Igreja SUD Remove Hino Racista

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias removeu um hino de seu programa curricular da Organização das Moças para o ano de 2017 devido a queixas sobre conotações racistas.

Autora mórmon Janan Graham-Russell

Autora mórmon Janan Graham-Russell

O hino em questão é intitulado “Brancos”, em clara alusão à passagem da Bíblia que diz:

“Embora os seus pecados sejam vermelhos como escarlate, eles se tornarão brancos como a neve…”

O hino em questão seria destinado às classes e reuniões de moças entre 12 e 17 anos. Contudo, imediatamente à publicação do hino em conjunto com o currículo do ano seguinte, a Igreja foi bombardeada por críticas públicas vindo de seus próprios membros. Entre elas, a autora negra SUD Janan Graham-Russell:

“Devido ao fato de conceitos de ‘branco’ e ‘brancura’ estarem tão enraizados com o conceito e a experiência racial, esse hino é muito inapropriado. Entendo a ideia [doutrinária], porém maior cuidado deveria ser tomado com qualquer coisa que envolva a palavra ‘branco’ e a Igreja SUD, especialmente por causa de sua história e as atuais experiências de membros negros. [… Isso é] sintomático da ausência de diálogos honestos sobre raça e o que já foi dito sobre ser branco e ser negro em nossa história. [Isso também reflete] uma severa ausência de vozes de inclusão em posições de autoridade.”

Dentro da doutrina mórmon, tanto expressa nas escrituras, como nos pronunciamentos de profetas do passado, a associação entre pele clara e o conceito de pureza é evidente, assim como a associação entre pele negra e o pecado e rebeldia. Por isso, o membro da Igreja Rigel Hawthorne comentou:

“Membros que não são músicos geralmente não prestam tanta atenção às letras para compreender seus significados contextuais  — especialmente ao ouvi-las pela primeira vez. Mas o único trecho que salta aos ouvidos é o ‘eles (pessoas) se tornarão brancos.'”

Após a enxurrada de críticas e queixas vindo dos próprios membros, a Igreja anunciou a remoção do hino do currículo, de acordo com o porta-voz oficial da Igreja SUD, Eric Hawkins:

“O hino está sendo removido, pendente maiores análises. É importante para os líderes da igreja que não haja sentimentos de ofensa ou mal-entendidos associados com o hino.”

A autora Graham-Russell expressou alegria ao receber a notícia de que a Igreja teria voltado atrás e removido o hino, porém preocupa-se com o fato dele ter sido aprovado desde o início:

“Isso é um processo cíclico: algo como isso é dito ou publicado, as pessoas reagem, e a obra em questão é removida, apenas para que aconteça novamente, e novamente. O esforço para construir alianças com as comunidades de cor deveria ser algo além de apaziguar aparências. [Até que mórmons consigam discutir aberta e francamente] o impacto da teologia racista e das expressões linguísticas utilizadas para sustentá-la, essa não será a última vez que teremos tais controvérsias.”

Essa não é a primeira vez que o legado cultural e teológico racista expressa-se nas manifestações musicais da Igreja. O hinário SUD em português, antes da edição de 1991, exibia uma estrofe do hino Vem, ó dia prometido, no número #171, com óbvias alusões racistas a ameríndios. O hino brasileiro introduziu, portanto, gerações de membros da Igreja à crença que a pele escura é feia e desagradável, além de um sinal de maldição divina e baixa espiritualidade e moral. Ademais ainda há um hino no hinário em inglês com resquício histórico de supremacia racial.

Também destinado a seus membros adolescentes, o novo manual para professores do Seminário afirma o banimento de negros do sacerdócio mórmon (1852-1978) foi uma lei temporária e divinamente inspirada.

Como habilmente analisou Graham-Russell, enquanto for tabu discutir, avaliar, e criticar “o impacto da teologia racista e das expressões linguísticas utilizadas para sustentá-la”, é provável que não se superará esse obstáculo ideológico e cultural dentro do mormonismo.


Encontre aqui artigos sobre exemplos históricos de racismo na teologia e na cultura mórmon.

9 comentários sobre “Igreja SUD Remove Hino Racista

  1. Q nada a ver esse post! No mundo inteiro o Branco é e entendido e reconhecido como sinônimo de pureza, todos sabem disso! Ninguém está querendo que negros se tornem brancos! Essa mola q reclamou certamente tem problemas com auto aceitação e é neurótica! Na maioria das vezes o racismo vem dos próprios negros e sua mania de se sentiram diminuídos.
    Quando alguém me chama de branca ou galega não fico ofendida, pq eu sei q essa é uma característica minha e não digo q é racista! Agora chama de preto ou até mesmo negro p ver o escândalo! Se fazem de vítimas! Se tivessem amor próprio e se aceitassem, de tivessem mais orgulho da propri a cor, raça e etnia, seriam mais felizes.
    Meu avô era negro e super racista com a propria cor, sei do q estou falando.
    O hino se refere à brancura da pureza não essa viagem q essa pobre moça racista com ela mesma sugere.

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