Orson Pratt e o Uso Missionário da Primeira Visão

Orson Pratt

Orson Pratt em foto de 1852

Em 1840, Orson Pratt publicou o primeiro relato impresso da Primeira Visão, em seu panfleto intitulado Um Interessante Relato de Diversas Visões Extraordinárias e da Recente Descoberta de Registros Americanos. A publicação de 31 páginas também constitui o primeiro uso documentado da Primeira Visão de Joseph Smith para fins de proselitismo. A ideia original de Pratt de combinar os relatos sobre o Livro de Mórmon e a Primeira Visão ganharia espaço no mormonismo, mas apenas viria a tornar-se norma por volta de 1925.

Embora as datas de três dos quatro relatos pelo próprio Joseph Smith antecedam o panfleto de Pratt, nenhum havia sido publicado até então. Os relatos de 1838 e 1842 foram os únicos publicados durante sua vida, ambos aparecendo nas páginas do jornal mórmon Times and Seasons em 1842. Já os dois relatos mais antigos – de 1832 e 1835 – vieram a ser publicados apenas na década de 1960.

Pratt serviu durante nove meses como missionário nas ilhas britânicas, entre 1840 e 1841. Foi na Escócia que o apóstolo de 28 anos imprimiu seu panfleto missionário. Um Interessante Relato ganhou uma primeira edição norte-americana em 1841, em Nova York, e foi traduzido para o dinamarquês, em 1851; sueco, em 1860; e holandês, em aproximadamente 1865. Novas edições também foram feitas em outros lugares dos EUA, Europa e Austrália.

Em seu texto, Orson Pratt situa a Primeira Visão quando Joseph Smith tinha 14 ou 15 anos, descrevendo a ansiedade gerada pela sua busca da doutrina e da igreja de Cristo, a qual o levara à escritura de Tiago 1:5. Com o estilo mais floreado de Pratt, podem ser vistos elementos das diferentes narrativas de Joseph Smith sobre a visão.

Para facilitar a leitura, dividi o trecho traduzido abaixo em parágrafos.

***

pratt an intresting accountEra como uma luz brilhando em um lugar escuro, para guiá-lo no caminho que deveria percorrer. Ele agora percebia que se perguntasse a Deus, não apenas havia uma possibilidade, mas uma probabilidade – sim, e mais, uma certeza – de que obteria conhecimento de qual, de todas as doutrinas, era a doutrina de Cristo; e qual, de todas as igrejas, era a igreja de Cristo.

Assim, retirou-se a um lugar secreto no bosque, a uma curta distância da casa de seu pai e, de joelhos, começou a clamar ao Senhor. Primeiro, foi severamente tentado pelos poderes da escuridão, os quais buscaram sobrepujá-lo; mas ele continuou tentando se libertar, até que a escuridão abandonou sua mente e ele foi capaz de orar no fervor do espírito e em fé.

E enquanto assim extravasava sua alma, desejando ansiosamente uma resposta de Deus, depois de algum tempo, viu uma luz muito brilhante e gloriosa nos céus acima, a qual, primeiramente, parecia estar a uma distância considerável. Continuou orando, enquanto a luz parecia gradualmente descer em sua direção; e à medida que se aproximava, aumentava em brilho e magnitude, de forma que, ao atingir a copa das árvores, toda a mata, por alguma distância ao redor, ficou iluminada da forma mais gloriosa e brilhante. Ele esperava ver as folhas e troncos consumidos, logo que a luz os tocasse; mas, percebendo que não produzira aquele efeito, foi encorajado com a esperança de poder suportar sua presença. Continuou descendo lentamente, até parar sobre a terra, e ele foi envolvido no meio dela.

Quando chegou sobre ele, produziu uma sensação peculiar em todo seu sistema; e imediatamente, sua mente foi arrebatada dos objetos naturais que o cercavam; e ele foi envolto em uma visão celestial, e viu dois personagens gloriosos, que se assemelhavam exatamente um ao outro em seus traços ou aparência. Ele foi informado de que seus pecados eram perdoados. Também foi informado sobre os assuntos que tinham antes agitado sua mente, a saber, que todas as denominações religiosas estavam acreditando em doutrinas incorretas e consequentemente nenhuma delas era reconhecida por Deus como seu reino e igreja. E foi expressamente ordenado a não buscá-las; e recebeu uma promessa de que a verdadeira doutrina – a plenitude do evangelho – ser-lhe-ia, em um momento futuro, dada a conhecer; depois disso, a visão se retirou, deixando sua mente em um estado de calma e paz indescritível.

Algum tempo depois de receber essa gloriosa manifestação, sendo jovem, ele foi novamente envolvido nas vaidades do mundo, das quais posteriormente se arrependeu sincera e verdadeiramente.

***

Orson Pratt, A[n] Interesting Account of Several Remarkable Visions and of the Late Discovery of Ancient American RecordsEdinburgh: Ballantyne and Hughes, 1840. p. 05.

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