Anjos da guarda

Esperança, de J. Kirk Adams

Esperança, de J. Kirk Adams

Todas as pessoas têm seus anjos da guarda. Se nossos mortos que partiram nos guardam não me cabe dizer. Posso dizer que temos nossos anjos da guarda.
–Brigham Young, 10 de dezembro de 1868, Journal of Discourses 13:76.

Igreja Mórmon Contradiz-se, Mente Para Silenciar Intelectual

A Igreja SUD excomungou psicólogo cujo projeto público é ajudar membros da Igreja a manter sua fé enquanto sofrem com dúvidas sobre as práticas éticas, morais, e históricas de sua religião.

John Dehlin e esposa conversam com 200 amigos enquanto aguardam sua "corte de amor". (Foto por Rick Egan do The Salt Lake Tribune)

John Dehlin e esposa conversam com 200 amigos enquanto aguardam sua “corte de amor” na Estaca Logan do Norte. (Foto por Rick Egan do The Salt Lake Tribune)

Há pouco mais de uma década, John Dehlin vem mediando comunidades na internet para membros da Igreja sofrendo de crises de fé por dúvidas ou inquietações sobre questões históricas ou éticas. Seu tom conciliador, seus esforços para promover a fé Mórmon e incentivar membros a permanecerem na Igreja, e sua abordagem respeitosa lhe renderam milhares de fãs e a tácita aceitação da liderança da Igreja. Contudo, nos últimos dois anos, a Igreja encontrou-se sob maior e crescente pressão pública por causa da exposição da candidatura presidencial de Mitt Romney, do movimento a favor da ordenação de mulheres ao Sacerdócio, e da rápida deterioração da posição anti-gay da Igreja frente à sociedade e as leis norte-americanas. Dehlin, apoiando publicamente ambas destas últimas, encontrou-se progressivamente em posição contrária à liderança da Igreja, passando a ser ameaçado e coagido por meses, e finalmente sendo excomungado ontem.

Em nota oficial, a Igreja defende-se de críticas públicas contra essa manobra de censura entrando, contudo, repetidas vezes em contradição.

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Novo Templo Anunciado na Islândia

A construção histórica de um novo templo na Islândia é anunciada, porém trata-se de um templo pagão. Pagão Nórdico. Do tipo dedicado a Thor, com sua Mjölnir, Loki, Odin, Frigga, Sif, Laufey, Heimdall e outros deuses.

Os deuses nórdicos Thor e Loki crescem em popularidade na Islândia; Joseph Smith cai.

Os deuses nórdicos Thor e Loki crescem em popularidade na Islândia; Joseph Smith nem tanto.

Por que essa notícia seria relevante para Mórmons?

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Como Você Traduziria Ezra Taft Benson?

Em 2015, mórmons pelo mundo afora estarão estudando os ensinamentos de Ezra Taft Benson, 13° Presidente d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias entre 1985 e 1994.

 

Durante o ano, aproveitaremos esta oportunidade para relembrar e discutir a interessantíssima e idiossincrática passagem desta marcante figura histórica do mormonismo, que serviu como Apóstolo entre 1943 e 1985, como Ministro da Agricultura dos Estados Unidos entre 1953 e 1961, e protagonizou as maiores controvérsias na história da liderança Mórmon no século 20.

Antes de entrarmos na celebração deste importante homem, ponderemos talvez seu legado filosófico e teológico mais famoso.

Uma das citações icônicas no mormonismo associadas a Benson é, ironicamente, anônima. Publicada em uma revista oficial da Igreja como mensagem oficial para Mestres Familiares, ela, não obstante, encapsula tão profunda e sucintamente um dos discursos mais icônicos da carreira apostólica de Benson que é, até hoje, usada para resumir a sua filosofia profética. Ela é, também, uma das mais difíceis de se traduzir. Como qualquer tradutor competente e experiente sabe, uma tradução bem sucedida deve muito mais que transliterar as palavras entre uma língua e outra, mas sim transpassar a totalidade das ideias e dos sentimentos expressado em uma língua para outra. E isso, como bons tradutores admitem, nem sempre é simples, fácil, ou mesmo possível.

Portanto, estamos solicitando uma colaboração coletiva para traduzir esta pérola dos arquivos literários da Igreja SUD: Continuar lendo

Campanha “Eu Sou Mórmon” Analisada

Entre 2011 e 2014, a Igreja SUD conduziu uma campanha publicitária multi-milionária para passar uma imagem ao público de uma religião heterogênea:

Iniciada em 2011 nos EUA e Austrália e recentemente levada também para o Reino Unido e Irlanda, a campanha procura mostrar membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias como pessoas normais, com suas diferentes origens, profissões e estilos de vida. Diversidade é um conceito essencial da campanha. No site, pode-se buscar perfis até por etnia e religião anterior. Os vídeos evitam capelas ou homens de camisa branca e gravata. Ambientes e pessoas são alegres e informais. Dos cinco vídeos brasileiros, quatro mostram algum momento de superação. O empresário que pratica surf fala de como superou a morte do pai. A professora e coreógrafa superou a falta do amor de seu pai alcoólatra. O policial militar que ama dança gaúcha e luta contra o câncer. O ator e dublador e uma fratura exposta.

Pesquisadora da Universidade de Zurique, Marie-Therese Mader apresentou um estudo acadêmico no último congresso da Academia Americana de Religião onde ela examina o contexto e o subtexto desta campanha publicitária, e o que ela pode sugerir sobre a realidade comunitária da Igreja SUD, a percepção que a Igreja (ou sua liderança) tem de si mesma, e a percepção que a Igreja (ou sua liderança) deseja passar tanto para os próprios membros da Igreja e para os não-membros. Continuar lendo

A Causa do Movimento Planetário

Ross Wesley LeBaron

Ross Wesley LeBaron

Ross Wesley LeBaron (1914-1996) foi um líder mórmon fundamentalista, que na década de 1950 organizou uma pequena denominação chamada Igreja do Primogênito, proclamando-se o herdeiro patriarcal de Joseph Smith. Ele ficou conhecido em Utah pelo seu programa de rádio, onde expunha suas doutrinas e polemizava com a Igreja SUD e outros fundamentalistas. Ross se sustentava como mecânico, zelador e com outros trabalhos braçais, morando num container na última fase da sua vida. O texto abaixo é um panfleto seu publicado em 1952. Continuar lendo

Wilford Woodruff: Revelação de 1880

woodruffTrechos da revelação recebida por Wilford Woodruff, em 26 de janeiro de 1880, perto das Montanhas Sunset, no Arizona, conforme registrada em seu diário.

Wooduff era à época membro do Quórum do Doze. Sete anos mais tarde, com a morte de John Taylor, ele viria a assumir a liderança da hierarquia mórmon, sendo escolhido como Presidente da Igreja em 1889. Continuar lendo

Autonomia da Sociedade de Socorro – parte 2

eliza2Investidura e Imposição de Mãos

Toda mulher que houvesse recebido sua investidura no templo estaria qualificada para dar bênçãos por imposição de mãos a uma pessoa enferma. Essa foi a afirmação de Eliza R. Snow, quando presidente da Sociedade de Socorro. O trecho abaixo é de uma seção de perguntas e respostas no jornal The Woman’s Exponent (O Expoente da Mulher), de 15 de setembro de 1884 (página 61).

“É necessário as irmãs serem designadas para oficiar nas sagradas ordenanças de lavar, ungir e impor as mãos ao administrar aos doentes?”

Certamente não. Toda e qualquer irmã que honra sua santa investidura não apenas tem o direito, mas deveria sentir como um dever, sempre que chamada para administrar a nossas irmãs nessas ordenanças que Deus graciosamente confiou às Suas filhas, assim como aos Seus filhos; e testificamos que quando administradas e recebidas em fé e humildade são acompanhadas de grande poder.

Na medida em que Deus, nosso Pai, essas sagradas ordenanças e as confiou aos Seus Santos, não é apenas nosso privilégio mas nosso dever imperioso aplicá-las para o alívio do sofrimento humano. Achamos que podemos seguramente dizer que milhares podem testificar que Deus sancionou a administração dessas ordenanças por nossas irmãs com a manifestação de Sua presença curadora.

A prática de mulheres mórmons imporem as mãos sobre enfermos surgiu com a própria formação da Sociedade de Socorro, antes do desenvolvimento da investidura, e foi defendida publicamente por Joseph Smith.

Leia a primeira parte desta série: Juízas em Israel.

Arcanjos

William_W._PhelpsAprenderemos aos poucos que estávamos com Deus em outro mundo, antes da fundação do mundo, e tínhamos nosso arbítrio; que viemos ao mundo e temos nosso arbítrio, para que nos preparemos para um reino de glória; tornemo-nos arcanjos, mesmo filhos de Deus, onde o homem não é sem a mulher nem a mulher sem o homem, no Senhor. Uma consumação de glória e felicidade e perfeição para ser tão desejada que eu não perderia por dez mundos.

– William W. Phelps. Messenger and advocate 1:30, 09

Autonomia da Sociedade de Socorro – parte 1

elizaJuízas em Israel

De acordo com Eliza R. Snow, as mulheres da Sociedade de Socorro não deveriam buscar aos bispos para aconselhamento, mas usar a estrutura da Sociedade feminina para resolver seus problemas. O trecho abaixo é de uma seção de perguntas e respostas, pela então presidente da Sociedade de Socorro, no jornal The Woman’s Exponent (O Expoente da Mulher), de 15 de setembro de 1884.

‘Devem os membros da Sociedade de Socorro buscar o Bispo para conselho?’

 

A Sociedade de Socorro foi criada para ser uma organização autogovernada: para aliviar os Bispos, bem como aliviar os pobres, para lidar com seus membros, corrigir abusos, etc. Se surgirem dificuldades entre os membros de um ramo que não podem resolver entre si próprios, auxiliados pelas professoras, em vez de incomodar o Bispo, o assunto deve ser encaminhado para a presidente e suas conselheiras. Se o conselho de ramo não puder decidir de forma satisfatória, o recurso para o conselho da estaca seria o próximo passo; se isso falhar para resolver a questão, o próximo passo a traria [o problema] perante o conselho geral, a partir do qual o único recurso é o Sacerdócio; mas, se possível, devemos aliviar os Bispos em vez de aumentar suas inúmeras tarefas.

Conselho de ramo, conselho de estaca e conselho geral eram instâncias da Sociedade de Socorro.

Leia a segunda parte desta série: Investidura e Imposição de Mãos.

Ordenanças do templo – parte 2

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Planta do templo de Kirtland

O que significavam “investidura” e “selamento” para os mórmons na década de 1830?

Em dezembro de 1830, Joseph Smith recebeu uma revelação que ordenava a migração para o estado americano de Ohio, onde, além da maior segurança, os santos seriam “investidos com poder do alto”. ¹ Na década de 1830, mórmons interpretavam a palavra “investidura” como um fenômeno espiritual a ser buscado, pelo qual indivíduos seriam dotados de poder ou dons espirituais, manifestos em profecias, visões ou dom de línguas. Os relatos do período de Kirtland são ricos na descrição de experiências dessa natureza. Os rituais realizados em Kirtland para a busca de tal “investidura” do Espírito eram mais simples do que os que seriam desenvolvidos em Nauvoo. As abluções e unções seguiam um padrão semelhante ao descrito no texto bíblico.² Continuar lendo

Ordenanças do Templo – parte 1

O Templo Antes dos Templos e os Precedentes para os Círculos de Oração 

Unções e abluções, investiduras, selamentos e segundas unções constituem as mais sagradas cerimônias do mormonismo. Elas são geralmente chamadas pelos santos dos últimos dias de “ordenanças do templo”, uma vez que, para a imensa maioria dos mórmons que as praticam, são realizadas unicamente em templos, longe da esfera pública, onde a admissão não é livre sequer para qualquer membro. É importante lembrar, no entanto, que a prática de tais cerimônias “do templo” antecedeu a construção de qualquer templo mórmon, sendo realizadas ao ar livre ou em casas e outros prédios sem um uso exclusivamente religioso.

js_portraitFalando sobre a investidura, em 1 de maio de 1842, Joseph Smith fez questão de lembrar que as cerimônias do templo poderiam ser obtidas fora de prédios especiais:

Há certos sinais e palavras pelos quais falsos espíritos e personagens podem ser detectados dos verdadeiros, que não podem ser revelados aos élderes até que o templo esteja completo. O rico pode obtê-los apenas no templo. O pobre pode obtê-los no topo da montanha como fez Moisés. Há sinais no céu, terra e inferno e os élderes devem conhecer todos para ser investidos de poder, para terminar seu trabalho e evitar falsificação. O demônio conhece muitos sinais mas não conhece o sinal do Filho do Homem, ou Jesus. Ninguém pode dizer que conhece Deus até que tenha tocado algo, e isso só pode ser feito no Santo dos Santos. [1] Continuar lendo

Céu aqui

98f/29/hgmp/12607/mp246“O único céu para vocês é o que vocês próprios fazem. Meu céu está aqui [colocando as mãos sobre o coração]. Eu o carrego comigo. Quando eu o espero em sua perfeição? Quando eu surgir na ressurreição; então o terei, e não antes. Mas agora temos que lutar a boa luta da fé, espada em mão, tanto quanto os homens que vão à batalha; é uma guerra contínua, da manhã à noite, com a espada na mão. Este é meu dever; esta é minha vida.” (Brigham Young, 21/09/1856, Journal of Discourses 4:55) Continuar lendo

Podcast Mórmon #102 – A Crise de Sucessão de 1844

A Associação Brasileira de Estudos Mórmons e o Vozes Mórmons dão seguimento ao projeto coletivo de podcasts para discussão de temas relacionados ao Mormonismo: O Podcast Mórmon.

Neste episódio Antônio Trevisan e Marcello Jun discutem o passado e o futuro da pesquisa acadêmico-histórica de um importante capítulo na história Mórmon: a crise de sucessão pelo controle da Igreja Mórmon após o assassinato de Joseph Smith em junho de 1844.

Em 27 de junho de 1844, Joseph e Hyrum Smith foram assassinados por uma turba em Carthage, Illinois. Suas mortes precoces e inesperados tomaram Joseph, e todos os Mórmons, completamente surpresos e despreparados. O que seguiu-se foram meses, anos, e décadas de confusão, brigas, e incertezas sobre quem deveria liderar a Igreja Mórmon agora que seu Profeta havia morrido. Esta confusão afetou não apenas a estrutura de poder e os líderes e candidatos à sucessão, mas também pessoas individualmente e famílias inteiras.

Embora muitos Mórmons acreditem que os Apóstolos teriam o direito de liderar a Igreja após a morte do Profeta, isto não era o que Smith havia legado à sua Igreja. Neste episódio do Podcast Mórmon, discutimos o que historiadores descobriram sobre os dilemas, debates, e brigas que sucederam a morte do Profeta e do Patriarca.

Assista aqui o podcast na íntegra:

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Brigham Young: Por Que Adão?

Brigham YoungBrigham Young, em discurso no famoso Tabernáculo Mórmon em 08 de junho de 1873, explica porque Adão se chamava Adão:

“O mistério é assim, como com os milagres, ou qualquer outra coisa, apenas um mistério para aqueles que são ignorantes. O Pai Adão veio até aqui, e então lhe trouxeram sua esposa. ‘Bom’, dirá alguém, ‘por que Adão foi chamado de Adão’? Ele foi o primeiro homem na Terra, e seu arquiteto e seu criador. Ele, com a ajuda de seus irmãos, a trouxe à existência.

Então Ele disse: “Eu quero que meus filhos, que estão no mundo espiritual, venham e habitem aqui. Certa vez Eu habitei uma Terra parecida com esta, num estado mortal, Eu fui fiel, Eu recebi minha coroa e minha exaltação. Eu tenho o privilégio de extender minha obra, e ao seu acréscimo não haverá fim. Eu quero que meus filhos, que me foram nascidos no mundo espiritual, venham até aqui e assumam tabernáculos de carne, para que seus espíritos possam tem um lar, um tabernáculo ou um habitáculo como o meu tem, e onde está o mistério?”

O discurso inteiro de Brigham Young merece atenção cuidadosa (publicado originalmente no Deseret News, pp.4-5, vol. 22:308, 18 Junho 1873). Seguem alguns trechos interessantes deste mesmo discurso: Continuar lendo