Líderes Mórmons Preocupados Com Deserção De Jovens

Líderes Mórmons e Adventistas planejam campanha publicitária

Líderes Mórmons e Adventistas planejam campanha publicitária em colaboração inter-religiosa.

Na semana passada o Apóstolo Tom Perry e o Presidente dos Setenta Ronald Rasband se reuniram com líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia para discutir uma campanha publicitária conjunta.

Detalhes da campanha não foram discutidas publicamente, mas pelos comentários feitos pela liderança Mórmon, dois focos principais ficaram evidentes.

A reunião ocorreu na sede Adventista em Maryland e incluiu a presença doVice-Presidente da Igreja Adventista Lowell Cooper. A julgar pelos comentários à mídia, os dois pontos principais da campanha serão:

1) Reverter A Tendência De Crescimento Negativo Entre Jovens

Durante a entrevista coletiva, o Apóstolo Tom Perry comentou:

Precisamos encontrar um jeito de manter a fé viva nos jovens entre 14 e 35 anos de idade, para que esta fé cresca como eles, de modo a terem uma fundação para suas vidas.

A Igreja SUD está passando por problemas demográficos. Os dados estatísticos sugerem que ela não está mais crescendo além da reposição populacional natural, e alguns dados ainda sugerem que há enormes taxas anuais de deserção. Enquanto a Igreja Adventista do Sétimo Dia  pode se gabar de 18 milhões de membros batizados com uma taxa de frequência semanal de entre 25 e 30 milhões, a Igreja SUD insiste em fingir que seus 15 milhões de membros batizados representam bem uma taxa de frequência semanal de entre 4,5 e 5,2 milhões (números estimados por múltiplos estudos, visto que os dados oficiais são secretos sagrados).

Apóstolo SUD Tom Perry em encontro com líderes Adventistas

Apóstolo Tom Perry da Igreja SUD em encontro com líderes da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Obviamente, os líderes Mórmons não são ignorantes sobre os seus próprios problemas estatísticos, e a evidência de preocupação demonstrada pelo Apóstolo Perry sugere que a deserção por parte dos jovens SUD é um foco ainda maior e mais específico de inquietação. As mudanças de 2 anos atrás no programa missionário da Igreja, que já há décadas produz resultados pífios, fazem mais sentido dentro deste contexto de contenção de evasão e retenção de jovens do que em maior investimento no esforço de proselitismo.

Embora os detalhes demográficos dos problemas populacionais dos jovens SUD não tenham sido publicados, estudos recentes vem sugerindo que há um crescente hiato em religiosidade entre as gerações prévias e a Geração Y (nascidos entre 1980 e 2000). O próprio comentário de Perry sugere que o foco de preocupação gira em torno desta geração, posto que nenhum outro critério demográfico justifica classificar adolescentes (14-19) com jovens (19-25), jovens adultos (26-31) e adultos (31-35) para uma análise comportamental.

Ainda mais relevante é um estudo publicado há 2 meses que sugere que o principal fator para o abandono de religiões organizadas entre os membros da Geração Y são as campanhas anti-gays das igrejas Cristãs tradicionais. Este estudo é apenas mais uma confirmação de uma tendência clara que já vem se manifestando há mais de uma década.

Portanto, ao que tudo indica, há um desassossego na liderança SUD com as altas taxas de evasão entre os jovens SUD da Geração Y, e possivelmente uma boa parte desta evasão é motivada pela insistência nos ensinamentos homofóbicos da Igreja SUD. O que nos leva ao segundo ponto desta campanha publicitária:

2) Consolidar A Pregação E As Campanhas Homofóbicas

Durante a entrevista coletiva, o Presidente dos Setenta Ronald Rasband comentou:

Num mundo que necessita de mais fé, mais foco na família, e agora uma defesa da liberdade de religião, nós estamos tentando nos unir com pessoas de boa fé como vocês para ajudar a lutar estas batalhas básicas pelo mundo afora.

Para o leitor atualizado, as frases “liberdade de religião” e “foco na família” são os eufemismos Mórmons para “campanha anti-gay”.

Para o leitor desatualizado, não existem “batalhas básicas” contra “liberdade de religião” no Ocidente, muito menos nos EUA onde esta nova campanha publicitária será veiculada. Em nenhum momento das últimas décadas nos EUA houve qualquer ameaça à liberdade de religião. Muito menos da parte da sociedade que apoia direitos civis básicos para cidadãos LGBT. Quando líderes Mórmons se queixam de “ameaças” à “liberdade de religião”, em realidade eles estão se queixando de críticas da sociedade e condenações da opinião pública às suas campanhas políticas contra direitos civis para homossexuais.

Tom Perry visita sede Adventista para estrategizar campanha publicitária

Tom Perry visita sede Adventista para estrategizar campanha publicitária preventiva.

Durante a multimilionária campanha política de 2008 para remover direitos civis básicos de gays na Califórnia, a Igreja SUD sofreu pesadamente com críticas e protestos pelo seu papel central (e financeiro) na campanha, que apenas se intensificaram com a vitória Mórmon nas urnas. Esta mancha na imagem pública da Igreja a obrigou a investir em campanhas publicitárias multimilionárias e a apoiar, pela primeira vez, algumas leis proibindo discriminação contra gays. Não obstante, a julgar pelos pronunciamentos recentes das autoridades da Igreja, não parece haver qualquer arrefecimento nas intenções da Igreja institucionalmente buscar apoio para outras leis homofóbicas, como os direitos de casamento ou de paternidade.

A Igreja SUD goza de plena liberdade para pregar os ensinamentos que bem lhe prouver. Todas as pessoas, individual ou coletivamemente, gozam da liberdade de concordar ou discordar destes ensinamentos, e ainda de criticar a Igreja SUD se acharem importante. Se a Igreja deseja ensinar que homossexuais serão condenados, isso lhe pertence como direito

Evolução da opinião pública sobre a legalização do casamento homossexual

Evolução da opinião pública sobre a legalização do casamento homossexual mostra uma sociedade cada vez menos preconceituosa contra gays, especialmente entre as gerações mais jovens.

religioso, e ninguém advoga para lhe remover tal liberdade. Se a Igreja deseja continuar gastando tempo e dinheiro tentando forçar, legalmente, esta visão na sociedade americana (curiosamente, a Igreja SUD não vem gastando tempo e dinheiro contra gays no Brasil, ou na América Latina, ou na Europa), isso também lhe pertence como direito civil, e ninguém advoga para lhe remover tal liberdade. Agora, a julgar pela evolução progressiva da opinião pública, a Igreja não pode reclamar se for cada vez mais criticada — ou se assistir sua imagem pública cada vez mais negativada — ao persistir com este preconceito institucionalizado. Insistir que tal crítica pública, ou imagem pública negativa, constitui uma “ameaça à liberdade religiosa” é simplesmente um argumento desonesto.

Ademais, foi-se a época em que o foco da Igreja SUD, ao menos em seus esforços comunitários, era proteger a instituição da família, quando a Igreja produzia e veiculava excelente e inteligente campanhas televisivas que estimulavam o apreço por valores familiares. Nas décadas de 1970 e 1980, os comerciais da Igreja enfatizavam discussões relevantes sobre problemas que famílias encaram na vida moderna. (Assista abaixo alguns dos melhores da série “Homefront” ou outros aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)

Desde quando a Igreja se comprometeu abertamente a combater direitos civis para gays com a publicação da “A Família—Proclamação ao Mundo” em Setembro de 1995, a noção de “proteger a família” migrou para longe do conceito de preocupar-se com os problemas afligindo a família moderna (e.g., falta de tempo, endividamento, ausência paternal, abuso infantil, divórcio, adultério, etc.) e mais para o conceito de preocupar-se em destruir famílias homoafetivas (i.e., casais homossexuais ou transgênero). Verdade seja explicitamente dita, as campanhas contra casamento gay em nada fortalecem as famílias heteronormativas, ou lhes ajuda a navegar os desafios da vida no século XXI, mas apenas servem para dificultar, marginalizar e condenar famílias homoafetivas ao ostracismo social e jurídico.

Matando Dois Cajados Com Uma Coelhada?

Aparentemente, os dois pontos centrais para a Igreja SUD desta campanha publicitária conjunta com Adventistas, então, são estancar a perda demográfica de jovens e coibir as críticas públicas contra as campanhas homofóbicas. Baseado nos comentários — e na lista de presentes — da parte da liderança Adventista, a preocupação maior está com a percepção pública do movimento anti-gay (com o qual a IASD segue bastante engajada) e não com a evasão de jovens (onde, parece, que a IASD não está sofrendo como a Igreja SUD).

Ironicamente, contudo, ambos problemas estão ligados de maneira inexorável e, infelizmente para a liderança SUD, inversamente proporcional. Os estudos de opinião pública, extrapoláveis para a população jovem SUD, sugerem que o preconceito anti-gay é uma parte considerável do problema que incentiva a Geração Y a evadir-se da Igreja enquanto instituição, e uma campanha publicitária para proteger tal preconceito institucional apenas servirá como maior incentivo para tal afastamento.

Não entrando na discussão sobre a (falta de) moralidade ou ética da institucionalização do preconceito ou mesmo dos seus (des)méritos jurídicos, apenas avaliando esta postura do ponto de vista tático a campanha está, desde sua incepção, fadada ao fracasso. Cada vez mais perceber-se-á que os ataques contra famílias homoafetivas nada tem a ver com “foco em família” ou “liberdade de religião”, e o preconceito (apenas levemente) velado servirá de ponto de afastamento a números cada vez maiores de jovens que, por motivos geracionais, enxergam a homossexualidade como condição humana normal e congênita e abraçam conceitos como igualdade e justiça social mais liberal e abrangentemente.

Produzida, terminada, executada e veiculada esta campanha, e outras que certamente a seguirão, a liderança SUD acabará na desconfortável posição de precisar ponderar e recalibrar suas estratégias. Aceitará ela que as novas gerações não compartilham de seus preconceitos, conformando-se com números de fieis progressivamente menores? Ou assumirá os erros do passado e moldar-se-á para se acomodar a novas sensibilidades de ética e justiça social, como fez com poligamia e o racismo institucional?

67 comentários sobre “Líderes Mórmons Preocupados Com Deserção De Jovens

  1. E não, a Igreja Mórmon não está sozinha nessa – como esteve nas questões de poligamia e política racial. Todas estão no mesmo barco dessa vez.

    • “Todas”, Riser? Não sei de onde você tirou essa ideia, porque ela não corresponde à verdade. Há inúmeras igrejas nos EUA que se distanciaram de uma prática homófoba (anglicanos, batistas, metodistas, presbiterianos, luteranos, Igreja Unida de Cristo, etc.). Sim, perderam no curso dessas mudanças muitos membros, quer constituíram outras igrejas. No Brasil também vemos igrejas que estão abertas aos homossexuais.

      Os fundamentalistas de todos os matizes – e entre esses incluo a Igreja SUD – são os que continuam mantendo essa posição, da mesma forma como continuam sendo contra o acesso de mulheres ao sacerdócio/pastorado, acreditando em uma infalibidade da Bíblia ou de seus líderes, e assim por diante.

      • É muito wishful thinking. Inúmeras igrejas? Tá mais para uma minoria bem pequena.

        É até engraçado, por exemplo, sou da Batista e o número de congregações nos EUA que aceitam parceirias(ou casamentos homossexuais) é mínimo e nem sequer são reconhecidas pelas outras congregações batistas tradicionais.

        Esses ‘cristãos’ não são nem 1% do cristianismo, aí os outros 99% são todos “fundamentalistas”?

        Eu mesmo sou a favor do casamento/parceiria estatal gay e acho muito ruim esse alarde todo que as igrejas fazem sobre o casamento/parceiria estatal gay, porém, serei o primeiro (ou o segundo, ou o terceiro) a sair da minha congregação quando o pastor der “uma benção” em uma parceiria homossexual. Não é questão de ser fundamentalista, é questão de princípios; fora da religião sou amigo de pessoas homossexuais numa boa.

        Sim, perderam no curso dessas mudanças muitos membros, quer constituíram outras igrejas.

        Bem, o ponto aqui é defendender o aceitação completa de homossexuais na Igreja Mórmon para retenção de membros e sabemos, como você admite, que a realidade não é assim.

      • Sim, inúmeras, Riser: Igreja Episcopal, Igreja Evangélica Luterana na América (ELCA), Igreja Presbiteriana (Presbyterian Church USA), a Igreja Unida de Cristo, certos grupos batistas, vários pastores e congregações metodistas, e isso somente nos EUA.
        Estou meio cansado de debater com pessoas que, aparentemente, reduzem o cristianismo a uma posição sobre homossexualidade, aborto, divórcio, etc., e que não hesitam em colocar entre aspas os cristãos que defendem uma outra ideia que a sua.
        Mantenho o termo fundamentalista, sim.

  2. Achei interessante o argumento de que combater exclusiva e exaustivamente o casamento gay e a adoção de filhos por estes faz parecer que os problemas hetero-afetivos são menos importantes ou estão solucionados, e que simples discursos (e não ações práticas) já resolvem os problemas no lar. Quando na realidade a maioria das pessoas (mesmo ‘antigas’ na Igreja) sequer sabem (e a Igreja não consegue [falha em] fazê-las) abstrair o que o Evangelho tem de prático, dentro de si mesmas e nas suas relações familiares e sociais. Como se somente jogar sementes no campo as fizessem brotar e frutificar sem qualquer cuidado (que é o que justamente falta, o evangelho pode ser bom, mas as pessoas não ficam se não forem efetivamente cuidadas e nutridas).

    Será que nos EUA os problemas são tão diferentes assim dos do Brasil?

    E quem argumenta que se deve embater por prioridades, digo que acredito que maior prioridade seria fortalecer os laços matrimoniais já feitos do que combater a homossexualidade, já que não vejo tanta tendência assim de casais se desfazendo para ficarem com pares do mesmo sexo. E mesmo que a taxa de pessoas que declaram sua opção pelo mesmo gênero entre jovens pareça estar crescendo (como se a população mundial também não).

    Parece que a Igreja está combatendo um inimigo muito no futuro (como se todos fossem tornar-se homossexuais) e esquece que está perdendo no presente justamente aqueles que não são homossexuais (assumidos ou não). Na minha opinião, hoje muito mudada, comprou uma briga desnecessária, com tantas outras coisas para se preocupar.

    Quanto à questão dos jovens, tem muito tempo que me questiono (e isso tem relação com adultos também) de porque essa coisa de que foi na Igreja e é obrigado a aceitar ‘o batismo como forma de ter permissão para continuar frequentando’. Parece que não, mas fomos criados de tal forma que não aceitamos pessoas que somente frequentam a Igreja. Começa até pela arquitetura, prestem atenção às portas, pequenas demais e nada convidativas, sem contar que mesmo quando são maiores o pessoal insiste em deixar abertas apenas ‘frestas’ destas, portas sempre fechadas, portões nada convidativos, a pessoa tem receio de chegar, pois na porta principal não se tem acesso ao ‘culto’ sem antes ter que vencer portas e corredores e ainda algumas investidas um tanto invasivas… eu até entendo a importância das ordenanças de salvação, mas nossa sociedade SUD parece ser aberta apenas aos que foram iniciados pelo batismo e isolam-se (com certo gosto) de todos os demais, inclusive em suas reuniões de adoração.

    Caso fôssemos mais abertos à comunidade, e não nos preocupássemos tanto com quando ou se a pessoa que frequenta vai batizar-se (dando-lhes oportunidade de pedirem por conta própria ou então somente depois dos membros da ala conhecerem e frequentarem sua casa, e só depois os missionários), creio que teríamos uma imagem melhor na comunidade.

    • “Caso fôssemos mais abertos à comunidade, e não nos preocupássemos tanto com quando ou se a pessoa que frequenta vai batizar-se (dando-lhes oportunidade de pedirem por conta própria ou então somente depois dos membros da ala conhecerem e frequentarem sua casa, e só depois os missionários), creio que teríamos uma imagem melhor na comunidade.”

      Realmente isso é um problema, eu mesmo já fui algumas vezes e eles sempre tentam empurrar missionários, digo que apesar de ser simpático não tenho interesse de me batizar, que já sou batizado e frequento outra igreja, forma-se um clima meio estranho e acabo não indo mais lá.

      • Olá Gerson e Riser, gostei muito da sua idéia de ser nós sermos aceito pela comunidade,através do serviço ao próximo e porque não apoiar os Mãos que Ajudam?.A respeito do batismo,não creio que esta ordenança tão sagrada será algum dia colocada em segundo plano pela Igreja, até porque se Jesus Cristo fez questão de ser batizado
        e no templo são realizados “batismos pelos mortos”. Isso prova que esta ordenança é essencial para mostrar nossa submissão e fé para viver com Pai Celestial.Se eu fosse líder da igreja e escutasse os membros desejando alterar as ordenanças de salvação em busca de popularidade ou melhor aceitação na comunidade , eu argumentaria que o mesmo foi feito pelo imperador Constantino na criação da igreja católica , outro argumento seria de que as leis e condições do reino terrestrial também são boas e bem populares e as leis do reino telestial são mais ou menos , mas é extremamente pop e faz muito sucesso! Devemos escolher que reino de glória queremos viver.Como disse Jesus Cristo que no céu há muitas moradas.Caso tenhamos o pensamento que as leis da igreja são duras demais ou os lideres são rigorosos, fora de contexto ou de moda,podemos escolher viver a eternidade em reinos com condições ou leis mais fáceis e aceitáveis.

      • Talvez eu não tenha escrito direito ou você nâo tenha entendido, Otávio.

        Mas não concordo sobre abolir batismos em qualquer parte. Na realidade, nem falei em ser pop… digo que a Igreja é muito fechada em termos sociais e isso criou nos membros uma isolação desnecessária…

        Inclusive, isso se reflete no formato de nossas casas de adoração (pouco convidativas para pessoas que passam pela rua – pois além de estarem sempre fechadas, não parecem convidar para um ‘vinde e vede’ por conta própria); e até mesmo o ‘Mãos Que Ajudam’, em cujas edições (mais no interior) é comum se fazer apenas para conseguir conversos, e quando isso não ocorre os laços sociais são cortados…

        Não me tome por ingênuo em minhas colocações. O que digo é fruto de observação prática de anos de liderança ativa em prol de meus irmãos e da extrema dificuldade de entendermos que muitas pessoas poderiam ser batizadas caso não se sentissem tão coagidas a fazerem o que a maioria conseque com certa facilidade, e outros nem tanto.

        Alguns bons líderes da igreja e muitos membros apenas tornaram-se membros após anos de convívio com os santos, não foram isolados deles por não aceitarem sua fé de imediato, mas quando aceitaram, nunca mais saíram (vide BY, 2 Presidente da Igreja).

    • Hey, Gerson,

      Sabe que, seguindo sua linha de raciocínio, a Igreja deveria fazer mesmo umas mudanças mais estruturais. A instituição não está perdendo jovens por causa dos gays. A meu ver é porque ela está muito conservadora numa época em que precisa ser mais “animada”.

      Se eu fosse ligado ao setor de comunicação da Igreja, acho que me esforçaria para tornar as reuniões da Igreja mais “espetaculares”. Acho que muitas alas e ramos Brasil à fora são muito monótonas e entediam os frequentadores. Eu faria mudanças como: permitir instrumentos musicais além do piano para execução dos hinos, daria uma renovada no hinário para colocar músicas mais atuais, pagaria uns cursinhos de retórica, pelo menos, para os líderes locais (você sabe como é chato encontrar um bispo que não sabe falar ou que não sabe se comunicar direito com seu público. As pessoas não sentem confiança em pessoas assim), diria para construir capelas cujo o salão sacramental tenha uma porta direto para a rua, etc.

      Mas acho que ideias renovadoras assim não seriam aceitas pelos membros mais antigos. Esse pessoal que é o verdadeiro problema da Igreja. Acham que estão nos anos 80 ainda e que se mudar alguma coisa a Igreja vai “cair em apostasia”.

      E deve ser justamente por essa mentalidade que as Autoridades Gerais acabam empreendendo esforços onde não deveriam. Uma campanha contra a homossexualidade é só gastança de dinheiro à toa. Nenhum gay vai voltar para o armário e as chances de as pessoas voltarem a pensar como há 30 anos são mínimas. Acho que essa campanha será um fracasso.

      E sobre a questão de “forçar batismos”, suspeito que a Igreja faz isso porque ela investe muuuuuuuito dinheiro na obra missionária, e, então, querem resultados mais imediatos. Não seria “lucrativo” para a Igreja investir milhões no sistema missionário sem ter batismos acontecendo. Porque, no fundo, quem pressiona os líderes de missão para ter números altos, são as Autoridades Gerais. Se fosse mudar essa cultura de que as pessoas têm que se batizar o mais rápido possível, teria que mudar também todo o sistema de missão. Não consigo imaginar uma forma criativa de isso acontecer, mas acho que o método está mesmo ultrapassado.

      • Bah, que bom te encontrar por aqui, guri!

        E obrigado pelo reply.

        Inclusive ele me fez relembrar de salientar algo que talvez não tenha ficado claro no meu:

        Não quis referir-me às missões em si, pois ambos sabemos como as coisas são por lá e concorco contigo que mudar naquelas bandas é mais difícil ainda do que nas unidades.

        O que pensei foi justamente essa coisa de os membros, em média, fazerem toda uma ‘festa’ em torno de pessoas quando estas estão visitando e depois, conforme estas não demonstram interesse rápido, desistirem delas, muitas vezes sequer as cumprimentando na rua… fica uma coisa muito artificial e denota que se a pessoa não for batizada e rápido esta não parece ter qualquer valor.

        E o inverso, infelizmente, também é válido: assim que a pessoa passa alguns meses de seu batismo e já não é mais novidade, é tratada como uma qualquer e como se já tivesse que dominar e cumprir por completo a ‘cartilha social’ sem uma única ajuda sequer, muito pelo contrário, com críticas acirradas por suas dificuldades e acusações de ‘falta de fé’ e até ‘apostasia’.

        Se nós, ‘os discípulos’, realmente víssemos as pessoas como o mandamento do ‘valor da alma’, essas coisas tenderiam a diminuir, mas geralmente esse não é o tom enfatizado (embora todos saibam ou deveriam saber, de tão básico que é). Na realidade fica uma coisa de saber que deve amar, mas não termos uma única noção prática de como é que se age quando se quer alimentar esse sentimento.

      • Já pensei sobre isso, por que a igreja muitas vezes é monótona em suas reuniões e algumas vezes repetitivas e cansativas? Já pensei que poderia mudar algo aqui e ali, que as pessoas poderiam mudar algumas atitudes, que lideres poderiam agir de forma assim ou assado, pois bem! Certo dia indo a uma reunião normal dominical como de costume, Me atentei a placa da igreja, meio estranho pois com 36 anos de membro, ex missionário e servindo como bispo, o que de tão especial me chamou atenção naquele dia? as primeiras palavras A IGREJA DE JESUS CRISTO, por que gostaria de mudar algo que não é meu? Por que questiono o posicionamento atual da igreja em qualquer assunto, se a igreja não é minha? E se eu realmente acredito em Cristo e não duvido de seu poder, e sei que a igreja é Dele, por que descoraria do tamanho da porta, do único piano, das aulas repetitivas, dos programas sociais e por ai vai, por que questionaria isso? Cristo é um tolo? Se Ele tem um profeta e transmite sua vontade, a igreja não é assim porque Ele quer?

        Tem uma igreja aqui perto chamada Bola de Neve, é a igreja mais animada que já vi na vida, Chama se BOLA DE NEVE!

        Sei que parece um jargão mais aquela história do “Muitos são Chamados mas poucos são escolhidos” “Caminho estreito e apertado” e ou porta apertada (rsrs) então, é verdade, mesmo sendo impopular!!

        E o SENA ahh lembro dele, amigão meu na Missão! Brasília, Lembra de mim? Elder Elias servi com ele no distrito novo gama!! Abraço!!

        A Igreja é verdadeira irmãos!

        Forte Abraço a Todos!

      • Concordo com boa parte de seus argumentos, no entanto,permita-me esclarecer que os tais anos 80 foram a época de maior crescimento da igreja no Brasil, as capelas ficavam abertas boa parte da semana e não havia essa paranoia de fechar portões do estacionamento ou abrir apenas meia folha da porta de entrada nas capelas….Nos “anos 80” não existia uma “igreja de domingo”…As pessoas tinham onde ir e se integrar com os demais membros…isso começo a mudar alí pelos anos 90/2000

Deixe um comentário abaixo:

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.