Rússia Ameaça Liberdade Religiosa, Igreja Mórmon Responde

O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, assinou nesta semana uma lei antiterrorista que severamente restringe os direitos civis de seus cidadãos e ainda restringe liberdades religiosas no país.

Líderes das religiões tradicionais na Rússia e representantes estudantis celebram cerimônia com o Presidente Vladimir Putin dedicada à união nacional em 2012.

A lei que Putin assinou exige que empresas de telecomunicações armazenem gravações de ligações telefônicas, mensagens de texto, e uso de internet de todas as pessoas em território russo por no mínimo 6 meses, e obriga empresas de redes sociais (e.g., Facebook, Telegram, Twitter, WhatsApp, etc.) a fornecer códigos de decriptação para o serviço de inteligência governamental FSB (antiga KGB). Ademais, ela explicitamente proíbe expressões consideradas como extremistas, autorizando a vigilância de correios regulares e eletrônicos, e obrigando cidadãos a denunciar atividades suspeitas sob duras penas.

Além de infringir direitos civis de privacidade e liberdade de expressão de seus cidadãos e estrangeiros expatriados, a Lei Yarovaya, que entrará em vigor no final deste mês, restringe a liberdade religiosa de igrejas como a Igreja Mórmon ao proibir Continuar lendo

Os Roqueiros e o Missionário

Uma Experiência Missionária: Contato com Roqueiros

Uma das bênçãos de servirmos uma missão são as experiências e aprendizados que adquirimos.

Vacaria, SC

Catedral Nossa Senhora da Oliveira no centro de Vacaria, RS

Eu servi na Missão Brasil Florianópolis, um lugar bem diferente do interior de Minas Gerais. Mas uma das áreas que trabalhei era bem parecida com minha cidade. Vacaria é a única cidade gaúcha da missão pertencente à Estaca Lages. Uma das semelhanças era que muitos jovens eram roqueiros e foi um grupo deles que fez um sentido maior na minha missão. Continuar lendo

Missionários Mórmons Presos no México

Quatro jovens missionários da Igreja Mórmon foram presos por policiais da pequena cidade de Anahuac, no estado mexicano de Chihuahua.

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Os missionários foram detidos após participar de uma briga com um pai de família que se enfureceu ao descobrir que eles queriam batizar seus três filhos menores, sem o seu consentimento, e obrigando-os a tirar suas roupas para vestir uma bata branca, enganando-os até a capela mórmon com ofertas de doces, batatas fritas e refrigerantes.

O comandante da corporação preventiva, César Estrada Ruiz, disse que, embora os missionários de A Igreja de Jesus Cristo Continuar lendo

Chapéus e Óculos Solares Para Missionários Mórmons

Dentre os diversos desafios do serviço missionário feito por jovens mórmons, estão os rigores do clima e o esforço físico realizado enquanto vestem “trajes profissionais e conservadores“. Todos os que serviram missões de proselitismo, ou observaram o cotidiano desses jovens, notam que tais trajes nem sempre são tão confortáveis ou adequados ao clima.

missionários mórmons roupas

Missionários SUD com chapéus e óculos de sol (Imagens: lds.org)

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Queda de 12% em Missionários

O número total de missionários de tempo integral d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias caiu 12% no último ano.

Artigo no jornal da Igreja Deseret News

Artigo no jornal da Igreja Deseret News

Essa queda representa uma tendência negativa ou apenas flutuação temporária?

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Qual o Objetivo do Trabalho Missionário na Igreja SUD?

Este texto não é de minha autoria e o publico aqui na íntegra por solicitação.


Pintura de David Lindsley

Pintura de David Lindsley

Olá, caros leitores do site. Estou escrevendo este texto porque acredito que este é um bom lugar para o pensamento livre. Faz anos que eu me questiono sobre algumas práticas missionárias da Igreja e se elas são realmente eficazes ou a quem elas visam atingir realmente. Entretanto, nunca pude comentar nada na Igreja porque seria imediatamente taxado de apóstata por não acreditar em algumas dicas de Pregar Meu Evangelho (PME).

Antes de mais nada, preciso deixar claro que servi como missionário há cinco anos e peguei a fase PME. Já estudava comunicação antes da missão, mas meus estudos mais significativos ocorreram apenas depois que retornei à universidade. Enquanto estudava, percebia que havia falhas na comunicação utilizada pela Igreja em suas abordagens missionárias, fosse pelo trabalho dos élderes e sísteres, fosse em programas como “Mãos que Ajudam”. Hoje não tenho tantos pudores para comentar esse tipo de assunto porque não frequento mais a Igreja. Embora eu duvide de uma série de coisas, eu não tenho ódio pela igreja e, inclusive, me permito indicar alguns amigos aos missionários. Gostaria de contar-lhes algo que aconteceu esta semana para poder ilustrar melhor o ponto em que quero chegar. Continuar lendo

Spencer Kimball: Fraude Missionária

É possível para um missionário SUD fraudar sua missão?

Spencer W. Kimball, Presidente da Igreja (1973-1985) e Apóstolo (1943-1973), não tinha a menor dúvida de que sim. E ele deixou isso perfeitamente claro num famoso discurso há quase 50 anos atrás, que até hoje é leitura obrigatória para a maioria dos novos missionários. Continuar lendo

Podcast Mórmon #3 – POLIGAMIA

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons dão seguimento ao projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: o Podcast Mórmon.

Neste episódio Antônio Trevisan, Emanuel Santana e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um dos aspectos históricos, sociais, e culturais mais marcante no Mormonismo: POLIGAMIA.

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Em 1831, Joseph Smith teria recebido uma revelação ordenando homens casados a desposarem mulheres ameríndias poligamamente para gerar Lamanitas brancos. Entre 1833 e 1839, Smith relacionou-se com uma adolescente e uma mulher casada em segredo, mas a partir de 1841 começou a casar-se secretamente com múltiplas mulheres, iniciando oficialmente uma cultura polígama. Havendo iniciado os seus acólitos mais fiéis na prática, e elaborado toda uma teologia templária ao seu entorno, Smith construíra um legado que viria a definir o Mormonismo pelos próximos dois séculos.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Orson Pratt e o Uso Missionário da Primeira Visão

Orson Pratt

Orson Pratt em foto de 1852

Em 1840, Orson Pratt publicou o primeiro relato impresso da Primeira Visão, em seu panfleto intitulado Um Interessante Relato de Diversas Visões Extraordinárias e da Recente Descoberta de Registros Americanos. A publicação de 31 páginas também constitui o primeiro uso documentado da Primeira Visão de Joseph Smith para fins de proselitismo. A ideia original de Pratt de combinar os relatos sobre o Livro de Mórmon e a Primeira Visão ganharia espaço no mormonismo, mas apenas viria a tornar-se norma por volta de 1925.

Embora as datas de três dos quatro relatos pelo próprio Joseph Smith antecedam o panfleto de Pratt, nenhum havia sido publicado até então. Continuar lendo

Igreja terá curso online para missionários

Sisters_iPadDesde o recebimento do chamado até depois do retorno ao lar, jovens missionários mórmons utilizarão o curso online My Plan (Meu Plano, ainda sem tradução oficial). O anúncio foi feito pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias na edição de julho da revista Ensign e no seu site oficial.

O curso consistirá de oito lições, sendo as seis últimas concentradas nas semanas que antecedem o fim da missão de tempo integral. Não há detalhes disponíveis sobre o conteúdo do novo curso. Missionários de ambos os sexos realizarão cada lição durante uma hora, no período destinado ao estudo pessoal, em capelas ou outros locais que utilizem para acessar a internet.

Antes do retorno ao lar, os planos de cada missionário para sua vida após a missão serão compartilhados com seus presidentes de missão, os quais terão o papel de aconselhar os jovens na sua última entrevista missionária.

O lançamento do My Plan será no próximo mês de agosto. Continuar lendo

Super-herói?

Acredite que nenhum de nós
Já nasceu com jeito pra super-herói

Essa frase vem da música mais famosa da cantora Jamily, Conquistando o Impossível, e como um converso ex-evangélico, a conhecia bem.  Nos dias atuais precisamos muito de bons exemplos e muitos vêm de missionários(as) retornados(as).

Mulher-Maravilha & SupermanEm muitos locais no Brasil onde há um pequeno ramo, onde o Presidente e muitos da liderança não serviram missão, o missionário que chega é tido como um herói. A frase de Paulo a Timóteo se torna literal: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé”(II Timóteo 4:17) e com isso a liderança aposta todas as fichas e às vezes é chamado além de Líder de Missão do Ramo para outros chamados.

Bem… Não culpo nenhuma liderança por essa ideia que é um pouco errada. De fato muitos têm essa ideia de “heróis” por esperança de que o ramo um dia se torne ala ou por eles acharem que os jovens sabem mais do que eles.

Mas e com vocês? Foi assim quando voltaram de missão? E de fato, “nenhum de nós nasceu com jeito para super-herói.”

Lição sobre Linhagem, 1970

Em dezembro de 1970, a Missão Brasil Norte de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias publicava a seus jovens missionários a mais recente versão de uma palestra a ser usada com potenciais membros brasileiros. Nela, após revisar conceitos sobre revelação, profetas e autoridade divina, falava-se sobre os negros não poderem ser ordenados ao sacerdócio.

A Primeira Presidência à época: presidente Joseph Fielding Smith e seus conselheiros President Harold B. Lee, e Eldon Tanner.

A Primeira Presidência formada em 1970: presidente Joseph Fielding Smith e seus conselheiros Harold B. Lee e Eldon Tanner.

A segregação de negros e afrodescentes do sacerdócio era explicada na forma de um diálogo entre os missionários e o “Irmão Nunes”. As falas do investigador hipotético eram guiadas cuidadosamente por perguntas prescritas aos missionários.

A lição afirmava que os negros descendiam de Caim e que as razões para sua exclusão do sacerdócio não eram plenamente conhecidas. Ela ainda incluía a narrativa de que a exclusão racial na Igreja havia sido estabelecida por seu profeta fundador Joseph Smith.

Usando uma citação de David O. McKay, garantia-se que futuramente o direito ao sacerdócio seria dado aos homens negros. Depois de ter presidido a Igreja por quase duas décadas, McKay havia falecido em janeiro daquele ano.

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Percepções de duas antropólogas sobre o mormonismo no Nordeste dos anos 70

Há quase 40 anos, quando sequer tínhamos uma estaca no Nordeste, duas pesquisadoras, que mais tarde se tornariam acadêmicas de renome, viram o mormonismo como algo interessante para se estudar.

Sobre uma delas, já comentamos ano passado em um artigo que discorria sobre o impacto trazido pela política racial, que perdurou até 1978, no perfil socioeconômico dos conversos brasileiros: Nádia Fernanda Maia de Amorim, alagoana, professora da UFAL, autora de Mórmons em Alagoas: religião e conflitos raciais.

Nádia Amorim (esq.) e Fátima Quintas. (Imagens: Agência Alagoas, Unicap.)

Nádia Amorim (esq.) e Fátima Quintas. (Imagens: Agência Alagoas, Unicap.)

Antes desta, a hoje presidente da Academia Pernambucana de Letras, Maria de Fátima de Andrade Quintas, debruçou-se no estudo do grupo religioso que pouco tempo antes havia construído uma capela no bairro da Ilha do Leite, no Recife.

Do esforço da pesquisadora pernambucana surgiu Os mórmons em Pernambuco: uma sociedade fechada, obra que, ao lado do trabalho de Nádia Amorim, nos ajuda a compreender os primórdios do mormonismo nordestino e como a religião fundada por Joseph Smith foi percebida pela literatura acadêmica brasileira.

Fátima Quintas frequentou as reuniões da capela localizada na Rua das Ninfas, nº 30, Recife; à época, talvez a única capela construída em todo o Norte/Nordeste do país. A despeito de reconhecer o quase total desconhecimento da população brasileira sobre os mórmons, a pesquisadora já notava implicações sociais na penetração do mormonismo em solo pernambucano. Seu trabalho, embora tenha analisado os membros locais, foi muito voltado à apreensão das visões dos missionários de tempo integral que atuavam na época – eram seis no total, todos norte-americanos.

Nádia Amorim fez uma pesquisa mais longa. Atraída pela existência de um grupo religioso que promovia a segregação racial em plena Maceió dos anos 70, a autora se propôs a escrever sobre as afinidades entre as perspectivas da religião por ela analisada e a tradição estadunidense de segregação entre brancos e negros.

Porém, algo muito importante aconteceu: enquanto a alagoana desenvolvia seu trabalho, ela tomou conhecimento da mudança na política racial SUD. Sua investigação foi prolongada, e ela pôde observar a súbita expansão daquele pequeno grupo que, apesar de zeloso no proselitismo, caminhava a passos lentos por mais de uma década na capital de Alagoas. Continuar lendo

Como Lidar Com a História da Igreja?

“As crianças começam por amar os pais, à medida que crescem tornam-se seus juízes, perdoam-lhes, às vezes”.

                                                                                           Oscar Wilde, em O Retrato de Dorian Gray.

Na semana anterior à VI Conferência Brasileira de Estudos Mórmons, soube que um dos temas abordados seria baseado em uma experiência que Suzana Nunes tivera há pouco tempo.

Conforme nos contou Suzana, uma moça que se preparava para servir em uma missão de tempo integral pediu-lhe que fizesse algumas perguntas sobre a Igreja. A moça, de antemão, mencionou querer perguntas difíceis para treinar sua retórica e testar seu conhecimento sobre o mormonismo.

Suzana então preparou dez perguntas, que podem ser transcritas mais ou menos assim:

Imagem: Florêncio Batista.

Imagem: Florêncio Batista.

A reação da moça que solicitou o teste deixou Suzana reflexiva, segundo esta nos contou dia 7, sábado. A futura missionária não somente desconhecia aquelas coisas, como automaticamente classificou tudo aquilo como mentira.

Ao entrar em contato com essa experiência, veio-me à mente a ideia de fazer as mesmas perguntas a dois rapazes que estão preparando os papéis do chamado missionário.

A resposta dada pelos rapazes foi a mesma da moça sabatinada pela Suzana, com a pequena diferença de que um deles colocou como verdadeira a pergunta sobre Joseph ter sido maçom, pois ouvira sobre isso de um amigo, em um acampamento da Igreja.

As perguntas foram direcionadas a jovens adolescentes, mas não creio que as respostas teriam sido muito diferentes se as mesmas perguntas fossem lançadas a pessoas mais velhas, com mais tempo e posição na igreja.

Neste artigo, quero levantar possíveis razões para o desconhecimento que mórmons têm de sua própria história, as questões culturais que concorrem para isso e propor caminhos para que as próximas gerações possam lidar de uma maneira mais saudável com os assuntos considerados espinhosos de sua tradição religiosa. Continuar lendo