Joseph Fielding Smith: Vida Pré-Mortal

A sua conduta pessoal durante a vida pré-mortal influencia a sua vida mortal?

Mórmons acreditam que todos nós vivemos numa existência espiritual antes nascer na Terra como mortais. A este período chamam de “vida pré-mortal” ou “primeiro estado”. De acordo com a doutrina mórmon, durante a vida pré-mortal, todos tivemos o livre arbítrio para obedecer ou desobedecer Deus, assim como o têm aqui na vida mortal, ou nesse “segundo estado”.

Como impactariam as nossas decisões lá no que nos ocorre aqui?

Joseph Fielding Smith foi o 10o Presidente d'A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (1970-1972). Filho do 6o Presidente, Joseph F. Smith (1901-1918), também serviu como Apóstolo (1910-1970).

Joseph Fielding Smith foi o 10o Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (1970-1972). Filho do 6o Presidente, Joseph F. Smith (1901-1918), também serviu como Apóstolo (1910-1970).

O Presidente Joseph Fielding Smith explicou a questão com bastante clareza em seu livro ‘Doutrinas de Salvação’, publicado por décadas pela Igreja SUD aqui no Brasil¹:

Há uma razão para um homem nascer preto e com outras desvantagens enquanto outro nasce branco com grandes vantagens. A razão é que nós tínhamos um outro estado antes de virmos para cá, e fomos obedientes, mais ou menos, às leis que lá nos foram dadas. Aqueles que lá foram fiéis em todas as coisas receberam bênçãos maiores aqui, e aqueles que não foram fiéis receberam menos.

Para que não houvesse dúvidas ou ambiguidade, Smith elaborou no assunto com ainda mais certeza²:

Não houve neutros no céu. Não houve neutros na guerra no céu. Todos tomaram partido, fosse com Cristo ou com Satanás. Cada homem tinha o seu livre arbítrio lá, e os homens recebem recompensas aqui com base em suas ações lá, exatamente como eles receberão recompensas no mundo vindouro pelos atos feitos no corpo. O Negro, evidentemente, está recebendo a recompensa que ele merece.”

Além das publicações curriculares, como manuais e guias oficiais da Igreja, poucas são aquelas incluídas entre os livros publicados pela Igreja SUD em tradução para o português. Esse livro de Joseph Fielding Smith foi escolhido para ser um desses, e até hoje ainda é publicado e vendido pela Igreja, inclusive em formato eletrônico, com considerável entusiasmo e aprovação³:

Doutrinas de Salvação… uma obra autorizada, escrita pelo mais notável estudioso do Evangelho na Igreja, contém uma riqueza de explicações sobre muitos assuntos do Evangelho, explicações essas que não podem ser encontradas em outras fontes. É uma obra que vem de encontro à necessidade de material abalizado sobre questões freqüentemente debatidas… Em Doutrinas de Salvação… o Presidente Joseph Fielding Smith responde abalizadamente a uma multidão de importantes perguntas sobre o evangelho

Como refletem essa citações de Fielding Smith nas crenças de membros da Igreja hoje?

Quão representativas são esses ensinamentos de Smith do que a Igreja prega hoje?

Qual significância pode-se atribuir ao fato da Igreja ainda publicar esses ensinamentos, até mesmo na língua portuguesa?


REFERÊNCIAS
[1] Smith, Joseph Fielding, Doutrinas de Salvação Vol. 1, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1994, p. 67 (Impresso no Brasil, ênfases no original).
[2] Smith, Joseph Fielding, Doutrinas de Salvação Vol. 1, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1994, p. 73 (Impresso no Brasil, ênfases no original).
[3] Propaganda no site da editora da Igreja SUD ‘Deseret Book‘ (ênfases nossas).

 

34 comentários sobre “Joseph Fielding Smith: Vida Pré-Mortal

  1. A Igreja Mórmon vive um conflito de “eu disse, eu não disse, ele é um servo de Deus, nós não dissemos isso e você está nos interpretando erroneamente”. Qualquer estudioso de doutrinas religiosas vai reconhecer racismo e preconceito na doutrinas de Joseph Fielding Smith. O mais interessante é que dentro da Igreja há vozes que são contra mas com medo de represálias, alguns trabalham para a Igreja, ficam calados. O racismo pode aparecer de várias formas, e entre as mais comuns, no mundo religioso, é simplesmente dizer que quem proferiu o discurso é um servo de Deus.

  2. Certa vez ouvi o irmão Marcus Martins dizer que essa ideia de que os negros não teriam sido valentes na pré existência foi uma ideia que surgiu dentre o povo da igreja e que ganhou grande popularidade, inclusive sendo abraçada por Fielding Smith, mas que nunca foi fruto de revelação divina.

    Vale dizer que a ideia que os negros eram inferiores ou que não tinham alma já existiam no cristianismo tradicional e era amplamente abraçada pelos cristãos protestantes da época de Joseph Smith, que inclusive era a teoria científica da época e era utilizada para justificar o tráfico de escravos negros.

      • As obras Doutrinas de Salvação são valiosas fontes de doutrina, porém o estudioso diligente deve buscar harmonizar os ensinamentos contidos nesses livros com a evolução da doutrina oficial da Igreja, notadamente em relação ao tema deve-se buscar lê-la à luz do artigo “as etnias e o sacerdócio” disponível no site da Igreja.

        Ademais, simplesmente extirpar essa parte polêmica do texto seria uma imensa falta de respeito para com o autor, seu pensamento e sua obra.

        Na verdade, atualmente tal excerto serve somente como fonte histórica e não como fonte para doutrinação atual, pois vai de encontro aos ensinamentos dos profetas vivos.

      • Certamente ninguém advogaria publicar os livros extirpando “partes polêmicas”. (Diga-se, porém, que ninguém aqui está chamando o ensinamento de Fielding Smith de “polêmico”!)

        Não obstante, a Igreja já publicou um livro de ensinamentos de Fielding Smith sem a inclusão de teologias racistas. Ademais, recentemente notamos uma publicação da Igreja nessa mesma série extirpando “partes polêmicas” dos ensinamentos do Profeta Joseph Smith. Isso significa que a Igreja oferece novas publicações “higienizadas” dos ensinamentos dos profetas do passado.

        Portanto, as questões importantes permanecem. Por que a Igreja traduziria e publicaria esses livros há menos de duas décadas? Por que a Igreja ainda venderia e distribuiria esse livro? Por que não, simplesmente, “higienizar” os ensinamentos que “v[ão] de encontro aos ensinamentos dos profetas vivos” como fazem em outras publicações?

      • Respondendo às suas questões:

        Como já falei anteriormente, a obra “Doutrinas de Salvação” é uma valiosa fonte de doutrina e conhecimento para os membros da igreja, e acredito que isso fosse motivo suficiente para que a igreja decidisse publicar a obra em português, para que os membros do idioma lusitano também tivessem acesso a esse conhecimento e pelo mesmo motivo ela continua a vender ainda hoje.

        Realmente não sei o motivo da obra ter sido publicada em português somente em 1994, talvez a junta de tradutores da igreja estivesse envolvida em outros projetos e em 1994 foi a vez da obra “Doutrinas de Salvação”. Mas não sei o motivo real, estou só levantando uma hipótese. Vale ressaltar que trata-se de uma obra bastante volumosa e naturalmente demanda tempo para que um trabalho dessa magnitude passe por todo o proceso de tradução, revisão, edição e publicação.

        A coleção de livros “Ensinamentos dos Presidentes da Igreja” são de autoria da própria Igreja e como ela é a autora ela pode se dar o direito de atualizar sua obra, seja acrescentando ou excluindo trechos. Diferentemente da obra de Joseph F. Smith onde ele é o autor e a igreja a distribuidora, publicando a obra em sua integralidade.

      • Não seja ridículo, Adalberto.

        Em primeiro lugar, esse é um argumento que nasce de profunda ignorância de princípios básicos de ciência, história da ciência, e filosofia da ciência.

        Em segundo lugar, esse é um argumento conhecido por, ignorantemente, confundir “ciência” com “apropriação social” das ciências. Tropo batido e já descreditado de apologistas simplórios (criticado até por apologistas mais eruditos).

        Em terceiro lugar, você está fugindo da questão que Charles Darwin demonstrou cientificamente o que Fielding Smith não entendia ou não aceitava um século depois, e a Igreja continua sustentando ao traduzir, publicar, e distribuir um século e meio depois.

        Já que você não se ruboriza com gracejos, a sugestão que lhe deixamos é: Pegue emprestado dois livros de resumos básicos de ensino médio, desses para vestibular mesmo, sobre ciências biológicas e história. Leia ambos, incluindo as partes de introdução básica. E leia o livro que lhe citei de Darwin, publicado há um século e meio. “[D]epois volte para conversar comigo.”

      • Primeiramente peço humildemente que me desculpe se tiver lhe ofendido, acredito que fui deveras arrogante em minha frase, foi uma frase infeliz. Não tenho espirito de contenda.

        Ocorre que você citou Darwin como exemplo de teoria científica da época, porém o que predominava na época era a teoria do racismo científico, tendo como expoentes o naturalista e zoólogo francês Georger Cuvier e o historiador e filósofo alemão Christoph Meiners, ambos defensores do poligenismo científico (teoria que acredita que as raças não descendem do mesmo homem), sendo as ideias de Darwin realmente minoritárias na época.

        Em relação a seu comentário gostaria de esclarecer que em momento algum defendi a teoria do racismo cientfico, o que quis dizer no meu comentário original foi que o racismo científico predominava nos idos de 1800 e que tanto a ciência, como a religião e a sociedade estava impregnada de ideais hoje considerados racistas.

        De fato, hoje as teorias de racismo científico não encontram lugar na comunidade cientifica global.

        E para finalizar, é falso o seu argumento de que, ao continuar vendendo a obra Doutrina de Salvação com o trecho que é tema da postagem, a Igreja continua sustentando a teoria de Joseph F. Smith, pois a igreja já tem uma posicionamento sobre o assunto e não se coaduna com o acima exposto.

      • Apóstolo Joseph Fielding Smith, escreveu em 1907 que a crença era “muito geral” entre os mórmons de que “ raça negra tinha sido amaldiçoada por tomar uma posição neutra no grande conselho”. Mas essa crença, ele admitiu: “não é a posição oficial da Igreja, [e é] apenas a opinião dos homens.” Joseph Fielding Smith a Alfred M. Nelson, 31 de janeiro de 1907, biblioteca de história da Igreja, Salt Lake City.

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