A Primeira Presidência da Igreja SUD já se pronunciou sobre a prática do sexo oral? Profetas e Apóstolos já se manifestaram sobre o sexo oral? Qual a posição oficial da Igreja?

Spencer W. Kimball, Presidente d´A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (1973-1985)
A Primeira Presidência enviou carta para todos os líderes locais no dia 5 de janeiro de 1982 sobre o assunto de entrevistas pessoais. Na carta, ela esclarecem o assunto de sexo oral, dizendo:
“As pessoas casadas devem compreender que, se nas suas relações conjugais elas são culpadas de práticas antinaturais, impuras ou profanas, elas não devem entrar no templo, a menos e até que se arrependam e interrompam quaisquer tais práticas. Maridos e esposas que estão cientes desses requisitos podem determinar por si próprios a sua posição perante o Senhor. Tudo isso deve ser transmitido sem que líderes do sacerdócio se concentrem em assuntos íntimos que são uma parte do relacionamento entre marido e mulher. Entrevistas hábeis e aconselhamento podem ocorrer sem discussão de detalhes clínicos, colocando a responsabilidade firmemente nos membros da Igreja individualmente para colocar suas vidas em ordem antes de exercer o privilégio de entrar na casa do Senhor. A Primeira Presidência tem interpretado o sexo oral como constituindo uma prática antinatural, impura, ou profana. Se uma pessoa está envolvida em uma prática que lhe importuna o suficiente para perguntar sobre ela, ele deve suspendê-la.” [1]
Além de emitir esse decreto formal, o Presidente Kimball publicou mais sobre o assunto:
“Embora sexo possa ser uma parte importante e satisfatória da vida de casado é preciso lembrar que a vida não é projetada apenas para o sexo. Mesmo o casamento não torna adequados certos extremos em indulgência sexual… Talvez a condenação do Senhor incluísse os pecados sexuais secretos no casamento quando ele disse: “E aqueles que não são puros e que se disseram puros serão destruídos, diz o Senhor Deus” (D&C 132:52). Se não é natural, você simplesmente não deve fazê-lo. Isso é tudo, e toda a vida familiar deve ser mantida limpa e digna e em um plano muito elevado. Há algumas pessoas que dizem que por trás das portas do quarto vale tudo. Isso não é verdade e que o Senhor não iria perdoá-lo.” [2]
O Presidente da Igreja imediatamente antes de Kimball, Harold B Lee, também pronunciou-se sobre o assunto de sexo oral, em correspondência pessoal com uma membro da Igreja que lhe havia escrito justamente perguntando a posição oficial da Igreja sobre o assunto:
17 de maio de 1973
Querida Irmã:
Fui ordenado pelo Presidente Harold B. Lee para reconhecer a sua carta de 10 de maio de 1973. Normalmente, a sua carta seria encaminhada para o seu Bispo, que aconselharia com você e dar-lhe-ia as respostas às suas perguntas. Neste caso, no entanto, tendo em conta a natureza intimamente pessoal de sua pergunta, uma resposta está sendo enviada para direcioná-la. Em resposta a uma pergunta semelhante, que o Presidente Lee recebeu recentemente, ele respondeu da seguinte forma:
“Fiquei chocado por você você levantado a questão sobre ‘fazer amor oral na área genital entre casais’. Deus me perdoe qualquer dessas atividades degradantes que seria abominável aos olhos do Senhor. Para qualquer Santo dos Últimos Dias, e em particular aqueles que foram ensinados nas ordenanças sagradas do templo, para se envolver em qualquer tipo de perversões deste dom sagrado da procriação dado por Deus, certamente trairia a condenação do Senhor, a quem ofenderíamos se engajássemos em tal prática.”
Confiando que esta informação será útil para você, eu subscrevo-me
Atenciosamente,
(Assinatura)
D. Arthur Haycock
Secretário ao Presidente Harold B. Lee [3]
O Manual de Instruções da Igreja, volume 1, representa a orientação oficial para toda liderança local, como Bispos e Presidentes de Estaca. Antigamente conhecido como “Manual Geral”, ele não oferece nenhuma diretriz concreta sobre a prática de sexo oral. Contudo, há essa passagem:
“As relações sexuais só são permitidas entre marido e mulher, dentro dos laços do matrimônio. O adultério, a fornicação, as relações homossexuais ou lésbicas e todas as outras práticas profanas, contrárias à natureza ou impuras são pecaminosas. Os membros que violam a lei de conduta moral do Senhor ou que influenciam outros a fazê-lo estão sujeitos à ação disciplinar da Igreja.” [4]
Considerando, portanto, que a Primeira Presidência definiu o sexo oral como “prática antinatural, impura, ou profana” e o manual geral define que todas “práticas profanas, contrárias à natureza ou impuras” como “pecaminosas” e expõe membros “à ação disciplinar da Igreja”, isso significa que sexo oral é pecaminoso e pode levar à excomunhão?
NOTAS
[1] Cópia escaneada da carta: pág 1 e pág 2
[2] Kimball, Spencer W, “A Perspectiva do Evangelho sobre Moralidade” em Ensinamentos de Spencer W. Kimball, p. 312)
[3] Correspondência pessoal de Harold B. Lee
[4] Manual de Instruções da Igreja, vol. 1, 2010, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, p. 158
Ênfase nossa nas citações acima apenas para facilitar a leitura dos trechos relevantes ao assunto em pauta.
Errata: A versão original desse artigo incluía um erro tipográfico, repetindo trecho da primeira citação (i.e., “A Primeira Presidência ‘interpretou o sexo oral como constituindo uma prática antinatural, impura, ou profana'”) no meio da segunda citação. Ambas citações foram corrigidas para refletir os seus textos originais.
Lamentavelmente, existem muitos assuntos que não são tratados na Igreja, por tabu, ou por se ter a vaga impressão de que isso só acontece no mundo fora da Igreja; talves por isso, no que diz respeito as questões sexuais, tenhamos um número tão grande de jovens (adolescentes e adultos) se afastando, e, por conseguinte, tantos casamentos durando tão pouco tempo.
A forma vaga com que tais questões são tratadas nas famílias (de jovens nascidos na Igreja, ou convertidos ainda muito jovens), assim como na ORM, e esm seguida, para aqueles que entraram ha pouco tempo para a Soc-Soc, ou o Sacerdócio Maior, a verdade, é que não se preparam os jovens para isso. Nas próprias famílias SUD, em sua maioria, não existe a preparação devida para o casamento, mostrando que o casamento vai muito mais além, do que o que se pouco comenta nas aulas.
Sou membro da Igreja já ha décadas. Quando me batizei, sempre vi determinados ensinamentos que antes eram permitidos, e, depois por determinadas situações, tornaram-se pecado, ou, o princípio foi mudado.
A Poligamia – permitida até o momento em que os líderes da Igreja foram ameaçados de prisão e de sanções do Estado;
Os negros – proibidos de receber o Sacerdócio – até que isso foi mudado;
Não se podia tomar Coca-Cola, e, isso era expresso em todas as palestras. Apesar de não se confirmar, a igreja foi forçada a retirar a referência marca, e se deixou de fazer qualquer menção a isto;
O que observamos, é que em determinada época, cada assunto, questão ou tabu na Igreja, é depois ou derrubado, ou como se queira dizer, é descontinuado ou reformado.
Na questão específica, aprendi com um Pres. de Estaca, que tive, e que dizia: “o que acontece entre um casal entre as quatro paredes, é assunto exclusivo deles, e, nenhum líder deve ou tem autoridade para opinar, ou dizer se estar certo ou errado”.
Essa questão de que trata do sexo vaginal oral, ou anal, das carícias entre os casais, são assuntos exclusivos entre o marido e a mulher. Penso que, da mesma forma que o dízimo que eu dou, É UM ASSUNTO EXCLUSIVO ENTRE EU E O SENHOR, e que não cabe ao bispo ou outro líder questionar, A FORMA COMO OS CASAIS SE RELACIONAM DE COMUM ACORDO, É UMA QUESTÃO APENAS ENTRE OS DOIS.
Se, estiverem errados, responderão perante o Senhor. O grande problema está no fato de que muitos membros tem por mania, tudo perguntar à liderança, e dependendo do pensamento daquele líder no momento, ao invés de ajudar, só ficará ainda mais em dúvida.
Tiago 1:5 nos ensina: “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada”.
Observo ainda, que muitos líderes e membros da Igreja, veem o obejetivo do sexo ou da relação sexual entre os casais, com o mesmo pensamento do Judaísmo Ordodoxo: “o sexo foi feito apenas para a procriação”.
Em todas essas décadas de membro ativo da Igreja, já vi coisas muito piores do que a questão do relacionamento sexual entre os casais, serem praticadas pelos chamados “casais exemplos” que sempre eram chamados para participar de serões, aulas e seminários para casais.
Portanto, se um casal em comum acordo fazem sexo vaginal, oral e anal, se tocam-se entre eles, é um assunto exclusivo de ambos, no qual nenhum líder deve ter o direito de opinar, assim como, nenhum dos conjuges deve permitir tal intromissão, ou levar esse tipo de assunto para qualquer que seja o nível da liderança.