Podcast Mórmon #102 – A Crise de Sucessão de 1844

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons dão seguimento ao projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: O Podcast Mórmon.

Neste episódio Antônio Trevisan e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um importante capítulo na história Mórmon: a crise de sucessão pelo controle da Igreja Mórmon após o assassinato de Joseph Smith em junho de 1844.

Em 27 de junho de 1844, Joseph e Hyrum Smith foram assassinados por uma turba em Carthage, Illinois. Suas mortes precoces e inesperados tomaram Joseph, e todos os Mórmons, completamente surpresos e despreparados. O que seguiu-se foram meses, anos, e décadas de confusão, brigas, e incertezas sobre quem deveria liderar a Igreja Mórmon agora que seu Profeta havia morrido. Esta confusão afetou não apenas a estrutura de poder e os líderes e candidatos à sucessão, mas também pessoas individualmente e famílias inteiras.

Embora muitos Mórmons acreditem que os Apóstolos teriam o direito de liderar a Igreja após a morte do Profeta, isto não era o que Smith havia legado à sua Igreja. Neste episódio do Podcast Mórmon, discutimos o que historiadores descobriram sobre os dilemas, debates, e brigas que sucederam a morte do Profeta e do Patriarca.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Artigos e livros citados ou utilizados no podcast (listados por data de publicação)

Flanders, Robert Bruce, Nauvoo: Kingdom on the Mississippi, University of Illinois Press, 1975.

Quinn, Michael, “The Mormon Succession Crisis of 1844” em BYU Studies 16 (2): 187–234, 1975.

Quinn, Michael, The Mormon Hierarchy: Origins of Power, Signature Books, 1994.

Van Wagoner, Richard, “The Making of a Mormon Myth: The 1844 Transfiguration of Brigham Young”, em Dialogue: A Journal of Mormon Thought 28 (4): 1–24, 1995.

Harper, Reid, “The Mantle of Joseph: Creation of a Mormon Miracle” em Journal of Mormon History 22 (2): 35–71, 1996.

 

6 comentários sobre “Podcast Mórmon #102 – A Crise de Sucessão de 1844

  1. Gostaria de esclarecer um pouco melhor a minha impressão sobre o episódio da morte de Joseph Smith. Não acho que ele quisesse morrer, acho que a palavra seria aceitar mesmo. Ele sempre foi uma pessoa passiva e naquele momento seria necessário uma outra atitude. Em uma guerra ou se mata ou se morre, por isso acredito que ele tenha feito a opção dele. Acho que foi uma escolha. O que ele tinha em mente não temos como saber, mas ele disse que iria para o matadouro como um cordeiro e que se os amigos não se importavam com sua vida, ele também não. Percebo altruísmo como opção de não abandonar seu povo que o acusava. O fato de ter outros planos e estar em campanha presidencial não foram o bastante para seguir sua revelação. Quanto a jogar-se pela janela, acho que ninguém ameaçado por uma turba ficaria parado feito uma pilastra. Hyrum Smith mostrou-se otimista por vezes, mas em momento algum Joseph Smith ofereceu resistência, tampouco mostrou-se positivo quanto a esse desfecho. Chorou olhando sua propriedade dizendo que aquela seria a última vez. Pode ser difícil pensar que ele tenha se entregado, mas acho que foi o que aconteceu.
    Sobre a poligamia, discordo totalmente que o profeta “gostasse de uma sacanagem”, pois para mim essa versão não faz sentido nenhum para a época e perfil dele. Acredito realmente que a intenção era aumentar o número das famílias e de fiéis, mas principalmente que desenvolvessem sentimentos mais nobres. Que aprendessem a compartilhar e que todos pudessem se amar sem mesquinhez, aprendessem a conviver melhor e em paz, estreitando laços de amor e amizade. Essa é só a minha opinião que não se compara ao conhecimento do Antonio e do Marcello. Já me sinto um pouquinho mais familiarizada com os assuntos e até sem vergonha de dizer alguma besteira… Não sei se isso é bom. Aproveito para dizer que vou me conter e não xingarei mais ninguém, prometo. O podcast estava muito bom, não tem como dobrar a duração para umas cinco horas… 🙂 Adoro os ensinamentos de vcs.

    • Eu pensava assim, as vezes ainda quero pensar que certas atitudes de Joseph Smith eram de cunho religioso, principalmente quando sabia somente da existência da poligamia… Porém quando pesquisei mais, e descobri a existência da poliandria, não consegui mais ver um sentido religioso ou social em tais práticas, ainda mais por parecer que Joseph Smith quando enviava alguns apóstolos para missões, como é o caso de Orson Hyde, aparentemente se aproveitava para fazer propostas de “casamento celestial” a tais mulheres…

  2. Pelo que li a respeito das questões de poligamia, em 07 de Junho de 1844, um grupo de mórmons dissidentes publicou um jornal detalhando as queixas que tinham contra Smith. Essa foi a primeira e a última edição do “Nauvoo Expositor”. Smith sabia que as acusações de poligamia e do mau uso dos fundos da igreja lhe causariam muitos problemas. Dias depois, seus vereadores decidiram destruir a gráfica e as prensas. Esse ato resultou na prisão de Joseph Smith por alta traição, e ele, seu irmão Hyrum, e outros líderes mórmons foram mandados para a prisão em Carthage, Illinois.
    Em 27 de Junho, uma multidão invadiu a prisão, matando Joseph e Hyrum Smith e ferindo outros homens. Antes de Joseph morrer, ele usou uma arma de seis tiros para ferir alguns dos homens na multidão durante a batalha armada.
    Pergunto: Joseph ao utilizar a arma feriu mortalmente alguém?
    Questiono, pois esses relatos indicam que a reação de Joseph como profeta, vidente e revelador de Deus, teve um final abrupto em meio à violência sangrenta.

    Outra dúvida:
    Quando Brigham Young, que era apóstolo sênior na época da morte de Smith, assumiu a liderança da igreja, ele liderou uma companhia dos Santos dos Últimos Dias através de planícies traiçoeiras até chegar ao vale do Grande Salt Lake em Utah em Julho de 1847, construindo assim sua Nova Sion, Salt Lake City, governando o povo com mão de ferro e ele tanto praticou como encorajou a poligamia por todo o resto de sua vida.
    A prática “terrena” da poligamia ( pelo que entendi que agora está restrita aos reinos celestiais) acabaria “oficialmente”.
    Em 24 de setembro de 1890, houve um manifesto emitido por Wilford Woodruff, o quarto presidente da igreja mórmon, declarando o seu conselho de que todos os mórmons abandonassem a prática da poligamia.
    Pelo que li a respeito, as razões óbvias para isso, estavam no fato de que os principais líderes da igreja estavam presos ou escondidos, e o governo dos Estados Unidos ameaçou confiscar seu templo e outras propriedades, e Utah não tinha outra chance de ganhar a condição de Estado.
    Portanto, o decreto da proibição da poligamia estava relacionada a uma questão política que ameaça a existência da igreja mórmon em Utah, certo?

  3. Excelente o podcast sobre a “Crise de Sucessão”, muito instrutivo e esclarecedor… Marcello e Antônio foram brilhantes… E minha opinião final baseado no que tenho absorvido e aprendido é que é difícil de acreditar que Joseph Smith fosse realmente um profeta. Não possuía qualidades que dessem o direito de ser profeta…
    Não possuía controle sobre seus apetites e paixões.
    Não era um amigo leal… Aproveitava os maridos se afastarem para suas missões e ia cortejar suas esposas secretamente…
    Não era um “tzadik tamim”… Diferente dos componentes da Idra Rabba e da Idra Zuta…
    Fez da doutrina SUD uma colcha de retalhos com base em diversas doutrinas… Algumas contraditórias entre si inclusive.
    As vezes penso se não estou sendo rude e se estou tornando mal o seu nome, as vezes me pergunto se todas estas fontes são fidedignas… Como duvidar diante de tantas evidências (?) de procedimentos inadequados do suposto profeta da restauração. Diante dos maus exemplos do profeta desposando até mulheres casadas (?)
    Para se adentrar aos mundos superiores é necessário que a pessoa tenha uma conduta moral semelhante à que D’us ‘exigiu’ de Abraão… Abraão precisava estar tamim… Sem esta condição nenhum homem vai a presença do Pai ou o Pai consegue dirigir-se a tal homem…
    Quando se vai aos mundos superiores um teste é realizado… Ao adentrar aos céus superiores a pessoa primeiramente vê qual o estado de sua alma do ponto de vista dos anjos, do Pai e do Messias… É como ver seu “estatus” espiritual… Diz-se que só esta visão em alguns casos é o suficiente para que a pessoa jamais deseje retornar aos mundos superiores… (Isto é conseguido por meio de estados de meditação)… (Diz-se no misticismo judaico, ou Cabalá, que a alma está sempre conectada ao divino e quando se comete um pecado parte desta alma é mutilada por um gin (demônio), na meditação que leva aos mundos superiores a pessoa consegue ver como esta sua própria alma diante do Eter-no)…
    Uma pessoa que é dada as vicissitudes carnais descontroladas não tem condições de encarar o estado de sua própria alma perante o Criador nas dimensões superiores… Como pode ser profeta então?

    Shalom

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