Mitt Romney Representa Mórmons?

Você acha que Mitt Romney representa bem os Mórmons?

Com o fim de campanha preliminar se aproximando, esta cada vez mais aparente que Willard Mitt Romney será o candidato a Presidente dos Estados Unidos da América pelo Partido Republicano, para concorrer contra o atual Presidente Barack Obama. Principalmente agora que o seu principal rival nas eleições primárias, Rick Santorum, anunciou a suspensão de sua campanha ontem.

Muito tem se falado sobre o fato de Romney ser Mórmon, e veículos jornalísticos brasileiros já cobriram ou estão cobrindo o ângulo religioso de Romney. Membros da Igreja SUD no Brasil, ao que parece, [1] estão animados pela presença de destaque de um correligionário num contexto de tanto prestígio.

Não obstante, eu me pergunto: será que Mitt Romney representa bem os Mórmons? Será que há motivos para orgulho em tê-lo como um representante famoso e proeminente da fé e da tradição Mórmon?

A Revista TIME levanta a questão da sinceridade e honestidade: No que realmente crê Mitt Romney?

A Revista TIME levanta a questão da sinceridade e honestidade: No que realmente crê Mitt Romney?

Sem dúvida alguma, Mitt Romney é um homem de sucesso. Multi-milionário, com uma carreira brilhante no mundo de finanças, estudando em faculdades prestigiosas como Stanford e Harvard, nascido em berço privilegiado, e governador de sucesso do estado de Massachusetts. Além de empresário e político de sucesso, Romney é pai de uma linda família, com uma esposa elegante e filhos bonitos e, aparentemente, inteligentes e competentes. No âmbito religioso, Mitt foi Bispo e Presidente de Estaca, além de haver servido como missionário na França.

Com tantas qualidades em seu currículo, qual a sua característica mais notória, mais famosa, mais facilmente reconhecida pelo público em geral?

Não, não é o fato de Mitt Romney ser Mórmon.

É o fato de Mitt Romney ser mentiroso. [48]

Mitt Romney é um mentiroso contumaz. [48]

O fato, popularmente conhecido, é que Mitt Romney mente para dizer o quer que ele ache que a sua audiência alvo queria ouvir, contradizendo quaisquer afirmações ou posições do passado recente ou distante. Há alguns anos dizia-se que ele mudava de ideia e era inconsistente, mas hoje em dia simplesmente se diz que ele mente na cara-dura.

Vamos explorar alguns exemplos simples e básicos, em nenhuma ordem particular:

MENTIRA #1: Mitt Romney diz que Barack Obama deseja “estabelecer uma religião chamada secularismo” nos Estados Unidos. [2]

Barack Obama é Cristão, religiosamente ativo, e nunca propos nenhuma legislação que afetasse qualquer liberdade religiosa ou instituição de religião específica.

MENTIRA #2: Mitt Romney diz que Barack Obama tentou (ou quer) forçar igrejas a contrariar os ditames de suas consciências e obriga-las a pagar por contraceptivos de suas funcionárias. [3][3a][3b][3c][3d][3e][3f][3g][3h][3i][3j][3k][3l][3m]

A administração Obama começou a regulamentar uma lei da administração Bush que obrigaria instituições de fins sociais que recebem fundos federais a pagar seguros de saúde que cubram métodos contraceptivos, sendo que igrejas são isentas.

MENTIRA #3: Mitt Romney diz que apoia, sem restrições, a Emenda Blunt (que tornaria legal para uma empresa recusar seguro de saúde para suas funcionárias, se houver a suspeita que métodos contraceptivos que a empresa não aceite possam ser utilizados). [4]

Algumas horas antes, Mitt Romney havia dito que era contra a Emenda Blunt.

MENTIRA #4: Mitt Romney disse que sempre foi contra a legalização do aborto. [5][6][7][8]

Mitt Romney, em campanha para Senador nos anos 90, disse que sempre foi a favor da legalização do aborto.

MENTIRA #5: Mitt Romney disse que sempre apoiou o NRA (Associação Nacional de Rifles). [6][7][8]

Mitt Romney, em campanha para Senador nos anos 90, disse era contra o NRA e a favor de controles de armas e rifles.

MENTIRA #6: Mitt Romney disse que Barack Obama começou a sua presidência no meio de um recessão econômica e que a deixou ainda pior. [6][7][8]

Todos os parâmetros econômicos dos EUA são muito melhores hoje que em Janeiro de 2009.

MENTIRA #7: Mitt Romney disse que não havia dito que a economia estava pior hoje que em Janeiro de 2009, quando Barack Obama assumiu a presidência dos EUA. [5][6][7][8]

Alguns dias antes, Mitt Romney havia dito que Barack Obama começou a sua presidência no meio de um recessão econômica e que a deixou ainda pior.

MENTIRA #8: Mitt Romney disse que não concorreu a um segundo têrmo como governador pois queria “largar o mundo da política” e retornar “ao mundo dos negócios”. [6][8]

Mitt Romney começou a sua primeira campanha presidencial em Fevereiro de 2007, um mês após sair do governo de Massachusetts.

MENTIRA #9: Mitt Romney disse que jamais apoiaria uma reforma do Sistema de Saúde em nível federal semelhante à reforma que ele instituiu em nível estadual em Massachusetts. [6][8][9]

Mitt Romney escreveu e publicou uma opinião em 2008 urgindo o Presidente Obama a conduzir uma reforma do Sistema de Saúde em nível federal semelhante à reforma que ele havia instituido em nível estadual em Massachusetts.

MENTIRA #10: Mitt Romney disse que a reforma federal do Sistema de Saúde aumentará o deficit federal em bilhões de dólares. [6][8]

O CBO (Escritório Congressional Orçamentário) calcula *redução* no deficit federal em consequência da reforma de Saúde.

MENTIRA #11: Mitt Romney diz que o Presidente Obama não fechou nenhum acordo comercial multinacional. [6]

Barack Obama fechou acordos multinacionais com mais de 6 países diferentes.

MENTIRA #12: Mitt Romney diz que os Americanos são os únicos que colocam a mão sobre o coração enquanto cantam seu hino nacional. [6]

Sério. Ele disse isso.

MENTIRA #13: Mitt Romney disse (aprovou propaganda eleitoral que disse) que Barack Obama havia admitido que “falar sobre a economia” lhe traria atenção negativa. [6][7][8]

Barack Obama estava citando John McCain (candidato à presidente em 2008), e editaram o discurso para parecer que Obama havia dito isso sobre si, e não que ele citava o que McCain haveria dito.

MENTIRA #14: Mitt Romney disse que Barack Obama contribui mais para o déficit nacional que todos os presidentes do passados em conjunto. Ainda disse que Obama foi o primeiro presidente a permitir que a dívida pública chegasse a 1 trilhão de dólares. [10][11]

Obama sequer “contribuiu” mais que seu antecessor imediato, George W. Bush. Quando ele assumiu a presidência, a dívida pública era de 1,3 trilhões de dólares.

MENTIRA #15: Mitt Romney disse que Barack Obama havia se classificado como entre os 4 melhores presidentes de todos os tempos. [12][13]

Barack Obama disse que a quantidade de leis passadas e tratados assinados nos primeiros dois anos foram maiores que em quase todas as demais presidências, o que é um fato estatístico. Basta contar.

MENTIRA #16: Mitt Romney citou Barack Obama dizendo que “num mundo ideal, o governo gastaria quanto quisesse.” [14][15]

Barack Obama disse que “se houvesse um mundo perfeito, nós teríamos recursos ilimitados, ninguém precisaria pagar impostos, e o governo poderia gastar quando quisessemos, mas vivemos no mundo real…” onde vale exatamente o oposto que Romney dava a entender da mensagem do presidente.

MENTIRA #17: Mitt Romney disse que Barack Obama havia dito que não acreditava na doutrina do “excepcionalismo Americano”. [16]

Barack Obama havia dito, justamente, que ainda acreditava na doutrina do “excepcionalismo Americano”.

MENTIRA #18: Mitt Romney disse que Barack Obama aumentou os impostos de pequenos negócios. [17]

Impostos para pequenos negócios cairam na admnistração Barack Obama, além de flexibilizar leis trabalhistas, fiscais, e de patentes para pequenos negócios.

MENTIRA #19: Mitt Romney disse que Barack Obama pediu desculpas, repetidas vezes, ao mundo e a chefes de estado, pelos erros dos EUA. [18][19]

Isso nunca aconteceu.

MENTIRA #20: Há décadas atrás, Mitt Romney levou sua família para uma viagem de 12 horas, e amarrou o cachorro Seamus, um Irish setter, no teto do carro, dentro de um canil portátil. Romney disse que o cão adorou a viagem, que não sofreu, e que ele havia tomado as providências para que o cão passasse a viagem em conforto. [20]

Seamus sofreu tanto desgaste emocional durante a viagem que teve um episódio de diarreia explosiva, forçando o Romney a parar a viagem para esguichar o carro e o cão. Chegando em seu destino Seamus, o cão passou dias tremendo e recusando comida, presumidamente traumatizado com a experiência.

E por aí vai. Há exemplos pra escrever vários e vários posts. [21][22][23][24][25][26][27][28][29][30][31][32][33] Há inclusive uma excelente montagem de vários vídeos comparando o que Mitt Romney diz em dado momento, e desdiz em outro. [34]

UPDATE: Ontem, no dia da publicação deste post, como que para provar que eu estou certo, Mitt Romney contou mais uma mentira deslavada. E ridícula de tão simples de provar falsa e mostrar como a mentira foi montada! Eu não vou inserir *todas* as mentiras que ele contará doravante, mas esta é exemplar demais pra ignorar:

MENTIRA #21: Mitt Romney disse que, por causa das políticas econômicas de Barack Obama, mulheres sofreram desproporcionalmente, representando 92% de todos os empregos perdidos. [35][36][37][38][39][40][41][42][43][44][45][46]

Desde o início da Segunda Grande Depressão de 2008 até hoje, mulheres sofreram 39% de todos os empregos perdidos (Homens: 5.355.000; Mulheres 2.124.000). De onde ele tirou esse valor de 92%? Contando apenas os empregos perdidos de 01 JAN 2009 em diante, 3 semanas *antes* da inauguração de Barack Obama. Por que antes dele assumir, e não depois? Porque homens recuperaram empregos muito mais rapidamente que mulheres, fenômeno comum em recessões econômicas (Homens: 57.000; Mulheres: 683.000), e se tivesse contado desde 01 FEV 2009 em diante, mulheres representariam 300% dos empregos perdidos e não 92%, o que tornaria a mentira ainda mais óbvia.

Perdas de Empregos, em milhares. Homens em vermelho, Mulheres em azul. Flechas: início da crise, inaguração do Obama, e hoje.

FIM DO UPDATE (12/04/12)

Certamente pode se argumentar que todos os políticos são mentirosos, e que a própria prática da política obriga ao cidadão mais reto a se desviar do caminho da honestidade. Mas se Romney não é nenhuma exceção à regra de desonestidade, qual seria o valor e o motivo de orgulho de te-lo ali representando todos os Mórmons?

Pode-se dizer isso de todos os políticos Mórmons? Como eu disse acima, eu pessoalmente não confio em nenhum político por default, mas nem todos políticos Mórmons aparentam ter a facilidade para mentir como Romney. Jon Huntsman, ex-governador de Utah (2005-2009), ex-embaixador na China (2009-2011) e Cingapura (1992-1993), e até recentemente candidato à presidência dos EUA, não é conhecido por ser mentiroso, e durante os debates presidenciais sempre me pareceu honesto e íntegro. Harry Reid, Senador e líder do governo no Senado (1987-2012), ex-Deputado Federal (1983-1987), e ex-vice-governador de Nevada (1971-1975) é famoso por sua honestidade e falar o que pensa. No passado recente, o Deputado Federal Wayne Owens (1973-1975, 1987-1993) e o Prefeito de Salt Lake City Ted Wilson (1976-1985) ficaram ambos conhecidos pela honestidade e forte ética de trabalho e ideias progressistas. Até o pai de Mitt, George Romney, ex-governador de Michigan (1963-1969) e ex-Ministro Federal (1969-1973), nunca foi acusado de ser mentiroso ou desonesto, e foi um exemplo de cooperação com liderança ativista no movimento de direitos civis para Negros. Todos Mórmons, todos políticos profissionais, todos notoriamente honestos.

Assim sendo, sabe-se que mentir não é uma tradição política Mórmon, pois há e houve políticos Mórmons cujos caracteres se pode defender.

Então, eu volto para a minha indagação original: Mitt Romney representa bem a sua fé e tradição Mórmon? Há motivos para orgulho entre Mórmons em tê-lo como representante frente o público em geral? Com uma falta de ética tão famosa, não seria mais coerente repudiar a associação de tal político da fé e/ou da tradição Mórmon? Ou, será que tacitamente aceita-se o princípio que os meios justificam o fins, e que mentir pra conseguir avançar uma causa (seja própria, seja o Mormonismo) é um preceito aceito entre Mórmons? [47] [48]

—–
[1] Baseado na minha limitada experiência pessoal de quantidade de emails e mensagens no Facebook e nos blogs que eu vejo entre Santos dos Últimos Dias demonstrando orgulho do candidato Mórmon à presidência (e.g., aquiaquiaqui e aqui). Eu, pessoalmente, não tenho recebido ou lido nenhuma mensagem demonstrando vergonha desta representação por essas bandas. 
[47] O manual de Escola Dominical ‘Princípios do Evangelho’ diz: “Mentir é enganar intencionalmente os outros. Prestar falso testemunho é uma forma de mentira… Quando dizemos coisas que não são verdadeiras, somos culpados de mentir… O Senhor não Se apraz com a desonestidade e teremos que prestar contas de nossas mentiras. Satanás tenta fazer com que acreditemos que não faz mal mentir… Satanás encoraja-nos a justificar nossas mentiras para nós mesmos. As pessoas honestas reconhecem as tentações de Satanás e dizem apenas a verdade, mesmo que isso resulte em desvantagem para si mesmas… As pessoas usam muitas desculpas para justificar a desonestidade… Para o Senhor não existem razões aceitáveis. Quando damos desculpas, enganamos a nós mesmos e o Espírito do Senhor Se afasta. Tornamo-nos cada vez mais iníquos.”
[48] (Nota inserida 30/08/2012) Estranhamente, recebi alguns comentários e emails questionando se Mitt Romney realmente contou essas mentiras mencionadas acima e, se as contou, onde estariam documentadas. Eu imaginei que os links embutidos nas notas acima (números em colchetes) estavam óbvios, mas evidentemente não estavam tão óbvios assim. Portanto, para facilitar eu decidi juntar alguns dos links acima, e mais alguns novos, documentando bem mais de 500 (quinhentas) mentiras contadas por Mitt Romney nos últimos 12 meses: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 42, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 49, 50, 51, 52, 53, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 62, 63, 64, 65, 66, 67, 68, 69, 70, 71, 72, 73. Eu acho impossível qualquer pessoa ler todos esses artigos citados e chegar a qualquer outra conclusão sobre a honestidade do “candidato Mórmon”! Inclusive aqueles que, como se pode ler nos comentários abaixo, se submetem a contorcionismos mentais extremos — e patéticos — para fingir que uma ou outra mentira não constitui em mentira.

 

77 comentários sobre “Mitt Romney Representa Mórmons?

  1. Comentários do Jun entre

    Não, eu não disse isto (apesar de haver um choque de paradigmas entre a sua visão e a de Romney em alguns pontos). Releia meus posts acima. O que eu quero dizer, e que chegamos até a concordar, é que:
    1) Em política figuras de retórica e hipérboles são usadas para chamar a atenção e atrair acólitos à sua causa. Quanto mais exposto o político à mídia, maiores as chances de se encontrar estas hipérboles.
    2) Estas hipérboles são amplificadas pela própria mídia a fim de atrair mais leitores
    Estas hipérboles criam caricaturas dos fatos como realmente são e podem ser consideradas mentiras? Sim, é claro! Mas política é mais um exercício passional do que racional, e cabe a nós num exercício hegeliano analisarmos as teses e antíteses para extrairmos nossa síntese já filtrada destes excessos.
    O de que discordo é de sua abordagem. Você parece exigir que o discurso político tenha a mesma objetividade do que, por exemplo, a apresentação de uma tese de doutorado, e que a divulgação do discurso político, ou que uma resposta a um repórter durante uma campanha política tenha o mesmo cuidado e escrutínio de uma publicação científica.
    Nós sabemos que não funicona assim. Se eu começar a garimpar encontraria também “20 mentiras” de John Huntsman ou de qualquer outro político considerado “mais verdadeiro” por você publicadas em algum lugar da mídia.
    Antes de prosseguir, gostaria de agradecer por apontar meus erros nos posts acima. Realmente divaguei do cerne do seus argumentos. Vou procurar ser mais objetivo e avaliar os pontos onde acho que houve mais um choque de paradigmas, onde houve uma amplificação da retórica pela própria mídia, não isentando, é claro, Romney de sua própria retórica.
    Mentira 1:
    Romney realmente disse: “eu acho que há o desejo de estabelecer uma nova religião na América chamada secularismo”. O link que você mostrou, apenas no cabeçalho Romney atribui este desejo à Obama, mas isto é uma inferência do repórter que escreveu o texto. No vídeo, Romney não restringe este desejo a Obama, apenas questiona o quanto Obama ou a sua administração pode ter sido influenciada por esta ideologia, um ponto a ser levado em consideração devido à polêmica sobre liberdade religiosa na lei Obamacare. Resumindo:
    a) Há pessoas que querem estabelecer o secularismo na América? Verdade.
    b) A influência destas pessoas são significativas sobre o governo Obama? Provavelmente não. Retórica de Romney aqui.
    c) Obama se encaixa no grupo destas pessoas? Com certeza, não. Retórica amplificada da mídia aqui.
    Mentira 2:
    (Igrejas pagarem por métodos contraceptivos). Você procura restringir o termo Igreja apenas às 4 paredes de seu templo e seus escritórios. Romney parece extender o termo Igreja também às entidades assistenciais dirigidas pelo clero destas Igrejas. Isto é uma forma de retórica usada por Romney. Sim, é! Mas esta expansão retórica não está bem explicada em seu post inicial. Poderíamos voltar à discussão se há ou não violação da liberdade de consciência religiosa na lei Obamacare, mas como vc mesmo disse, isto seria uma divagação do seu argumento se Romney mentiu ou não.
    Lei de Massaschussets e Obamacare: Argumento da Hipocrisia de Romney
    Leis de Saúde já existem em 28 estados americanos, 20 deles possuem exceções ou brechas para que entidades religiosas se eximam de promover seguros que contrariem sua consciência religiosa. A lei de Massaschussets permite esta brecha? Por que houve uma comoção dos bispos católicos contra a Obamacare e não houve um celeuma de mesma intensidade contra Romney após a lei de Massachussets ser aprovada em 2006?
    Fato 1: Sisters of Providence Health System in Western Massachusetts.
    Possui seguro saúde para seus funcionários sob a vigência da Romneycare. Como é auto-segurada, seu seguro não cobre métodos contraceptivos, uma brecha da lei Romneycare. Há um risco que sob a Obamacare tenha de promover esta opção para seus funcionários.
    Fato 2: Senador Democrata John Kerry (católico) por Massachussets. Confortável com Romneycare, porém alega que a Obamacare deva ser modificada para que inclua uma cláusula permitindo uma uma exceção de consciência para organizações religiosas.
    Fato 3: Romney demonstrou preocupação com a lei de saúde de seu estado para que não ferisse a consciência religiosa de algumas instituições e até procurou vetar algumas leis mais específicas que vigiam sobre contracepção. Infelizmente seu veto foi rejeitado pelo legislativo democrático se seu estado.
    Fonte: http://www.boston.com/Boston/politicalintelligence/2012/02/massachusetts-law-insured-birth-control-similar-rule-set-barack-obama/XzJavhOtrB8eS22b8zXMhO/index.html

    Mentira 3: Emenda Blunt
    Pelo o que li de seu link, parece mais um caso de Romney desconhecer ou achar que Emenda Blunt dizia uma coisa, quando na verdade ela dizia exatamente o oposto. Um “flip-flop” de apenas uma hora, parece mais um “Ups! Errei, deixe-me corrigir minha posição!” do que uma mentira. A palavra “mentira” para mim neste caso seria uma exagero retórico.
    Mentira 4: Mitt Romney disse que sempre foi contra a legalização do aborto.
    Desculpe, mas os links que você providenciou para esta afirmação não dizem isto ou estão quebrados. Eu acompanho a candidatura Romney desde a eleição passada, e pelo que li Romney admite claramente que mudou de opinião em relação à legalização do aborto ou em manter ROE x Wade legal. O resumo que conheço da história:
    1) Romney admite que no nível pessoal sempre foi pro-life (até mesmo por força de sua religião)
    2) Romney admite que não poderia impor sua posição pessoal sobre os outros, por isto admitiu manter legal a decisão ROE x Wade, assim como sua mãe o fez quando concorreu ao Senado por Michigan.
    3) Romney admite que mudou drasticamente de posição sobre a legalidade do pro-choice durante seu governo de Massachussets. As causas que motivaram esta mudança parecem ter sido:
    a. Uma conversa com o Dr. Douglas Melton, pesquisador em células-tronco da Universidade Harvard.
    b. Uma conta de uma clínica de aborto que chegou até sua mesa de governador para que ele assinasse aprovando aquelas despesas.
    Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Political_positions_of_Mitt_Romney
    MENTIRA #6: Mitt Romney disse que Barack Obama começou a sua presidência no meio de um recessão econômica e que a deixou ainda pior.
    Aqui é onde acho que há um conflito de paradigmas entre você e Romney. Os parâmetros econômicos estão piores ou melhores sobre a administração Obama? Antes de comentar diretamente este ponto deixe-me comentar alguns de seus argumentos:

    Não Jun! Não existe uma relação de causa-efeito entre Déficit Público e uma crise financeira do setor privado, tal como a crise dos sub-primes. Se assim fosse, o déficit público deveria ter subido após o “crack” da bolsa de 1929, certo? Cheque o gráfico mais abaixo no link e você verá que os USA teve até um surplus orçamentário nos anos seguintes ao crack. Presidente Hoover achava que o mercado se ajustaria sozinho e não tomou nenhuma ação. O governo não tinha déficit, mas os trabalhadores também não tinham emprego.

    Claro que não Jun! E o índice que estou usando é Déficit público/GDP, uma razão que estima a capacidade de um país em saldar suas dívidas. Este sim é um dos indicadores econômicos (não único, é claro!) para avaliar a saúde financeira de uma nação (http://en.wikipedia.org/wiki/Debt-to-GDP_ratio). Esta razão saiu do patamar dos 60% no governo Bush (nível atual do Brasil) para o nível de mais de 100% durante o governo Obama (nível equivalente ao da Grécia em 2007 e perto do atual nível da Itália hoje).

    Não vou entrar no mérito de quem sabe mais economia aqui, pois acho que você está em desvantagem. Mas, centremos na questão: Romney mentiu no ponto economia?
    Li os comentários de Romney explanando sobre esta questão e vou tentar aqui resumir.
    Os USA já passou por várias crises financeiras (Crack da Bolsa, crise do México, crise da Ásia, etc.). Situações onde a inflação tende a subir e os empregos tendem a sumir afetando o bem-estar de inúmeras famílias. Cabe ao governo tomar ações que possam reverter esta situação e diminuir o índice de desemprego. Algumas ações históricas:
    1) Roosevelt: Solução Keynesiana para a grande Depressão. Aumenta os gastos públicos, e se você lembrar do multiplicador Keynesiano dos livros de economia, saberá que está é uma ação previsível para que se aumente o GDP. A capacidade do setor produtivo estava ociosa, os investimentos e gastos públicos em grandes obras giraram a ecomia e o desemprego baixou (alguns economistas discordam deste útlimo parágrafo, veja meu link fonte abaixo).
    2) Reagan: Solução Lafferniana para a crise de Energia ou 2ª crise do Petróleo. Redução dos gastos públicos em concomitância com uma redução da carga tributária, uma tentativa de se achar o ponto ótimo sobre a curva de Laffer. Reagan recebe o governo de Jimmy Carter com uma inflação de 12,5% aa e uma taxa de desemprego da ordem de 7,5%. Termina seu segundo mandato com uma inflação de 4,4% aa e taxa de desemprego de 5,4%.
    3) Obama: Crise dos Sub-primes. Taxa de desemprego da ordem de 7,3% e com riscos de crescer ainda mais devido a falência de vários bancos e agências de hipotecas. Obama, promove um pacote de estímulo de Us$ 834 bilhões, o déficit em relação ao GDP cresce, mas a taxa de desemprego não cai nem o GDP cresce como esperado. Apesar das ações de Obama serem diferentes das ações do New Deal de Roosevelt, ambos seguiram princípios Keneysianos, e no caso de Obama não deu certo.

    http://spectator.org/archives/2011/10/06/is-keynes-finally-dead/

    Agora vamos ao argumento de Romney. Obama aumentou o % Déficit/GDP, porém o desemprego continua alto e o crescimento de GDP continua baixo. Um nível de desemprego acima dos 8% durante 4 anos faz com que grande parte das famílias sofram, i.e., a crise apesar de estar contida, está ferindo demais as famílias americanas. Conclusão de Romney: A Economia piorou sob Obama.

    Você pode até discordar desta percepção, invocar outros índices econômicos para demonstrar melhoras (GINI, confiança do Consumidor, etc.), mas eu não classificaria isto como mentiroso. Se Romney baseasse seu argumento somente no decaimento do credit rating pela Standard Poors, ele poderia afirmar que a condição econômica dos USA sob a vigência Obama piorou (pelo menos na perspectiva dos analistas de risco de Mercado) e isto não seria uma mentira.

  2. Antônio, os comentários do JUN entre não aparecereram. Estou enviando esta outra. Veja se aparece:

    Comentários do Jun entre *…*
    * Você insiste em repetir, pela terceira vez, o argumento que as mentiras listadas acima são “deturpação ou caricatura” dos argumentos reais de Romney*
    Não, eu não disse isto (apesar de haver um choque de paradigmas entre a sua visão e a de Romney em alguns pontos). Releia meus posts acima. O que eu quero dizer, e que chegamos até a concordar, é que:
    1) Em política figuras de retórica e hipérboles são usadas para chamar a atenção e atrair acólitos à sua causa. Quanto mais exposto o político à mídia, maiores as chances de se encontrar estas hipérboles.
    2) Estas hipérboles são amplificadas pela própria mídia a fim de atrair mais leitores
    Estas hipérboles criam caricaturas dos fatos como realmente são e podem ser consideradas mentiras? Sim, é claro! Mas política é mais um exercício passional do que racional, e cabe a nós num exercício hegeliano analisarmos as teses e antíteses para extrairmos nossa síntese já filtrada destes excessos.
    O de que discordo é de sua abordagem. Você parece exigir que o discurso político tenha a mesma objetividade do que, por exemplo, a apresentação de uma tese de doutorado, ou que a divulgação do discurso político, ou que uma resposta a um repórter durante uma campanha política tenha o mesmo cuidado e escrutínio de uma publicação científica.
    Nós sabemos que não funicona assim. Se eu começar a garimpar encontraria também “20 mentiras” de John Huntsman ou de qualquer outro político considerado “mais verdadeiro” por você publicadas em algum lugar da mídia.
    Antes de prosseguir, gostaria de agradecer por apontar meus erros nos posts acima. Realmente divaguei do cerne do seus argumentos. Vou procurar ser mais objetivo e avaliar os pontos onde acho que houve mais um choque de paradigmas, onde houve uma amplificação da retórica pela própria mídia, não isentando, é claro, Romney de sua própria retórica.
    Mentira 1:
    Romney realmente disse: “eu acho que há o desejo de estabelecer uma nova religião na América chamada secularismo”. O link que você mostrou, apenas no cabeçalho Romney atribui este desejo à Obama, mas isto é uma inferência do repórter que escreveu o texto. No vídeo, Romney não restringe este desejo a Obama, apenas questiona o quanto Obama ou a sua administração pode ter sido influenciada por esta ideologia, um ponto a ser levado em consideração devido à polêmica sobre liberdade religiosa na lei Obamacare. Resumindo:
    a) Há pessoas que querem estabelecer o secularismo na América? Verdade.
    b) A influência destas pessoas são significativas sobre o governo Obama? Provavelmente não. Retórica de Romney aqui.
    c) Obama se encaixa no grupo destas pessoas? Com certeza, não. Retórica amplificada da mídia aqui.
    Mentira 2:
    (Igrejas pagarem por métodos contraceptivos). Você procura restringir o termo Igreja apenas às 4 paredes de seu templo e seus escritórios. Romney parece extender o termo Igreja também às entidades assistenciais dirigidas pelo clero destas Igrejas. Isto é uma forma de retórica usada por Romney. Sim, é! Mas esta expansão retórica não está bem explicada em seu post inicial. Poderíamos voltar à discussão se há ou não violação da liberdade de consciência religiosa na lei Obamacare, mas como vc mesmo disse, isto seria uma divagação do seu argumento se Romney mentiu ou não.
    Lei de Massaschussets e Obamacare: Argumento da Hipocrisia de Romney
    Leis de Saúde já existem em 28 estados americanos, 20 deles possuem exceções ou brechas para que entidades religiosas se eximam de promover seguros que contrariem sua consciência religiosa. A lei de Massaschussets permite esta brecha? Por que houve uma comoção dos bispos católicos contra a Obamacare e não houve um celeuma de mesma intensidade contra Romney após a lei de Massachussets ser aprovada em 2006?
    Fato 1: Sisters of Providence Health System in Western Massachusetts.
    Possui seguro saúde para seus funcionários sob a vigência da Romneycare. Como é auto-segurada, seu seguro não cobre métodos contraceptivos, uma brecha da lei Romneycare. Há um risco que sob a Obamacare tenha de promover esta opção para seus funcionários.
    Fato 2: Senador Democrata John Kerry (católico) por Massachussets. Confortável com Romneycare, porém alega que a Obamacare deva ser modificada para que inclua uma cláusula permitindo uma uma exceção de consciência para organizações religiosas.
    Fato 3: Romney demonstrou preocupação com a lei de saúde de seu estado para que não ferisse a consciência religiosa de algumas instituições e até procurou vetar algumas leis mais específicas que vigiam sobre contracepção. Infelizmente seu veto foi rejeitado pelo legislativo democrático se seu estado.
    Fonte: http://www.boston.com/Boston/politicalintelligence/2012/02/massachusetts-law-insured-birth-control-similar-rule-set-barack-obama/XzJavhOtrB8eS22b8zXMhO/index.html

    Mentira 3: Emenda Blunt
    Pelo o que li de seu link, parece mais um caso de Romney desconhecer ou achar que Emenda Blunt dizia uma coisa, quando na verdade ela dizia exatamente o oposto. Um “flip-flop” de apenas uma hora, parece mais um “Ups! Errei, deixe-me corrigir minha posição!” do que uma mentira. A palavra “mentira” para mim neste caso seria uma exagero retórico.
    Mentira 4: Mitt Romney disse que sempre foi contra a legalização do aborto.
    Desculpe, mas os links que você providenciou para esta afirmação não dizem isto ou estão quebrados. Eu acompanho a candidatura Romney desde a eleição passada, e pelo que li Romney admite claramente que mudou de opinião em relação à legalização do aborto ou em manter ROE x Wade legal. O resumo que conheço da história:
    1) Romney admite que no nível pessoal sempre foi pro-life (até mesmo por força de sua religião)
    2) Romney admite que não poderia impor sua posição pessoal sobre os outros, por isto admitiu manter legal a decisão ROE x Wade, assim como sua mãe o fez quando concorreu ao Senado por Michigan.
    3) Romney admite que mudou drasticamente de posição sobre a legalidade do pro-choice durante seu governo de Massachussets. As causas que motivaram esta mudança parecem ter sido:
    a. Uma conversa com o Dr. Douglas Melton, pesquisador em células-tronco da Universidade Harvard.
    b. Uma conta de uma clínica de aborto que chegou até sua mesa de governador para que ele assinasse aprovando aquelas despesas.
    Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Political_positions_of_Mitt_Romney
    MENTIRA #6: Mitt Romney disse que Barack Obama começou a sua presidência no meio de um recessão econômica e que a deixou ainda pior.
    Aqui é onde acho que há um conflito de paradigmas entre você e Romney. Os parâmetros econômicos estão piores ou melhores sobre a administração Obama? Antes de comentar diretamente este ponto deixe-me comentar alguns de seus argumentos:
    * A explosão no déficit ocorreu justamente em consequência da crise de 07/08 *
    Não Jun! Não existe uma relação de causa-efeito entre Déficit Público e uma crise financeira do setor privado, tal como a crise dos sub-primes. Se assim fosse, o déficit público deveria ter subido após o “crack” da bolsa de 1929, certo? Cheque o gráfico mais abaixo no link e você verá que os USA teve até um surplus orçamentário nos anos seguintes ao crack. Presidente Hoover achava que o mercado se ajustaria sozinho e não tomou nenhuma ação. O governo não tinha déficit, mas os trabalhadores também não tinham emprego.
    * Talvez você tenha sido vítima de uma percepção equivocada que “uma economia melhor” significaria que o déficit deveria cair*

    Claro que não Jun! E o índice que estou usando é Déficit público/GDP, uma razão que estima a capacidade de um país em saldar suas dívidas. Este sim é um dos indicadores econômicos (não único, é claro!) para avaliar a saúde financeira de uma nação (http://en.wikipedia.org/wiki/Debt-to-GDP_ratio). Esta razão saiu do patamar dos 60% no governo Bush (nível atual do Brasil) para o nível de mais de 100% durante o governo Obama (nível equivalente ao da Grécia em 2007 e perto do atual nível da Itália hoje).

    Não vou entrar no mérito de quem sabe mais economia aqui, pois acho que você está em desvantagem. Mas, centremos na questão: Romney mentiu no ponto economia?
    Li os comentários de Romney explanando sobre esta questão e vou tentar aqui resumir.
    Os USA já passou por várias crises financeiras (Crack da Bolsa, crise do México, crise da Ásia, etc.). Situações onde a inflação tende a subir e os empregos tendem a sumir afetando o bem-estar de inúmeras famílias. Cabe ao governo tomar ações que possam reverter esta situação e diminuir o índice de desemprego. Algumas ações históricas:
    1) Roosevelt: Solução Keynesiana para a grande Depressão. Aumenta os gastos públicos, e se você lembrar do multiplicador Keynesiano dos livros de economia, saberá que está é uma ação previsível para que se aumente o GDP. A capacidade do setor produtivo estava ociosa, os investimentos e gastos públicos em grandes obras giraram a ecomia e o desemprego baixou (alguns autores discordam desta útlima conclusão, veja meu link fonte abaixo).
    2) Reagan: Solução Lafferniana para a crise de Energia ou 2ª crise do Petróleo. Redução dos gastos públicos em concomitância com uma redução da carga tributária, uma tentativa de se achar o ponto ótimo sobre a curva de Laffer. Reagan recebe o governo de Jimmy Carter com uma inflação de 12,5% aa e uma taxa de desemprego da ordem de 7,5%. Termina seu segundo mandato com uma inflação de 4,4% aa e taxa de desemprego de 5,4%.
    3) Obama: Crise dos Sub-primes. Taxa de desemprego da ordem de 7,3% e com riscos de crescer ainda mais devido a falência de vários bancos e agências de hipotecas. Obama, promove um pacote de estímulo de Us$ 834 bilhões, o déficit em relação ao GDP cresce, mas a taxa de desemprego não cai nem o GDP cresce como esperado. Apesar das ações de Obama serem diferentes das ações do New Deal de Roosevelt, ambos seguiram princípios Keneysianos, e no caso de Obama não deu certo.

    http://spectator.org/archives/2011/10/06/is-keynes-finally-dead/

    Agora vamos ao argumento de Romney. Obama aumentou o % Déficit/GDP, porém o desemprego continua alto e o crescimento de GDP continua baixo. Um nível de desemprego acima dos 8% durante 4 anos faz com que grande parte das famílias sofram, i.e., a crise apesar de estar contida, está ferindo demais as famílias americanas. Conclusão de Romney: A Economia piorou sob Obama.

    Você pode até discordar desta percepção, invocar outros índices econômicos para demonstrar melhoras (GINI, confiança do Consumidor, etc.), mas eu não classificaria isto como mentiroso. Se Romney baseasse seu argumento somente no decaimento do credit rating pela Standard Poors, ele poderia afirmar que a condição econômica dos USA sob a vigência Obama piorou (pelo menos na perspectiva dos analistas de risco de Mercado) e isto não seria uma mentira.

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