Joseph Smith, Sr.: Árvore da Vida

Em 1811, Joseph Smith Sr., pai do Profeta Joseph Smith Jr., teve uma visão na forma de um sonho. Então com apenas 5 anos de idade, o pequeno futuro-profeta passou a infância ouvindo narrações dessa visão, tamanha sua importância na vida e pensamento de seu pai.

Árvore da Vida

Eis a descrição dessa visão, ou sonho, como relatada pela mãe do Profeta, Lucy Mack Smith:

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Joseph Smith: Quem é Jeová?

Mórmons acreditam que Jeová é o nome usado por Jesus Cristo em Sua existência pré-mortal.

Jesus Mórmon

O que disse Joseph Smith específicamente sobre isso? Vejamos, por exemplo, essa oração proferida pelo Profeta em 1842:
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Ezra Benson: Obediência Cega

Mórmons são institucionalmente estimulados à obediência cega a seus líderes eclesiásticos.

Mórmons são ensinados que obediência é a “primeira lei do céu” e, portanto, o princípio mais importante de sua religião. Membros da Igreja SUD devem ignorar suas próprias consciências, seus instintos e seu julgamento pessoal e apenas obedecer o Presidente da Igreja sem hesitação ou questionamento.

Tome, por exemplo, essa lição oferecida pelo Profeta Heber Grant que explicou que devemos obedecer o Profeta mesmo quando nos pede para fazer algo errado, ou esse ensinamento publicado pela Igreja SUD para seus membros que estipula que não devemos pensar por nós mesmos, apenas obedecer.

Ezra Taft Benson, 13o Presidente da Igreja, ensinou que a Constituição dos EUA é um documento divino e que se deve obedecer ao Profeta cegamente sem nunca questioná-lo.

Contudo, poucos líderes ousaram explorar esse preceito tão explicitamente quanto Ezra Taft Benson. Continuar lendo

Mórmons e A Virgem

Críticos do Mormonismo costumam acusá-los de não acreditar que Maria, mãe de Jesus, fora realmente “virgem” e que Deus teria feito sexo com Maria para conceber o Salvador.

Mórmons, por outro lado, costumam tomar ofensa com essas acusações e citam múltiplas e frequentes referências ao título oficial “A Virgem” abundantes na literatura Mórmon.

Pietà (1876) por William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

Pietà (1876) por William-Adolphe Bouguereau (1825-1905)

O problema para os críticos é que, em realidade, a maioria dos Mórmons realmente acredita que Maria fora virgem e que Deus não teve relações sexuais com ela.

O problema para os Mórmons é que, em realidade, muitos Profetas e Apóstolos Mórmons ensinaram que Ele teve.

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Quem Eram As Autoridades Gerais?

Quem eram os Apóstolos e os membros da Primeira Presidência da Igreja SUD naquela época?

Quantas vezes você parou, ao estudar história Mórmon, em uma data específica e ficou tentando se lembrar justamente da composição da liderança máxima da Igreja SUD?

Liderança da Igreja SUD em Novembro de 1969

Liderança da Igreja SUD em Novembro de 1969. David McKay era o Presidente da Igreja, que por motivos de doença e senilidade, chamou um terceiro conselheiro (Smith) para aliviar a carga laboral dos outros dois.

Se isso já lhe atrapalhou os seus estudos, seus problemas acabaram. Há um site novo que oferece uma referência rápida, didática, e interativa para visualizar todas as composições dos 2 grupos principais da liderança SUD.

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Podcast Mórmon #3 – POLIGAMIA

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons dão seguimento ao projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: o Podcast Mórmon.

Neste episódio Antônio Trevisan, Emanuel Santana e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um dos aspectos históricos, sociais, e culturais mais marcante no Mormonismo: POLIGAMIA.

Podcast 03 versão 02

Em 1831, Joseph Smith teria recebido uma revelação ordenando homens casados a desposarem mulheres ameríndias poligamamente para gerar Lamanitas brancos. Entre 1833 e 1839, Smith relacionou-se com uma adolescente e uma mulher casada em segredo, mas a partir de 1841 começou a casar-se secretamente com múltiplas mulheres, iniciando oficialmente uma cultura polígama. Havendo iniciado os seus acólitos mais fiéis na prática, e elaborado toda uma teologia templária ao seu entorno, Smith construíra um legado que viria a definir o Mormonismo pelos próximos dois séculos.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Orson Pratt e o Uso Missionário da Primeira Visão

Orson Pratt

Orson Pratt em foto de 1852

Em 1840, Orson Pratt publicou o primeiro relato impresso da Primeira Visão, em seu panfleto intitulado Um Interessante Relato de Diversas Visões Extraordinárias e da Recente Descoberta de Registros Americanos. A publicação de 31 páginas também constitui o primeiro uso documentado da Primeira Visão de Joseph Smith para fins de proselitismo. A ideia original de Pratt de combinar os relatos sobre o Livro de Mórmon e a Primeira Visão ganharia espaço no mormonismo, mas apenas viria a tornar-se norma por volta de 1925.

Embora as datas de três dos quatro relatos pelo próprio Joseph Smith antecedam o panfleto de Pratt, nenhum havia sido publicado até então. Continuar lendo

A Gaivota: Primeiro Periódico Mórmon no Brasil

gaivota 01Em janeiro de 1948, surgia A Gaivota, revista oficial da Missão Brasileira da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Harold M. Rex, que teria pela frente apenas mais um ano como presidente da missão mórmon, escrevia sobre os propósitos do novo “magazine”:

As Autoridades Gerais da Igreja frequentemente apresentam nos Estados Unidos mensagens em forma de sermões ou artigos escritos, dando assim oportunidades a todos os membros da Igreja de os ouvirem ou lerem. Assim pretendemos trazer-lhes na GAIVOTA estas mensagens inspiradoras. (…) É de máxima importância a todos os membros e investigadores a leitura e estudo mensal deste pequeno magazine.

gaivota expedienteApesar da ênfase dada por Rex nas mensagens das autoridades gerais, traduzidas das publicações norte-americanas Improvement Era, The Children’s Friend, Relief Society’s Magazine e Deseret News, A Gaivota oferecia espaço para o conteúdo nacional, trazia um expediente com nomes brasileiros e dava créditos aos tradutores. Continuar lendo

Percepções de duas antropólogas sobre o mormonismo no Nordeste dos anos 70

Há quase 40 anos, quando sequer tínhamos uma estaca no Nordeste, duas pesquisadoras, que mais tarde se tornariam acadêmicas de renome, viram o mormonismo como algo interessante para se estudar.

Sobre uma delas, já comentamos ano passado em um artigo que discorria sobre o impacto trazido pela política racial, que perdurou até 1978, no perfil socioeconômico dos conversos brasileiros: Nádia Fernanda Maia de Amorim, alagoana, professora da UFAL, autora de Mórmons em Alagoas: religião e conflitos raciais.

Nádia Amorim (esq.) e Fátima Quintas. (Imagens: Agência Alagoas, Unicap.)

Nádia Amorim (esq.) e Fátima Quintas. (Imagens: Agência Alagoas, Unicap.)

Antes desta, a hoje presidente da Academia Pernambucana de Letras, Maria de Fátima de Andrade Quintas, debruçou-se no estudo do grupo religioso que pouco tempo antes havia construído uma capela no bairro da Ilha do Leite, no Recife.

Do esforço da pesquisadora pernambucana surgiu Os mórmons em Pernambuco: uma sociedade fechada, obra que, ao lado do trabalho de Nádia Amorim, nos ajuda a compreender os primórdios do mormonismo nordestino e como a religião fundada por Joseph Smith foi percebida pela literatura acadêmica brasileira.

Fátima Quintas frequentou as reuniões da capela localizada na Rua das Ninfas, nº 30, Recife; à época, talvez a única capela construída em todo o Norte/Nordeste do país. A despeito de reconhecer o quase total desconhecimento da população brasileira sobre os mórmons, a pesquisadora já notava implicações sociais na penetração do mormonismo em solo pernambucano. Seu trabalho, embora tenha analisado os membros locais, foi muito voltado à apreensão das visões dos missionários de tempo integral que atuavam na época – eram seis no total, todos norte-americanos.

Nádia Amorim fez uma pesquisa mais longa. Atraída pela existência de um grupo religioso que promovia a segregação racial em plena Maceió dos anos 70, a autora se propôs a escrever sobre as afinidades entre as perspectivas da religião por ela analisada e a tradição estadunidense de segregação entre brancos e negros.

Porém, algo muito importante aconteceu: enquanto a alagoana desenvolvia seu trabalho, ela tomou conhecimento da mudança na política racial SUD. Sua investigação foi prolongada, e ela pôde observar a súbita expansão daquele pequeno grupo que, apesar de zeloso no proselitismo, caminhava a passos lentos por mais de uma década na capital de Alagoas. Continuar lendo

Desafio de História Mórmon: Carta de Joseph Smith

O Profeta Joseph Smith escreveu essa carta no dia 11 de abril de 1842. Embora trate-se de correspondência pessoal, ela foi publicada pela Igreja na História da Igreja (vol. 5, pp. 134-136)

Pintura entitulada 'Joseph Smith Pregando aos Lamanitas' por William Armitage (1890)

“Aquilo que é considerado errado em uma circunstância pode ser, e freqüentemente é, correto em outra.” — Joseph Smith (Pintura intitulada ‘Joseph Smith Pregando aos Lamanitas’ por William Armitage, 1890)

Para quem ele escreveu e enviou essa carta?

Qual o seu contexto histórico?

O que Joseph Smith queria expressar com essa carta?

Qual o seu resultado imediato?

Como o contexto altera a interpretação do seu conteúdo?

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Livros Para Mórmons

Hoje é o Dia Mundial do Livro.

Como não poderia deixar de ser, isso significa que é o dia mundial de listas de livros.

Eis, portanto, a minha lista pessoal de sugestões para 11 livros que todo Mórmon deveria ler.

Ao menos todo Mórmon que deseja ser minimamente informado e educado sobre o Mormonismo. E que, infelizmente, saiba ao menos ler em inglês, posto que nenhum deles se encontra disponível em português.

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Novo Templo Anunciado na Islândia

A construção histórica de um novo templo na Islândia é anunciada, porém trata-se de um templo pagão. Pagão Nórdico. Do tipo dedicado a Thor, com sua Mjölnir, Loki, Odin, Frigga, Sif, Laufey, Heimdall e outros deuses.

Os deuses nórdicos Thor e Loki crescem em popularidade na Islândia; Joseph Smith cai.

Os deuses nórdicos Thor e Loki crescem em popularidade na Islândia; Joseph Smith nem tanto.

Por que essa notícia seria relevante para Mórmons?

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Podcast Mórmon #102 – A Crise de Sucessão de 1844

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons dão seguimento ao projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: O Podcast Mórmon.

Neste episódio Antônio Trevisan e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um importante capítulo na história Mórmon: a crise de sucessão pelo controle da Igreja Mórmon após o assassinato de Joseph Smith em junho de 1844.

Em 27 de junho de 1844, Joseph e Hyrum Smith foram assassinados por uma turba em Carthage, Illinois. Suas mortes precoces e inesperados tomaram Joseph, e todos os Mórmons, completamente surpresos e despreparados. O que seguiu-se foram meses, anos, e décadas de confusão, brigas, e incertezas sobre quem deveria liderar a Igreja Mórmon agora que seu Profeta havia morrido. Esta confusão afetou não apenas a estrutura de poder e os líderes e candidatos à sucessão, mas também pessoas individualmente e famílias inteiras.

Embora muitos Mórmons acreditem que os Apóstolos teriam o direito de liderar a Igreja após a morte do Profeta, isto não era o que Smith havia legado à sua Igreja. Neste episódio do Podcast Mórmon, discutimos o que historiadores descobriram sobre os dilemas, debates, e brigas que sucederam a morte do Profeta e do Patriarca.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Professor da BYU Criticado por Livro Sobre Mulheres

lost+teachingsO Professor da BYU Alonzo L. Gaskill está sendo severamente criticado por seus pares acadêmicos, por acadêmicos Mórmons e pelo público Mórmon leigo, por grosseira incompetência intelectual.

Em seu livro recém-publicado ‘O Ensinamentos Perdidos de Jesus Sobre o Papel Sagrado da Mulher’, o professor de História da Igreja e Doutrina se propõe a estabelecer uma reconstrução acadêmica dos ensinamentos de Jesus de Nazaré sobre o papel apropriado de mulheres na sociedade Cristã. Uma das fontes principais, na qual Gaskill ancora seu livro  e seus argumentos nos manuscritos de Pali, que descrevem a vida e os ensinamentos de Jesus durante Sua adolescência no sub-continente Indiano, e descobertos num monastério Indiano no final do século XIX pelo jornalista e explorador russo Nicholas Notovich. Compilados e traduzidos para Francês (e, rapidamente, para vários outros idiomas) por Notovich nos anos 1890 sob o título ‘A Vida Desconhecida de Jesus’. O grande problema, contudo, é que o livro não só foi demonstrado por acadêmicos como um falsificação clara, como o próprio Notovich confessou o embuste.

Mas este nem é o maior problema do livro do historiador da BYU. Continuar lendo

Joseph Smith: Abolição da Escravatura

No começo de 1836, o Profeta Joseph Smith redigiu e enviou uma carta a Oliver Cowdery, então editor do jornal oficial da Igreja Mórmon¹ O Mensageiro e Defensor dos Santos dos Últimos Dias, para publicação. Com ela, Smith desejava deixar clara e pública a sua posição – e, assim, a posição oficial da Igreja – sobre a questão da “Abolição da Escravidão Negra”.

A carta foi publicada em 09 de abril de 1836, e nela Smith explorava todas as grandes questões e dilemas do maior problema social e político dos Estados Unidos na época: escravidão negra e o movimento abolicionista.

Assim como o Brasil, os Estados Unidos da América foram inicialmente colonizados por europeus que, percebendo oportunidades agrícolas (e não encontrando jazidas de metais preciosos), instauraram a hedionda prática de escravidão africana para exploração agrária em prol das metrópoles. Durante o movimento de independência norteamericana (1775-1783) e durante a Convenção Constituinte (1787) propôs-se repetidas vezes abolir a instituição da escravidão negra, sempre com forte oposição dos estados da região Sul, mais caracterizados por latifúndios e mais dependente de trabalho escravo (ao contrário dos estados da região Norte, mais caracterizados por minifúndios e fazendas familiares). Não obstante, com o passar das décadas os estados do Norte passaram a abolir escravidão em seus estados respectivos, aumentando pressão sobre o governo federal para aboli-la nacionalmente.

Em 1808, o Congresso Federal proibiu a importação de escravos africanos e na década de 1820 o movimento religioso que percorreu a nação, hoje denominado de “Segundo Grande Despertar” (que tanto influenciou Joseph Smith), inspirou vários movimentos de reformas sociais com fervor religioso (entre os quais, o movimento de temperância), inclusive o Abolicionismo. Em 1833, a Sociedade Americana Anti-Escravidão, primeira organização formal, foi fundada por nomes que se consagraram no consciente coletivo americano, da época e na história: William Lloyd Garrison, Robert Purvis, Theodore Weld, etc.

Mapa dos EUA, 1837

Mapa dos EUA, 1837, indicando estados escravocratas e estados livres — sem escravidão — e o Condado de Jackson para contextualização geográfica (clique no mapa para aumenta-lo).

O movimento cresceu muito com o passar das décadas, chegando a completamente dominar o debate público em menos de duas décadas e causando diretamente uma ruptura completa entre as duas secções que dividiriam o país entre estados “livres” e estados “escravocratas” e levando a uma sangrenta guerra civil. Antes disso, contudo, na década de 1830, o movimento era pequeno demais para impactar o país inteiro, mas grande o suficiente para influenciar a Igreja Mórmon e o Mormonismo.

Em 1831, Smith ordenou parte de seus seguidores a estabelecerem-se no Condado de Jackson, no Missouri, bem na fronteira dos Estados Unidos. Porém, os colonizadores mórmons entraram em repetidos conflitos com os seus vizinhos em Missouri por, entre outras coisas², uma suspeita de que mórmons fossem abolicionistas. O Missouri era um estado escravocrata. Cinco anos depois, após a forçada relocação dos colonos mórmons do Condado de Jackson (para um condado criado especificamente para protegê-los em Caldwell), Smith sentiu a necessidade de publicar uma declaração pessoal, oficial, e inequívoca sobre o abolicionismo e a instituição da Escravidão.

Abaixo segue uma tradução do texto do Profeta Joseph Smith, como publicado originalmente no jornal O Mensageiro e Defensor (cujas cópias escaneadas encontram-se na Biblioteca de História da Igreja). Incluí o texto original em inglês, como publicado na História da Igreja, volume 2, capítulo 30, nas notas de rodapé.

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