões públicas de religiosidade nos fazem lembrar do famoso Rameumptom, bem como dos fariseus que perseguiam a Cristo, porém, Cristo incentiva-nos à VERDADEIRA expressão pública de religiosidade, que não deve ser silenciada em razão de existir manifestações hipócritas de religiosidade.

  3. Além disso, a crítica velada imbuída na legenda da imagem merece reprovação, principalmente considerando que o texto em algum momento fala sobre julgar pessoas…

    • Reprovação merece a sua dificuldade básica em raciocínio lógico, compreensão de texto, e analogia literária simples.

      A crítica “velada” (não era nossa intenção velá-la, mas compreendemos que para você pareça velada) não era a “pessoas” ou a qualquer pessoa que fosse. A crítica do texto inteiro está voltada para a atitude em si, demonstrada nesse episódio pelo Dallin Oaks.

      A menção ao “púlpito sagrado” na “legenda da imagem” é uma alusão ao púlpito sagrado do texto do Livro de Mórmon, que é mencionado no final do artigo, e é uma excelente simbologia literária para esse tipo de atitude.

      Imaginamos que leitores inteligentes familiarizados com o Livro de Mórmon, e que tivessem lido o artigo até o final e notado a alusão ao Rameumptom, teriam percebido a analogia. Em parte a culpa da confusão é nossa por supor que todo leitor seria inteligente e perspicaz o suficiente para fazer essa conexão que era, ao menos a prima facie, simples e óbvia.

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