A mais recente inovação dos garments – as vestimentas sagradas usadas dia e noite após o recebimento da investidura – são modelos sem mangas, além de um modelo em forma de saia. É a segunda inovação das vestimentas durante a presidência de Russell M. Nelson.

Em 2018, a Igreja introduziu garments com as marcas em serigrafia ao invés de bordado e visível apenas do lado avesso da roupa.
Para os santos dos últimos, a vestimenta representa o sacrifício expiatório de Jesus Cristo e uma lembrança dos convênios realizados no templo.
História dos garments
O uso de roupas com símbolos associados à investidura foi introduzido sob a direção do Profeta Joseph Smith em 1842 em Nauvoo, Illinois. Há evidências de que os primeiros modelos confeccionados fossem constituídos por uma camisa e uma calça. Posteriormente, os primeiros iniciados do Quórum dos Ungidos passaram a adotar uma peça única, como pode-se ver neste exposé publicado em 1879 pelo jornal The Salt Lake Tribune.
O modelo de peça única era similar ao chamado union suit, roupa íntima comum nos Estados Unidos à época. Muitas denominações mórmons fundamentalistas hoje usam exclusivamente o garment longo de peça única, em diferentes variações.
As marcas sagradas, originalmente cortadas no tecido durante a investidura e posteriormente bordadas pelo iniciado, incluíam o esquadro e o compasso, tradicionais símbolos maçônicos.
A obtenção ou confecção de garments era originalmente uma responsabilidade individual para mórmons do século 19. Já no século 20, em Utah, surgiram empresas que ofereciam garments, com ou sem as marcas sagradas, e competiam entre si no mercado santo dos últimos dias. As opções de escolha estavam nos tecidos (algodão, lã, seda, etc) e mesmo nas cores (branco, bege, pêssego, etc).

Anúncio da empresa The Reliable (“A Confiável”) publicado na década de 1920 em periódicos da Igreja SUD.
Em 1923, o então Presidente da Igreja SUD Heber J. Grant approvou mudanças nas vestimentas sagradas, possibilitando o uso de mangas e pernas curtas, ainda que mantendo a peça única. Foi somente na década de 1970 que a Igreja SUD passou a incentivar o uso dos garments de duas peças (camiseta e shorts) e desincentivar o estilo tradicional.
Monopólio eclesiástico
Na década de 1930, a Igreja adentrou o mercado de garments com sua empresa Beehive Clothing Mills, em Salt Lake City, gradualmente instituindo o monopólio da confeccção e comercialização.
A expansão mundial mórmon e a construção de templos em outros países também implicou na maior demanda de roupas sagradas. A logística e custos de exportação colocaram um fim na produção exclusiva de garments na capital de Utah.
Em 1980, afirma o historiador D. Michael Quinn no seu livro sobre as finanças SUD, a Beehive Clothing Mills já possuía “fábricas auxiliares em Hunter, Utah; Manchester, Inglaterra; Cidade do México, México; e São Paulo, Brasil”.
Por que será a mudança? Baixa adesão no uso da vestimenta?